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Poesia ao nascer do dia - Ary dos Santos

por Luis Moreira, em 31.12.11

 

 

É da torre mais alta do meu pranto
que eu canto este meu sangue este meu povo.
Dessa torre maior em que apenas sou grande
por me cantar de novo.

Cantar como quem despe a ganga da tristeza
e põe a nu a espádua da saudade
chama que nasce e cresce e morre acesa
em plena liberdade.

É da voz do meu povo uma criança
seminua nas docas de Lisboa
que eu ganho a minha voz
caldo verde sem esperança
laranja de humildade
amarga lança
até que a voz me doa.

Mas nunca se dói só quem a cantar magoa
dói-me o Tejo vazio dói-me a miséria
apunhalada na garganta.
Dói-me o sangue vencido a nódoa negra
punhada no meu canto.

Ary dos Santos, in 'Fotosgrafias'
Tema(s): Cidade  Portugal  Povo 

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publicado às 08:00


Prémio "Melhor Trabalhador do Ano"

por Francisco Clamote, em 31.12.11

Distinção atribuída conjuntamente a Américo Amorim, Passos Coelho e Paulo Portas pelo BE.
Não é que eu considere injusta a atribuição do título de Melhor Trabalhador do Ano às figuras retratadas. Todavia, entendo que fazem falta, no painel supra, os retratos de Francisco Louçã e de Jerónimo de Sousa. Pelo trabalho desenvolvido, com todo o empenho e dedicação, nos primeiros meses do ano, para conseguirem levar, com o êxito que é conhecido, dois dos homenageados (Passos e Portas) ao poder.

 

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publicado às 00:43


Nogueira tem "BOM" sem dar aulas há vinte anos!

por Luis Moreira, em 31.12.11

O Ascenso Simões vê neste "Bom" maravilhas!Diz ele que se não tivéssemos "nogueiras sindicalistas" teríamos exaltados professores aí à solta pelas ruas. O que seria, evidentemente, um perigo, gente sem açaimo, sem palavras de ordem, sem estarem devidamente "perfiladas" e agrupadas!

E, claro, lá vai dizendo que o "BOM" é mais que merecido, não como sindicalista que não é essa a sua profissão, mas como professor que não é, porque não dá aulas há vinte anos, digo eu.

Então, como pode ser, o "nogueira sindicalista" perderia a sua antiguidade e a sua classificação? Isso é o que querem os que não gostam de sindicatos, conclui.

Por acaso, digo eu, é mesmo ao contrário. Em primeiro lugar não tínhamos mentiras. Em segundo não tínhamos professores que se dedicam á escola e saem prejudicados com avaliação mais baixa e, mais que tudo, o "nogueira sindicalista" percebia que não se deve estar vinte anos na mesma função pública.

E, se quer ser sindicalista a tempo inteiro que coma o "lombo" mas também o "osso". Avaliado como professor é que é uma mentira sem nome!

Há muito que se sabe que os sindicatos cumprem uma função de "controlo" dos trabalhadores, sendo uma correia de transmissão de partidos políticos ou de corporações poderosas ou, até mesmo do governo. Parece que o Ascenso Simões ainda não leu nada sobre isso. Há muitos anos que existe um livro que se chama "A mentira dos Sindicatos"!

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publicado às 00:22


Um Bom Ano de 2012

por Luís Grave Rodrigues, em 31.12.11
«Um carabineiro com um martelo de madeira dá-me um forte golpe nos dedos mindinhos de ambas as mãos.
«A seguir, com um alicate, começa a arrancar-me as unhas.
«Nesse momento entra o sargento, que lhe tira o alicate para o utilizar a arrancar-me o bigode. Em dada altura, como resultado da grande dor e do desespero, consigo morder-lhe a mão, o que faz com que um carabineiro me dê uma coronhada na cara.
«Perco a consciência e, ao despertar, dou-me conta que sangro muito da cabeça, do nariz, da boca, e que me faltam oito dentes. Tinham-mos arrancado com o alicate ou com golpes. Não sei».
 
