Já não é a primeira vez que António Borges, consultor do governo para as privatizações, lança mão do dinamite. Fê-lo ao vir declarar que era urgente a baixa de salários. Repetiu a cena com a apresentação da "boa" solução para a RTP, através da sua concessão a uma entidade privada.
A meu ver, porém, ainda não tinha usado uma tão forte carga de dinamite como hoje, ao defender que as alterações que o Governo queria fazer à Taxa Social Única (TSU) constituíam uma medida "extremamente inteligente" e ao qualificar de "completamente ignorantes" os empresários que se manifestaram contra as alterações.
Que o homem não tem a mínima sensibilidade social está bem patente nas afirmações que tem proferido em catadupa. O que surpreende é a sua incapacidade para avaliar os efeitos das cargas de dinamite que usa.
Depois de o governo ter recuado na aplicação das referidas medidas, Borges, ao lançar esta bomba, insulta os empresários, dinamitando qualquer hipótese de o governo ainda vir a poder conseguir algum tipo de consenso com o mundo empresarial e, ao mesmo tempo, deixa Passos Coelho em muito maus lençóis. No mínimo, chama-lhe "frouxo".
Depois disto, o mais surpreendente é que Passos Coelho não despeça Borges sumariamente.
Será que Passos Coelho é suficientemente imbecil para não ver que Borges, tal como Relvas, só contribuem para denegrir ainda mais a sua imagem? Ou será que Coelho não passa dum "boneco" na mão destes dois "artistas"?Francamente, não vejo outra alternativa.
Qual delas, a pior? Não sei, mas seja como for, certo é que nenhum dos três presta!
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