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O Fonseca.

por Manuel Tavares, em 07.10.13


O Fonseca nada quer
Com a reles incerteza
Tem tudo anotado
Num enorme catrapázio
E um olhar estudado
Que todos varre
Sempre na esperança
Que a voraz sorte
Alguém lhe entregue
Com ar encravado...

Logo recorre às fontes
Que o instruam
Sobre o dito desgraçado
Estuda com afinco
Todas as anomalias
De credo ou assiduidade
Que o resto é já certo
Possuir de todos horário
De milimétrica pontualidade. 

O Fonseca não faz por mal
É até bom homem e coiso e tal
Um senhor sacrificado
À causa nacional
O que sempre justifica
Uma certa rigidez
Que mais não é que paternal
Mesmo quando fulmina 
Esta e aquela formiguinha
Por sair da estreita linha 
Nem que seja uma vez. 

O Fonseca tem apenas
Um problema nas antenas
Captam o estrito momento
Sendo de contas o futuro
Mas só de curtas somas
E rigorosas subtracções
Anda assim distraído
Com anémicas algibeiras
Esquecendo os milhões
Enquanto perde as estribeiras
Com quem já só faz contas
A meia dúzia de tostões.

© Manuel Tavares

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publicado às 20:05


Haja Musica!

por Herculano Oliveira, em 07.10.13

Sílvia Pérez Cruz - @ The Festival Les Suds in Arles 01.08.2013

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publicado às 17:41


Quem nunca sentiu?

por Manuel Tavares, em 06.10.13

foto @manuel tavares

 

Quem nunca sentiu o dia fugir-lhe pela boca, e nós, em louca e alegre correria, perseguirmos sua luz, cheiro e forma?

 

Quem nunca sentiu que nada separa este corpo, esta mente, esta alma, de uma qualquer aurora? Que o quebrar de uma onda nos molha por dentro? Que o sol nos levanta pelo peito?

 

Quem nunca limpou as mãos no pranto descobrindo alegria entre os dedos? Quem nunca sentiu que a vida lhe abalava, quando ignorou um sorriso, um carinho, um sussurro afectuoso?

 

Quem nunca sentiu vir da floresta, da montanha, do mar um mudo mas poderoso chamamento? Quem nunca caminhou ao luar sentindo em cada passo, a profana oração da noite?

 

Quem nunca sozinho se sentiu junto das estrelas? A ternura de todo o firmamento? O embalo do canto das aves?

 

Quem nunca sentiu que ao amar o tempo parava? Os minutos escorrendo pelas nuas paredes sem direcção… O único rumo marcado pelo ritmo dos corpos …

 

Quem nunca sentiu, que para tudo ou parte disto sentir, que de si se esqueceu? E o tornar da memória é apenas a prova, que sempre se renova a lembrança, quando volta o eu que se perdeu.

 

Estamos sempre a tempo de nos perdermos. De novo e sempre. 

 

 

© Manuel Tavares

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publicado às 23:37


für zwischendurch !6!

por Celia Correia, em 06.10.13

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publicado às 22:45


Os “circunstancialistas”