*
 
«Estava grávida de cinco meses.
«Obrigaram-me a ficar nua e a ter relações sexuais com a promessa de uma pronta libertação.
«Apalparam-me os seios, deram-me choques eléctricos nas costas, na vagina, no ânus.
«Arrancaram-me as unhas dos pés e das mãos. Agrediram-me com bastões de plástico e com a coronha de espingardas. Drogaram-me. Simularam fuzilar-me.
«Deitada no chão, com as pernas abertas, introduziram-me ratos e aranhas na vagina e no ânus. Sentia que era mordida e acordava banhada no meu próprio sangue.
«Conduzida a lugares onde era violada vezes sem conta, chegaram a obrigar-me a engolir o sémen dos violadores.
«Enquanto me agrediam na cabeça, no pescoço, na cintura, obrigavam-me a comer excrementos».
 
*
 
Entre 35.686 testemunhas, estes são apenas dois depoimentos de vítimas de tortura da Junta Militar do Chile durante o regime de Pinochet que voluntariamente se dirigiram à “Comissão Nacional sobre Prisão Política e Tortura”.
Esta comissão foi criada no Chile em 2003 para dar a conhecer em toda a sua extensão, aos chilenos e ao mundo, os horrores praticados pela ditadura militar e pela adopção da tortura e do horror como uma política de Estado no período compreendido entre 1973 e 1990.
 
*
 
Um terror absolutamente indescritível foi o rasto deixado ao longo da História pelos Tribunais da Inquisição.
Nem sequer é fácil imaginar as masmorras imundas onde em nome de Deus reinaram durante séculos o ódio e a insensibilidade perante o sofrimento alheio e que mais pareciam «fábricas» com os mais tenebrosos instrumentos que a imaginação humana é capaz de inventar: cadeiras com pregos afiados, ferros incandescentes, pinças, roldanas, pesados blocos de pedra, correntes, garfos enormes, chicotes com pontas de ferro, cordas, machados afiadíssimos, guilhotinas, troncos, máscaras de ferro, forquilhas, garrotes, serrotes, esmagadores de joelhos, de cabeça, de polegares e de seios; cavaletes, e outros utensílios de “trabalho”.
 
Com a «Roda de Despedaçar» colocava-se o herege de costas sobre uma roda de ferro, sob a qual se colocavam brasas. De seguida, a roda era girada lentamente. A vítima morria depois de longas horas de dor indescritível, com queimaduras do mais alto grau.
Não havia pressa para a morte do supliciado. Pelo contrário, havia o cuidado de prolongar ao máximo a sua agonia.
 
A «Mesa de Evisceração» destinava-se a extrair aos poucos, mecanicamente, as vísceras dos condenados.
Após a abertura da região abdominal, as vísceras eram puxadas, uma por uma, por pequenos ganchos presos a uma roldana, girada por um carrasco.
 
Tentemos por um momento imaginar os rostos pálidos dos torturados.
Muitos imploram para morrer; muitos dizem "peçam-me qualquer coisa e eu farei". Outros, que passaram para a galeria dos «heróis da fé», enfrentam a dor com resignação. Não passam de cadáveres ambulantes.
Muitos estão na terceira, quarta ou quinta sessão de tortura. Se não resistem, os seus corpos são queimados e as cinzas lançadas algures.
E as suas memórias esquecidas.
 
Os Inquisidores conhecem bem o limite humano à dor. Quando algum desgraçado, acusado de heresia ou simplesmente de professar a religião errada, chega ao limite do sofrimento, é entregue aos cuidados do médico cirurgião que cuidará de suas feridas e dos ossos quebrados ou deslocados.
A alegação é que a tortura não foi concluída, mas suspensa.
Após algumas semanas, são trazidos para novos interrogatórios. Os que forem condenados à morte na fogueira terão as suas línguas arrancadas para que ninguém ouça as suas últimas "blasfémias", e por elas não fiquem contaminados.
 
