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A pegada não morreu; apenas deslocámos a maior parte das nossas pegadas para o facebook. Enorme pecado, bem sabemos; mas por estes instantes, em que o tempo não abunda, é mais fácil interagir e publicar ali. Esta nossa casa não desaparece; será sempre a referência principal e o lugar das pegadas mais profundas. No entretanto, e quando não nos virem por aqui, é porque estamos aqui:pegadabook. Cliquem no link (não é necessário ter facebook para ler, apenas para comentar) e/ou façam like acima. A todos os leitores e ao sapo, que nunca nos falhou, pedimos desculpa. É coisa de momentos; a pegada será sempre aqui. Aqui é a regra, este anúncio não revela mais do que uma excepção. Já agora, e também no facebook, mas numa onda diferente -- e em que todos os leitores podem ser autores --, visitem o ouvir & falar.

 

 



Vítor Raspar, o homem às avessas

por Rogério Costa Pereira, em 25.11.12

Imagino que não estejas a par, Vítor. Há um livro-talvez-O-Livro onde, diz a lenda -- uma lenda sobre um livro vê lá tu --,... onde, toma atenção, é impossível contar os muitos Aurelianos e Josés Arcadios que por aqueles cem anos vão passando. Não serão exactamente cem -- não sei se me estás a acompanhar, Vítor --, cem anos de solidão é o nome de um livro, Vítor. Os muitos Aurelianos e Josés Arcadios, é disso que falo, Vítor, são eles os muitos que vão passando e que não é possível contar. Dizem...!; que eu nem tentei nem tentarei, apenas o li. toma atenção e não te distraias, detesto repetir as coisas. É de um homem, o livro, um colombiano, Esse Homem, chamado Gabriel, talvez seja mesmo o Livro do Homem ou o Homem do Livro, dependendo de quem olha o quê e de onde. Vítor ou Victor, que não sei se aderiste ao acordo ortográfico; o acordo, Vítor ou Victor ou Víctor, e levarás acento, raio de nome complicado tens, o acordo é uma coisa que nos obriga, assim como tu, a fazer coisas que não queremos fazer, por exemplo, escrever espetador, assim como quem espeta, em vez de espectador, assim como quem assiste. Mas perco-me, homem, queria era falar-te de Úrsula, mãe do primeiro Aureliano e do primeiro José Arcadio. Úrsula. Às tantas, já a coisa ia nos bisnetos, acho eu, se calhar mais, que a Úrsula já era centenária. Às tantas, havia uns gémeos, os tais bisnetos ou mais, que eram Segundo e Segundo, respectivamente, Aureliano e José Arcadio de primeiros nomes. Bem, Vítor -- ficas Vítor, que és um tipo moderno, Vítor --, o que se passa é que a Úrsula, tantos tinha visto, filhos e filhos de filhos e filhos de filhos de filhos. Ora Aureliano ora José Arcadio ora José Arcadio ora Aureliano. Com uma ou outra adenda, mas sempre com aquelas graças a picar o ponto. E aprendeu, por tanto e tantos ver e criar, que os Aurelianos saíam sempre assim e os Josés Arcadios saíam sempre assado. Agora volta lá atrás, aos gémeos, ..., já está, eu continuo. Os de último nome Segundo que de ordem eram bem mais -- para teres uma ideia, o Aureliano Segundo chamou José Arcadio ao filho --, os gémeos, baralharam-se e deram de novo e baralharam-na e às tantas já parecia que nem eles sabiam quem eram. E isso desgostava a Úrsula e a mim também, que gosto da Úrsula. O nome de um homem-filho, à Úrsula, dizia-lhe tudo do futuro que o perseguiria. Quem ele ia ser. Mas, e chego lá agora, ao lembrar-me desta história simples de bela lembrei-me de ti. E não gostei nada. Não te quero misturado com os meus cem anos de solidão. Nem com o simples de belo. Mas lembrei-me, essa-é-que-é-essa. Por causa dos homens de quem o nome diz tudo e por causa dos gémeos que de tanto se fazerem passar um pelo outro, às tantas -- julga-se a páginas tantas --, se baralharam a eles mesmos.

Homens que não sabem quem são e por isso são como são.

Homens de quem o nome diz nada.

