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Uma política de imigração generosa mas cega

por Luis Moreira, em 03.05.12

Apareceram uma manhã aqui por baixo da minha janela. Eram jovens com o ar de quem tinha acabado de tomar banho, com roupas limpas mas simples. Dois Ucranianos, engenheiros (vim a saber depois) que tinham caído no desemprego. Segui passo a passo a descida aos infernos dos dois homens. Primeiro a bebida, depois a droga mais tarde já nem sequer se levantavam do banco de que fizeram a sua casa.

Por baixo dessa mesma janela há um parque infantil onde brincam crianças louras, negras, mediterrâneas, casos de sucesso de imigração bem sucedida, os pais têm emprego, vivem na mesma casa, cunhados , e andam a construir a casa de família lá na Ucrânia longínqua. Sentem-se seguros e os filhos já frequentam a escola Portuguesa e esforçam-se para que os filhos falem a linha materna e a língua Lusa.

A generosidade não deve facilitar a imigração que não tem condições de sucesso. Os médicos Cubanos são disputados no país mas engenheiros temos nós que se vão para fora todos os dias. Precisamos de mão de obra na restauração em que os brasileiros por falarem a língua se acomodam muito bem. E os Ucranianos e Africanos na construção civil, fazem falta, são necessários, têm trabalho.

Mas os imigrantes que nos procuram e que não correspondem às necessidades do país, quando se afundam na miséria e no desemprego, nem sequer há dinheiro para os devolver ás suas terras natal. A generosidade acaba aqui.

Nos centros de emprego e da Segurança Social é vê-los nas filas intermináveis, jovens raparigas com um filho ao colo e outro a germinar na barriga. Daqui por uns meses acabam-se os subsídios e lá vem a miséria.

É frio e calculista mas ninguém vem ao engano. Não se vendam El dourados onde há tanta gente a viver mal. E, isto, é assim em toda a Europa. Decidam-se por uma política onde as responsabilidades de parte a parte sejam claras e honestas para que não hajam dissabores. Para que todos saibam o que se espera deles e o que eles podem esperar do país que os acolhe.

O inferno está cheio de boas intenções!

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publicado às 18:00


9 comentários

De Rogério Costa Pereira a 03.05.2012 às 20:08

"A generosidade não deve facilitar a imigração que não tem condições de sucesso."
E que quer dizer isto? Quem define qual a imigração que tem condições de sucesso? Caminho perigoso, este. 

De Luis Moreira a 03.05.2012 às 21:18

É preciso analizar os casos. A experiência que tive com aqueles dois jovens mudou muito a minha maneira de olhar para a imigração. Que obviamente é necessária até por razões demográficas, mas não podemos levar as pessoas ao engano.

De Xavier Canavilhas a 03.05.2012 às 21:23

«E os Ucranianos e Africanos na construção civil»




Luís perdoa-me, mas isto para mim é altamente racista.

De Luis Moreira a 03.05.2012 às 21:29

Não tem nada de racismo. É a realidade e é onde eles realmente trabalham e é para isso que para cá vêm. Estive numa empresa em que um dos ucranianos era médico e trabalhava na construção civil. Ele uma vez aleijou-se num pé e deu-me uma lição de anatomia antes de ir para o hospital. Qualquer trabalho é digno. Tal como os portugueses em França também estes trabalham na construção civil. Racismo porquê? Para acreditarmos que a esmagadora maioria vem para cá para trabalhar na sua própria profissão? Não sejamos ingénuos .

De rui david a 03.05.2012 às 21:56

Por uma imigração “on demand“, “inteligente“... na fronteira uma tabuleta a dizer “cheio“, como nos parques de estacionamento subterrâneos“. ah! uma vaga! primeiro da fila, trolha? nah! trolhas já estamos cheios! Vai de volta! O próximo ...

De Luis Moreira a 03.05.2012 às 22:07

Pois, Rui David, só é pena que ninguem se chegue à frente quando caem na miséria como se vê tantos nas nossas ruas. A generosidade é muito recomendável mas ninguem tem o direito de levar pessoas a abandonarem as suas terras para virem atrás de um sonho que não existe. Estes dois jovens que eu acompanhei aqui (porque junto da minha casa há uma associação de apoio à exclusão. Infelizmente vejo muita coisa que a generosidade não vê) nem sequer os 1 000 euros para comprar o bilhete para voltarem a casa conseguiram. Um deles andava ali na Guerra Junqueiro a parquear carros. É bom fechar os olhos à realidade e dormir bem à noite.

De Rogério da Costa Pereira a 04.05.2012 às 01:46

É, o Rui tem todo o ar de ser gajo que dorme bem com essas coisas -- sempre o foi, em 8 anos de bloga; um Sacana sem coração; já o Xavier é claramente um ingénuo. Eu? Eu colecciono os defeitos de ambos.

De Luis Moreira a 04.05.2012 às 03:40

Sabes bem que não estou a dizer isso. Gostava mais que  argumentassem em vez de se zangarem.

De rui david a 04.05.2012 às 08:14

Eu não estou nada zangado. Estou mais para o perplexo com a forma como o Luís vê os movimentos migratórios. O meu comentário de ontem apenas tentou reduzir ao absurdo aquilo que você classifica como "generosidade". O que é uma política de imigração "generosa"? O que é uma política de imigração "cega"? O que é uma generosidade que não seja "cega"?
O que é que isso tem a ver com a contínua dinâmica migratória da espécie humana e a forma como os estados a condicionam ou integram?
Onde se distingue o seu conceito de imigração de uma política de "importação"  de "capital humano"?
Se é lícito que os estados adoptem políticas de filtragem dos imigrantes para reter apenas os que "interessam" ( e quem é o burocrata que define quem interessa ou não? Neste caso concorda com este nível de intromissão do estado na vida dos cidadãos?), porque não aceitar o seu corolário, isto é que os estados restrinjam a emigração dos indivíduos "que fazem falta"?
E quando o governo português actual incita os portugueses a emigrar, já contratualizou com governos de países de destino as respectivas quotas e funcionalidades, ou envia-os em busca de "quimeras" que podem não ter condições para vingar?
O problema da "integração" tem a ver com a forma como são actualmente entendidos os direitos dos cidadãos, cada vez mais vistos como mera consequência de "generosidade", e que abrangem neste momento toda a população portuguesa, não apenas os imigrantes, é um problema a jusante.

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