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Habemus Theatrum

por Sofia Videira, em 16.07.12

Corria o ano de 1954 quando, a 11 de Janeiro era inaugurada, por iniciativa de João Ferreira Bicho, a mais bela e imponente sala de espetáculos da Beira Interior. Encerrada nos anos 80, é em 92 que é celebrado um contrato de utilização com a Câmara Municipal, sendo reaberto ao público. Capacidade para 984 espectadores…um dos maiores da região.Os anos passaram e a força do tempo não perdoou. O então Teatro Cine começa a apresentar o desgaste natural de várias décadas.Em 2011 a autarquia covilhanense consegue finalmente comprar o imóvel à família Pina Bicho, a quem arrendava o espaço há cerca de 20 anos e anunciou que o agora Teatro Municipal se preparava para uma nova vida. O Teatro vai ter as obras que há tanto tempo merece. Não se sabe quando terão início, sabe-se sim que a maior parte dos elementos que fazem do edifício aquilo que é, se manterão (nomeadamente a sua fachada). No entanto, no interior, as alterações serão gigantescas.

Sala principal com capacidade para 600 pessoas, prolongamento do balcão, ampliação da zona de orquestra com plataforma elevatória e acesso ao exterior, alargamento do palco em cerca de 3 metros, 2 salas complementares e remodelação do terraço para atividades artísticas. Uma obra que será da autoria dos arquitetos Manuel Graça Dias e José Vieira. A sua execução foi orçada em quatro milhões de euros.

Bem, até aqui acho que não estou a dar qualquer tipo de novidade a ninguém, quis apenas contextualizar.

Compreendo a dimensão deste projeto e a necessidade de o executar. A minha pergunta é só e apenas uma. Teremos um Teatro Municipal melhorado, renovado, com nova roupagem…teremos espetáculos que lhe façam jus? 

Corrijam-me se estiver errada: à exceção das Tunas da UBI, dos agrupamentos de escolas, Conservatório da Covilhã, Teatr’UBI e ASTA (organismos do concelho com atividades organizadas pelos mesmos), que outros espetáculos têm vindo a ser realizados? Que utilidade lhe tem sido dada? Um bailado de quando em vez? Agora já nem as matinés dançantes do “Chá com Biscoitos” tem para lhe avivar o ser.

Não consigo perceber o que é que os responsáveis pela gestão do TMC fazem ao longo do ano! Será que têm outras funções? Trabalharão em regime part-time ou freelancer?A meu ver estamos perante um caso grave de má gestão, de nulidade cerebral de quem se diz à frente do Teatro. Se querem um bom exemplo a seguir, ponham os olhos, e demais sentidos, no Teatro Municipal da Guarda: Marko Topchii, David Fonseca, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Companhia Nacional de Bailado, Joana Sá, Pedro Esteves…e muitos, muitos, muitos outros espetáculos de música, dança, teatro, cinema, ciclos de rádio, exposições…ao longo destes dois meses (Junho e Julho). Mas quem diz estes dois meses diz sempre. Aquele teatro respira cultura por todos os poros e isso, dêmos a mão à palmatória, é mérito de Américo Rodrigues (diretor) e de toda a sua fantástica equipa.

Neste momento, o Teatro Municipal está para a Covilhã como Miguel Relvas está para a vida académica…não encaixa.

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publicado às 12:07


4 comentários

De António Leal Salvado a 17.07.2012 às 02:07

Está nas mãos dos covilhanenses fazerem que o Teatro Municipal 'encaixe' na cidade - e na região - como uma luva.
Adquirir para o município o extraordinário edifício foi, a meu ver, uma opção política correcta (é uma obrigação dos municípios preservar o seu património, valorizar as suas memórias e promover a cultura, principalmente naquilo em que a Cultura mais depende do poder público: as infraestruturas) e tomada no sentido certo, o de conservar a identidade do imóvel e melhorar a sua missão funcional. No concelho mais próximo - geograficamente mais próximo - Manuel Frexes, que foi Subsecretário de Estado da Cultura, elegeu como uma das grandes prioridades da sua câmara adquirir e operacionalizar o Cinema do Fundão e em 10 anos de mandato não fez mais do que dar luz verde ao seu sucessor (o actual presidente e vereador da Cultura de Frexes) para colocar por 14 vezes notícias de grandes parangonas na imprensa local anunciando que o novo cine-teatro ia arrancar, enquanto gastava 500 mil euros para elaboração de um 'projecto' de arquitectura que, além de ter como memória descritiva manter pura e simplesmente o que existia (!), ficou no mesmo nada que a prometida aquisição...
A Covilhã tem uma companhia de teatro que a nível do interior nacional foi pioneira na profissionalização e leva mais de 30 anos a produzir teatro unanimemente reconhecido como do melhor que se faz no país. Tem uma associação cultural com um coro galardoado mundialmente por diversas vezes (chegou a vencer as olimpíadas corais e depois disso passou a designar um membro para o seu juri), com um maestro que é dos mais talentosos e prolíferos compositores da actualidade nacional e fez já orquestrações e direcções de orquestra com reconhecimento em todo o mundo. Tem na cidade mais próxima uma escola de música com mais de uma centena de prémios internacionais e alunos com sequência de carreira como talvez nenhuma outra no país. Tem um curso superior de cinema a funcionar na cidade e um produtor da sétima arte que pôs de pé um dos mais notáveis festivais de cinema experimental nacionais.
Uma cidade com tudo isto - e ainda com uma numerosa população universitária - só precisa de, uma vez concluída a fase de infraestruturação que agora tem em execução, tomar a decisão óbvia para a gestão do novo espaço. Afinal, a que foi tomada pela Guarda para o TMG - e que na Covilhã está facilitada pela existência dos recursos artísticos (e directivos inerentes) que tem em maior capital.
Com major centralidade regional (no eixo Guarda / Castelo Branco) e a tradição de iniciativas como as da ACBI e da Companhia de Teatro das Beiras, a Covilhã pode fazer o mesmo que a Guarda - trazendo as mostras culturais 'de fora' - pode colher a experiência do TMG (que já foi palco de excelentes produções culturais, embora a par de algumas pepineiras que são os ossos do ofício) e ir mais longe: dar assento a uma afirmação de valores regionais, que existem e dão um sentido mais autêntico e socialmente útil à identidade da cidade e da região.

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