Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]
Conhecemos-nos no negócio. O dele, claro.
Wennes tinha 24 anos, a idade precisamente a meio entre as dos meus dois filhos mais velhos. Vendia cigarros, pastilhas e 'balas'. A mim, interessavam-me apenas cigarros, por causa daquela particularidade mórbida das fotografias desencorajadoras do vício, estampadas em grande no maço. Mas não me faltou nem um só dia - nem eu passei um único encontro sem lhe fazer uma compra com cláusula de entrega ao domicílio: comprava-lhe as 'balas' que logo em simultâneo lhe confiava para que ele as levasse ao garoto que me tinha dado a conhecer. É que em casa de Wennes havia um menino especial; tinha, para além de uma menina e um outro rapaz, um filho doente - que conheci pelo relato do infeliz parto de que resultou ter ficado "meio besta", no dizer do pai (carinhoso, emocionadamente carinhoso, ainda assim). E como se chamava o menino? Wennes explicou, com cuidado pormenor.
Gente pobre estava habituada a conformar-se com o que viesse. No hospital público, nem a classificação de parto de risco contrariava essa baixa expectativa: parto difícil era mesmo para esperar tudo - seria o que tivesse de ser. A amedrontada mulher contava com o conforto habitual, a Senhora da Boa Hora ou uma outra qualquer Senhora, já que a pobre parturiente não invocava instintivamente uma protectora predilecta.
O médico, atencioso e a transpirar bonomia, falou-lhe da Senhora de Fátima. Era português, está visto. O tempo de administração do soro foi asado a deleitar a mulher com a devoção dos crentes da Virgem dos pastorinhos. Se nascesse menina, havia de chamar-se Fátima - Maria de Fátima, para seguir à risca o guião do bondoso doutor.
Mas foi um rapagão que nasceu na hora afinal breve e afortunada. Havia de ter o nome do doutor que tanta esperança e tão boa sorte tinha trazido àquele transe que à partida se afigurara problemático.
Ao oitavo dia, quando acabou de arrumar as poucas roupas que a acompanharam ao hospital e fez as gratas despedidas do pessoal da enfermagem, não lhe souberam dizer logo como se chamava o doutor. Pois se ela não explicava direito quem tinha sido o parteiro! Durante aquela semana, o menino ganhara o 'nome' de Português - mas era evidente que semelhante nome não era nome de verdade, ainda para mais para uma criança com tão bem-aventurada personalidade, tal era já a aura daquela criatura de cheias bochechas, cores a vender saúde e sossegadas e longas noites.
Português era, afinal, a chave: o médico que ninguém sabia identificar pelas pistas vagas que ela sugeria (era o doutor "bonito e bom"...) não era nem mais nem menos que o médico português, o único clínico de lusa origem. "O Enes!" - exclamou o internista de serviço, com o espanto de ser tão rotunda falha o tempo que tinham perdido em busca da identidade da misteriosa e importante personagem.
"O Enes!". Abençoado grito que o doutor, o colega, tinha atirado à falta de perspicácia daquele pessoal distraído. "O Enes", inspirador benemérito daquele primeiro grito de viver, insistiu-se em sussurros no ouvido da feliz mãe, na corrida imediata e breve até ao registo civil. Wennes - ficou a chamar-se a criança. O dócil e bom amigo que 24 anos depois eu ganhei na praia.
Não percebi logo porque me contou a origem do seu próprio nome para me dizer como se chamava o filho - o menino a quem eu mandava diariamente os rebuçados. Fez-se-me luz quando, logo de seguida, Wennes me disse os nomes dos seus três meninos: Wemerson, Wanderson e Maria de Fátima.
Porquê pá?
Wennes recuou assim uma geração para me dizer, explicadinhos, os nomes dos filhos. Era homem dado às elucubrações gramaticais, pronto. Compreendi melhor, por isso, a curiosidade que me disparou logo que o fio da conversa lho permitiu:
- Vocês, os portugueses falam tanta vez o 'pá'...!
Dei-lhe a explicação que tenho para mim: 'pá' será porventura a abreviatura de 'rapaz'; nós teremos começado por dizer "anda cá, rapaz" ou "cuidado, rapaz" - e o tempo se terá encarregado de mostrar a facilidade de "anda cá, pá" e "cuidado, pá".
- Ah! Nós aqui no Brasil diz "cuidado cara!".
Nessa tarde despediu-se com um sonoro "até amanhã, pá". Eu tive o cuidado de retribuir adequadamente: "até mais ver, pá"!
No dia seguinte Wennes foi breve de conversa. Explicou que tinha um negócio a tratar com dois 'pás' seus amigos - e partiu quase de seguida, justificando que estava um 'pá' à espera dele.
Ainda hoje, a dez anos de lembranças, não sei qual de nós dois enriqueceu mais o seu conhecimento da língua mátria.
Olá, senhor / senhoraObtenha acesso fácil para gar...
Oferta de empréstimo entre sério e honesto em Port...
SE VOCÊ PRECISA DE UM SERVIÇO GENUÍNO E PROFISSION...
Olá, você precisa de um serviço de hackers? Você s...
Olá, você precisa de um serviço de hackers? Você s...
OLA você precisa de serviços de hacking? Você se d...
OLA você precisa de serviços de hacking? Você se d...
OLA você precisa de serviços de hacking? Você se d...
Cartões ATM vaziosVocê sabe que você pode hackear ...
Olá,Você deseja receber um crédito para a execução...