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Pacheco Pereira ou o Método do Eucalipto

por Isabel Moreira, em 01.02.10

Pacheco Pereira escreveu, recentemente, na sua coluna de opinião da revista Sábado o seguinte: “Esses blogues, como o Câmara Corporativa, o Aspirina B, o Jugular, escritos muitas vezes sob o anonimato e onde pululam empregados do governo, e às vezes mais acima – o anonimato serve para ocultar os autores, mas o estilo denuncia-os –, representam um mundo aparte na blogosfera que revela as fontes do radicalismo que emana nos dias de hoje do centro do poder socialista à volta de Sócrates”.



Este parágrafo vem na sequência de muitos textos de Pacheco Pereira, onde a tónica é sempre a mesma: a de que estamos a viver um clima mau para a liberdade de expressão e a de que se é um desgraçado por se atacar Sócrates, como ele, que faz parte dos “bons”, porque quem ataca Sócrates é necessariamente livre, transparente e honesto, enquanto quem defende Sócrates é uma besta, servil, ignorante e insultuoso. Sobretudo, não é livre. Numa coluna de opinião Pacheco Pereira na revista Sábado o Deputado compara o estatuto de crítico de Sócrates ao dos adversários de Lenine e Staline, mortos, como é sabido, aos de Krutchov, perseguidos, e aos de Brejnev, sujeitos ao asilo psiquiátrico. 


Este homem, que tem uma coluna de opinião na revista Sábado, outra no Público, um blog, um programa de televisão semanal na SIC notícias e que participa semanalmente na “quadratura do círculo” não é um asfixiado. O que ressalta desta guerra é um método.


O método de Pacheco poderia ser apelidado de método do Eucalipto, cujo treino ideológico não vou comentar, mas passa por não se dar por satisfeito por ter a sua palavra nos jornais, na televisão e na rádio. Pacheco Pereira é tão totalitário na sua ofensiva anti-Sócrates, que, mesmo um blog, uma formiga, com um universo de leitores que, ao contrário dos ouvintes de Pacheco Pereira, não são o “País”, são um grupo restrito de pessoas que se habituaram a ler na internet textos sobre assuntos distintos, da política à arte, escritos gratuita e livremente por um grupo variado de pessoas, pessoas de esquerda, o que parece pecado, com um endereço na internet, deve ser esmagado. Comparando o Jugular com o latifúndio de Pacheco Pereira, vemos uma fúria persecutória ridícula. Mas ela existe. Como? Caluniando as pessoas. Pré-condicionando a liberdade de expressão dessa “gente”. Faz parte do seu projecto, no qual ele é o novo pide dos processos de intenção, deixar claro que o mal dos males, que Sócrates incarna, também está representado em quem se atreva, não só a defender o demónio, mas tão-só a não atacá-lo.


Gostava eu que Pacheco Pereira me explicasse que ordens recebo do Governo; gostava eu que Pacheco Pereira me explicasse o que o autoriza a qualificar-me como “empregada” do Governo; talvez fosse pedir de mais a Pacheco Pereira que se dignasse a verificar que eu, tal como todos os membros do Jugular, assino o que escrevo, pelo que na sua fúria destruidora se está a dirigir a pessoas com nome, o que talvez o devesse fazer ir a um dicionário descobrir o que significa anonimato. E, de caminho, difamação.


Depois, há o pré-condicicionamento e, aqui, Pacheco Pereira é mestre. Mais uma vez, este pré-condicionamento tem sido feito passo a passo, para muita gente.


Sou jurista, advogada e, por dez anos, docente universitária. Já assessorei dois gabinetes ministeriais em absoluta liberdade técnica, como não poderia deixar de ser. Escrevo sobre o que me apetece, não faço comentário político. Falo de política se a política toca na minha área de interesse, a dos direitos fundamentais. Defendi, nos últimos dois anos, publicamente, o casamento entre pessoas do mesmo sexo (CPMS), isso a que Pacheco Pereira chama de “pedantismo das causas fracturantes”, e que aproveito para o informar que não faço por pedantismo, mas por convicção profunda. Exactamente a esse propósito, escrevi um artigo no Público, atracando o PS, quando este inviabilizou a aprovação CPMS na legislatura passada, sendo eu à data assessora de Luís Amado. Ninguém correu comigo, imagine-se.


Acontece que se no futuro escrever o que seja em defesa de Sócrates, tenho o direito de fazê-lo sem que exista um pré-condicionamento que é, exactamente, a suspeita lançada, em termos genéricos, por Pacheco Pereira. A ideia é esta: se vocês falam em defesa de Sócrates já estão, à partida, sob suspeita. Mais: se vocês não o atacam, são cúmplices, por omissão, do mal de todos os males e são, também vocês, parte desse mal.


