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De quando a direita pensa

por Rogério Costa Pereira, em 12.02.10

O outro polvo


Visto que hoje é dia de polvo na praça, deixem-me falar de outro tipo desta espécie tentacular: o polvo jornalístico. Promovido pelos pseudo defensores/mártires da liberdade de informação/expressão, este é o polvo que resolveu o problema “Santana Lopes”, que está a resolver o problema “José Sócrates” e que resolverá o próximo problema, seja de que partido for. É que, ao contrário do que muitos pensam, isto não é uma questão de partidos ou carácteres. Este polvo não quer saber disso. Apenas está interessado em instituir uma nova ideia de Estado de Direito assente na seguinte trave mestra: todos devemos ser responsabilizados pelos actos que praticamos, excepto eles próprios. Porque quem os tenta responsabilizar está a promover a institucionalização da censura.


Vejo várias demonstrações de rejúbilo pelos acontecimentos recentes, nomeadamente no espaço político de que me sinto mais próximo. Mas, não tenhamos dúvidas: o que acontece hoje ao 1.º Ministro, já aconteceu, noutra medida, a Santana Lopes e acontecerá ao próximo. Portanto, quando vejo os protagonistas políticos a irem atrás desta euforia, só me resta esperar pelo que lhes vai acontecer também a eles. Com mais capacidade do que qualquer outro, este polvo resolve de forma implacável todos os problemas que vão surgindo. E o principal problema é a governabilidade. Não interessa a ninguém! A governabilidade não dá capas chocantes, não vende jornais, não promove estrelas/mártires da liberdade de informação…

Enfrentar este polvo jornalístico revela-se também uma impossibilidade. Hoje ficámos a saber que, pelos vistos, já nem os Tribunais podem ambicionar executar as suas decisões perante esta rede tentacular.

Resumindo: é este polvo que, em parceria com uma face oculta do meio judicial português, nos passou a dizer o que está ou não provado, quem é culpado/inocente, quem pode ou não governar, o que é o interesse público, enfim, a diferença entre o bem e o mal. Quando assim é, o voto passa a ter uma importância muito relativa…

Francisco Proença de Carvalho

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publicado às 11:52


15 comentários

De JASPC a 12.02.2010 às 12:15

Segundo o "Sol" o PM queria controlar toda a imprensa, a saber o CM do grupo Cofina, O DN, JN e TSF do grupo Controlinveste e ainda o grupo IMPRESA (SIC e EXPRESSO), ou seja praticamente toda a imprensa escrita e falada, já que a RTP (rádio e televisão) já estão sob o jugo desta força demoníaca
Quem ficaa de fora deste "polvo"? Os incorruptiveis do "Sol" magistralmente dirigidos pelo SARAIVA e pelo LIMA, que como toda a gente sabe são uns fulanos que primam pela verticalidade.
Ou não vendessem a "alma" ao capital angolano de proveniência impecávelmente limpa, como toda a gente sabe.
Toda esta encenação dá origem ao espectáculo que se viu ontem no Grérmio Literário, com "jornalistas" democraticamente eleitos pelos portugueses a pedir a demissão do PM fazendo assim o papelão que a "Oposição" não tem a coragem de fazer.
Tenham vergonha

De Miguel Braga a 12.02.2010 às 12:20

Esta é mesmo de rir, e à gargalhada! Sempre a malhar no Santa Lopes e agora, aqui , é apresentado como mártir da comunicação social, para justificar uma defesa de Sócrates. Haja vergonha!
Agora a culpa é dos jornalistas! Foram eles que disseram o que aparece transcrito. Ou então é tudo mentira. E se o é, alguém está a esquecer-se de se defender nos tribunais contra as injurias de que está a ser alvo.

De ASDF a 12.02.2010 às 12:30

http://jugular.blogs.sapo.pt/1161978.html

O que o Rogério escreveu há uns tempo. Felizmente a hipocrisia não é fatal.

Em complemente, ler o editorial de João Marcelino (que pode ter muitos defeitos mas hipócrita ou inconsistente nas suas convicções não é) no DN de hoje. Será que o RCP ainda o considera um "Director de Excepção"? Ou ficou com o coração partido?

RCP: você deveria alargar os horizontes. Ler a doutrina e  tradição sobre este assunto - interesse público vs. privacidade; jornais publicarem informação obtida por meios ilegais; etc. - em países com tradição de liberdade como o EUA e a Inglaterra. Ou a França. Ou a Dinamarca. Ou qualquer país semi-civilizado. O overriding value da liberdade de expressão tem inconvenientes, certamente; mas a alternativa é, como explicaram Madison ou Jefferson há centenas de anos, verdadeiramente assustadora.

De fernando f a 12.02.2010 às 12:35

Está fora do contexto, ou o Francisco, esqueceu-se da primeira grande vítima Ferro Rodrigues!?.

De Eu a 12.02.2010 às 12:43

Também você é um jornalista "amigo"? Image

De aires bustorff a 12.02.2010 às 12:43


Excelente! abraço

De Anónimo a 12.02.2010 às 12:44

concluindo, o que o autor do artigo parece querer dizer é que os políticos de ontem, de hoje e de amanhã são todos iguais. e os jornalistas, que são uma espécie de sub-espécie de políticos, também.

grande novidade! eu já tinha chegado a esta conlusão há muito tempo.

 

De Guilherme Pereira a 12.02.2010 às 12:52

Infelizmente, subscrevo palavra a palavra o texto de Francisco Proença de Carvalho, editado aqui pelo Rogério da Costa Pereira.
O polvo em que nós, jornalistas, nos transformámos, foi no que deu a rédea solta, o corporativismo, a obsessiva subserviência e promiscuidade do Poder com os media, a catrefa de instituições com vocação e estatuto para intervir, desde a ERC, à CCPJ ou ao próprio (meu) Sindicato de Jornalistas, mas que efectivamente, salvo excepções que, de resto, em alguns casos, pouco dignificam essas instituições, o que é certo é que esses organismos - em todos eles há jornalistas com responsabilidades, eleitos pela "classe" ou eleitos pela AR - se têm limitado a assobiar para o lado - e o polvo cresce, cresce,cresce. 

   

De Luís Lavoura a 12.02.2010 às 13:04

Excelente artigo, com todas as letras. Maravilhoso.

De fernando antolin a 12.02.2010 às 14:12

De quando a direita pensa. Pois é, dava jeito que a esquerda também o fizesse. Mas não.Continuam assim, tão engraçaditos e ingénuos.

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