Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
O Fonseca nada quer
Com a reles incerteza
Tem tudo anotado
Num enorme catrapázio
E um olhar estudado
Que todos varre
Sempre na esperança
Que a voraz sorte
Alguém lhe entregue
Com ar encravado...
Logo recorre às fontes
Que o instruam
Sobre o dito desgraçado
Estuda com afinco
Todas as anomalias
De credo ou assiduidade
Que o resto é já certo
Possuir de todos horário
De milimétrica pontualidade.
O Fonseca não faz por mal
É até bom homem e coiso e tal
Um senhor sacrificado
À causa nacional
O que sempre justifica
Uma certa rigidez
Que mais não é que paternal
Mesmo quando fulmina
Esta e aquela formiguinha
Por sair da estreita linha
Nem que seja uma vez.
O Fonseca tem apenas
Um problema nas antenas
Captam o estrito momento
Sendo de contas o futuro
Mas só de curtas somas
E rigorosas subtracções
Anda assim distraído
Com anémicas algibeiras
Esquecendo os milhões
Enquanto perde as estribeiras
Com quem já só faz contas
A meia dúzia de tostões.
© Manuel Tavares
Sílvia Pérez Cruz - @ The Festival Les Suds in Arles 01.08.2013
Quem nunca sentiu o dia fugir-lhe pela boca, e nós, em louca e alegre correria, perseguirmos sua luz, cheiro e forma?
Quem nunca sentiu que nada separa este corpo, esta mente, esta alma, de uma qualquer aurora? Que o quebrar de uma onda nos molha por dentro? Que o sol nos levanta pelo peito?
Quem nunca limpou as mãos no pranto descobrindo alegria entre os dedos? Quem nunca sentiu que a vida lhe abalava, quando ignorou um sorriso, um carinho, um sussurro afectuoso?
Quem nunca sentiu vir da floresta, da montanha, do mar um mudo mas poderoso chamamento? Quem nunca caminhou ao luar sentindo em cada passo, a profana oração da noite?
Quem nunca sozinho se sentiu junto das estrelas? A ternura de todo o firmamento? O embalo do canto das aves?
Quem nunca sentiu que ao amar o tempo parava? Os minutos escorrendo pelas nuas paredes sem direcção… O único rumo marcado pelo ritmo dos corpos …
Quem nunca sentiu, que para tudo ou parte disto sentir, que de si se esqueceu? E o tornar da memória é apenas a prova, que sempre se renova a lembrança, quando volta o eu que se perdeu.
Estamos sempre a tempo de nos perdermos. De novo e sempre.
© Manuel Tavares
Quando alguém como a Lucy Pepper (esta e também esta -- o último link remete para um vídeo, belo de belo, que é "apenas" o "bar" onde demasiadas vezes me sinto em casa) desenha as palavras que ainda não foram inventadas e decide mostrá-las ao mundo, arrisca-se a que alguém como eu pegue nessas "palavras" e as leia à minha maneira. Há exactamente duas semanas, ironia das ironias, soube pela Lucy que tinha perdido um amigo (ele não me perdeu a mim, eu perdi-o a ele; mas o tango dança-se a dois). Não foi por isso que a minha amiga inventou a tortoise (eu é que uso e abuso da criatura, da tortoise, entenda-se). Quando a Lucy me alertou, EU disse-ME que não diria publicamente de mim, de nós, e das minhas razões (as tais que o meu proverbial mau feitio, de mui largas costas faz o comum dos mortais dispensar -- e duas semanas já o provaram à saciedade; salvo amigas e imparciais e excepções; porque ELE é ELE e ELE nunca tinha perdido um amigo; e eu sou... "este..."). Não queria voltar a este tema, mas não é todos os dias que um amigo (AMIGO!) nos avisa (por meio de um blogue) que nos morreu; e eu andava mesmo à procura de palavras para dar a quem nunca mas pediu. Este post não É, portanto. Este post nunca existiu; nem vocês o estão a ler. Ouso, porque sim e porque tenho de o fazer, pegar nas "palavras" da Lucy e fazê-las minhas. Para este caso que agora dou por encerrado. Definitivamente. O caso, não a amizade. O amigo ter-me-á perdido (segundo a sua crença e a sua bíblia -- e as questões religiosas são o que são), mas eu não perdi amigo nenhum. E por aqui me fico. Não mudei de ser, não mudei de parecer (porque não mudei de ser) e, já agora, não confundo esse meu amigo que me perdeu com abjectos seres que por aqui passaram a dar vivas -- "afinal és mesmo o traste que és, se dúvidas houvesse... não queres comparar a tua palavra à do amigo que te perdeu, pois não?".
