Revejo tudo e redigo meu camarada e amigo. Meu irmão suando pão sem casa mas com razão. Revejo e redigo meu camarada e amigo
As canções que trago prenhas de ternura pelos outros saem das minhas entranhas como um rebanho de potros. Tudo vai roendo a erva daninha que me entrelaça: canção não pode ser serva homem não pode ser caça e a poesia tem de ser como um cavalo que passa.
É por dentro desta selva desta raiva deste grito desta toada que vem dos pulmões do infinito que em todos vejo ninguém revejo tudo e redigo: Meu camarada e amigo.
Sei bem as mós que moendo pouco a pouco trituraram os ossos que estão doendo àqueles que não falaram.
Calculo até os moinhos puxados a ódio e sal que a par dos monstros marinhos vão movendo Portugal — mas um poeta só fala por sofrimento total!
Por isso calo e sobejo eu que só tenho o que fiz dando tudo mas à toa: Amigos no Alentejo alguns que estão em Paris muitos que são de Lisboa. Aonde me não revejo é que eu sofro o meu país.