Que raio de fado é este?; tristes assim as taprobanas dos dias que correm, que só aos pontapés na bola as logramos passar? Haverá alguma forma de transpor para a vida da sopa dos pobres toda aquela força? Ou estamos mesmo resumidos a uma bola? Temo que sim; que sem ela o adversário é um misto franco-alemão. E nesse jogo não vai de bola, mas de bolinha; de bolinha baixa. Assim são os bons alunos; assim se querem os meninos bem comportados. Assim vamos!
O deputado do PCP, João Machado, na Comissão da Segurança Social, dirigiu-se ao ministro de forma veemente o que levou o Presidente da Comissão a uma intervenção para acalmar as hostes. Porque, descobriram agora, há gente que recebe pensões de duzentos e tal euros!
Ora, a verdade, que nos envergonha a todos é que, este atentado à dignidade humana resulta das prioridades políticas estabelecidas há trinta anos. Sempre houve muito dinheiro para deitar para cima dos problemas mas não para melhorar a vida aos mais pobres, os que não têm voz, nem sindicatos, nem lobbies, nem conhecimentos pessoais entre os partidos, Maçonaria e Opus Dei.
Dois milhões de portugueses vivem abaixo da linha da pobreza, todos nós sabemos, os que reivindicam e fazem greves para melhorar o seu estatuto até aos que acumulam vencimentos e pensões. Nunca ouvi qualquer manifestação a solicitar que olhem para os mais desprotegidos!
Neste país, onde não há vergonha nem memória, cada corporação puxa para si própria, para obter mais mordomias e aquilo que nos sobra em nível de vida é o que falta a quem vive na miséria.
Ao menos não utilizem a vergonha, que é de todos, como arma de arremesso. É que tem o efeito do boomerang!
"Na estratégia, decisiva é a aplicação." Napoleão Bonaparte
Hoje, globalizado, Napoleão diria: “It's the strategy, stupid!”
Antigamente quando tinhamos maus presságios, os mesmos ou nem sempre chegavam a concretizar-se ou então isso só acontecia muitos anos mais tarde. Hoje em dia, com a espiral negativa em andamento acelerado, os maus presságios materializam-se sempre e quase instantaneamente. E aqui temos um caso concreto daqueles, noticiado pelo jornal negócios online de 06.11.2011:“Operador alemão exige contratos em dracmas a hotéis gregos” Agora só cabe adivinhar o que o mais potente operador turístico alemão TUI, fará a seguir. Alguém falou de Portugal e de Escudos?
Andamos todos adormecidos com o mamar de cobra dos comunicadores tecnocratas que dão voz à perversa 'alma' que igualmente adoptou um corpo chamado 'mercados'. Independentemente dos actos eleitorais - que nuns casos esse malvado espírito já conseguiu ganhar (v.g. Portugal) e noutros até já são prescindidos (Grécia e Itália) - os povos do sul já se deixaram vencer, ao embarcarem nesta comunicação que nos põe a todos a ler estatísticas e fazer contas em vez de refletir sobre a Vida e cuidarmos do bem-estar das Pessoas. Não sei por quanto tempo, mas já ganharam.
A data de 14 de Novembro evoca dois compositores que tiveram influência marcante na cultura dos seus países – dois grandes nomes da Música do séc. XX: Aaron Copland, nascido a 14.Nov.1900 e Manuel de Falla, falecido a 14.Nov.1946.
Manuel de Falla y Matheu nasceu em Cádis e viveu entre 1876 e 1946. Foi o primeiro compositor espanhol a criar uma autêntica música culta partindo de elementos folclóricos e ligando-os às formas instrumentais mais refinadas. A sua grande inspiração foi o flamenco, em particular o cante jondo andaluz. A sua obra-prima, “O Amor Bruxo” (com o subtítulo ‘Cenas Ciganas da Andaluzia’) é uma ilustrativa demonstração desse seu interesse pela música de raiz popular. Viria a deixar Espanha em 1936, quando eclodiu a Guerra Civil – não porque a sua atitude de neutralidade lhe causasse inquietação, mas principalmente depois de ver assassinado o escritor Frederico Garcia Lorca, de quem era amigo. Passou o resto da vida na Argentina e só após a morte os seus restos mortais foram trasladados para Cádis, em cuja catedral lhe foi destinado um túmulo. A primeira grande obra de Manuel de Falla foi a ópera em um acto “La Vida Breve”. A par dela e de algumas zarzuelas que marcam o início da sua carreira, compôs música sinfónica e de câmara e música coral. Depois das célebres obras “O Amor Bruxo” e “O Chapéu de Três Bicos”, escreveu ainda aquela que ficou a ser a sua maior experiência na composição para piano e orquestra: “As Noites dos Jardins de Espanha”.
No xxxxxNo mesmo ano em que Manuel de Falla deixava Espanha por causa da Guerra Civil, um outro compositor estava a contas com o seu patriotismo, no outro lado do mundo: Aaron Copland, americano filho de emigrantes do leste europeu, cometeu “pecado” anti-americano de apoiar o Partido Comunista na eleição presidencial de 1936 – e isso havia de custar-lhe muito caro.
