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Obrigado (bis)

por rui david, em 22.07.13

De uma escola de jornalismo aparentemente em vias de extinção porque parece fraquejar no campo da criação de "bens transaccionáveis", "irrealista" e  diferente do "atento venerador e obrigado" em relação aos empresários na mó de cima que pauta os Joões Vieira Pereiras desta vida, Rui Cardoso Martins faz na página 33 da Revista do Público deste fim de semana, e a propósito dos recentes desenvolvimentos do caso BPN/BIC, uma avaliação mais nuanceada de Luís Mira Amaral, um empresário "de mangas arregaçadas" que, curiosamente, escreve habitualmente no mesmo caderno do Expresso que o João Vieira Pereira. É a tal "promiscuidade"... mas aqui não tem mal, certo?

O artigo chama-se:

 

"

MIGA C/ BIFE DO LOMBO AMAGAL

ALTA CLASSE MÉDIA MAS BAIXA

 

Há no Universo um português capaz de sobreviver a qualquer insolvência financeira de um país, à irrevogável implosão do sistema político, à explosão da bomba atómica. Mais do que sobreviver, irá crescer e multiplicar (o seu) dinheiro. Quando a própria barata for extinta por lixos tóxicos, teremos a menos barata figura de Mira Amaral para contar o Apocalipse.

Luís Fernando de Mira Amaral (Amadora ou arredores, 4 de Dezembro de 1945, quatro meses depois de Hiroxima e Nagasáqui) é uma forma de vida com características adaptativas que nunca se viram na Evolução (morrer, aliás, é uma maneira simples de dizer que se acabou a margem de lucro).

Segundo registos escondidos nas montanhas da Suíça, do Utah e no planalto de Luanda, mas também escancarados na Internet porque ele adora perdigotar entrevistas, é um caso único: foi delegado sindical e ministro; é representante da classe média e banqueiro internacional; é, finalmente, um espoliado pelo fisco e reformado que recebe 18 mil euros de pensão por ter passado umas semanas na administração da Caixa Geral dos Depósitos — dos quais, aliás, se queixa.

O grande Mira tem a marca dos cruzamentos genético-sociais de sucesso. Porquê? Porque pensa nos objectivos como um sindicalista, age sem escrúpulos como um banqueiro e fala como se estivesse numa tasca. Anda por aí “encantado da vida” (voltaremos a isto) até que o vêm aborrecer com peditórios e negócios que só dão, inexplicavelmente, milhões caídos do céu.

Uma das frases mais célebres, em entrevista à TVI, Outubro de 2012 (as datas são importantes, é no tempo que a espécie evolui):

“O país está muito aflito, o único sítio para taxar era na classe média. Portanto, eu próprio não gosto, sou vítima disso, sou classe média, não sou rico, mas tenho de compreender que não há outra alternativa.”

Em Julho de 2013 (esta é fresca), Amaral justificava à Lusa que o Estado português, isto é, nós (o que, segundo ele, é ele também!), vai pagar ao seu banco não os 22 milhões de “indemnizações judiciais” que já recebeu, nem 100 milhões como depois se falou, mas talvez 816 MILHÕES (notícia do PÚBLICO). Depois de comprar a estrutura toda do BPN por apenas 40 milhões: “O acordo de compra e venda do Banco Português de Negócios, entre o BIC e o Estado, prevê que todos os eventos ocorridos antes da privatização do BPN são da responsabili- dade do Estado e não do BIC.”

Isto é uma ficção, não é para acreditar.

Ex-ministro da Indústria, insigne representante da Escola Cavaquista, “ou da Escola da Marreca, como se dizia no meu tempo” — explicava um ta- xista a caminho do Casino —, Mira Amaral só man- tém total respeito pelo anilhador de alcagarras das Desertas por vocação, e que se fez Presidente da República para ganhar a vida. Cavaco Silva “não foi eleito para ser paizinho” do PSD e CDS. Sobre os filhinhos, lembre-se o que disse na comissão de inquérito da Assembleia da República, há um ano, sobre a compra do BPN: “Julgava eu, encantado da vida, que não havia negócio para a compra do BPN, que ia para outra”... começou o banqueiro, e nós resumimos., mas depois o primeiro-ministro Passos Coelho telefonou-lhe e disse: “Oh Mira Amaral, eu como primeiro-ministro tenho o dever de tudo fazer para salvar...”, mas o Mira disse-lhe que não ia lá “só com simpatia”, depois a secretária de Estado Maria Luís Albuquerque “não abriu a boca” numa reunião, mas ligaram para Luanda para o presidente do BIC “que estava ‘briefado’ por mim” e étcétera e tal, e o Amaral usou a sua “experiência como delegado sindical” e disse aos sindicatos “meus amigos” e coiso, e pô-los na ordem. E passou “duas semanas descansado de férias no Algarve”, mas afinal o Governo falhou e foram semanas “a partir pedra”, até que ele disse “não tenho mais paciência para este filme, acabou” e “por mim fechei a loja”.

Mas a loja não fechou, e continuou a vender-nos muito caro (a caminho dos cinco mil milhões de lour€iros). A propósito de loja, Mira Amaral é maçon, só novidades para Vs. Exas.

Academicamente, é licenciado em Engenharia Electrotécnica pelo Instituto Superior Técnico. Na prática, é doutorado honoris causa em Engenharia Financeira, com estágio na Academia BPN. É mestre em Economia da Universidade Nova de Lisboa, com a tese O Consumo de Energia no Sector Automóvel em Portugal. Mas prepara a dissertação: O Consumo de Activos Tóxicos no Sector Bancário do PSD-PS Faz Andar os Automóveis e Beneficia a Saúde. Em conversa com a sua consciência, que a tem, que a tem, ah pois tem, às vezes responde sozinho às suas frases mais bonitas.

“A melhor opção para os portugueses competentes é emigrar.”

— Não, a melhor opção para os portugueses incompetentes é negociar com um primeiro-ministro incompetente.

“O reequilíbrio das contas públicas é um equilíbrio manhoso, sem estabilidade, a meu ver.”

— Mas o reequilíbrio das contas do BPN-BIC é um equilíbrio manhoso, com rentabilidade, a meu ver.

“Todos os dias aparecem novos eventos que caem em cima do BIC.”

— E todos os dias aparecem novos branqueamentos que caem em cima do mexilhão.

Agora até nós, que estávamos encantados da vida, ficámos sem paciência para este filme e fechamos a loja, oh Mira Amaral."

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publicado às 16:27



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