por Manuel Tavares, em 05.10.13
Os “circunstancialistas” são aqueles que agem e falam conforme aquilo que têm “à mão”.
Os “circunstancialistas” agem e falam conforme aquilo que a conjuntura “permite”, ou seja, aquilo que um determinado ambiente sócio-político-económico permite, ou seja, agem e falam dentro daquilo que um determinado “realismo” permite.
Os “circunstancialistas” não acreditam em mudanças que já não estejam previstas, não acreditam em riscos que já não estejam previstos, não acreditam em ideias que não estejam integradas e previstas dentro da ideia geral já pré-estabelecida pela conjuntura.
Os “circunstancialistas” agem e pensam estritamente dentro do socialmente aceitável num determinado espaço sócio temporal. Quebrar essa simples regra retira imediatamente um “circunstancialista” da condição de…“circunstancialista” porque todos os outros “circunstancialistas” irão agora olhar para ele como um “não-circunstancialistas”. Que é mais ou menos o mesmo que dizer um proscrito, a que apenas será dado o estrito tempo da antena pelos média “circunstancialistas”, tendo como objectivo provar o quão perigoso pode ser para todos nós um “não-circunstancialista”.
Sempre existiram “circunstancialistas” em todas épocas e nações da história e em todo tipo de sistemas e sociedades. A sua existência é essencial para a sobrevivência e, sobretudo, credibilidade de qualquer sistema. Credibilidade aqui terá de ser entendida sobre vários sentidos, primeiro no sentido da criação “credível” de uma realidade confortável, uma matriz, uma rede que tudo ampara. Depois dentro da “rede” como criadores de uma “moral” e “ética” do política e socialmente aceitável. Um pouco como “superegos” com funções policiais, regulando as pulsões inconscientes das massas, para que as mesmas se mantenham previsíveis e analisáveis aos olhos de uma determinada…conjuntura.
Existem assim “circunstancialistas” para todo tipo de tarefas e funções. Até há “circunstancialistas” aparentemente anti - conjuntura, mas que com a sua acção acabam por a tornar mais real ao criarem um aparente polo-oposto, polo esse que rapidamente se esfumaria na eventualidade da dissolução da conjuntura.
Existem até, vejam lá, políticos “circunstancialistas”, que num curioso exercício paradoxal se fazem eleger pelas massas previsíveis mas esperançadas noutra conjuntura, com a promessa de mudarem ou renovarem essa mesma conjuntura. Acto contínuo, quando eleitos a sua própria natureza não pode deixar de emergir, e como “circunstancialistas” só poderão assim agir dentro dos cânones que essa condição permite, ou seja, terão de alegar agora perante as massas que os elegeram que as circunstâncias os obrigam a ser “circunstancialistas”, apesar das massas lhes terem dado carta-branca para serem algo diferente.
© Manuel Tavares

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publicado às 23:49


tortoise

por Rogério Costa Pereira, em 05.10.13

Quando alguém como a Lucy Pepper (esta e também esta -- o último link remete para um vídeo, belo de belo, que é "apenas" o "bar" onde demasiadas vezes me sinto em casa) desenha as palavras que ainda não foram inventadas e decide mostrá-las ao mundo, arrisca-se a que alguém como eu pegue nessas "palavras" e as leia à minha maneira. Há exactamente duas semanas, ironia das ironias, soube pela Lucy que tinha perdido um amigo (ele não me perdeu a mim, eu perdi-o a ele; mas o tango dança-se a dois). Não foi por isso que a minha amiga inventou a tortoise (eu é que uso e abuso da criatura, da tortoise, entenda-se). Quando a Lucy me alertou, EU disse-ME que não diria publicamente de mim, de nós, e das minhas razões (as tais que o meu proverbial mau feitio, de mui largas costas faz o comum dos mortais dispensar -- e duas semanas já o provaram à saciedade; salvo amigas e imparciais e excepções; porque ELE é ELE e ELE nunca tinha perdido um amigo; e eu sou... "este..."). Não queria voltar a este tema, mas não é todos os dias que um amigo (AMIGO!) nos avisa (por meio de um blogue) que nos morreu; e eu andava mesmo à procura de palavras para dar a quem nunca mas pediu. Este post não É, portanto. Este post nunca existiu; nem vocês o estão a ler. Ouso, porque sim e porque tenho de o fazer, pegar nas "palavras" da Lucy e fazê-las minhas. Para este caso que agora dou por encerrado. Definitivamente. O caso, não a amizade. O amigo ter-me-á perdido (segundo a sua crença e a sua bíblia -- e as questões religiosas são o que são), mas eu não perdi amigo nenhum. E por aqui me fico. Não mudei de ser, não mudei de parecer (porque não mudei de ser) e, já agora, não confundo esse meu amigo que me perdeu com abjectos seres que por aqui passaram a dar vivas -- "afinal és mesmo o traste que és, se dúvidas houvesse... não queres comparar a tua palavra à do amigo que te perdeu, pois não?".

 

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publicado às 00:22


No Outono caem letras das folhas...

por Manuel Tavares, em 04.10.13

 

Mesmo o mais faccioso militante pró TROIKA deveria estranhar a possibilidade de esta pressionar o nosso Tribunal Constitucional (como algumas aves raras andam por aí a sugerir).