 *
 
Como pode isto acontecer? Como podem tantos seres humanos, seja em nome de um Deus seja em nome de um líder qualquer, praticar actos desta indescritível barbárie?
 
*
 
Stanley Milgram, professor de psicologia social na Universidade de Yale, levou a cabo em 1974 uma experiência com o objectivo de estudar a «Obediência à Autoridade»: Entre pessoas comuns (operários, estudantes, secretárias, empresários, lojistas, etc.) foram recrutados voluntários a quem foi atribuído o papel de "professores".
Esses “professores” foram instruídos a aplicar choques eléctricos de intensidade crescente (de 15 a 450 Volts) num outro indivíduo (que estava amarrado a uma cadeira com eléctrodos numa sala adjacente), e que era designado "estudante". Os choques seriam administrados todas as vezes que o "estudante" errava uma resposta a um questionário previamente determinado. Milgram tinha explicado aos "professores" recrutados que o objecto daquele estudo residia precisamente nos efeitos da punição sobre a memória e sobre aprendizagem.
Como é óbvio, o "professor" não sabia que o "estudante" da pesquisa era afinal um actor, que convincentemente interpretava e manifestava desconforto e dor a cada aumento da potência dos “choques eléctricos” que lhe eram pretensamente infligidos.
O resultado da experiência foi absolutamente perturbador e mais “chocante” que qualquer voltagem aplicada: - Nada menos do que 65% das pessoas envolvidas – os "professores" – chegaram mesmo, e sem qualquer hesitação, a administrar ao "estudante", sob ordens do cientista (que na experiência representava a “autoridade”) os choques mais potentes, dolorosos (de 450 volts) e claramente identificados como perigosos e... potencialmente mortais!
 
E todos os "professores" - mas todos eles - administraram pelo menos 300 Volts!
Em muitos casos houve "professores" que a determinada altura da aplicação dos choques eléctricos se preocuparam com o bem-estar do "estudante" e até perguntaram ao cientista quem se responsabilizaria caso algum dano viesse a ocorrer. Mas quando o cientista os descansou, afiançando-lhes que assumiria toda e qualquer responsabilidade do que acontecesse e os encorajou a continuar, todos os "professores" persistiram na aplicação dos choques com as voltagens mais elevadas, mesmo enquanto ouviam gritos de dor e súplicas dos “estudantes” para que os parassem.
 
*
 
Entretanto, foi feita uma experiência laboratorial semelhante, desta vez com macacos-rhesus.
Nessa experiência (sem dúvida absolutamente tenebrosa, diga-se de passagem), os macacos eram colocados em jaulas próprias onde só recebiam alimento se puxassem uma determinada corrente.
Contudo, sempre que puxavam essa corrente era-lhes proporcionada comida, mas simultaneamente era infligido um violento choque eléctrico a outro macaco-rhesus, cujo sofrimento poderiam então observar através de um vidro espelhado. Passado muito pouco tempo todos os macacos se aperceberam de como tudo funcionava e de que era precisamente o seu gesto de puxar a corrente que, enquanto lhes garantia a comida que pretendiam, era também ao mesmo tempo a causa do sofrimento do outro macaco.
Acontece que logo que faziam essa associação praticamente todos os macacos deixaram de puxar a corrente e preferiam passar fome a fazer sofrer um outro macaco, com quem nem sequer estavam familiarizados e que pertencia até a uma tribo diferente.
Numa ocasião e mesmo ao fim de um longo tempo de fome, os cientistas observaram que, no máximo, somente 13% dos macacos acabavam por puxar a corrente.
Alguns chegaram ao ponto de quase morrer de fome; mas nunca mais puxaram a corrente!
 