Mesmo o mais faccioso militante pró TROIKA deveria estranhar a possibilidade de esta pressionar o nosso Tribunal Constitucional (como algumas aves raras andam por aí a sugerir).
O que isto significaria da parte da TROIKA seria uma intromissão clara na soberania de um país, como se já não fosse importante só o mero pagamento da dívida, mas a forma como esta é cobrada internamente aos cidadãos da nação devedora, ou seja, para além da ingerência inaceitável na nossa soberania, teríamos agora a TROIKA na posse de um régio poder discricionário, apontando a olho quem deve pagar a maior parte da factura.
Porque é isto que alguns defendem de forma malabarista e intelectualmente desonesta! Começam por colocar sobre Tribunal Constitucional (sabendo nós que a sua constituição é tudo menos anti TROIKA) a responsabilidade de este estar a impedir a aplicação da austeridade, quando na realidade este apenas tem sido o único travão da sua aplicação CEGA (já que o Presidente se encontra ausente para parte incerta).
E como se faz a aplicação cega da austeridade? Recorrendo a uma receita ao melhor estilo do célebre Sheriff de Nottingham, fazendo recair o seu peso sobre os mais desfavorecidos e deixando intocados os grandes interesses mafiosos instalados no país!
Atravessarmos ainda mais a linha perigosa entre o cidadão participativo (com todo o direito à sua opinião ideológica e coisa e tal) e o cidadão colaboracionista (tipo Petain da França não ocupada fisicamente da segunda grande guerra, mas ocupada em tudo o resto) é algo que pode não ter bilhete de volta.
Os que aplaudem o suposto rigor merceeiro da TROIKA/Governo pensem nisto antes de abrir braços novamente a caminho de mais um "clap", porque podem mais do que nunca estar a colocar-se do lado daqueles para quem o Estado de Direito é uma nota de rodapé na sua viagem entre nós, e num jeito Isaltino de ser, vão cantando e rindo por fora, enquanto moldam na cumplicidade dos corredores a seu bel-prazer, alguma lei que se lhes atravesse no caminho.
Estaria aberta a caixa de pandora, e reparem que eu nem me pronunciei sobre a justeza ou não de se alterar a constituição, mas realço isso sim a cobardia e falta de sentido de ética republicana e legalidade que é querer passar por cima dela de esta forma.
Querem mudar a constituição? Tenham coragem de o fazer nos locais próprios e explicando claramente à população o que pretendem, sem truques e sem se enfiarem debaixo da saia da TROIKA, num acto de vergonhoso amuo antidemocrático!
© manuel tavares
Adivinhem quem vai pagar a contribuição especial que o governo vai lançar sobre os produtores de electricidade? O governo já avisou que não serão os consumidores. Em suma, e traduzindo do português-biltre... serão os consumidores. Mas alguém com dois dedos de testa pensa mesmo que as eléctricas não arranjaram já forma de facturar essa treta ao Zé-Povinho? E o governo sabe disto? Claro que sabe; e também sabe que as eléctricas sabem. Tudo foi combinado e acertado até ao mais ínfimo pormenor. Então e esta troca de palavras a saber a azedo é tudo encenado? Mas que treta de pergunta é essa!? Há porventura alguma coisa na política económica e financeira desta vilanagem que nos empurra que não comece com um uma pantominice previamente encenada? Houve um jantar, sim, onde tudo foi acertado. E nós também lá estivemos, por certo, ou não tivessem os convivas optado por comer mexilhão. "Comer o mexilhão". Como sempre, aliás
Isto que explano a seguir é uma imagem vista de fora e do meu prisma obviamente, já que o que conheço da vida interna do BE é apenas e só, o que os portugueses minimamente informados conhecem.