Eu não recebo lições de liberdade de pensamento de ninguém e não sou particularmente dada a medidas preventivas de salvaguarda de um método. Dispenso, também, um polícia de intenções, um pide da minha consciência. Dispensamos todos.


(publicado no Diário de Notícias, dia 30 de Janeiro de 2010)

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publicado às 11:30


49 comentários

De António Parente a 01.02.2010 às 20:41

acha bonito oferecer bengaladas aos comentadores? é uma nova faceta do feminismo pós-moderno? é esse o agradecimento que as senhoritas jugulares nos dão por abrilhantarmos os posts? não nos basta já a jugular ana matos pires com os seus pilaretes épicos? afinal quem somos nós? o lupem proletariado da blogosfera? não temos ninguém que nos proteja? valemos menos que um psiché? não havia necessidade. faço um apelo à sua reflexão.

De Helena Costa a 02.02.2010 às 09:25

Cara Isabel, não é por usar repetidamente na mesma frase as palavras "pide" e "Pacheco Pereira" que vai convencer subrepticiamente os mais incautos de que Pacheco Pereira é Pide. Tomara a Isabel ter um milésimo da cultura democrática que Pacheco Pereira efectivamente tem. Cresça e apareça, não pense que é por ser muito espevitadita e histérica a clamar contra tudo e todos, que nos convence que é muito sábia. Na minha opinião, os cargos e visibilidade conseguidos pela Isabel só podem ser explicados por nepotismo. A sério, não lhe reconheço nenhuma inteligência. Lamento, só estou a ser sincera.

De Maria Tomás a 02.02.2010 às 09:33

Ok, a Isabel escreve de graça e o Pacheco Pereira é pago. Também Isabel, não queira comparar... Pacheco Pereira, poderá ter os defeitos que quiser, mas escreve muitíssimo bem, e a Isabel...enfim.

De Isabel Moreira a 02.02.2010 às 16:16

gostos não se discutem, maria. quanto a pacheco pereira ser pago pelo que escreve, acho muito bem. já acho de gargalhada fazer-se de puro e acusar-me de empregada do governo, anónima e de dependente. percebe a questão ou o meu português não chega lá?

De Isabel Moreira a 02.02.2010 às 16:20


morgadinho
é maravilhoso. eu escrevo um artigo com a data que lá está a defender-me de um método de eucalipto, que seca tudo em seu redor, incluindo pela calúnia, que passa por mim. defendo-me. acho que tenho esse direito, não? e, a esse propósito, tenho de me pronunciar sobre mário crespo? mário crespo, quando fala dele, defende-me das calúnias de pacheco pereira? que me causa de empregada do governo? de receber ordens? de não ser livre? de ser pedante? por favor..

De Isabel Moreira a 02.02.2010 às 16:26

quanto à cultura democrática de pacheco pereira, estamos mesmo conversadas, helena. se acha democrático apelidar quem discorda de nós de empregado do governo, de anónimo e de pedante, muito fico a saber da sua cultura democrática. se acha que os "cargos" que tive até hoje foram obtidos por nepotismo, mais me diz sobre a sua cultura democrática.

De Maria Tomás a 02.02.2010 às 17:19

Lamento, mas escrever bem não é uma questão de gosto, é mais uma questão de talento e técnica. Ou se tem ou não.

De mariahenriques a 09.02.2010 às 18:54

ai mas que lindo post sr pacheco pereira que mete o edgar allan poe e tudo ai ai.: Pois pois , o pior é se .

 http://bit.ly/8Y945a

De Mário Rui Gomes a 01.07.2010 às 01:03

Ultima Notícia: Toda
a Verdade sobre a ida de Rui Pedro Soares a Madrid


No meu blogger Mundo Plano
(http://mundoplanolusofono.blogspot.com/2010/06/semana-2.html) acabei de
publicar:


Notícia 2:


Telefónica tentou derrubar o Sr. Primeiro Ministro José Sócrates?

O dia de ontem, 30 de Junho, foi considerado pela maioria dos meios de comunicação social, como o ínicio da Nova Batalha de Aljubarrota devido ao início do ataque da Telefónica à Portugal Telecom.

Com resultado à muito anunciado a generalidade dos comentadores políticos e económicos nao entendeu a razão de desse primeiro ataque uma vez que o resultado tinha sido divulgado pelo Sr. Primeiro Ministro, Dr. (pelo ISCTE) José Sócrates.

Este Blogger está em condições de revelar, na próxima segunda-feira toda a verdade e, desde já, deixamos uma simples pergunta:


Será que o Dr. Rui Pedro Soares, quando foi a Madrid foi tratar da compra da TVI ou da Portugal Telecom?:


http://www.youtube.com/watch?v=lTzC2ZefZHw (http://www.youtube.com/watch?v=lTzC2ZefZHw)

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