 

O que isto significaria da parte da TROIKA seria uma intromissão clara na soberania de um país, como se já não fosse importante só o mero pagamento da dívida, mas a forma como esta é cobrada internamente aos cidadãos da nação devedora, ou seja, para além da ingerência inaceitável na nossa soberania, teríamos agora a TROIKA na posse de um régio poder discricionário, apontando a olho quem deve pagar a maior parte da factura.

 

Porque é isto que alguns defendem de forma malabarista e intelectualmente desonesta! Começam por colocar sobre Tribunal Constitucional (sabendo nós que a sua constituição é tudo menos anti TROIKA) a responsabilidade de este estar a impedir a aplicação da austeridade, quando na realidade este apenas tem sido o único travão da sua aplicação CEGA (já que o Presidente se encontra ausente para parte incerta).

 

E como se faz a aplicação cega da austeridade? Recorrendo a uma receita ao melhor estilo do célebre Sheriff de Nottingham, fazendo recair o seu peso sobre os mais desfavorecidos e deixando intocados os grandes interesses mafiosos instalados no país!

 

Atravessarmos ainda mais a linha perigosa entre o cidadão participativo (com todo o direito à sua opinião ideológica e coisa e tal) e o cidadão colaboracionista (tipo Petain da França não ocupada fisicamente da segunda grande guerra, mas ocupada em tudo o resto) é algo que pode não ter bilhete de volta.

 

Os que aplaudem o suposto rigor merceeiro da TROIKA/Governo pensem nisto antes de abrir braços novamente a caminho de mais um "clap", porque podem mais do que nunca estar a colocar-se do lado daqueles para quem o Estado de Direito é uma nota de rodapé na sua viagem entre nós, e num jeito Isaltino de ser, vão cantando e rindo por fora, enquanto moldam na cumplicidade dos corredores a seu bel-prazer, alguma lei que se lhes atravesse no caminho.

 

Estaria aberta a caixa de pandora, e reparem que eu nem me pronunciei sobre a justeza ou não de se alterar a constituição, mas realço isso sim a cobardia e falta de sentido de ética republicana e legalidade que é querer passar por cima dela de esta forma.

 

Querem mudar a constituição? Tenham coragem de o fazer nos locais próprios e explicando claramente à população o que pretendem, sem truques e sem se enfiarem debaixo da saia da TROIKA, num acto de vergonhoso amuo antidemocrático!

 

© manuel tavares

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publicado às 23:58


"Comer o mexilhão”

por Rogério Costa Pereira, em 04.10.13

Adivinhem quem vai pagar a contribuição especial que o governo vai lançar sobre os produtores de electricidade? O governo já avisou que não serão os consumidores. Em suma, e traduzindo do português-biltre...… serão os consumidores. Mas alguém com dois dedos de testa pensa mesmo que as eléctricas não arranjaram já forma de facturar essa treta ao Zé-Povinho? E o governo sabe disto? Claro que sabe; e também sabe que as eléctricas sabem. Tudo foi combinado e acertado até ao mais ínfimo pormenor. Então e esta troca de palavras a saber a azedo é tudo encenado? Mas que treta de pergunta é essa!? Há porventura alguma coisa na política económica e financeira desta vilanagem que nos empurra que não comece com um uma pantominice previamente encenada? Houve um jantar, sim, onde tudo foi acertado. E nós também lá estivemos, por certo, ou não tivessem os convivas optado por comer mexilhão. "Comer o mexilhão”". Como sempre, aliás…

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publicado às 15:30


O que acontece quando um bloco bate numa parede?

por Manuel Tavares, em 04.10.13

 


Isto que explano a seguir é uma imagem vista de fora e do meu prisma obviamente, já que o que conheço da vida interna do BE é apenas e só, o que os portugueses minimamente informados conhecem.

 

O BE parecia um projecto promissor, precisamente porque tudo indicava que iria quebrar com os paradigmas estafados de uma certa esquerda e, utopia das utopias, desmistificar maniqueísmos e atrair largas franjas do eleitorado fartinhos de histórias de faca e alguidar, boas para criar espírito de clube, mas péssimas quando se querem alternativas frescas e avessas ao demagógico.

