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Da consciência prática

por António Leal Salvado, em 29.06.12

Na semana em que o Conselho Europeu deu mais um mergulho no vazio;
na semana em que o Presidente da República Francesa deu o primeiro aviso de que se a Europa quiser sobreviver tem de passar das palavras ocas a uma efectiva política de coesão e solidariedade com os mais pobres e os países em maior dificuldade;
na semana em que a maioria PSD/CDS afirmou no parlamento que o problema de Portugal é ter sido governado por José Sócrates e não foi nenhuma crise internacional;
na semana em que o Governo português justificou novamente na força da crise económica internacional a sua determinação em prosseguir no caminho da austeridade e do alinhamento com a Alemanha;
na semana em que dois eminentes economistas (um prémio Nobel) puseram à subscrição do Mundo um manifesto em que demonstram que a crise internacional está a caminho de ser a maior de sempre e a Europa está a tomar as medidas mais erradas para fazer frente a essa crise

- tanto como constatar os factos nus e crus e comparar os resultados sem preconceitos nem facciosismo,

o que a cada consciência livre e de boa fé se impõe é reflectir sobre os valores essenciais que pretende afirmar e o que de útil e efectivo se faz para os conseguir.

-

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publicado às 02:00


9 comentários

De Luis Moreira a 29.06.2012 às 12:04

Meu caro António, na verdade não há crise internacional nem sequer global europeia. Há seis países intervencionados por causa das descomunais dívidas, há outros com dívidas muito grandes mas que podem pagar. O resto do mundo cresce sem problemas. Das 27 economias da UE há seis países em dificuldades por causa das dívidas descontroladas e que serviram para investir em obras faraónicas. Sem uma economia capaz de crescer estes países não têm capacidade para pagar o que devem nem têm quem lhes empreste dinheiro. Cometeram todos o mesmo erro. Portugal, Grécia, Espanha, Itália, Irlanda, Chipre, embora a Espanha e a Itália tenham capacidade para pagar o que torna o seu caso muito diferente do de Portugal , Grécia e Irlanda( esta já a crescer). Chipre é de uma dimensão que não causa problemas. Não há nem houve qualquer crise global! Pode haver se os problemas nos atirarem para uma espiral recessiva e não se tomarem as medidas a tempo e horas.
E, de uma vez por todas, as instituições reguladoras estatais financeiras , deixem de cobrir e serem coniventes com os assaltos que os bancos praticam à luz do dia.

De Rogério Costa Pereira a 29.06.2012 às 15:30

  • "não há crise internacional nem sequer global europeia".; "Não há nem houve qualquer crise global!"

Claro que não, a Europa floresce sem problemas; a bolha de 2008 não começou nos EUA nem se alastrou ao resto do mundo. Aliás, nos EUA não há, hoje, 22 casas desocupadas por cada sem-abrigo. Tudo por causa da crise que só existe cá, nos seis cavaleiros do apocalipse.  Nos EUA não há fome, nem tampouco é justo dizer que metade da população norte-americana vive no limiar da pobreza e que um terço destes anda à esmola e à sopa da pedra. 

  • "O resto do mundo cresce sem problemas."

Serra Leoa, Niger, Eritréia, Republica Centro-Africana, Somália, Guiné Bissau, Libéria, Burundi, Chade, Guiana, Suriname, Paraguai? e podia continuar aqui a inventar… São em Marte!


  • "Das 27 economias da UE há seis países em dificuldades por causa das dívidas descontroladas e que serviram para investir em obras faraónicas." 

O resto dos 21 vivem a tropeçar em vacas-gordas. Expulsam-se os 3 ou 4 que não se aproveitam e fica tudo na paz do senhor. Afinal, os demais vivem bem sem nós.

  • "Pode haver se os problemas nos atirarem para uma espiral recessiva e não se tomarem as medidas a tempo e horas."

Mais austeridade é a solução. Aliás, os 7,9% das “medidas a tempo e horas” hoje revelados são a prova que este é o caminho.

Viva o ultra-liberalismo.

E a minha paciência…

De Luis Moreira a 30.06.2012 às 00:11

Não é uma opinião é um facto. O mundo desenvolvido e a Europa não estão em crise.

De Alfredo a 29.06.2012 às 12:28


O real problema da Europa não são os mergulhos no vazio, será o dia em que, de tanto saltar à sorte, bater com a cabeça no fundo e perceber que afinal deveria ter tido algum cuidado desde o primeiro santo. Pondo de lado a ironia, devemos aproveitar para fazer uma análise política da situação:

1)      A Alemanha começa a perceber que o trono tem outro pretendente que, na sua simplicidade de iniciante, apresenta uma ideia de governo diferente. Portanto, a tendência é para a tomada de decisão, na Europa, ser mais difícil na proporção da influência do governo francês nos demais.

2)      A estrutura filosófica e económica da Europa não se encontrava preparada para um embate e desgaste como o que assistimos. Por isso, e como ensina a sapiência popular, em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão! Portanto, é necessário alimentar o corpo e, sobretudo, o espirito para que não haja um fratricídio (como sabemos tem sido a proposta de alguns economistas e políticos mais “práticos”).