*
 
É, de facto, perturbadora a comparação entre as duas experiências. Porque, para já, ela demonstra que as mais básicas noções de ética são conaturais aos indivíduos, mesmo aos animais, ainda que sejam nossos «primos». Demonstra ainda que essa ética é racional, porquanto decorre de princípios de civilização e de necessidades práticas de convívio social e também de interacção individual.
Demonstra, finalmente, que essa ética, que é racional, prática e civilizacional só cede perante princípios de irracionalidade, sejam de ordem religiosa ou de ordem política e que, quantas vezes mascarados de princípios de ordem “moral”, acabam por ser acatados e aceites por tantas pessoas, que acriticamente lhes passam a obedecer cegamente, pugnando até pela sua imposição aos demais cidadãos.
É esta “obediência”, firmada em primeiro lugar na ausência de uma consciência individual, e que é irracional e cega a qualquer noção de ética e até à mais básica dignidade humana, que leva às barbaridades praticadas pelos Homens.
Seja nas ditaduras latino americanas, na União Soviética, na Alemanha de Hitler, ou noutro país qualquer, até mesmo em Portugal.
Seja em nome de uma ideologia, de uma política ou de uma religião; Seja em nome de abstrusas concepções de autêntico «relativismo moral» ou da cretinice de considerações como a que afirma que não se deve ser «demasiado racionalista».
 
E que, todas, acabam por conduzir ao Holocausto ou aos Gulags e ao extermínio de milhões de pessoas. Que conduzem a uma Inquisição tenebrosa ou a um terrorismo frio e sem rosto que torturam e matam em nome de Deus.
As ditaduras podem ser instituídas por uma “Junta Militar”, por uma religião, ou por um qualquer punhado de indivíduos que assumiram num país uma tal concentração de poderes que lhes permite a prática impune de tudo o que lhes vem à ideia.
 
Mas isso só é possível – sejamos claros – com a inexplicável complacência e com a injustificável tolerância para com os mais imbecis critérios de irracionalidade, que mais não significam do que uma autêntica cumplicidade de toda a estrutura da sociedade.
De todos nós!
De facto, Stanley Milgram repetiu a sua famosa experiência em mais de uma dezena de outros países, de todos os continentes, sempre com resultados absolutamente idênticos. Do Chile de Pinochet ao Cambodja de Pol Pot, passando pelo Portugal da Pide e dos Tribunais Plenários, será talvez a “obediência”, a "falta de sentido crítico" e a irracionalidade com que acatam determinações políticas ou religiosas, que explicam por que motivo pessoas comuns, colocadas em determinadas circunstâncias e sob a influência de uma autoridade – política, ideológica ou religiosa – que nem sequer se lembram de questionar (e que antes procuram até impor aos outros), sejam capazes de cometer os crimes mais hediondos.
 
No entanto, ouve-se dizer de alguém que se quer elogiar que é «uma pessoa de muita fé» ou que ao longo da sua vida sempre foi «coerente com os seus princípios», embora nem sequer cuidemos de saber quais foram tais... «princípios».
 
Mas a partir de que altura da História da Humanidade é que o prestígio e até o bom senso de uma pessoa passou a ser sinónimo ou a ser proporcional à irracionalidade que lhe é atribuída?
 
É até irónico que virtudes humanas como a lealdade, a solidariedade, o sacrifício próprio, a disciplina ou o amor ao próximo, e que tanto valorizamos, sejam as mesmas propriedades que também criam pessoas homofóbicas, misóginas, racistas ou xenófobas ou que as transformam em autênticas máquinas destrutivas de ódio, de guerra, de corrupção e morte, e ligam homens e mulheres a princípios, ideologias ou religiões repulsivos e perversos.
 
Ideologias e princípios, quer políticos quer também religiosos que são, ainda hoje, cega, acrítica e incondicionalmente apoiados e irracionalmente seguidos por tantas e tantas pessoas que da forma mais indigna e abjecta nem a si próprias se respeitam.
 
É pois a este planeta, habitado pelos humanos, que desejo:
 
- Um bom ano de 2012!

