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É normal que a esta hora as pessoas se perguntem por que raio dou tanta importância a Pedro Lomba, o jurista/comentador que considero meu colega há dez anos, na faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, e que achou por bem dizer que eu não tenho autonomia por não ir a uma manifestação.


Esta afirmação vinda de alguém que sempre tive por livre, porque não sou pidesca da consciência das pessoas em geral, muito menos, por maioria de razão, das pessoas que conheço em particular, mereceu-me o repúdio que, penso, teria merecido de Pedro Lomba uma afirmação análoga a si dirigida, de alguém que tivesse as suas posições como não autónomas, mas assim, não sei, como dizer, talvez comprometidas com o PSD, por exemplo, em vez de apenas com a sua própria cabeça.


Depois o Pedro veio explicar que sou uma histérica e que falou de falta de autonomia política e não de falta de autonomia. A língua portuguesa é de facto muito rica, mas não tanto como o Pedro, na sua trágica tentativa de recuo tenta fazer crer, e concretiza a calúnia.


É neste ponto que o Pedro merece toda a atenção, porque a calúnia dele vem numa linha e num contexto que ele sabe que existe, e como o Pedro fala português, quando me acusa de falta de autonomia - perdão, parece que afinal é autonomia política -, ele que se diz tão preocupado com a liberdade de expressão, está a condicionar e a manchar a minha expressão, precisamente. O que ele faz é dizer que o que eu digo não tem valor, não existe, aliás, eu não existo para o efeito do que venho escrevendo, porque, Pedro, como sabes, falta de autonomia é isso.


Em discurso directo, Pedro, dizes-me tu que eu faço parte dos finados do regime, que dei cobertura ao regime, que me colei excessiva e cegamente a Sócrates e até decides que me ficava bem uma autocrítica.


É triste ver que não te dás conta que o que estás a construir é um discurso totalitário. Pergunto-te - sem um j'accuse -, em que é que textos meus, que traduzem um entendimento jurídico sobre privacidade, liberdade de expressão, segredo de justiça, bom-nome (nomeadamente o teu), reserva da vida privada e, na sua maioria, casamento entre pessoas do mesmo sexo, são textos de defesa cega de Sócrates. Explicas-me? Dás-me licença que me esteja nas tintas para Sócrates, Manuela Ferreira Leite, Paulo Portas, Louçâ, quem quer que seja, e que tenha por seguro que ao menos tu, que me conheces, não caias neste condicionamento infernal do que eu escrevo que é presumir que o faço para proteger Sócrates? Sabes, por acaso, que há Professores, na nossa casa, que jamais votaram Sócrates, que o querem longe, de preferência, mas que concordam com o que venho escrevendo? Achas que são autónomos?


Feitas as questões ao meu colega que até há uns tempos me tinha por uma pessoa livre, insisto em que estes pontos são fundamentais. A liberdade de expressão está de facto ameaçada. Quem se atreve a defender valores como o segredo de justiça, a privacidade ou a não politização das decisões judiciais não é livre. Imediatamente é apelidado de vendido, Socratista, seguidista, anónimo e, agora, "não autónomo".


Tenho pena, mesmo muita pena, que Pedro Lomba me leia assim. Que entenda que se se demonstrar que Sócrates fez o que ele entende ele fez, eu tenho que rever o meus textos. Pensava eu, imagine-se, que andava a escrever sobre direitos fundamentais e não sobre José Sócrates. Pensava eu que Pedro Lomba fazia parte dos que percebia isso e dos que lidava bem com a diferença de posições jurídicas sobre determinadas questões.


Uma desilusão. Mesmo. Porque estava iludida.

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publicado às 12:56


4 comentários

De Anónimo a 12.02.2010 às 13:46

Muito bem, mas que é histérica: lá isso é.

De Rita a 12.02.2010 às 14:03

Com todo o respeito Isabel, já reparou que o país está em polvorosa com um suposto decretamento de uma providência cautelar contra um jornal?

Ainda prefere comentar o Pedro Lomba? É que por estas e por outras é que ele vos acusa de sectarismo ou lá o que for. Vá lá, não faça como o Rui Pedro que não só não conseguiu impedir como aumentou a tiragem do SOL.

De julia a 12.02.2010 às 14:46


relax boys. o que eles querem é meter a malta em casulos
que eles construíram, ainda por cima.


fazes muito bem em borrifar-te pa todos.


estavas iludida?? hmmm. sherlocks hesitation. 
não sei. quem é que pode saber se estavas mesmo iludida? no lo so. 
http://www.youtube.com/watch?v=0snOeczlEJQ&feature=related

De Sérgio de Almeida Correia a 12.02.2010 às 16:42

Peço desculpa pela franqueza, mas fico abismado com o tempo que se perde na blogosfera com alguns comentários do Pedro Lomba. Não admira que ele tenha cada vez mais dificuldade em segurar a franja.

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