It's coming to America first, the cradle of the best and of the worst. It's here they got the range and the machinery for change and it's here they got the spiritual thirst. It's here the family's broken and it's here the lonely say that the heart has got to open in a fundamental way: Democracy is coming to the U.S.A.
— Democracy, Leonhard Cohen
...Ou como os poetas também se enganam. Ou talvez não seja um erro, e o essencial esteja contido naqueles dois primeiros versos, Está a chegar à América primeiro / O berço do melhor e do pior. Devo dizer que não acompanhei o folhetim a respeito de como é que o ti Aníbal ia justificar o facto de violar os juramentos solenes que fez, não os violando, mas passando a bola, ou mais exactamente, chutando para canto.
Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes, não fora haver este fulano... Aqui há uns anos, toda a gente lhe chamaria "geek". Depois, durante o ciclo eleitoral de 2008, as suas previsões do resultado final e a exactidão das mesmas, levaram o New York Times a convidá-lo para manter um blog no seu site; durante o mais recente ciclo eleitoral americano, o 538 (o número total de grandes eleitores, que tudo decidem), teve mais visitas do que o resto do site. E mais uma vez, bingo! Resultado final: 50 a 0. O fivethirtyeight acertou em todos os resultados; até a Florida passou do rosa-pálido dos republicanos, para o azul-bebé dos democratas, embora só na véspera da eleição.
O problema aqui, é que a frequência com que o Nate Silver acerta, começa a tornar-se assustadora. Mais uma vez, enquanto a maioria dos comentadores especialistas e as grandes cabeças-falantes dos media americanos sublinhava a irracionalidade dos eleitos republicanos, e a sua sujeição às correntes mais extremistas do tal partido do chá (da Bairrada?), o 538 afirma e consubstancia exactamente o oposto: os congressistas republicanos estão a ser extremamente racionais, no que respeita aos seus incentivos pessoais.
Então e por cá? Estará o ti Aníbal a ser irracional, ou exactamente o contrário? Será que o pedrocas é o tolo que parece, ou sabe, melhor do que nós, que o "Portugal profundo" não o desamparará? Será que o Tózé tem que fazer algo mais, para além de esperar que a maçã podre do poder lhe caia no colo? Nenhuma destas dúvidas é reconfortante, mas a verdadeira resposta para os nossos problemas, essa, podemos encontrá-la na voz profética do poeta, mas só pode nascer das nossas mãos: Primeiro tomamos Manhattan, depois tomamos Berlin.