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publicado às 00:05


Nathan Milstein – “Príncipe do violino”

por António Filipe, em 31.12.11

No dia 31 de Dezembro de 1903 nasceu em Odessa, Rússia, o violinista Nathan Milstein. Foi o quarto de sete filhos de uma família judia, da classe média, sem nenhum passado musical. É famoso pelas suas interpretações das obras para violino solo de Bach e de obras do período romântico. Teve uma longa carreira como violinista: actuou em público, com um enorme grau de excelência, até aos 83 anos e só terminou a sua carreira, porque partiu a mão, num acidente. O seu último concerto foi em Estocolmo, em 1986. Foi muitas vezes chamado “príncipe do violino” e, às vezes, “príncipe do arco”
Ao assistirem a um concerto dado por um rapaz de 11 anos, os pais de Milstein decidiram fazer dele um violinista. Esse rapaz de 11 anos era, nem mais nem menos, que Jascha Heifetz. Aos sete anos começou os estudos de violino com Piotr Stolyarsky, que também era professor do grande violinista David Oistrakh. Quando atingiu os 11 anos, foi convidado por Leopold Auer a ser um dos seus alunos no Conservatório de S. Petersburgo. Quando Auer partiu para a Noruega, Milstein regressou a Odessa.
Em 1921, conheceu o pianista Vladimir Horowitz e a sua irmã Regina, durante um recital, em Kiev. Convidaram-no a tomar chá, em casa dos pais. Milstein, mais tarde, afirmou: “Vim tomar chá e fiquei três anos”. Milstein e Horowitz actuaram juntos, como “filhos da revolução”, por toda a União Soviética, e desenvolveram uma amizade para o resto da vida. Em 1952, deram uma série de concertos pela Europa Ocidental.
Nathan Milstein teve a sua estreia nos Estados Unidos, em 1929, com Leopold Stokowsky e a Orquestra de Filadélfia. Eventualmente, mudou-se para Nova Iorque e tornou-se cidadão americano. No entanto, continuou a dar concertos pela Europa e manteve residência em Londres e Paris. Em 1968, foi-lhe atribuída, na França, a Legião de Honra e, em 1975, ganhou um Grammy Award, pela sua gravação das Sonatas e Partitas, de Bach. Também lhe foram atribuídas honras do Kennedy Center, pelo Presidente Ronald Reagan. Morreu em Londres no dia 21 de Dezembro de 1992, dez dias antes de fazer 89 anos.
 


Prelúdio da Partita nº 3, em mi maior, BWV 1006, de Johann Sebastian Bach
Violinista: Nathan Milstein

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publicado às 00:01


Quanto custa(va) ao Estado combater a pobreza?

por António Leal Salvado, em 30.12.11

RSI - Os mitos e a realidade

O cidadão atento tem tido muita dificuldade em perceber o que tem de verdade - ou de objetivo - a afirmação, tão propalada e explorada, de que "os portugueses vivem acima das suas possibilidades". O cidadão de boa fé (digamos 'o cidadão') prescrutou a realidade e, se não é por natureza complacente ou timorato, acaba indignado com o que conclui.

Os portugueses são pobres. Se o país está ou não nos níveis do terceiro mundo, já há quem conteste. Sobretudo quem reclama que a nossa competitividade se meça por comparação com a de chineses e asiáticos - isto, para sermos 'verdadeiramente'... europeus.
Concluem estes (os que acham que a Constituição deveria ser a lei fundamental dos direitos, liberdades e garantias da empresa) que, está bem de ver, a culpa é do Estado Social. Numa palavra: vivemos acima das nossas possibilidades, porque os pobres custam muito ao país dos nobres e destemidos banqueiros e empresários financeiros - ou mais precisamente, em Portugal os pobres vivem acima das suas (deles pobres e deles capitalistas) possibilidades.

Onde estão, nisto tudo, a realidade e o mito?
Nada como a objetividade e a frieza (literal) dos números:

 

 

I) Quantos pobres temos

 

 

 

 

 

 

II) Quanto o Estado gasta(va) com os pobres

Isto é,

o peso dos pobres e o peso dos outros

.

 

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publicado às 21:45


Cinquenta e uma greves, só este ano!

por Luis Moreira, em 30.12.11

Sem palavras.

