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Faz hoje um ano que morreu o Miguel. Poderia resumir-me à palavra saudade, que parece que contém todos esses sentires que incluem a falta que alguém nos faz — e ao mundo —, o lamento por não termos esse alguém presente, e lhe ouvirmos as palavras; aquela parte algo egoísta de nós, mas que vai além de nós e procura a mão do outro, um olhar de apoio, um “vai em frente, esse é o caminho”. E poderia ser só assim, mas a verdade é que com o que disse já fui além da saudade. Ou fiquei aquém dela, sei lá.
“Sonhamos? Não sonhamos nada, somos mesmo os únicos realistas deste filme”. Esta frase do Miguel Portas é como que o meu canto de resguardo quando me acusam de sonhar em demasia. Quando me dizem que não vale a pena lutar. Quando me dá (e me dão) vontade de desistir, e ainda quando ciente (nem sempre o estou) de que essa desistência equivaleria a desistir de mim (francamente, tenho mais com quem me preocupar), mas acima de tudo a desistir dos meus; a desistir do meu filho.
Resguardo-me naquela frase e em tantas outras do Miguel, em tantas outras de tantos outros que nos deixaram demasiado cedo entregues ao muito que fizeram em vida. Por vezes, imagino que à nascença nos distribuem a todos uma certa quantidade de energia; os anos ensinaram-me que não é a mesma para todos, que há quem já pareça nascer morto. Depois, cada um usa essa energia como sabe, como lhe ensinam e como pode. O Miguel é daqueles que vinha de pilhas carregadas e suou (escrevi usou, saiu suou, que também fica bem) esse poder — esse dom? Não, essa força! — sem olhar para a carga na bateria, mesmo porque é óbvio que não andamos feitos parvos a olhar para um medidor que não temos. Embora às vezes se intua. Mas, e escrevo sem pensar e nem sei bem o que escrevo, no fim publico e depois leio, — mas, dizia, o Miguel era, é daqueles que tinha carga de judeu errante (um bom judeu errante, digamos, sem mau-olhado deitado no calvário). Poderia viver mais, muito mais, não fosse aquela maleita traidora que começa numa puta duma dor que não sentimos e de repente damos por nós e já não damos por nós.
Nunca conheci o Miguel, melhor, nunca fui beber um copo com ele. Nunca falei para ele, nem nunca ouvi nada dele que fosse dito apenas para mim. Por isso não posso dizer que o conheço. Na realidade, sei dele o que ele achou por bem partilhar publicamente, e mais umas coisas que alguns próximos comuns, ou nem por isso, me vão dizendo dele. Ainda assim, e não estou com “liriquismos” nem vou rever palavras que parece que se desmentem, conheço o Miguel. À minha maneira e da forma como o apreendi e que me faz estar aqui, um ano depois, a falar de quanto é importante para a minha vida poder olhar para tal exemplo. O exemplo de um homem sem preço (com o significado que "sem preço" tinha antes destes malditos tempos que correm), que não se vendia e que não vendia, que não se escondia atrás de um momento para evitar dizer o que lhe ia na alma. Que olha com aqueles olhos de quem não nasceu ensinado e foi ensinando enquanto aprendia. Um Homem, em suma. Houvesse mais alguns como ele e o mundo seria bem diferente. Não procurava o poder e parecia-me até querer fugir dele, não por medo de ser corrompido, mas porque talvez sentisse que o seu trabalho para a res publica estaria quase concluído no momento em que a gestão daquilo que é do Povo estivesse entregue a homens-bons, tal como ele os vê (e digo “quase concluído” que não me parece que fosse homem de parar assim de repente e sentar-se a ver eternamente a banda passar, como se nada fosse).
Passou um ano e de dia para dia as coisas estão piores. Cada vez as chamas vão queimando mais. Muitas vezes me queimam a mim. Custa-me aguentar este mundo de egoístas, de gajos que não olham nos olhos, casta de carneiros mal mortos, machos e fêmeas de palmadinha armada nas costas alheias mas de rasteira engatilhada. Sorrisinhos enganadores, que nunca me enganaram, mas que cada vez menos suporto. Gentes de vénia para os de cima, e de escarro para os de baixo. Detecto-os bem. Padecem de falta de humor e de falta de luz. Não é um espectáculo agradável de assistir.
Se o mundo estaria melhor com o Miguel presente?; com palavras e sorrisos novos a cada dia? Por certo. O mundo estaria um Homem melhor. Nessa quantidade e qualidade toda, sim. E, quem sabe, talvez isso fosse o bastante. Seria por certo o bastante para todos podermos continuar a aprender com ele.
Este é o Miguel que conheci — talvez este nem seja o verdadeiro Miguel, talvez nem lá ande próximo, que lhe traço o retrato à distância. Mas este é o Miguel que sei. Este é o Homem que nunca usarei como desculpa, mas com quem aprendi e continuo a aprender. Os erros que errarei continuarão a ser apenas os meus erros. Se algo fizer de bem, parte disso também será dele. E não!, não me é uma espécie de ídolo, que não os uso, nem gosto de me ajoelhar, é “apenas” um homem donde vem uma luz boa, para onde olho de vem em quando.
Obrigado, Miguel, e até sempre. Vamos falando.
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