Copland, que nasceu em 1900 e veio a morrer em 1990, passou mais de metade da sua vida a ter de demonstrar a sua inocência política ao FBI e ao Congresso Americano. Como por ironia, foi o primeiro compositor a dedicar-se à música de raiz popular americana e a criar um estilo genuinamente americano. Tornou-se num dos mais importantes compositores do séc. XX. Admirador de Stravinsky, que era em muitas facetas o seu modelo, Copland foi um homem diferente, e não só pela sua opção homossexual: a sua longa e produtiva vida evidenciou as suas qualidades de compositor, mas também de maestro, pianista, professor, promotor de concertos e generoso apoiante de outros músicos – como foi o caso do seu protegido Leonard Bernstein, o maestro que melhor o interpretou.
Copland viajou muito por Europa, África e México, país este onde compôs o seu primeiro trabalho "El Salón México".
El último grito en gobiernos en Europa, la tendencia que algunos intentan poner de moda, es la tecnocracia: el gobierno de los expertos. Expertos economistas, por supuesto, y de ortodoxia probada. Frente a la incertidumbre de los políticos, a merced de la opinión pública, nada como la seguridad que da un experto, formado en las mejores escuelas de negocios.
Por ahora han intentado ponerlo de moda en Grecia e Italia. En el primero, presionaron hasta el último minuto para colocar al equivalente griego de nuestro Miguel Ángel Fernández Ordóñez: el economista Lucas Papademos, ex gobernador del Banco Central Griego, y ex consejero del BCE. Al final no cuajó, pues era demasiado cante situar a un banquero en el sillón, con lo caliente que está la calle; pero lo intentaron, y ahí quedó su nombre para el próximo susto.
En Italia, mientras Berlusconi agoniza, se barajan varias opciones, entre ellas la tecnocrática, representada por Mario Monti, ex comisario europeo, formado como Papademos en Estados Unidos, y director europeo de la Trilateral, de la que también es miembro el griego. Monti sería en realidad un mandado, pues iría de parte de Mario Draghi, presidente del BCE, ex gobernador del Banco de Italia y ex vicepresidente de Goldman Sachs (el influyente grupo de inversión, del que es asesor el propio Monti).
Por aquí, donde las modas suelen llegar con retraso, por ahora no necesitamos un ejecutivo tecnocrático, porque Rajoy cumplirá lo que manden. Pero si hiciera falta, yo propongo a nuestro Fernández Ordóñez.
Poco a poco vamos cerrando el círculo, y con los banqueros y economistas tecnocráticos elaborando decretos conseguiríamos que los mismos que nos metieron en la crisis fuesen los encargados de gobernarnos. Sí, ya sé que en la práctica son ellos los que cortan el bacalao, pero hasta ahora diferenciábamos: una cosa es gobernar, y otra tener el poder; y aceptábamos que los políticos gobernaban, mientras los banqueros tenían el poder.
Que estos acaben teniéndolo todo, poder y gobierno, quedaría poco presentable, sí. Pero yo ya me creo cualquier cosa.10 nov 2011
*Escritor español. La malamemoria (1999), posteriormente reelaborada en ¡Otra maldita novela sobre la guerra civil! (2007), El vano ayer (2004) y El país del miedo (2008), su última novela, que ha recibido el Premio Fundación José Manuel Lara a la mejor novela de 2008. Columnista de Público de Madrid.
_______________________________________ Este artículo y todos los otros envíos de "other news" están disponibles en http://www.other-news.info/noticias/
Gosto de ti calada (Poema 15) Gosto de ti calada porque estás como ausente, e me ouves de longe, e esta voz não te toca. Parece que os teus olhos foram de ti voando e parece que um beijo fechou a tua boca.
Como todas as coisas estão cheias da minha alma tu emerge das coisas, cheia da alma minha. Borboleta de sonho, pareces-te com a minha alma, e pareces-te com a palavra melancolia.
Gosto de ti calada e estás como distante. E estás como queixando-te, borboleta em arrulho. E ouves-me de longe, e esta voz não te alcança: vais deixar que eu me cale com o silêncio teu.
Vais deixar que eu te fale também com o teu silêncio claro como uma lâmpada, simples como um anel. Tu és igual à noite, calada e constelada. O teu silêncio é de estrela, tão longínquo e tão simples.
Gosto de ti calada porque estás como ausente. Distante e dolorosa como se houvesses morrido. Uma palavra então, um teu sorriso bastam. E eu estou alegre, alegre porque não é verdade.
Pablo Neruda (n. Parral, Chile 1904; m. 23 Set 1973 em Santiago) in Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada (Publicações Dom Quixote)
Já percebi que ninguém se entende quanto ao princípio do fim da crise e, por isso, não vou bater mais nessa tecla. O meu problema é agora outro. Já se deu o fim do princípio da crise? É que uma coisa leva à outra e, às tantas, o problema de não se saber a hora exacta do princípio do fim da crise reside no facto de ainda não se ter discutido essoutra temática do fim do princípio da crise. Sem se ter a certeza se uma coisa já se principiou até ao fim -- se já acabou de se principiar --, é extemporâneo estar a discutir quando se dará o princípio do fim. Da Coisa. Fica a achega para o próximo Conselho de Ministros. Mais um dossier para o Gaspar.