Com a Alemanha a financiar-se
quase a custo zero, porque a ela afluem os fundos que desertam das praças dos países da UE mais endividados da UE, como Portugal, países que, por essa razão e em contrapartida, continuam a ver subir os custos dos financiamentos a que têm de recorrer cada vez mais, não admira que a senhora Merkel não queira prescindir da
galinha de ovos de oiro que, para a Alemanha, outra coisa não tem sido a actual crise das dívidas soberanas. Por isso também se compreende perfeitamente que a senhora continue
a opor-se firmemente à criação de eurobonds como forma de mutualizar a dívida dos países do euro, porque, mutualizando a dívida, matava a galinha.
Curiosamente, Passos/Coelho, após ter mantido, durante a Cimeira da Nato, em Chicago, um encontro com o presidente francês, veio declarar, no seguimento, que foi estabelecida uma "
boa base de trabalho". Não se vê como, com posições tão divergentes sobre a Europa, em geral, e, em particular, sobre a criação das
eurobonds, como forma de resolver a crise europeia.
O que me leva a crer que Passos/Coelho, para além de "
náufrago e suicida", também não recusa vestir a pele do camaleão. Não tem esta espécie a capacidade de mudar de aspecto consoante o ambiente ? E não tem Passos/Coelho, como parece, a capacidade de adaptar o discurso consoante o interlocutor?
(ilustração daqui)
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