O BE parecia um projecto promissor, precisamente porque tudo indicava que iria quebrar com os paradigmas estafados de uma certa esquerda e, utopia das utopias, desmistificar maniqueísmos e atrair largas franjas do eleitorado fartinhos de histórias de faca e alguidar, boas para criar espírito de clube, mas péssimas quando se querem alternativas frescas e avessas ao demagógico.
Os sinais de perigo no entanto estavam lá, mesmo para quem foi votando BE esperando que eles passassem . A postura moralista de Louçã, figura central e incontornável na construção do pojecto pelo seu carisma e energia, poderia ser contraposta pelo carácter menos truculento e irascível, não deixando de ser igualmente combativo, de alguém como Miguel Portas.
No entanto algo aconteceu que baralhou uma imensidade de caminhos, trocando-os por aquilo que nunca poderia ser a matriz de um movimento que se pretendia novo. À criatividade e militância saudável e irreverente, sucedeu o aparelhismo e a ortodoxia e isso foi o princípio... do fim.
Ao auto-negar os seus paradigmas (ou os que parecia ser portador, se calhar nunca foi) o BE simplesmente implodiu. A sucessão dinástica de Louçã foi apenas uma amostra patética que as águas há muito estavam estagnadas. O recurso constante e ridículo às chamadas questões "fracturantes" como estratégia de afirmação do movimento, entraram no seu capítulo final e anedótico recentemente com a "lei anti-piropo".
Vamos lá ver uma coisa, não que muitas destas questões, piropos à parte, não tenham razão de ser na nossa sociedade, mas não podem ser o único combustível que alimente a máquina de um movimento que se queira organicamente consistente. E a orgânica para mim num movimento é tudo, porque é a forma como este resolve criativamente conflitos internos, fazendo deles chama de debates fecundos com resultados vinculativos, que o torna ou não exemplo para toda uma sociedade.
A vertigem de uma perfeição imaculada tramou o BE, que na busca do "politicamente correcto" se tornou sisudo, obtuso e melodramático, pensando que seria isso que lhe traria credibilidade entre um eleitorado mais diminuto naturalmente, mas em compensação mais fiel. Novo erro crasso, existe um partido que já faz isso na política portuguesa com grande sucesso, chama-se PCP, e não começou essa tarefa ontem pelas duas da tarde.
O que aconteceu recentemente nas autárquicas ao BE não foi acontecimento algum diga-se de passagem. O BE nunca teve base autárquica, e isso nunca sucedeu porque nunca teve o "golpe de asa" para saber que tinha muito mais a ganhar ao descolar-se de certas matrizes paleolíticas do que a perder.
E estas são as generalidades que me cabem dizer em primeiro lugar. Existem depois coisas que se inserem dentro do inconsciente colectivo daquilo que se convencionou chamar "esquerda". Coisas freudianas que começam precisamente pela temível e estéril tarefa de definir o que é de esquerda ou não é. E isso sinceramente não interessa a ponta de um chavo ao comum dos mortais, porque é emular o que se faz do outro lado de inúmeras barricadas ideológicas, o que leva, mais uma vez repito, a que não se desenvolva uma orgânica dinâmica que produza propostas inovadoras, modernas e exequíveis.
E se de repente essas propostas, que quanto a mim deverão ser sempre humanistas na substância e tendo o homem como medida na exequibilidade e implementação, forem eventualmente ideologicamente inócuas, socialmente amplamente aceitáveis e razoáveis, e economicamente concretizáveis sendo que sem subserviência alguma a poderes instalados? Não valem por ser "fofinhas" e pouco "combativas" ?
Muitos dizem que provavelmente nada de substancialmente diferente sairá das chamadas ideologias de direita. Se calhar estão em parte certos, no entanto muitas vezes o sucesso não se constrói com a colaboração directa de todas as sensibilidades, mas pela respeitosa curiosidade de quem, mesmo não colaborando directamente, não se sente ameaçado por uma retórica agressiva e por uma forma de operar que se preocupa mais com questões de propaganda e protesto e menos ou nada com questões programáticas e de projecto.
