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Qual seria a diferença?

por Licínio Nunes, em 03.06.13
Imaginemos que no dia 3 de Novembro de 2000, aqueles judeus americanos idosos, residentes no Estado da Florida, que se levantaram da cama para irem votar, tinham conseguido evitar ser confundidos pelos boletins de voto mais absurdos que já alguém desenhou, e que tinham evitado acabarem por votar no anti-semita Pat Buchanan, em vez do candidato da sua escolha. O que seria diferente? Em que é que este malfadado século seria diferente?

Os planos da Al-Qaida, para um ataque aos Estados Unidos eram antigos, e foram preparados durante vários anos. Perante os eventos do 11 de Setembro de 2001, o estado americano reagiria como reagem sempre os estados-soberanos, ao serem atacados. Nada teria sido muito diferente, com a excepção dum pequeno pormenor. Obviamente, o presidente Al Gore não teria permitido que Ossama Bin-Laden se escapasse por entre as malhas que vagamente rodearam os seu refúgio nas montanhas de Tora-Bora. A estas horas, muito provavelmente, a aviação americana e britânica continuariam a impor as mesmas zonas de exclusão aérea e os iraquianos continuariam a ser dominados por um regime nojento e a usarem as escolas e outros equipamentos sociais que esse regime nojento pagava com o petróleo que conseguia contrabandear através das suas fronteiras; os xiitas do delta dos dois rios continuariam no fundo de todas as escalas sociais, a única diferença sendo, que não teriam milícias armadas para protegerem o seu direito a permanecerem no fundo de todas as escalas sociais. O fundamentalismo islâmico seria hoje uma nota de rodapé nos livros de História, a única diferença real, seriam as vítimas que não teriam existido.

Mas imaginemos que, em 2004, o presidente Al Gore teria reparado num jovem político do Illinois, que já na altura levantava grandes esperanças e, para marcar o seu próprio lugar nos tais livros, o teria convidado para fazer parte da sua lista. O vice-presidente Obama teria vencido facilmente as eleições de 2008, tanto mais que, sem os excessos inacreditáveis dos outros, os que foram, a crise financeira de 2008 teria sido atrasada e os sub-primes americanos teriam continuado a inchar durante mais dois anos. O essencial já estava presente, inscrito na pedra, aquando da revogação do Glass-Steigall, com a a assinatura "William Jefferson Clinton". As bolhas europeias, essas, continuariam a inchar durante mais dois anos, propulsionadas pelos bancos franceses e alemães e pelas suas taxas de reservas, entre os 5% e os 3%.

As bolhas iriam rebentar, claro. Com o nome Lehman Brothers ou outro, mas ninguém duvida que o presidente Obama tivesse mostrado a decisão que o caracteriza e, pela sua actuação pronta, tivesse assegurado a sua própria re-eleição, a dois anos de distância. Nada seria muito diferente, com a excepção das festas do chá americanos, que não teriam existido. A chanceler alemã estaria a dizer, por esta altura que, e cito, "...negociar em dívida soberana, não pode ser o único negócio em todo o Mundo, que não envolve riscos..." (sic). Mas as bolhas estariam a rebentar, ou já teriam rebentado, e seriam ainda muito maiores. O presidente Hollande iria demorar mais um ano, coisa menos coisa, até perceber que o problema não eram os bancos cipriotas, mas sim os franceses. Bem acompanhados do outro lado do Reno claro, que os alemães nunca deixam os seus créditos por mãos alheias. Nada seria muito diferente. A única diferença seriam as vítimas.

Por estas bandas, as bolhas que finalmente teriam rebentado, dariam origem a uma grande vaga de fundo, neste período pré-eleitoral que estaríamos a viver e o primeiro-ministro José Socrates estaria prestes a ser substituído por uma maioria absoluta, mais maioritária ainda do que as da Travessa do Possolo. Rapidamente, o verdadeiro agente histórico viria ao de cima, e por estas horas, o Senhor. Prof. Dr. Oliveira Gaspar estaria já a treinar o seu grande motto, "Orgulhosamente acompanhados!". A única diferença real seriam as vítimas que não teriam acontecido.

A única grande diferença, teriam sido as vítimas que não teria havido, desde o Iraque até à Baixa da Banheira. Este seria um século muito mais simpático, mas nada de essencial seria muito diferente. A diferença seriam as crianças, e essa é toda a diferença do Mundo. Raios partam os judeus da Florida!

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publicado às 18:03



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