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Referendo: qual é a dúvida?

por Isabel Moreira, em 05.01.10

Fala-se num "direito ao referendo". É experimentar dizer isso à frente de Jorge Miranda... Eis uma pessoa honesta que é frontalmente contra o casamento de pessoas do mesmo sexo, com argumentos, para mim, indefensáveis, mas são os dele, não os esconde, e não vem para a praça pública em desespero com o referendo. Muito menos falando num direito ao referendo.


Mas qual direito? Está tudo doido?


O referendo é um instrumento de democracia semidirecta, obrigatório no caso da regionalização, e, nos restantes casos, realizável muito, mas muito excepcionalmente. É ir ler o artigo 115º da Constituição.


A nossa democracia representativa, claramente, não gosta que se faça muito uso dele, pelos perigos que acarreta - é ir ler Jorge Miranda - e pela substituição daquela, que é a regra. Por isso mesmo, os requisitos constitucionais e legais são apertados, pois são.


É vedado o referendo numa série de matérias, há fiscalização preventiva obrigatória da proposta do referendo, a pronúncia do TC excepcionalmente é vinculativa, depois ainda temos a decisão do PR de convocar ou não o referendo. É muita coisa não é? É.


Quando a iniciativa é dos cidadãos, depois de reunidas as assinaturas necessárias - não menos de 75 mil, nos termos da lei orgânica do referendo - não se constitui nenhum direito ao referendo. E mesmo que fossem só (?) 75 mil já era um número grandinho, não era? Pois, mas a lei não se impressiona. É que vivemos mesmo num sistema de democracia representativa. Se não fosse assim, todos os dias podíamos lançar movimentos pelo país fora de recolha de assinaturas para convocar referendos. E substituirmo-nos ao Parlamento. Era giro.


Mas a a Constituição e a lei não permitem isso. Então, depois de reunidas 75, 85, 90, 100, 200 mil assinaturas, o parlamento, democraticamente eleito, tem de aprovar ou rejeitar a dita proposta. Se aprovar, segue-se todo aquele caminho que tracei mais atrás. Por isso, nem sequer é garantido que haja referendo. Se rejeitar, o que pode, democraticamente fazer, o processo fica por ali. E durante essa deliberação, se há uma proposta de lei na AR que incide sobre a mesma matéria, esse processo não é suspenso, ouviram?


Dizem alguns: mas 90 mil assinaturas é tanto...Pois é. É menos de 1% da população. A maioria parlamentar, se chumbar a proposta, não só está a exercer uma prerrogativa constitucional como representa mais de metade do eleitorado.


 Que chatice, respeitar a democracia e o que decorre dela, como a Constituição e a lei, não é? Assim como fez a Isilda Pegado quando era Deputada.

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publicado às 15:13


12 comentários

De Marcelo do Souto Alves a 05.01.2010 às 17:18



        Muito bem.


          Mas falta ainda, quanto a mim, um dos aspectos mais importantes: A QUESTÃO CONCRETA A REFERENDAR!


           Algum dos noventa e tal mil assinantes da petição quer avançar com uma sugestão para a pergunta a colocar no Boletim do Referendo?


               Uma pergunta que não seja INCONSTITUCIONAL, claro...

De Pedro A Figueira a 05.01.2010 às 17:27

Francamente não percebo o porquê de um referendo ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Parece-me que o assunto estava no programa de governo do partido que ganhou as eleições (e de outros mais radicais), o que confere desde logo legitimidade ao mesmo para propor à AR legislação sobre a matéria. 
Se elegemos deputados e governantes é para que eles votem e tomem decisões, penalizando-os ou não nas eleições seguintes. Pelo menos em teoria, e para quem acredita na democracia, é assim que deve ser.
Já para não falar dos custos de um referendo, mais campanhas, etc etc...
Se eu quisesse viver num pais governado por referendos, ia viver para a Suiça...ora bolas!