@ manuel tavares
Chief Bromden: My pop was real big. He did like he pleased. That's why everybody worked on him. The last time I seen my father, he was blind and diseased from drinking. And every time he put the bottle to his mouth, he didn't suck out of it, it sucked out of him until he shrunk so wrinkled and yellow even the dogs didn't know him.
McMurphy: Killed him, huh?
Chief Bromden: I'm not saying they killed him. They just worked on him. The way they're working on you.

Há pouco alguém perguntava se o feriado de 5 de Outubro já tinha passado à história, eu respondi que para muitos a história já não passa certamente pelo 5 de Outubro, pela bizarra concepção que têm da república e sobretudo de um Estado de Direito. Por exemplo, ontem constatei abismado que os apoios que um certo Isaltino recolhe são bem mais generalizados do que se julgaria. Se calhar essas pessoas não sabem ao certo porque está condenado? É fácil, vão à wikipedia: "Isaltino Afonso Morais (São Salvador, Mirandela,29 de Dezembro de 1949) é um jurista e político português. Desde 24 de Abril de 2013 está detido a cumprir pena por crimes de corrupção, fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e abuso de poder." Sabem o que é o crime "abuso de poder" (já que os outros se explicam a si mesmos)? "O crime de abuso de poder pressupõe que o agente, investido de poderes públicos, actue com violação dos deveres funcionais que sobre si impendem, sacrificando o interesse público para satisfação de finalidades ou interesses particulares que se venham a traduzir num benefício ilegítimo para si ou para terceiro ou num prejuízo para outra pessoa."... o processo contra Isaltino é um dos mais extensos de que há memória, entretanto muita coisa prescreveu... O que parece haver por ali e acolá é muita falta de memória, provavelmente proporcional a uma enorme quantidade de má-fé. O que alguns por ali e acolá estão a fazer (ou a ser cúmplices por omissão ou inconsciência) é uma tentativa canhestra de branqueamento baseada em amiguismos, no diz-que-diz, no egoísmo (ele trata do meu quintal) e na mais profunda ignorância do que de facto representa o mau exemplo deste caso para o país. Porque é disso que se trata, não é só do cantinho florido de Oeiras. Ignorar isso é também um exercício perverso e intelectualmente desonesto, que demonstra bem a decadência a que chegou em algumas cabeças o conceito de legalidade. Conheço muita gente de Oeiras, gente politicamente informada e activa, uns com mais cultura que outros, mas com um traço comum, honra e vergonha na cara. O que está a acontecer em Oeiras mas também noutros locais (Gondomar por exemplo, ou no passado em Felgueiras e Marco de Canaveses) tem de ser combatido por todos aqueles que ainda guardam dentro de si um pingo de decência, consciência e coragem.

ja compraram vaselina? é que, caso contrário, é capaz de doer demais...
..."a troika está inflexível na esmagadora maioria das medidas e metas em negociação das 8.ª e 9.ª avaliações."
a leitura da manchete do "Diario de Noticias" nâo me admirou. porque vindo desta escumalha ja nada me admira. e como não ha gente neste "governo" que lhes bata o pé, fica aqui uma pergunta: e se lhes enfiassemos um pau (grosso) pelo cu acima? seria que eles ficavam mais flexíveis?

Bastava um e-mail, com o seguinte teor: "Suecada, ou abrem mais meia dúzia de mega-stores de puzzles mobiliários lá na terra da austeridade, ou deixamos ficar aí esse gajo!"
http://www.discreditedwebsites.com/discrediteddj/sounds/DiscreditedDJMixYURTXL.mp3

BEM-VINDO: O EMPRÉSTIMO ONLINE ENTRE PESSOAS GRAVE...
Você quer pedir dinheiro emprestado? se sim, entre...
Você quer pedir dinheiro emprestado? se sim, entre...
Você quer pedir dinheiro emprestado? se sim, entre...
Saudações da temporada, eu sou David e sou um hack...
MARTINS HACKERS have special cash HACKED ATM CARDS...
I wanna say a very big thank you to dr agbadudu fo...
Olá senhoras e senhores!O ano está acabando e esta...
God is great i never thought i could ever get loan...
I am Edwin Roberto and a construction engineer by ...