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Não começou hoje. Parece uma corrente de ar. Porque as portas estão abertas. Essas portas são a liberdade de expressão usada em campanha contra a liberdade do outro, esse outro que tem o atrevimento de pertencer a uma corrente de opinião diferente, de não concordar com o movimento do momento, de ter pertencido a uma campanha, de dar a sua opinião, sendo ou não sendo Deputado, assessor, como o são tantos dos que o matam enquanto pessoa, ou dos que habilmente se calam perante estes ataques pessoais. Porque também há os silenciosos, os que clamam pela liberdade e que condenam pessoas ao ostracismo em frases que ficam para a história, ou os que são Deputados, assessores, e que legitimamente opinam e que hoje, no dia de hoje, nada dizem, porque é bom ver uma tentativa de homicídio, desde que seja do outro, o outro divergente, eis um conceito de liberdade e de dignidade que acaba no umbigo.


Este clima de perseguição que tem aqui uma concretização de escola, lembra uns senhores de há muitos anos, que entendiam que o homem pertence ao Estado, que divinizavam o monstro, anulando a vontade individual. Deram um toque moderno e tosco a Aristóteles, a Hobbes, a Rousseau, ou a Hegel e talvez não se tenham apercebido que na sua liberdade de expressão adoptaram uma linha rasca, mas perigosa, de totalitarismo.


Tu, João - ou eu, tanto faz - não és tu, indivíduo livre que opinas numa sociedade civil a que pertences, independente do Estado, ainda que, naturalmente, visando transformações no Estado ou no aparelho do poder; tu fazes parte da circunstância do Estado e existes apenas e só para o servires.


Os bufos livres, caçadores de homens, não se dão conta deste transpersonalismo datado, ou talvez eu seja muito nova e não tenha memória da origem de muita da espécie.


Cresci já em democracia e tenho por normal que possa ser de um Partido, que possa ser Deputada, que possa ser assessora, sem que com isso perca a minha qualidade de cidadã com direitos, imagine-se, de participação na vida pública.


De resto, foi essa capacidade crescente de participação que alterou a história dos partidos políticos na europa, que eram de elite (caso da Inglaterra), e essa transformação esteve presente nas reacções modelares propostas por grandes memórias de "democracia" e de "reconhecimento" do indivíduo. Estou a pensar no modelo de Lenine ou no modelo de Partido Nazi, ambos sem reconhecerem autonomia à sociedade civil.


É disto que me tenho lembrado quando leio os ataques pessoais que já vêm de trás. Pensas assim? Deves ser pago pelo Governo, pelo Estado. És empregado deles. Não tens autonomia.


O indivíduo defende-se porque se atreve a ter bom-nome. Mas a luta continua, a luta contra quem se atreve a pensar diferente, porque não pode haver debate, tem de se eliminar o outro, tornando-o numa não-pessoa. Pode ser-se Deputado do PSD e fazer campanha num blog; pode ser-se assessor de um partido e fazer-se campanha ou opinar-se num blog. E bem. Mas a liberdade tem direitos de autor.


Chega o dia em que se diz: naquele tempo em que fizeste campanha para o PS como cidadão e trocaste impressões com pessoas do PS sobre matérias de campanha não eras um indivíduo. Em bom rigor, perdeste essa qualidade.


Patife. Campo pequeno?


 

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publicado às 16:13


35 comentários

De Rogério da Costa Pereira a 17.02.2010 às 17:22

Pois, passei a ser sub-humano.

De Morgadinho a 17.02.2010 às 17:35

Confundir a discussão da utilização de cargos públicos e divulgação de informação obtida no exercício dessas funções para fins de política partidária e campanha eleitoral com a discussao "Da morte do indivíduo ou o totalitarismo disfarçado" é, isso sim, salvo o devido respeito, como alguém imputava-me num comentário, estar numa "realidade paralela" ou procurar formas de evitar discutir algo...

De Isabel Moreira a 17.02.2010 às 17:37

eu também, de acordo com alguns textos. penso que a malta toda do jugular, que por acaso escreve de graça, é independente, na sua esmagadora maioria nada tem que ver com partidos - e se tivesse? -, mas enfim...parece que até sabem onde nos vestimos. consta que é em locais caros.