De Cristiano a 05.01.2010 às 18:35


Os argumentos processuais e legais que apresenta são de facto irrefutáveis. Quanto á questão da democracia, tenho muitas duvidas que um partido (que formou governo maioritário na legislatura anterior) que tinha prometido um referendo europeu na legislatura anterior e não o fez por decisão própria, possa agora, com base no argumento democrático, negar um referendo que é solicitado pelo povo. Melhor dizendo, poder pode, mas quanto a mim é mais um tiro á nossa, já de si muito débil, consciência democrática.

De Rui Herbon a 05.01.2010 às 19:23

90.000 cidadãos arrolaram as suas assinaturas para que se referende o casamento entre pessoas do mesmo sexo Image, na opinião da generalidade dos subscritores uma questão menor face aos problemas que o país enfrenta. Aguardo com expectativa uma petição, promovida pelos acima assinados, com um 1.000.000 de assinantes propondo medidas de combate à crise, ao desemprego, à dívida externa.Image


 


Aviso já que estou sentado Image e provido de víveres Image em abundância.

De Aristes a 05.01.2010 às 21:42

Façamos de 2010 o Ano de todos os Referendos... 
Mais algumas sugestões para quem não passa sem essas cenas.
href="http://apresencadasformigas.blogspot.com/2009/12/facamos-de-2010-o-ano-de-todos-os.html"

De PGFV a 05.01.2010 às 22:34

A sua intervenção hoje na SIC Notícias foi absolutamente irrepreensível. Parabéns e mesmo não gostado, obrigado!

De Zé do Telhado a 05.01.2010 às 22:42

Quero abrir o jogo e dizer que sou católico, praticante e hetero. Mas também sei que à direita e à esquerda há uns quantos contra o casamento homo, e a favor de um referendo. O surpreendente para mim é o facto das pessoas falarem em um referendo apelando a questões de consciência. Consciência de quê e de quem? Eu sou favorável a que as pessoas do mesmo sexo se casem e não considero isso contra -natura, uma vez que essa é a natureza das pessoas. Irritam-me os argumentos absurdos de quem quer impedir que outros busquem a felicidade segundo a sua natureza, ou seja, que seja admitida a sua diferença no seio daqueles que lhes são iguais, excepto na orientação sexual. Eu só poderei fazer uso do apelo à consciência se o que vier a ser legislado me obrigar a agir contra à minha natureza e princípios. Consequentemente, não posso fazer apelo de consciência quando nada vem contra ela. Por fim, parece-me que o pedido de um referendo está intimamente ligado aos maus hábitos de muitos de nós (portugueses), ou seja, entenderem-se no direito de exercer autoridade sobre assuntos que lhes são alheios. Desejo a todos os homens e mulheres homo que possam encontrar o(a) parceiro(a) de sua vida e viverem-na plena de realizações no seio de um matrimónio abençoado pelos homens e por Deus. Que Deus vos abençoe!!!

De Marta a 06.01.2010 às 20:05

Que atitude decente e louvável, Zé do Telhado. Deveria ser assim com toda a gente. Cumprimentos.

De Zé do Telhado a 06.01.2010 às 22:26

Olá Marta, obrigado pelos cumprimentos; retribuo. FELIZ ANO NOVO!!! Quero também dizer que sou favorável, até que especilaistas se pronunciem, a que não haja adopções. Pelo seguinte: não sei como uma criança adoptada, sem ter consciência da realidade dos pais adoptivos, reagiria mais tarde perante essa situação, tendo em conta possíveis constrangimentos sociais. Como o direito e a estabilidade da criança, por motivos óbvios, deve prevalecer sobre tudo e sobre todos, esta matéria deve ser bem discernida por especialistas na área.

De Shyznogud a 06.01.2010 às 22:44

Zé do Telhado, aqui no blog encontra inúmeros links com estudos de especialistas sobre o tema. Se não os conseguir encontrar sozinho - usando o pesquisar lá em cima - avise q lhe fornecerei os links.

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