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publicado às 21:00

A falta de estratégia dá , sempre, numa visão de curto prazo. Os Chineses acenaram com dinheiro e isso foi o mais importante. Interessante é que o ministro que precisa de mais dinheiro tenha sido o único que preferia vender aos Alemães. (Expresso- Nicolau Santos)

Quem não tem uma estratégia bem definida nunca alcança bom porto, anda ao sabor dos ventos e , principalmente, das tempestades. Vender à Alemanha era vender a quem mais influência terá, no curto e médio prazo, na vida económica e política portuguesa. Vender aos Brasileiros para além de tudo o que sabemos das nossas relações com o país irmão, temos no seu território enormes investimentos.

A China quer entrar no mundo ocidental e nós abrimos-lhes as portas. Já o tinham tentado no Brasil sem êxito e na América o que lhes interessa é a dívida que está nas mãos do estado Chinês.

Há, ainda, o pormenor de a China ser um país comunista, o que anuncia problemas acrescidos num país de economia de mercado. Em África os investimentos chineses não correm como esperavam, é bem mais difícil com concorrência ter êxito. Aquelas promessas de dinheiro que vieram no pacote e que os chineses sempre incluem, não são o que parecem. Em África também já há exemplos!

Como podem ver seguindo os links nós avisamos em vários postes!

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publicado às 19:00


A TROVOADA

por Adriano Pacheco, em 30.12.11

Elevam-se sons no firmamento
Torre fantástica sem abrigo
Vergam-se plantas em desalinho
Curvam-se pela força do vento
E protegem-se do destino
 
Movem-se nuvens, levanta-se
a brisa
Solta-se aviso de mudança
Muda-se o vento e a confiança
Caem gotas, a água desliza
No meu peito cresce a esperança
 
Soltam-se raios dum céu cinzento
A serra esconde-se enevoada
Tudo no céu se aconchega
Lá longe se ouve trovoada
 
Esmaga-se na terra molhada
Gotas grossas da forte trovoada

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publicado às 16:40


Estado Social - veja como é na Suiça

por Luis Moreira, em 30.12.11
Como se pode ver sem margens para dúvidas está tudo inventado, há só que aplicar o que há de melhor. Não vale a pena andarmos a fazer de conta o nosso estado social além de profundamente injusto é insustentável.
Há um tempo para ganhar dinheiro e trabalhar e há um tempo para o lazer e para o descanso depois de uma vida de trabalho. Temos reformas de miséria porque somos um país injusto, liderado por gente pouco séria que nos quer fazer crer que é inevitável termos dois milhões de pobres.
Vejam o vídeo e indignem-se!

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publicado às 15:30

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publicado às 14:34


Sindicato dos maquinistas penhora bens da CP

por Luis Moreira, em 30.12.11

Isto é mais uma achega para se perceber que não há saída numa empresa onde os trabalhadores  têm além do vencimento dezoito subsídios (só não recebem quando estão em greve).Mas é bem original ver o sindicato vender o equipamento da empresa e assim tirar os meios de trabalho aos seus associados.

Uma empresa inviável sob todos os pontos de vista, é o que é!

Afinal de que tem medo o sindicato para penhorar os bens da empresa? A CP foge? Vende os bens ao desbarato? Dirigentes sindicais movidos por ideologias bem localizadas que querem compensar pela via sindical o que não conseguem por via eleitoral! Para além de humilharem a própria empresa onde trabalham o que pretendem com a penhora? Que efeitos práticos tem a penhora?

Para quê tantas reinvindicações, tanta ganância, tantas greves, tantos subsídios  se depois a empresa não tem capacidade para os pagar? Pagam os contribuintes?

Até um dia!

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publicado às 13:00


Extinção de dezenas de organismos públicos

por Luis Moreira, em 30.12.11

Não se apoquentem porque a maioria destes  organismos podem perfeitamente juntar-se e não fazem falta nenhuma. Poupam-se Directores Gerais, por cada Director-Geral, dois subdirectores-gerais, poupam-se três secretárias por cada um, telefonistas, motoristas ...e toda esta gente pode produzir e ser bem aproveitada.