 

Os sinais de perigo no entanto estavam lá, mesmo para quem foi votando BE esperando que eles passassem . A postura moralista de Louçã, figura central e incontornável na construção do pojecto pelo seu carisma e energia, poderia ser contraposta pelo carácter menos truculento e irascível, não deixando de ser igualmente combativo, de alguém como Miguel Portas.

 

No entanto algo aconteceu que baralhou uma imensidade de caminhos, trocando-os por aquilo que nunca poderia ser a matriz de um movimento que se pretendia novo. À criatividade e militância saudável e irreverente, sucedeu o aparelhismo e a ortodoxia e isso foi o princípio... do fim.

 

Ao auto-negar os seus paradigmas (ou os que parecia ser portador, se calhar nunca foi) o BE simplesmente implodiu. A sucessão dinástica de Louçã foi apenas uma amostra patética que as águas há muito estavam estagnadas. O recurso constante e ridículo às chamadas questões "fracturantes" como estratégia de afirmação do movimento, entraram no seu capítulo final e anedótico recentemente com a "lei anti-piropo".

 

Vamos lá ver uma coisa, não que muitas destas questões, piropos à parte, não tenham razão de ser na nossa sociedade, mas não podem ser o único combustível que alimente a máquina de um movimento que se queira organicamente consistente. E a orgânica para mim num movimento é tudo, porque é a forma como este resolve criativamente conflitos internos, fazendo deles chama de debates fecundos com resultados vinculativos, que o torna ou não exemplo para toda uma sociedade.

 

A vertigem de uma perfeição imaculada tramou o BE, que na busca do "politicamente correcto" se tornou sisudo, obtuso e melodramático, pensando que seria isso que lhe traria credibilidade entre um eleitorado mais diminuto naturalmente, mas em compensação mais fiel. Novo erro crasso, existe um partido que já faz isso na política portuguesa com grande sucesso, chama-se PCP, e não começou essa tarefa ontem pelas duas da tarde.

 

O que aconteceu recentemente nas autárquicas ao BE não foi acontecimento algum diga-se de passagem. O BE nunca teve base autárquica, e isso nunca sucedeu porque nunca teve o "golpe de asa" para saber que tinha muito mais a ganhar ao descolar-se de certas matrizes paleolíticas do que a perder.

 

E estas são as generalidades que me cabem dizer em primeiro lugar. Existem depois coisas que se inserem dentro do inconsciente colectivo daquilo que se convencionou chamar "esquerda". Coisas freudianas que começam precisamente pela temível e estéril tarefa de definir o que é de esquerda ou não é. E isso sinceramente não interessa a ponta de um chavo ao comum dos mortais, porque é emular o que se faz do outro lado de inúmeras barricadas ideológicas, o que leva, mais uma vez repito, a que não se desenvolva uma orgânica dinâmica que produza propostas inovadoras, modernas e exequíveis.

 

E se de repente essas propostas, que quanto a mim deverão ser sempre humanistas na substância e tendo o homem como medida na exequibilidade e implementação, forem eventualmente ideologicamente inócuas, socialmente amplamente aceitáveis e razoáveis, e economicamente concretizáveis sendo que sem subserviência alguma a poderes instalados? Não valem por ser "fofinhas" e pouco "combativas" ?

 

Muitos dizem que provavelmente nada de substancialmente diferente sairá das chamadas ideologias de direita. Se calhar estão em parte certos, no entanto muitas vezes o sucesso não se constrói com a colaboração directa de todas as sensibilidades, mas pela respeitosa curiosidade de quem, mesmo não colaborando directamente, não se sente ameaçado por uma retórica agressiva e por uma forma de operar que se preocupa mais com questões de propaganda e protesto e menos ou nada com questões programáticas e de projecto.

 

@ manuel tavares

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publicado às 03:29


Cena !1!

por Celia Correia, em 03.10.13

Chief Bromden: My pop was real big. He did like he pleased. That's why everybody worked on him. The last time I seen my father, he was blind and diseased from drinking. And every time he put the bottle to his mouth, he didn't suck out of it, it sucked out of him until he shrunk so wrinkled and yellow even the dogs didn't know him.

