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Réplica ao Pedro Lomba

por Isabel Moreira, em 04.01.10

Como se percebe bem ao ler o que escrevi aqui sobre um artigo do Pedro Lomba, as minhas críticas essenciais ao mesmo eram as seguintes: espantou-me que o académico que optou por iniciar um texto sobre o nosso sistema semipresidencialista, nomeadamente sobre o papel do PR, em abstracto, nessa perspectiva, subitamente abandonasse essas vestes para descer à terra e atacar, agora já na perspectiva do analista político de combate, José Sócrates. Mais espectacular, considerei, como método de análise do sistema, esta súbita incursão ao retratado, como abusador, José Sócrates para, depois, outra vez  como académico dado à análise abstracta (presumo), concluir que, por causa da circunstância Sócrates, não é bom diminuir o poder do árbitro que ainda nos resta, que naturalmente não é Cavaco, mas a figura constitucional abstracta do PR.


Ora, este tipo de análise do sistema político-constitucional é inadmissível. E é este o meu ponto principal. O Pedro sabe disso. Eu não posso justificar a alteração do papel constitucional do PR com a actuação da maioria absoluta de Cavaco, por exemplo. É pouco. Depois, como seria? Vinha outro PM, com outro estilo, e eu defenderia uma revisão constitucional? Este é o ponto. O Pedro sabe disso.


Por essas e por outras dei um exemplo de medidas que me parecem boas para melhorar o sistema, isto numa análise desinteressada do sistema. Mas a análise do Pedro peca por isso mesmo. Ela não é desinteressada. Começa por ter um cheirinho académico para cair num ataque sem precedentes a José Sócrates. Sem precedentes por pretender fazer da actuação de Sócrates qualquer coisa de tão mau que ganhe foros de item abstracto de análise ao ponto de justificar a manutenção estrutural do figurino constitucional actual do PR.


Para isso, e esse é o ponto em que Pedro Lomba baseia quase toda a sua resposta, esquecendo o principal que escrevi até aqui, faz-se uma comparação entre Sócrates e Salazar. Pedro Lomba vem dizer que não e até diz que Vasco Barreto percebeu isso. É claro que eu, tal como o Vasco, sei que o Pedro Lomba sabe a diferença entre os dois regimes em causa. Mas também é claro como água, que o Pedro, o Vasco e eu sabemos que para que o ataque a Sócrates surtisse mais efeito, a comparação foi feita.  A comparação, recorde-se, foi assim: 


Em 1960, o Governo de Salazar tinha poder. Em 2009, em inúmeros sentidos o Governo de Sócrates detém ainda mais poder. Não prende, mas tem muitas formas de silenciar. Não mata, mas se quiser persegue. O que tem para distribuir arbitrariamente pelos seus "amigos políticos" são recursos que o paroquial Salazar desconhecia. Essa é a contradição mais impressionante deste regime. Como é que nos libertámos dum Estado obscuro e governamentalizado e fomos gerando outro, em certos aspectos, mais obscuro e governamentalizado?


Para o Vasco, isto "estragou" o artigo do Pedro. Para mim, o que o estragou foi o método, tal como expliquei. A comparação com salazar faz parte do método, só isso. Eu sei que o Pedro sabe que os regimes são diferentes. Talvez isso agrave o método...

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publicado às 15:19


25 comentários

De fernando antolin a 04.01.2010 às 16:31

São regimes muito diferentes.O primeiro teve ministros de craveira excepcional e homens com letra grande.E também pessoal muito menor. O segundo não vale dez réis de mel coado.

De nuvens de fumo a 04.01.2010 às 16:42

KÊ ?Image

De Isabel Moreira a 04.01.2010 às 16:50

não responda, nuvens. quem não quer discutir o texto e vem para aqui fazer umas provocações...é deixar provocar...

De fernando antolin a 04.01.2010 às 16:58

Mantenho a minha opinião,li os textos e já não tenho tempo nem idade para provocações,fiquem descansados que não mordo.

De Muita Paprika a 04.01.2010 às 17:03

Talvez o melhor seria dar mais poder ao Presidente da República ou ao Governo, conforme a preferência do Pedro Lomba nesse determinado momento, e teríamos o problema resolvido.


Cara Isabel, é exactamente essa análise desinteressada sobre a democracia e as suas instituições que não "interessa" a este tipo de colunistas. E se o fazemos, estamos a defender o primeiro ministro.


Debruçar-me-ei mais detalhadamente sobre este tema no meu recém-criado blog.

De nuvens de fumo a 04.01.2010 às 17:23

Que poderes ? Ainda não percebi quais, as forças armadas os bombeiros e a associação de famílias numerosas ?

De Nuno Palha a 04.01.2010 às 17:49

Eram ministros tão excepcionais que Portugal conseguia ser mais pobre, desigual e analfabeto que toda a Europa de Leste, com excepção da Roménia, claro. Enquanto a terra dos meus avós vivia uma espécie de medievalismo tardio que faziam estes excelsos ministros?

Em que é que o Portugal do fascismo se distinguiu pela positiva? Nos analfabetos e nos iletrados? Na produção científica e cultural inexistente? Talvez na tortura e nos presos políticos... De facto, os ministros do interior e o gabinete de censura eram bastante eficientes. De qualquer forma, até alguns presos políticos conseguiam escapulir das prisões...

Santa idiotice

De Muita Paprika a 04.01.2010 às 17:57

Isso vai ter de perguntar ao Pedro Lomba, ele é tem um problema com a repartição de poderes entre o PM e o PR. Não é bem um problema, é mais uma preferência..

De Rita a 04.01.2010 às 18:17

Sim, sim, fernando antolin; os ministros eram todos excepcionais e sérios, o salazar só comia canja de galinha e morreu povrezinho e as crianças sabiam todas ler e escrever como o padre antónio vieira e eramos uma nação respeitada em todo o sistema solar. Todos conhecemos a lenlalenga.

De fernando antolin a 04.01.2010 às 19:34

Santo ? contento-me com o facto de ter  ideias. E bom ano para si também, Nuno Palha.

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