Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Este é um texto sobre política democrática e silêncio. É, portanto, um texto paradoxal, pois coloca em tensão termos que, numa democracia representativa, dificilmente podem confluir. Como sabemos, na Teoria Política o silêncio sempre se encontrou associado aos regimes autocráticos, aqueles regimes onde o Estado era o próprio detentor do Estado. Basta, a propósito, relembrar a célebre expressão do Rei Sol, "L'État c'est moi", proferida perante o parlamento de Paris. De facto, o tema do silêncio e da discrição integrou grande parte dos tratados de filosofia política moderna. No seu Breviário dos Políticos, o sucessor do Cardeal Richelieu, Jules Mazarin, teceu a contundente profanação: 

 

Reflecte antes de agir. E também antes de falar. Porque, se há poucas possibilidades de alterarem no bom sentido tudo o que disseste ou fizeste, convence-te de que será deformado no mau sentido. 

 

Ora, se no caso dos regimes autocráticos o silêncio sempre se encontrou associado à conspiração, ao complô, nas democracias representativas ele pode ser encarado como um elemento preponderante para o enfraquecimento do sistema democrático. Porém, o poder não é mais do que um jogo de aparências e é bem verdade que aquele que abre a boca a torto e a direito arrisca-se, facilmente, a ser apanhado em falta. De qualquer modo, não nos enganemos. A discrição é, de facto, uma boa forma de actuação política, mas também é certo que, como salienta Francis Bacon, aquele que "não falar, será tão mal julgado pelo seu silêncio como o seria pelo seu discurso". É, precisamente, aqui que pretendo chegar. Há sensivelmente um ano e meio, Cavaco Silva referiu que "há limites insuportáveis que se podem exigir ao comum dos cidadãos", dando o mote para que o PEC IV fosse chumbado. Sensivelmente na mesma altura, Pedro Passos Coelho justificou a crise política então criada referindo que a solução para a crise económica não poderia continuar a recair no corte do rendimento dos que menos têm. Se as contradições do primeiro-ministro são evidentes e discutidas todos os dias, não se deve deixar de estranhar o silêncio e a parcimónia do Presidente da República após o anúncio das "novas", das sempre novas e constantes medidas de austeridade. Ao subtrair-se do discurso público, Cavaco Silva será, a seu tempo, julgado pelo seu silêncio, tal como o foi pelo seu discurso. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:19



página facebook da pegadatwitter da pegadaemail da pegada



Comentários recentes

  • Anónimo

    VOCÊ ESTÁ PROCURANDO UM HACKER ONLINE E ENTRE OS H...

  • Anónimo

    Olá pessoal, você precisa de serviços de hackers?E...

  • Anónimo

    I was searching for loan to sort out my bills &...

  • Anónimo

    VOCÊ PRECISA DE UM SERVIÇO DE HACKING DE QUALIDADE...

  • Anónimo

    VOCÊ ESTÁ PROCURANDO UM HACKER ONLINE E ENTRE EM C...

  • Anónimo

    Se você precisar de um serviço de hackeamento prof...

  • Anónimo

    ENTRE EM CONTATO COM TODOS OS TIPOS DE TRABALHO HA...

  • Anónimo

    Recebi meu cartão multibanco programado e em branc...

  • Anónimo

    VOCÊ ESTÁ PROCURANDO UM HACKER ONLINE E ENTRE EM C...

  • Anónimo

    SE VOCÊ PRECISA DE UM SERVIÇO DE HACKING GENUÍNO E...


Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2008
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

Pesquisar

Pesquisar no Blog