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O Cobrador-da-Farda

por joao moreira de sá, em 30.06.12
Ó Senhores das autoridades (i)responsáveis por manter a lei e ordem neste país ou pelo menos nesta terra em que habito e que dá pelo nome genérico de Azeitão embora se componha por quatro localidades de seus nomes Brejos de Azeitão, Vila Nogueira de Azeitão, Vila Fresca de Azeitão e Vendas de Azeitão,

Mas que raio de prioridades são as vossas? É facturar, assim em modos de cobrador-da-farda do estado ou de facto cumprir função, missão e, presumo, ambição pessoal, de garantir a segurança das populações?

Claro que a resposta certa é a primeira: gerar receita para o estado, que se lixe a criminalidade que diz que isso até pode ser perigoso.

Eu compreendo. O País precisa de dinheiro. Os criminosos também. Eu também. E o pessoal das forças de segurança tem que trabalhar, fazer qualquer coisa, mas coisas que não aleijem, claro. Afinal, não é para isso que se forma um Corpo de Intervenção. Um tal unidade serve, precisamente, para passar as noites de sexta e sábado a caçar perigosos prevaricadores de bares com irregularidades nos alvarás, que não só rendem ricas multas - só a minha amiga Madalena, por não ter um alvará para karaoke, apesar de ter alvará para musica ao vivo e de o "karaokista" ter alvará para o ser e ter toda a música legal, pagou 500€ de multa e depois teve que fechar e deixou de pagar impostos ao estado, mas claro que "isso agora não interessa nada" - como ainda resultam em bonitos espectáculos cénicos nocturnos, tipo flash-mob (e creio que a parte "mob" nunca me terá soado tão adequada) com laivos hollywoodescos quando vocês fazem aquela coisa de fechar as ruas com as carrinhas cheias de grades ameaçadoras (o que alguém vos devia dizer que é ilegal, talvez alguma autoridade policia... ah, não, espera... mas alguém, que vos explicasse que não se pode cercar, encurralar, prender em recinto fechado, por motivo nenhum, cidadãos que não são suspeitos de nada) e se plantam de G3 a olhar para nós, pessoas que ali estamos/estávamos a beber um copo (se calhar enquanto a nossa casa estava a ser assaltada, mas "isso agora não interessa nada).

Não que eu pense que havendo uma suposta força de elite no distrito e aparentemente com uma relação afectiva muito próxima com Azeitão, como é o caso do Corpo de Intervenção da GNR de Almada, que havendo uma PJ em Setúbal, uma PSP que conhece bem os "submundos" do distrito, que a combinação destas entidades, o trabalho em conjunto, uma decente e honesta orientação para o combate ao crime, protecção ao cidadão e, em última análise, aquilo que todos apenas queremos, a segurança, sejam mais importantes do que andar a fazer recolha fácil de fundos para o estado, na caça à multa nocturna, nas mega-magníficas operações stop em que me revistam o carro e metem lá cães, fazendo de mim um suspeito "de algo" (até que o nariz do cão e do guarda provem o contrário). 

Essa poderá continuar a ser a vossa função.

Mas assim sendo, decerto não levarão a mal que eu, e se calhar mais alguns que aos poucos se irão fartando, comecemos nós a tentar evitar que andem a explodir bancos ou a roubar cobre à hora a que vocês estão ocupados a verificar alvarás; a assaltar pessoas e lojas em plena luz do dia ou a brincar ao carjacking enquanto vocês estão a multar pessoas por não terem um colete com a norma PQP numa Mega-Fantástica-Operação-Stop. 

É que são coisas que maçam. E como vocês não estão para se maçar com coisas que maçam e eu não vos quero maçar, podiam só fazer um favor?

Uma vez que só cá vêm para chatear, podiam deixar de vir e nós começávamos a tratar da coisa?

É claro que eu não vou tratar de nada - receio que vocês não entendam uma metáfora - e nem vale a pena alertar para os perigos sociais que a vossa (não) actuação enquanto forças de Segurança e não de Cobrança geram na sociedade. Vocês - chefias e governantes - vão perceber quando começarem a ler "Justiça Popular" nas capas dos jornais.

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publicado às 12:00


1 comentário

De Joaquim Monteiro a 30.06.2012 às 13:04

Caro João Moreira de Sá,


Resido nesta zona, numa das localidades indicadas por si. Constatei esta sexta feira o triste espectáculo - cada vez mais habitual -, de uma caixa multibanco vandalizada. Achei curioso que, às oito horas da manhã (para mim, que trabalho; oito da madrugada, para os senhores da Guarda), apenas se encontravam dois indivíduos junto aos destroços e nem tão-pouco um guarda ou uma viatura nas imediações.


Fantástico! Senti-me logo bem mais tranquilo.


Devido a um percurso profissional concreto, ainda que esporádico, contactei com as diferentes forças de autoridade subordinadas à Administração Interna Portuguesa e tenho algumas pessoas amigas nessas estruturas castrenses.


Tive o grato prazer de conhecer bons profissionais, atentos, aprumados (ah... a importância do aprumo, tão desvalorizada!), competentes e sérios. Na Escola Segura, na Polícia Judiciária, na Brigada Criminal, no Comando Distrital, no SEPNA, nos Destacamentos Territoriais,enfim... graças a Deus, ainda há muitos, dos bons. 


Sendo um residente de poucos anos nesta zona, confesso que foi uma desagradável surpresa constatar que Azeitão deve possuir uma das estruturas mais broncas, provincianas, ineficazes de autoridade de todo a parte norte do Distrito de Setúbal.


Quando vejo a falta de aprumo, a falta de uma imagem que transmita a ideia de força da Autoridade, naquilo que essa força deve transmitir em termos de Segurança e Respeito, vêem-me sistematicamente à memória duas imagens: a do Capitão Garcia, das histórias do Zorro e os filmes de acção de série B, passados no México ou os "Western Spaghetti", com os polícias ou militares gordos, desaranjados, barbados e sujos, sempre prontos a desviar-se das chatices e a criar dificuldades aos honestos, para lhes venderem facilidades a seguir. 


Concordo com o que diz: a corda está a ficar cada vez mais esticada e, por este andar, também na área da Segurança vamos deixar de perceber para que servem os nossos impostos... e as milícias não são nenhuma invenção extrema...


Talvez venhamos a caír na situação ridícula de termos então, quando a isso chegramos, estes senhores da Guarda, muito preocupados em proteger de nós os senhores bandidos que agora se recusam a procurar e capturar... mesmo nas suas barbas!


Dá que pensar...




Um abraço,


JMonteiro




 














  

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