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O Desgraçado Ano da Troica [Dieter Dellinger]

por autor convidado, em 06.04.12

Há um ano Sócrates foi obrigado a assinar o memorando da troica na sequência do chumbo do PEC4 que no dizer de Passos Coelho significava austeridade a mais. O governo Sócrates caiu e no início de Junho apareceu o governo Coelho.

Sócrates negociou, barafustou, falou com o BCE que lhe passou uma rasteira nojenta a mando da bruxa Merkel e acabou por ceder perante a pressão de Teixeira dos Santos aflito com os 5,1% exigidos pelos mercados e com a pressão da banca que deve ter pago à Judite de Sousa para fazer uma série de entrevistas a banqueiros como Salgado, o Ferreira e outros que propunham um pedido de resgate.
Um ano depois, fica a pergunta no ar. O que se ganhou? Nada e tudo ficou pior, não há um indicador que tenha um sinal positivo. Começando de cima, os banqueiros foram os que mais perderam, as suas ações valem menos de metade e só ontem os quatro principais bancos portugueses perderam na bolsa 221 milhões de euros. Ao contrário do que deveria ter acontecido com o PEC4, a banca não saiu a ganhar com a Troica e só foi contemplada com umas migalhas das recentes emissões de moeda do BCE destinados a emprestar à banca privada da zona euro mais de um bilião de euros a 1% por três anos. Os banqueiros atuaram de modo irracional e sendo geralmente de extrema-direita não fazem contas quando se trata de deitar abaixo um governo socialista.
Mas, para além da banca, Passos e Gaspar não conseguiram resgatar nada, impondo apenas sacrifícios e pobreza a todos os portugueses. Repare-se que a faturação nacional do Continente de Belmiro de Azevedo caiu 13% em 2011 e do Pingo não ficou atrás, daí a imensa publicidade que fazem porque a as vendas estão a cair cada vez mais. Classes pobres e classes médias comem menos, gastam menos de tudo e os poucos que têm dinheiro aforram-no na banca que é obrigada a pagar juros bem mais altos que os dos empréstimos do BCE à poderosa Itália, à Espanha e à França. Das emissões, Portugal nem 1% recebeu.
Mas, há duas catástrofes em curso no país, o desmesurado aumento do desemprego e da morte. Esta última foi algo que nunca ninguém pensou. Nunca passou por cabeça alguma que a morte duplicasse pelo início ainda titubeante do corte nos cuidados de saúde, nas reformas e no aumento dos custos com eletricidade e outros impostos e taxas. O desemprego atingiu os 14,5% e caminha rapidamente para os 15% e muito mais. Eu que ainda estou no mercado como fornecedor de empresas sei o que me dizem. Todo o patronato vende menos e quer despedir para evitar ter custos superiores às receitas, mesmo pagando ordenados mínimos. O consumo público caiu 3,2% no primeiro ano da troica e o privado -5,9. Os investimentos entraram em colapso com -10,2% e o PIB vai cair mais de 3,3% este ano. Ao mesmo tempo, défice o orçamental sobe dos 4,2% em 2011 para 4,5% este ano, se as coisas não piorarem ainda mais como é mais do que previsível. A dívida pública aumentou para 107,8% do Pib em 2011 e deverá ser de 112,5% em 2012. 
As próprias exportações que estiveram em franca ascensão no início de 2011, chegando no fim do ano a +7,4 estão agora a crescer muito menos, permitindo uma previsão otimista de crescimento de apenas 2,1%.
Com tudo isto, Passos Coelho caiu na mesma armadilha de Sócrates; vai ter de negociar um novo plano de resgate mesmo antes do atual terminar. Ele não quer, como não queria Sócrates, mas não foi até agora capaz de fazer melhor, apesar das medidas de extraordinárias de consolidação orçamental inscritas no OE 2012 atingirem os 10.350 milhões de euros, portanto, mais 9.041,3 milhões de euros que as medidas de austeridade de 2011. São quase mil euros por cada um dos 10,5 milhões de portugueses para além dos impostos e taxas habituais e mais de dois mil europeus por cada português ativo. Mesmo assim, não chega e o défice será superior ao do ano anterior. 
As privatizações significam só que no futuro as receitas do Estado serão menores e mesmo aquilo que saiu hoje no Diário da República, ou seja, a suspensão da aceitação de pedidos de reforma antecipada por parte dos funcionários públicos, vai traduzir-se em reformas mais elevadas a partir dos 65 anos de idade devido à ausência dos elevados descontos de antecipação.
Enfim, para já, os portugueses veem que ainda não se chegou ao fundo do poço e nem sabem se o poço tem fundo. Se existir o tal fundo, como seria de esperar, vamos todos subir um pouco, mas para isso é necessário que esteja em cima um governo para lançar as cordas e não me parece que Coelho e Gaspar sejam as pessoas mais indicadas para isso por não inspirarem confiança. Todos terão medo de se agarrarem à corda porque acham que os dois lingrinhas não têm força nos braços.

Dieter Dellinger

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publicado às 11:11


1 comentário

De Miguel Cardoso a 07.04.2012 às 21:20

A questão é precisamente essa, o que se ganhou?


Nada. Foi tudo um lapso, Sócrates e Passos.

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