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Segundo nota da Direcção do JN, Mário Crespo cessou a sua colaboração aquele jornal após o respectivo Director lhe ter dado “conta das dúvidas que lhe causava o texto que Mário Crespo enviara para publicação no dia seguinte”. Ainda de acordo com a mesma nota, o director do JN entendeu que “o texto de Mário Crespo não era um simples texto de Opinião mas fazia referências a factos que suscitavam duas ordens de problemas: por um lado necessitavam de confirmação, de que fosse exercido o direito ao contraditório relativamente às pessoas ali citadas; por outro lado, a informação chegara a Mário Crespo por um processo que o JN habitualmente rejeita como prática noticiosa; isto é: o texto era construído a partir de informações que lhe tinham sido fornecidas por alguém que escutara uma conversa num restaurante.”


Em face disto, Mário Crespo decidiu “retirar o texto de publicação e informou que cessava de imediato a sua colaboração com o jornal, o que a Direcção do JN respeita”.


O texto que toda a gente já conhece e que aqui não linko padece efectivamente das faltas apontadas. De acordo com o escrito, o PM e dois Ministros estariam num restaurante a discutir a forma de resolver um problema chamado Mário Crespo. E tudo isto, segundo Mário Crespo, “sem fazerem recato”, de maneira a que a urdidura pôde ser ouvida nas mesas do lado. Vou repetir: o PM e dois Ministros discutiam, num restaurante, a forma de colocar Crespo fora-de-jogo. Baixinho? Não! Incomodando a gente do lado com a sua colérica conversa. Vou repetir uma vez mais: PM e dois Ministros decidem, em conversa num restaurante, tramar o jornalista Mário Crespo. Segundo testemunhos, o tom de voz era tal que várias pessoas sentadas nas mesas do lado puderam ouvir a conversa.


E o extraterrestre do director do jornal atreve-se a colocar reservas à publicação de tal coisa. Em vez de espetar logo com a novidade na primeira página, de fazer uma dupla edição, o tonto achou que talvez não fosse má ideia fazer aquilo que um jornalista costuma fazer: investigar, confirmar, confrontar testemunhos, deixar os visados exercer o contraditório, dar ao tal PM e aos tais Ministros a possibilidade de reagirem à notícia. Assim uma cena tipo básica que qualquer jornalista tem de fazer em face de qualquer "facto" aspirante a notícia. E mais ainda quando a coisa é tão escabrosa como a descrita.


Crespo, bem mais sabido, terá achado que as tais pessoas incomodadas (com o escarcéu do PM e dos Ministros, está bom de ver) chegavam bem. Que aquilo que ele escrevia no JN até era uma coluna de opinião e que portanto qualquer notícia — aquilo é uma notícia, e que notícia! — ali dada passaria com a mesma agilidade com que tem passado a opinião.


Não foi assim e ainda bem que não foi assim. Entretanto, o lado dos maus passa a ter mais um título de respeito (bem-vindo, JN), o socialismo criou mais um mártir e o texto censurado pode ser lido em qualquer blogue e em qualquer jornal perto de nós. Nada de anormal, como nem sequer é anormal o facto de os nossos Ministros censores planearem os seus golpes de corte e costura em pleno restaurante. Tudo às claras, estilo neo-censura. Sem nada para esconder.

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publicado às 20:10


77 comentários

De P. a 01.02.2010 às 20:47

Naturalmente, alguém do Jugular apresenta-se para defender o Primeiro-Ministro e os seus dois ministros. Como há aqui muita paixão pela auto-censura, esquecem-se de que Mário Crespo escrevia no JN um artigo de opinião, que se fosse dedicado a dizer que os extraterrestres existem e que violaram todos os transeuntes do largo do rato, tinha sentido de existir. Podia ser idiota, e inacreditável, e para os apanhados e ser tudo treta, mas era o seu direito à existência, enquanto texto, que estava em causa. Se depois os transeuntes (eu passo lá todos os dias, vejam lá bem) quisessem processar Mário Crespo, estariam no seu direito. Tal como como os alienígenas.

Mas não. Leite Pereira já mais do que uma vez confessou a sua admiração pelo PM. Discordo dela, e dele, e limito-me a ler as colunas do JN online (não as dele, bem entendido) porque o acho um perfeito idiota e um jornalista subserviente, submisso, mouco e feliz assim mesmo. É a minha prerrogativa. Tal como é a sua de não ler, ou até falar mal, dos textos de Mário Crespo. Mas isso sou eu, que ainda respeito a existência deste seu post, desta sua "opinião" ou lá que raio é isso. Acho-a idiota e por simples lógica de preconceito também o acho idiota a si. Novamente, pode retribuir, pelo que digo, pelo conhece de mim agora, mas é sempre um direito. Pouco me importa se Leite Pereira tomou a decisão sozinho ou se foi pau-mandado. É censura. Bruta, ridícula, mesquinha e amaricada. É o que é. Se você acha bem, é lá consigo. Novamente, eu darei sempre espaço às barbaridades que você diz. É pena é você pactuar com quem não dá esse espaço a outros. Desculpem-se com os clichés da praxe, de que é difamação, de que tudo tem de ser comprovadinho antes de se escrever, de que um artigo opinião não deve expressar simples opiniões, mas sim opiniões, vá lá, aceitáveis. É sempre a mesma soberba, é sempre o mesmo ridículo.

Rogério, censure-me a mim também. E depois podemos rir todos contentes e pensar, fogo, por momentos quase que se deixavam escapar opiniões.

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