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Ontem tive uma conversa, entre outras coisas, sobre os direitos dos "indígenas", das populações das colónias portuguesas, das províncias ultramarinas. Hoje, por um acaso, lembrei-me da minha ida a São Tomé, um dos lugares mais bonitos que conheci, e terra de alunos que tive, de pessoas com quem me cruzei na vida. Hoje, não por acaso, diria, lembrei-me de São Tomé, porque passam 57 anos sobre uma nódoa do nosso passado ditatorial e colonial, que ficou conhecida como "massacre de Batepá".
Não sou historiadora, não sou certamente a pessoa mais indicada para falar sobre o assunto, mas quando estive em São Tomé fui visitar um dos locais onde muitos negros foram mortos às ordens do nunca punido governador Carlos Sousa Gorgulho. O número de mortos é indeterminado, fala-se em cerca de 1000. A causa da ordem da chacina, pelo que pude tentar saber, teve que ver com o movimento dos senhores das roças contra o chamado "plano de fomento", que perigava a extensão do "maravilhoso" regime de trabalho forçado, que só viria a ser extinto no início da década de 60.
Há quem diga que o massacre teve que ver com o perigo de uma conspiração visando criar um regime de nativos de São Tomé.
Certo é que se formaram milícias - compostas por voluntários -, prontas para uma caçada ao "preto". Há relatos monstruosos de gente queimada, de gente torturada, de utilização da cadeira eléctrica para efeitos de confissão de participação na conspiração.
O lugar que visitei, de que falava mais atrás, é hoje uma sala de angústia. Uma sala comida pelo tempo. Uma sala vazia de objectos no seu interior, mas cheia da memória dos sons dos gritos dos homens e das mulheres que foram lá postos amontoados, com um guarda à porta, e que morreram por sufocação.
Acontece-nos isso ao caminhar pelos quatro cantos daquela sala, daquela cela: uma sufocação.
É verdade: o que aconteceu ao Governador Carlos Sousa Gordulho que ordenou a chacina? Parece que esteve para ser promovido e não foi.
Lembro-me há uns anos de ter lido, no Arquivo da PIDE/DGS, uma carta, apreendida por essa polícia, à escritora de S. Tomé, Alda Espírito Santo, a relatar os terríveis acontecimento de Fevereiro de 1953, em que foram presos, torturados e massacrados muitos são-tomenses, às mãos do governador Gorgulho. Informado sobre o caso, o advogado da oposição Manuel João da Palma Carlos tomou a iniciativa de ele próprio proceder a um inquérito e dirigiu-se a essa colónia. O próprio regime salazarista preocupou-se e a PIDE enviou a S. Tomé e Príncipe, entre Março e Junho de 1953, o chefe de brigada Fernando Gouveia, para inquirir sobre o assunto. Como ele próprio contaria, «colaborou numa situação deveras confusa que havia provocado a prisão de 1200 ou 1300 nativos, acusados de fazerem parte de uma organização comunista e que, afinal, após o devido esclarecimento, se verificou a sua não existência, ilibando-se assim todos os delitos, que foram imediatamente soltos». A deslocação de Fernando Gouveia a S. Tomé e Príncipe foi elogiada, na PIDE, «pela forma compreensiva e disciplinada com que, dado o melindre das investigações a efectuar se desempenhou da missão e acatou as directrizes estabelecidas» (Arquivo Histórico Militar, Fernando Gouveia, proc 441/74, volume I, fls. 60-63)
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