Podem crer, menos despesa, mais gente interessada, pessoas que fazem falta noutros sítios (os professores que estão destacados nas Direcções Regionais fazem muita falta nas escolas), maior autonomia das escolas (é a melhor consequência disto tudo), maior autonomia dos organismos que passam a estar mais perto dos problemas e a depender de menos gente muito bem paga mas que anda em roda livre.

Grande parte da Alta Administração Pública tem mais que uma função, o estado dá-lhes a logística toda ( carro, motorista, secretárias...) e eles andam a dar aulas, em comissões que nunca apresentam trabalho nenhum, em reuniões...

Para o estado também é verdade: "Small is beautifull"!

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publicado às 12:00

A sua obra de maior impacto é Le Moulin de la Galette, em que conseguiu elaborar uma atmosfera de vivacidade e alegria à sombra refrescante de algumas árvores, aqui e ali intensamente azuis. Percebendo que traço firme e riqueza de colorido eram coisas incompatíveis, Renoir concentrou-se em combinar o que tinha aprendido sobre cor, durante seu período impressionista, com métodos tradicionais de aplicação de tinta. O resultado foi uma série de obras-primas bem no estilo Ticiano, assim como de Fragonard e Boucher, a quem ele admirava. Os trabalhos que Renoir incluiu em uma mostra individual de 70, organizada pelo marchand Paul Durand-Ruel, foram elogiados, e seu primeiro reconhecimento oficial veio quando o governo francês comprou Ao Piano, em 1892.

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publicado às 11:00


Lei das Rendas - a visão do PCP e BE

por Luis Moreira, em 30.12.11

Uns só lhe apontam maldades como é o caso, os progenitores estão muito contentes com o rebento. Acho que é mais um passinho, mas antes isso que nada.Também não creio que as pessoas vão acabar nos "bairros de lata", mas é preciso cuidado porque o mais fraco trama-se sempre e no caso, são idosos e pobres.

Para o PCP: "Para o PCP, a lei do arrendamento tem como objetivo "satisfazer os grandes interesses imobiliários e financeiros, sedentos de se apropriarem dos bairros históricos", em "especial de Lisboa e Porto, a troco de miseráveis indemnizações atribuídas aos arrendatários que, sem qualquer alternativa, de um momento para o outro são postos a viver na rua, enquanto as suas antigas casas serão alvo de especulação imobiliária".
"O roubo do direito à habitação é uma brutal consequência do pacto de agressão, subscrito por PS, PSD e CDS/PP, com o apoio do Presidente da República", argumentou."

Naturalmente falta saber quem é que paga a reabilitação dos prédios, mas isso para o PCP não conta.

Para o BE: "

"O que o Governo vem apresentar são medidas para expulsar as pessoas das suas casas, propõe no essencial o aumento substancial das rendas antigas, de quem vive nas suas casas há mais de vinte anos e que há mais de vinte anos não pagava rendas baixas e que muitas vezes se substituiu aos próprios senhorios nas obras de reabilitação", criticou a dirigente bloquista Rita Calvário, em declarações no Parlamento.
Para a ex-deputada do BE e membro da comissão política do partido esta proposta "é de uma extrema insensibilidade social, num contexto em que as famílias portuguesas vivem cada vez pior com o aumento dos impostos e dos níveis de desemprego".

Naturalmente que para o BE o senhorio que tem lá o seu dinheiro tem que continuar a ser uma associação de caridade.

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publicado às 10:00


Poesia ao nascer do dia - Herberto Helder -

por Luis Moreira, em 30.12.11

Sobre um Poema

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
- a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

- Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
- E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

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publicado às 08:00


Outras pegadas (I)

por Francisco Clamote, em 30.12.11


Pega-rabilonga, ou Pega-rabuda (Pica pica L.)