De Anónimo a 17.02.2010 às 17:41

Vou repetir, só para ter a certeza do que li: "penso que a malta toda do jugular, que por acaso escreve de graça, é independente, na sua esmagadora maioria nada tem que ver com partidos". O ridículo não tem limites? Bem sei que formalmente (o advérbio está na moda por aqui!) até pode ser verdade, mas ser independente não é não ser militante de um partido. Acredita mesmo no que acabou de escrever??

De António Carlos a 17.02.2010 às 17:53

Boa tarde,

confesso que ainda não consegui ter uma opinião formada acerca da notícia do CM e da questão da "participação de assessores governamentais no Simplex" (digo desta forma para simplificar).

Hoje cheguei a esta notícia
http://www.briefing.pt/content/view/2939/11/
através do 31 da Armada.
O Governo contratou uma agência de comunicação para defender a imagem de Portugal nos mercados financeiros. Pareceu-me bem.

Mas se a notícia fosse "Governo contratou uma agência de comunicação para defender a imagem do PS num blog durante a campanha eleitoral", já me parecia mal.

Por outro lado, acho perfeitamente natural que qualquer pessoa, a título individual (nem que fosse Ministro), participasse no Simplex. Nesse sentido concordo inteiramente com o seu post (ou o que julgo perceber dele).

Assim, ainda não consegui estabelecer uma linha de separação. Consigo apenas identificar claramente algumas situações "limite" que são "claras" (para mim).

Julgo que no caso do Simplex (blog que acompanhei juntamente com o Jamais e o Rua Direita) tudo seria mais claro se quem participou (autores) se identificasse (como foi o seu caso, presumo).

Por um lado, ninguém deve naturalmente ser limitado de exprimir as suas opiniões (nem assessores governamentais);
Por outro, não gostaria que o Governo utilizasse meios Estatais para participar em campanhas eleitorais.
O problema é que a própria natureza e vínculo de um "assessor" se presta a esta situação "pouco clara". Agravada, a meu ver, pela sua não identificação e participação directa. Se um assessor tem algo a dizer a título particular, que o diga directamente.

De Pedro Sousa a 17.02.2010 às 17:55

Você confunde as coisas.

O problema é a utilização de recursos públicos para promover interesses privados, no caso partidários - desde a utilização de um veículo de um governo regional  ao uso de informação privilegiada que não está acessível aos restantes partidos.

Parece-me ser bastante fácil de compreender.

De resto, acho que um senhor chamado Fernando Charrua se deve estar a rir a gargalhadas despregadas. Haja decência.

De JP Santos a 17.02.2010 às 18:00

Parece que me perdi na história. Quando estiver em causa a vossa liberdade de expressão podem contar com todo o meu apoio. Não me choca que assessores do Governo colaborem em blogs de apoio ao Governo e não me procupam minimamente minudências como a alegada utilização de meios informáticos do Estado. Mas já me parece criticável a (eventual) utilização de informação privilegiada. E já agora se era tudo assim tão "normal" porque razão não eram divulgadas as fontes da informação utilizada ?

De Anónimo a 17.02.2010 às 18:13

Uma coisa são assessores do Partido outra são assessores do Governo. O Estado não é o PS!

De AJDiogo a 17.02.2010 às 19:00

Até este menino que também pertence à equipa

http :/ outubro10.spaces.live.com /blog/cns!E0B1952B675A321D!1543.entry?sa=158910304" http :/ outubro10.spaces.live.com /blog/cns!E0B1952B675A321D!1543.entry?sa=158910304</a>

gosta de dizer coisas. Eles são assim coitados.

De Isabel Moreira a 17.02.2010 às 19:26

o morgadinho não percebeu o ponto. este ataque vem na sequência de um ataque mais longo, anterior. qual é o deputado/colunista/bloguer que não usa o que sabe como deputado na sua actividade livre como cidadão opinador? qual é o problema de um assessor escrever assumidamente num blog - simplex - de apoio ao PS e pedir informações a quem está a apoiar sobre os temas da especialidade das pessoas em causa? quem disse que eram informações distintas das usadas publicamente pelo PS? privilegiadas por quê? o assessor perde direitos de cidadania?  

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