McMurphy: Killed him, huh?

Chief Bromden: I'm not saying they killed him. They just worked on him. The way they're working on you.

 

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publicado às 23:30

Há pouco alguém perguntava se o feriado de 5 de Outubro já tinha passado à história, eu respondi que para muitos a história já não passa certamente pelo 5 de Outubro, pela bizarra concepção que têm da república e sobretudo de um Estado de Direito. Por exemplo, ontem constatei abismado que os apoios que um certo Isaltino recolhe são bem mais generalizados do que se julgaria. Se calhar essas pessoas não sabem ao certo porque está condenado? É fácil, vão à wikipedia: "Isaltino Afonso Morais (São Salvador, Mirandela,29 de Dezembro de 1949) é um jurista e político português. Desde 24 de Abril de 2013 está detido a cumprir pena por crimes de corrupção, fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e abuso de poder." Sabem o que é o crime "abuso de poder" (já que os outros se explicam a si mesmos)? "O crime de abuso de poder pressupõe que o agente, investido de poderes públicos, actue com violação dos deveres funcionais que sobre si impendem, sacrificando o interesse público para satisfação de finalidades ou interesses particulares que se venham a traduzir num benefício ilegítimo para si ou para terceiro ou num prejuízo para outra pessoa."... o processo contra Isaltino é um dos mais extensos de que há memória, entretanto muita coisa prescreveu... O que parece haver por ali e acolá é muita falta de memória, provavelmente proporcional a uma enorme quantidade de má-fé. O que alguns por ali e acolá estão a fazer (ou a ser cúmplices por omissão ou inconsciência) é uma tentativa canhestra de branqueamento baseada em amiguismos, no diz-que-diz, no egoísmo (ele trata do meu quintal) e na mais profunda ignorância do que de facto representa o mau exemplo deste caso para o país. Porque é disso que se trata, não é só do cantinho florido de Oeiras. Ignorar isso é também um exercício perverso e intelectualmente desonesto, que demonstra bem a decadência a que chegou em algumas cabeças o conceito de legalidade. Conheço muita gente de Oeiras, gente politicamente informada e activa, uns com mais cultura que outros, mas com um traço comum, honra e vergonha na cara. O que está a acontecer em Oeiras mas também noutros locais (Gondomar por exemplo, ou no passado em Felgueiras e Marco de Canaveses) tem de ser combatido por todos aqueles que ainda guardam dentro de si um pingo de decência, consciência e coragem.

Manuel Tavares

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publicado às 20:08


für zwischendurch !5!

por Celia Correia, em 03.10.13

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publicado às 15:30

ja compraram vaselina? é que, caso contrário, é capaz de doer demais...

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publicado às 15:14


"Troika não cede um milímetro"...

por Herculano Oliveira, em 03.10.13

..."a troika está inflexível na esmagadora maioria das medidas e metas em negociação das 8.ª e 9.ª avaliações."

 

a leitura da manchete do "Diario de Noticias" nâo me admirou. porque vindo desta escumalha ja nada me admira. e como não ha gente neste "governo" que lhes bata o pé, fica aqui uma pergunta: e se lhes enfiassemos um pau (grosso) pelo cu acima? seria que eles ficavam mais flexíveis?

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publicado às 10:25


como seria o mundo sem musica?

por Herculano Oliveira, em 03.10.13

http://www.discreditedwebsites.com/discrediteddj/sounds/TheChildrenofGodTheAgentsoftheUnderworldGODDJ01.mp3

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publicado às 10:17


Pois. É mais ou menos isto.

por Celia Correia, em 02.10.13

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publicado às 15:34


Como cativar investimento

por João Mendes, em 02.10.13

Bastava um e-mail, com o seguinte teor: "Suecada, ou abrem mais meia dúzia de mega-stores de puzzles mobiliários lá na terra da austeridade, ou deixamos ficar aí esse gajo!"

