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Abordar Abril sem falar dos clichés do cravo, da liberdade, do querer, do povo na rua, dos capitães, é difícil, mas não é impossível.

Abril e o seu vigésimo quinto dia são cada vez mais uma data longínqua. Na memória dos tempo perdem-se a vontade, o querer, os gritos, as músicas, os poemas daqueles momentos, mas também a dor de quem sofreu, de quem lutou, de quem ousou afrontar um poder instituído, uma guerra, uma noção de país parado no tempo.

Abril e o seu vigésimo quinto dia são hoje marcados por desfiles, com uma chaimite vilipendiada do seu verde azeitona por cravos mal pintados e “vivas abril” a deambular pelas ruas de Lisboa. Com sorte Abril é também uma sessão na Assembleia da República em que os discursos versam o mesmo de sempre e o grande destaque talvez seja a ausência do cravo na lapela de algum casaco ou a ausência de alguém.

Abril é também Grândola e um monumento à entrada da sua cidade em que pouco ou nada possui de bonito. Mas também ainda não vi um monumento a celebrar a conquista de tantos que seja verdadeiramente bonito. Abril não deveria ser bonito?

Porém abril talvez seja um piquenique familiar.

Abril não é ensinado nos bancos da escola da forma que deveria ser.

Abril é, para um jovem, um feriado, nada mais do que um simples feriado. É uma noite de copos. É uma manhã, ou principio de tarde, de cama, com sonhos preenchidos pela última loira, física ou líquida.
De Abril tanto ficou por fazer. De Abril ainda muito há a fazer.
Um Abril cada vez mais necessário. O modelo político/democrático necessita claramente de mutar, de evoluir. Para quando a eleição de nomes e não de partidos. Para quando o fim da brincadeira na casa da democracia portuguesa e lá estarem presentes realmente os representantes diretamente eleitos e não alguns nomeados nas listas e jogos das tricas políticas que nada conhecem da região pelo qual foram eleitos? 

Isso seria Abril. Voltemos aos sonhos, voltemos aos de sempre e assim continuemos.

Se tantos anos vivemos em perfeita calma e tranquilidade durante o Estado Novo, mais anos viveremos em perfeita calma e tranquilidade com o estado actual até Abril.

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publicado às 22:30


1 comentário

De Luis Moreira a 25.04.2012 às 22:38

Dizia-me hoje um grupo de jovens. E, agora, amanhã, não acontece nada. Tentei dizer-lhes que aos 20 anos pode sempre acontecer tudo.

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