3)      Portugal, na dimensão que lhe assiste de país aflito, é como as crianças perante o divórcio dos pais – o que lhe dá mais brinquedos possivelmente consegue, mesmo que por um período de tempo limitado, comprar a sua atenção.

A saída, que ainda é possível, passa por uma afirmação social dos princípios solidários e políticos de uma Europa unida na construção do futuro (para além da esquerda e da direita), ao invés da garantia económica das estruturas obsoletas e instituídas que, ninguém, quer deixar cair por simpatia ao reverência. Enquanto alegremente, na Europa, andamos a olhar para o nosso umbigo, adiando as soluções de fundo, existe um mundo em crescimento à nossa volta! 

De Luis Moreira a 29.06.2012 às 14:30

Um mundo em crescimento que percebeu a tempo que antes de distribuir há que produzir. E, já agora, distribuir com justiça.

De Alfredo a 29.06.2012 às 15:29

Espero que não esteja enganado no seu comentário, sobretudo no que respeita o "perceber a tempo" e o "distribuir com justiça". Para já, creio, que o que se mantem é a persistência no erro de um modelo esgotado, mas que permite rápido crescimento e alavancamento, por falso e desonesto que seja.

Aliás, o que me tem assustado, em parte, é que conhecendo os malefícios do caminho já traçado pelo capitalismo moderno, existe ainda a persistência do erro, talvez por comodismo, de uma parte daqueles que hoje se manifestam – querem apenas garantir um bem-estar, mesmo que reconhecidamente ilusório, e sem esforço de quebrar velhas posturas e sistemas e, como sabemos, isto representa um perigo porque tende a agudizar por alienação os verdadeiros problemas.

De Luis Moreira a 30.06.2012 às 00:42

Um modelo esgotado para o qual não há alternativa consistente nenhuma. Andamos todos à procura de saídas mas por enquanto ninguem apresentou um modelo alternativo que mais tarde ou mais cedo será encontrado mas não agora. Veja-se o que aconteceu na Grécia.  Melhorias pontuais mas no essencial tudo ficou na mesma. Porque não mudou o eleitorado por forma a permitir a tal mudança? Há voto de protesto mas chegado o momento...

De rui david a 01.07.2012 às 10:45

Um facto, é um facto, é um facto.
A ideia é essa, a da repetição cega, vazia, com o tempo há-de estratificar, fossilizar, quiçá transformar-se em petróleo mental bloqueando os interstícios da nossa massa cinzenta, apenas deixando espaço para a mesma lenga-lenga monocórdica dos factos convenientemente filtrados e moldados em betuminoso.
A repetição de que algo é um facto parece ser, de facto, o argumento sólido capaz de tornar um "facto" num facto cuja autoridade auto-legitimada dispensa, em nome de um bizarro "realismo", qualquer análise minimamente realista, ancorada em... factos.
Esta inovador método de pensamento que eu classificaria de "realismo solipsista", consistindo em enunciar uma qualquer teoria e declará-la como facto, por obra da sua mera enunciação, vem de longe, tem futuro. Quem poderá esquecer os famosos "factos políticos" do Professor Marcelo e, mais grave, mais próximo de nós, e mais pedagógico para o que podemos reflectir sobre o campo económico, todo o voluntarismo guerreiro que concretizou o facto do "Choque de Civilizações" desencadeado ao longo da última década que deixou o mundo "sem alternativa" face aos atoleiros do Iraque e do Afeganistão, para não falar das cicatrizes insanáveis entretanto abertas entre as civilizações?
Parafraseando o famoso filme português, eu diria que "factos há muitos...".
Que se pretenda reduzir a sua interpretação a uma entre as possíveis, apenas reflecte a subserviência ou predisposição para engolir prefab sprout relativamente a essa particular interpretação desses factos. É a essa prefab sprout que se colou o adequado carimbo "sem alternativa", o mais precioso produto de marketing político made nos think tanks ultra conservadores norte americanos e aperfeiçoado ao longo de décadas.
Por outras palavras: uma coisa são os factos.
Outra coisa é a multiplicidade das suas possíveis leituras e interpretações.
Que se pretenda transformar uma delas em facto indesmentível é a preocupação do actual pensamento único dominante.
Quem quiser, quem for capaz de pensar (não falo, obviamente de quem tem interesse directo em que se pense assim, para isso pondo em marcha os recursos necessários para que os factos adequados sejam adequadamente servidos num pires televisionado, à populaça, acompanhados de pipocas e pistaccio), que tire as suas ilações, quem não quiser, que se agarre aos seus "factos".

De Rogério da Costa Pereira a 01.07.2012 às 15:40

Essa do \"mundo civilizado\" diz tudo. De resto, até concordo que os EUA não são propriamente civilizados. Já a Venezuela é, pois claro. É rica e está assente numa democracia, como a China, de resto. O Paraguai? Pobres! A Guiné? Pobres! A civilização não é um conceito económico. E factos há-os para todos os gostos. É só escolher, Luís.

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