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Esta notícia sobre as filas no Pingo Doce fez-me lembrar uma história que, de vez em quando, acontecia na minha aldeia, quando eu era puto.
Chegava um camião cheio de cobertores, lençóis, almofadas, cobertas, etc. Abria-se um dos taipais laterais do camião e uma senhora, artilhada de microfone, chamava a população, anunciando preços da chuva. As pessoas começavam a juntar-se à volta do camião e, quando a dita senhora achava que já havia gente suficiente, começava a anunciar os preços da mercadoria, que, aparentemente, eram baixos. Depois de alguns minutos, uma outra senhora, que, surpreendentemente, ninguém conhecia, aproximava-se e comprava um cobertor por 500 escudos. A senhora do microfone recebia o dinheiro e dava o cobertor à “cliente”. Depois, anunciava:
- E, com esse cobertor, ofereço-lhe uma almofada sem pagar mais um tostão.
E oferecia uma almofada à cliente. Se o preço original já era baixo, mais baixo ainda se tornava! A seguir, vinha outro cliente e, ao desembolsar uma nota de 500 escudos, era-lhe dado um cobertor. E a senhora do microfone anunciava:
- Hoje até estou bem-disposta. Com esse cobertor, vou-lhe oferecer uma colcha.
E oferecia mesmo. Às tantas, aproximaram-se mais duas pessoas, uma em cada ponta do camião, de braço no ar, acenando com uma nota de 500. A vendedora aceitou a primeira nota e gritou:
- Só um bocadinho que já lhe dou a mercadoria. Vou só receber os 500 escudos daquela pessoa que está lá ao fundo.
E dirigiu-se para o outro lado do camião, onde recebeu a nota. Depois, deu um cobertor ao cliente e ofereceu-lhe um lençol. À maneira que se dirigia em direcção ao cliente que, anteriormente, lhe tinha dado os 500 escudos, dizia:
- E, como agradecimento pela confiança que este senhor depositou em mim, vou-lhe dar o cobertor que pagou e ofereço-lho mais uma coberta e uma colcha.
O esquema estava montado.
Eram às dezenas as pessoas que içavam notas de 500, na esperança de, além do cobertor, que já era barato, receberem ofertas de valor ainda maior.
A senhora do microfone, ao mesmo tempo que ia dizendo “Obrigada, obrigada. Já lhe dou a mercadoria”, ia recebendo, uma a uma, as notas que, com tanta confiança, as mulheres e os homens lhe iam dando.
De repente, quando a vendedora já tinha em sua posse uma boa quantidade de notas de 500, começou a fechar-se o taipal do camião, que arrancou em alta velocidade.
Entretanto, também já tinham desaparecido as primeiras pessoas que tinham “comprado” os primeiros cobertores.
Claro que, quando o pessoal se deu conta da burla de que tinha sido vítima, só se ouviam gritos de filha disto e filha daquilo, mas o camião já ia tão longe que a senhora do microfone não conseguia ouvir os insultos.
Daí a alguns meses, a história repetia-se com os mesmos ou outros protagonistas.

O que, neste 1ºde Maio, se passou no Pingo Doce foi assim uma coisa parecida. O ano passado, neste mesmo dia, fez uma campanha em que dava 50% de desconto em compras superiores a 100 euros. Este ano surgiu o boato que a campanha se iria repetir e o pessoal deslocou-se ao Pingo Doce, aos magotes, para aproveitar a campanha. Depois de entrarem, ficaram desiludidos mas, como já lá estavam dentro, acabaram por fazer as compras que, provavelmente, teriam feito noutro sítio qualquer e com menos confusão.
Genial!
Só não se ouviram gritos de filho disto ou filho daquilo.


Filas enormes à porta dos supermercados Pingo Doce neste Dia do Trabalhador
Foto do JN de 1 de Maio de 2013
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=3195028

 

 

 

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publicado às 16:29


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