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publicado às 12:11


como seria o mundo sem musica?

por Herculano Oliveira, em 02.10.13

http://www.discreditedwebsites.com/discrediteddj/sounds/DiscreditedDJMixYURTXL.mp3

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publicado às 10:44


für zwischendurch !4!

por Celia Correia, em 01.10.13

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publicado às 15:01


Evangelho segundo a pen da Figueira

por Rogério Costa Pereira, em 01.10.13
Matou-se três vezes mas ressuscitava sempre ao terceiro dia. O que era uma seca. A Esperança, uma prima que acabou por ser a primeira a morrer, disse-lhe para pedir a outros para o matarem. Que o suicídio não valia porque assim era muito fácil e mais não sei o quê. Convencido, só não arquitectou um plano porque não. Preferiu cozinhá-lo. Por trinta moedas, convenceu o melhor amigo a denunciá-lo por crimes contra a humidade. Tinha comprado um desumidificador modificado e não licenciado a uma pomba branca no mercado negro. O melhor amigo não se fez rogado (mesmo porque na altura ainda mal se rogava). O dinheiro dava-lhe jeito para finalmente poder comprar a figueira dos seus sonhos. Já tinha várias, mas por aquela era gajo para se enforcar. E ainda recebeu outras trinta moedas, pelo altruístico gesto. Comprou a corda e enforcou-se na tal figueira, assim cumprindo um sonho de criança -- o da filha de um vizinho que lhe tinha pedido para ele fazer aquilo; que era um sonho e que ela era uma criança e patati-patatá. Não soube dizer que não, embora um terço desconfiado da parte do patati-patatá. Volto ao amigo deste amigo que já não é. O do desumificador. Só um bocadinho... Voltei! Vieram buscá-lo. Acusaram-no e não esperaram pelo julgamento. O juiz estava de baixa médica, internado num hospital psiquiátrico. Tinham dado com ele a anunciar a vinda do Messias para o Belenenses. No fim de cada sentença lá escrevia. "Messias no Belenenses". E ninguém queria o Messias no Belenenses. Com trinta e três anos já estava na fase descendente da carreira e nem de longe valia as trinta moedas que o agente Bom Ladrão pedia. Com o juiz neste estado, só houve mesmo acusação. Esperaram que não viesse a sentença. Pacientemente. Finalmente, não chegou. Passaram trinta dias mais três de multa. Ninguém recorreu mas não transitou em julgado porque em rigor não existia. E ao quarto dia, sem a sentença devidamente não transitada, levaram-no e executaram-no. Só depois o mataram de riso. Tal como o juiz não havia decidido. Já morto de morte matada, ataram-no a um pau que prenderam a outro, por forma a fazer uma cruz. É que, para além de em miniatura ficar bem ao pescoço, era dia de eleições -- cruzinha e tal -- e eles queriam muito abster-se de não ir às urnas. Por isso, enfiaram-no numa gruta. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme... habitual e subiu... ao apartamento da Céu. Depois foi para Paris... para Paris... ele foi para Paris. Ele, a Céu, a Ana Faria e os Queijinhos Frescos. Abriu uma taverna cujo telhado encimou com a cruz que carregava. Chamou-lhe Igreja porque não lhe ocorreu nome pior. A Fama não tardou muito e só não chegou mais cedo porque em vez de ler Paris, no bilhetinho com o endereço, leu Roma. O vinho era de estalo, especialmente quando os bêbados apalpavam o rabo à Céu que não era mulher de levar desaforo para casa. Já lhe bastavam as vezes que o irmão do padeiro lhe batia à porta e em que ela tinha de ceder, que poucos sabiam não pôr fermento no pão daquela forma como o padeiro nao punha. Esta parte está mal explicada, porque ela cedia ao irmão do padeiro, que era sapateiro, e não ao padeiro. Tudo pela Igreja, que aquilo vendia que nem velas em dia de romaria. Em Roma não havia electricidade e quem lá ia tinha de se aviar em terra. Obviamente, para os Franceses só havia uma terra digna desse nome. E a cidade das luzes prosperava à conta de tal negócio. A Igreja abriu-se ao Mundo. E o Mundo entrou na Igreja. O resto da história é conhecida. Apenas quis relatar esta versão das origens do franchising. Bem menos forçada do que a oficial e que encontrei numa pen em segunda-mão que comprei na Figueira. Ai Deus, e hu é? Nu é!

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publicado às 03:07

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