Quanto à primeira questão nada posso fazer, bem vês. Quero mesmo que desapareças, que és do pior que vi. Pior como em mais mau que mau, sim. Tenho más sensações quando te vejo. Pareces um homem às avessas. Virado de fora para dentro e de dentro para fora. Às avessas. Não és o pateta que pareces e tens agora ar de quem veio para ficar muito tempo. E isso assusta-me, percebes? Quando falo de muito tempo falo mesmo de muito-muito tempo, ficar além do tempo que te está reservado pelo que é. O Coelho mandar-te embora e tu ficares. Esse tanto tempo.

Quanto ao nome, nada a dizer; é chamar-se de gente normal. Fora do livro, as coisas são mesmo assim. Os nomes nada dizem das pessoas antes de as conhecermos e de passarmos a não gostar daquele nome apenas porque não gostamos daquela pessoa. O teu nome não diz nada de ti, não diz ao que vens. Se te chamasses Adolfo Salazar eu ficava de pé atrás. Não imaginas o Coelho a escolher um Adolfo Salazar para Ministro das Finanças. Pois. Bem, vou mesmo mudar-te a desgraça de não mostrares ao que vens, isso vou fazer. O Vítor pode ficar, mas esse Gaspar diz de menos. Salazar dava muito nas vistas, também não. Raspar. Raspar porque é parecido com Gaspar e Raspar porque me raspas o tacho e raspar porque quero que te raspes e raspar porque avisa as pessoas para que se raspem de ao pé de ti. Raspar. Vítor Raspar, o homem às avessas. Ficas assim. Porque eu quero. E agora raspo-me, que estou a escrever isto no telemóvel para apagar ou publicar ou guardar para ler mais tarde e apagar. E já me doem os polegares e isto já vai longo e já tenho a única coisa que queria quando comecei a dedilhar. Agora já te raspei dos meus cem anos de solidão. Durmo em paz, Raspar.

(original publicado em 23-11-11)

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publicado às 01:41


3 comentários

De António Filipe a 25.11.2012 às 17:52

Ganda post, Rogério.
Estava a lê-lo e a pensar: mas onde é que eu já li isto? O Rogério não é homem de plágios!...
Só ao chegar quase ao fim reparei que afinal plagiaste. E plagiaste-te a ti próprio. E muito bem.
E, depois, fui ler o original. E li os comentários. O primeiro era meu, onde escrevia, por outras palavras, que fiquei sem palavras. E, no fim, mandava-te um abraço. Esse, o abraço, mando-to novamente. Hoje e sempre. Quanto às palavras, hoje, um ano depois do post original, surgem-me algumas, em forma de dúvidas:

1º - Será que a data do repost (25 de Novembro) é pura coincidência?
Esta é uma pergunta a que só tu saberás responder. E não te peço e, muito menos, exijo uma resposta.

2º - Será que se não fossem os acontecimentos desta data, há 37 anos, haveria razões para escrever este post (hoje e há um ano)?
A esta pergunta ninguém conseguirá responder. Mas, para mim, a dúvida ficará até morrer, como, aliás, tantas dúvidas que vou tendo. E, tal como à primeira pergunta, não te peço e, muito menos, exijo uma resposta. Nem a ti nem a ninguém.

3º - Será que, de hoje a um ano, este post poderá ser, novamente, transcrito, como sendo actual?
A esta pergunta peço-te e, não tendo eu feitio para grandes exigências, exijo-te uma resposta. Uma e só uma: NÃO.
Conto contigo, contamos contigo, conta comigo, contai comigo (até parece a letra de uma canção, que até podia ser do Zeca) para fazermos tudo o que estiver ao nosso alcance para que, de hoje a um ano, se tentares publicar este post outra vez, possamos gritar: JÁ NÃO SE JUSTIFICA. DESSE E DOS DA LAIA DELE JÁ NOS RASPÁMOS.

De Ana Bento a 26.11.2012 às 13:04

Contai comigo,Amigos.

De Rogério Costa Pereira a 13.02.2013 às 22:15

Caramba, Amigo. Lembro-me de ter lido esta tua pergunta que, na altura, deixei para responder mais tarde. Devia estar no telemóvel ou isso. 
( 1º ) Pura coincidência. Mas podia não ser, é certo. E se não fosse, talvez calhasse melhor. Vamos então chamar-lhe uma feliz e provocatória coincidência porque as dúvidas da tua 2ª questão são também minhas. Mas pior do que estamos parece-me impossível. 
Quanto à terceira questão: tu sabes a resposta. ;) Luto para nunca mais ter de repetir este post em forma de actualidade; que não passe de memória de tempos maus.
Mas, olha, ainda hoje o repeti no facebook. 

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