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Nas passadas comemorações do 25 de Abril, elenquei uma série de factos muito positivos que foram uma consequência mais ou menos directa do 25 de Abril: a paz, as eleições livres, a liberdade de expressão, o serviço nacional de saúde, o ensino público e universal, as infra-estruturas e os direitos dos trabalhadores. 
Passado apenas um ano, quase todos estes factos positivos estão a ser alvo de uma campanha de destruição sem precedentes na nossa democracia. 
O governo que os portugueses elegeram a 5 de Junho do ano passado, depois de uma campanha de mentiras, tem uma visão do mundo ultraliberal e vê a austeridade que está a impor aos portugueses, mais austera do que a tróica queria impor, como um caminho para a expiação dos nossos pecados. Não é preciso uma bola de cristal para perceber que não é este o caminho que nos levará a bom porto. Veja-se nos países da nossa comunidade europeia. Tudo começou na Grécia, depois Irlanda, Portugal, Chipre, Espanha, Itália e agora, imagine-se, até a Holanda enfrenta problemas. Sempre a mesma doença, sempre mesma cura, sempre o mesmo egoísmo, sempre as mesmas explicações domésticas simplistas e demagógicas. E as consequências? Mais austeridade e o tumor a aproximar-se perigosamente do centro nevrálgico europeu.
Dizem-nos que não há dinheiro para redistribuir, que os contractos são para cumprir. Mas há contractos e contractos, não é verdade? Há os contractos com cidadãos, os mais frágeis, divididos e iludidos por uma comunicação social que não informa, mas que é mero veículo de uma propaganda ignóbil. Depois há os outros contractos. Contractos com as parcerias publico-privadas. Contractos com agiotas. E as desigualdades sempre a aumentar. 
As ideias que agora estão a implementar, como o fim dos direitos dos trabalhadores, a destruição do ensino público e a destruição do serviço nacional de saúde, eram ideias implícitas no discurso de campanha de Passos Coelho e companhia, discretas, como convinha, mas presentes.
Hoje, dia 25 de Abril de 2012, 38 anos depois do dia da revolução, gostaria de vos falar em particular sobre as privatizações que estão a ser feitas em Portugal. A venda ao desbarato dos serviços e empresas públicas portuguesas, muito mais do que um crime económico, são uma verdadeira ameaça à democracia. 
A democracia em Portugal já é muito frágil, fruto de uma enorme desigualdade social e económica, de uma cada vez maior falta de participação dos cidadãos na vida política e de um número cada vez maior de crentes num discurso demagógico anti-políticos e anti-política que de certa forma legitima o sucesso do poder económico em detrimento do poder politico. 
A venda a privados, estrangeiros ou portugueses, a empresas ou a outros países da nossa rede eléctrica, da nossa energia, da nossa água, dos nossos correios, dos nossos transportes, das nossas estradas, das nossas telecomunicações, da nossa saúde, das nossas pensões, do nosso ensino, para além de alienar fontes de financiamento para as funções sociais do estado, aliena também o poder daqueles que são eleitos democraticamente pelo povo.
Com este esvaziamento do estado, para onde vai o poder? Para governo eleito, para o povo, não é. Este poder vai para a roleta dos mercados, para accionistas anónimos. Os movimentos internacionais que contestam estas políticas já perceberam isso muito bem. Nos Estados-Unidos, por exemplo, não vemos grandes manifestações frente à Casa Branca. As maiores manifestações têm ocorrido precisamente frente a Wall-Street.
Sim, 38 anos depois de Abril, a Democracia está em risco. Em Portugal e no mundo.
Um estado só faz sentido se for social, se o estado não serve as pessoas então para que serve? Querem transformar os serviços do estado numa empresa de segurança dos ricos e numa mega sopa dos pobres para os miseráveis? 
Mas ao contrário do que apregoam, nada disto é inevitável, e sobretudo, para nosso bem, nada disto é irreversível: a Argentina acabou de nacionalizar o seu petróleo.
Muitos eleitos, já hoje, têm um poder muito limitado, por exemplo, no poder local, já quase nada é possível, tal é a asfixia financeira em que se encontram as freguesias e os concelhos. Mas esta asfixia é propositada, centraliza as decisões e, por exemplo, retira poder aos autarcas para a discussão da reorganização do poder local que este governo quer impor.
No dia 25 de Abril de 1974, há 38 anos, um conjunto de homens valentes deitou abaixo uma ditadura de 48 anos e iniciou uma democracia no nosso país. Hoje, para manter o sonho de uma sociedade mais justa, mais solidária e mais desenvolvida em Portugal, não é necessária tanta valentia, basta não ficarmos calados e quietos. Por favor, venham para a política, inscrevam-se em partidos, formem partidos, obriguem os partidos de esquerda a ser uma alternativa real de poder, obriguem os sociais-democratas que existem no PSD a fazerem-se ouvir, ou organizem-se de alguma forma. Por exemplo aqui no Fundão um grupo de cidadãos uniu-se através das redes sociais e organiza Tertúlias abertas a quem quiser Ouvir e Falar. A primeira já foi, e a segunda vai ser aqui na praça do Município no dia 29 de Junho. Os mais cépticos podem pensar que isto de nada serve, mas é falso. Ficarmos quietos e calados é que de nada serve.
Como disse Salgueiro Maia “O difícil está feito, e o impossível só leva mais tempo”
Viva o 25 de Abril!

Catarina Gavinhos [Assembleia Municipal do Fundão, 25-04-2012]

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publicado às 15:34


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