(Luís, esta é que é a ave "enlutada" devido ao passamento do "Querido Líder"  norte-coreano)

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publicado às 01:04


Dmitry Kabalevsky – Compositor do regime

por António Filipe, em 30.12.11

No dia 30 de Dezembro de 1904 nasceu, em São Petersburgo, na Rússia, o compositor Dmitry Kabalevsky. Como estudante, frequentou o Conservatório de Moscovo, onde foi aluno de Nikolai Miaskovsky entre 1881 e 1950, e seria professor a partir de 1932.
Além do ensino e da composição, participou em organizações políticas e sindicais, trabalhou na editora de música estatal, foi editor dum jornal e membro do Partido Comunista. As músicas de Kabalevsky, fazendo uso frequente de melodias tradicionais russas, eram intensamente líricas, bem ao gosto do regime vigente. Dedicou a Sinfonia nº 3 à memória de Lenine e compôs várias outras obras versando o patriotismo heróico. Morreu no dia 16 de Fevereiro de 1987.


“Galope”, da Suite “The Comedians”, de Kabalevsky
Hillcrest Wind Ensemble

 

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publicado às 00:01

O Prémio Nobel diz que Portugal e a Grécia podem querer sair do euro, mas o jornalista diz que podem, o que quer dizer que saiem mesmo que não queiram.

Poder sair pode-se sempre desde que a decisão seja de outros, mas querer no caso não vejo como, pese embora  a consistência e coerência do Dr. Ferreira do Amaral.

""A União Europeia tem de estar preparada para a eventualidade de a Grécia ou Portugal poderem decidir que é do seu interesse sair em algum ponto", disse o professor de economia na Universidade de Nova Iorque em entrevista à Bloomberg TV.
O prémio Nobel da Economia de 2001 pôs uma parte importante da resolução da crise europeia do lado do Banco Central Europeu (BCE), considerando que este tem de "fazer o seu trabalho" assim como certificar-se de que o "sistema financeiro continua a funcionar".

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publicado às 23:18


Arrendar é fácil, despejar é mais dificil

por Luis Moreira, em 29.12.11

A lei das Rendas que vem desde há dezenas de anos originou problemas, vários, ainda maiores. A degradação do edificado que está a cair aos bocados pois os senhorios negam-se a gastar dinheiro na recuperação dos prédios sem deles tirarem rendimento; levou muitos milhares de pessoas a viver fora das cidades contribuindo para o trânsito conflituoso e para um ambiente bem menos saudável.

A reabilitação urbana pode contribuir poderosamente para a criação de emprego e ser uma das alavancas para recuperar a economia. Mas é preciso primeiro resolver uma série de problemas. Antes de tudo atender aos problemas sociais das pessoas que vivem no centro das cidades e que não podem pagar rendas mais altas. Vão para a rua? O Estado atende aos casos mais prementes? Em segundo é preciso saber se os senhorios estão dispostos a, no mesmo local, construírem prédios obedecendo às regras estabelecidas. Ainda agora no caso do incêndio da Elias Garcia sabe-se que há um projecto na Câmara para edificar um hotel, objectivo que não condiz com o pretendido para o local. Estará o dono do prédio disposto a construir apartamentos?

Depois, o presente documento permite que senhorio e o inquilino negoceiem entre eles, estabelecendo alguns limites. Mesmo que o inquilino tenha que sair da casa há procedimentos expeditos para o obrigar a sair? O atraso do pagamento das rendas (2 ou 5 meses ?) determina a saída, ou recebendo uma indemnização, tornando mais fácil a integração do despejado.

Eu, pessoalmente, acho que face aos enormes problemas sociais que esta lei vai levantar me ficava por estas simples medidas: quem está viver em casas com rendas baixas mas tem rendimentos médios ou altos deve pagar mais (25% ou 10% do rendimento conforme esteja acima ou abaixo de 500 euros); quem vive numa casa com renda baixa e tenha baixos rendimentos a Câmara deve acordar com o senhorio o que se poderá construir, no mais curto espaço de tempo , atribuindo ao despejado um apartamento para viver ou o dinheiro correspondente( o negócio de construir algo de novo dá margem para isso e muito mais) .

Todos os adultos jovens e jovens estarão sujeitos ao livre jogo do mercado!

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publicado às 22:00



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