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O Tribunal de Contas chumbou o contrato e o governo aproveitou para dar a estocada final. Quem também dá uma estocada é a Soares da Costa que quer ser ressarcida dos custos que teve com o projecto, mais ou menos 250 Milhões de euros...

Vamos ter um "alta velocidade" para servir passageiros e mercadorias e o Porto de Sines com bitola europeia. Ganham as exportações e o país.

Felizmente que foi possível voltar atrás com essa megalomania que seria mais um "elefante branco" e que custaria muito dinheiro a todos nós. Não temos "massa crítica" para ter um TGV, nem de passageiros nem de largura territorial.

Lembre-se para quem ainda tem dúvidas que estes políticos não sabiam o que andavam a fazer, que Durão Barroso na primeira proposta queria construir cinco linhas e só depois veio o "L" deitado e mais tarde uma só linha. Enfim, a sociedade civil nunca esteve convencida e ajudou a travar o desastre.

 

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publicado às 11:00


12 comentários

De Anónimo a 22.03.2012 às 12:13

Há ainda muita ignorância e desinformação sobre aquilo que os políticos apelidaram de TGV.  Em parte esta asneira deve-se ao espírito pacóvio de alguns governantes, que os levaram a tentar convencer a opinião pública em aceitar um investimento público milionário com base na premissa falsa de uma falsa noção de futurismo e progresso, juntamente com uma equiparação a outros povos como os franceses.

O primeiro engano é que isso que apelidam de "TGV" não é absolutamente nada de especial.  Aquilo que apelidam de "TGV" não é mais do que uma ligação ferroviária perfeitamente normalíssima cujo material circulante é capaz de circular a velocidades acima dos 220km/h.  Ora, para isso o único critério que basta cumprir é que as vias tenham declives e raios de curvatura um pouco mais reduzidos.  Nada mais, nada menos.  Ainda há o critério das pontes terem de ser desenvolvidas para aguentar acções dinâmicas associadas à circulação a velocidades elevadas, mas esse problema não só é simples de se tratar como também, como tratam-se apenas de troços com umas centenas de metros, podem muito bem ser desprezados.

Outro engano é que Portugal já tem "TGV"s há longos anos.  Falo, claro, nos célebres comboios alfa pendular.  Esses comboios são comboios capazes de circular a alta velocidade (logo, são "TGV"s) e são até a coluna vertebral das ligações ferroviárias de alta velocidade em países como a Itália.  O único motivo que os nossos alfa pendulares não circulam a altas velocidades é o facto de serem postos a circular em ligações ferroviárias já centenárias, que devido aos raios de curvatura e declives mais acentuados não permitem a circulação a velocidades muito acima dos 80km/h.

Outro engano, talvez o mais grave, é que o "TGV" não é mais do que a reforma desesperadamente necessária da nossa rede ferroviária nacional.  A ligação Lisboa-Madrid e Sines-Madrid é talvez o primeiro grande investimento publico na rede ferroviária nacional do século.  É a criação de uma linha ferroviária que finalmente liga centros logísticos nacionais ao resto do mundo.  Actualmente para se ir de comboio para Espanha e o resto do mundo, os comboios são forçados a seguir um percurso que leva cerca de um dia a sair do território nacional para ir para Espanha, sendo forçado a passar através do Entroncamento, Pampilhosa, Guarda e Vilar Formoso, e dai a seguir para Salamanca.  O "TGV" Lisboa-Madrid elimina esse disparate, criando finalmente uma ligação directa entre Lisboa-Poceirão-Évora-Caia- e por a espanha a fora.

Outro engano é que hoje em dia ninguém faz traçados ferroviários de passageiros para circular a 80km/h.  Nem a 120.  Nem a 180.  E não o fazem pois hoje em dia o mercado está dominado por material circulante desenvolvido para circular a alta velocidade.

Outro engano é que a ligação a Portugal por rede de alta velocidade não foi um vaipe que se meteu na cabeça dos nossos governantes.  É sim um projecto da união europeia com décadas de idade sobre a construção da rede trans-europeia de transportes.

Dito isso, o projecto é sem dúvida caro.  Mas não é um desaire faraónico de um pacóvio do governo.  É sim um projecto há muito necessário e desesperadamente necessário.  Hoje em dia não existe qualquer justificação para depender de transporte rodoviário para sustentar as trocas comerciais nacionais, e o único motivo que força Portugal a depender do transporte rodoviário é a inexistência de uma rede ferroviária adequada e funcional.  Por isso, há que finalmente acabar com esta ignorância e desinformação, pois ninguém ganha com isto.

De Luis Moreira a 22.03.2012 às 12:21

Se não tiver nada contra vou transformar o seu comentário num poste.Obrigado.

De Também sou anónimo a 22.03.2012 às 13:31

Mas cuidado, que tem erros técnicos. A bitola do TGV é diferente da ibérica, o material circulante é forçosamente diferente, e há mais implicações do que o raio das curvas e a integridade estrutural das pontes (logo a começar pela construção dos taludes em toda a extensão da linha).


E os pendulares não pertencem à classe do TGV, nem de perto, nem de longe. TGV há só um (produzido pela Alstrom), tudo o resto é abaixo disso. Incluindo o sistema pendular, que até é mais recente, mas mais lento.

De Luis Moreira a 22.03.2012 às 14:07

Se nãoo se importar vou publicar...

De Sou o autor do comentário a 22.03.2012 às 15:58

Caro "Também sou anónimo"

Sou engenheiro civil.

Tenho formação específica e alguma experiência em projectos de vias de comunicação e de pontes.

Eu não refiro a bitola por um motivo: é irrelevante.  Até podiamos meter uma rede de alta velocidade em bitola do sistema Decauville e não seria por isso que os comboios não seriam de alta velocidade.  O único impacto da diferença de bitolas reside apenas na incompatibilidade entre elas, que não só não é um problema como também deixará de o ser, com a reforma do resto da rede ferroviária.

A acusação da "integridade estrutural das pontes" é absurdo e revela um profundo desconhecimento do tema.  O único detalhe onde aquilo que se refere a "
construção dos taludes", que presumo que pretende referir-se às operações de movimentação de terras, está relacionado com aquilo que eu já referi: inclinações da via mais ténues.

Sobre os pendulares, novamente é manifestada alguma ignorância.  O projecto dos alfa pendulares tem uma ĺonga história e teve a participação de vários países, incluindo o reino unido e itália.  A construção desse modelo esteve a cargo da FIAT, antes da Alstrom ter comprado o projecto.  Aconselho umas procuras sobre, salvo erro, o projecto ETR400 e, claro, o Pendolino italiano.  E se um comboio desenhado para circular a 220km/h não é um comboio de alta velocidade então estamos mal, pois pela definição da União Europeia um comboio de alta velocidade é aquele capaz de circular acima dos 200km/h e a definição dos americanos já é relaxada para cerca de 180km/h.

E por fim, TGV é uma marca e nada mais que uma marca.  É a etiqueta de propaganda usada pelo serviço de comboio de alta velocidade francês, que corresponde à sigla "train à grande vitesse".  É apenas um comboio de alta velocidade.  Da mesma forma temos o Eurostar, o Shinkansen, o AVE, o ICE, e por aí a fora.  Ou será que esses não existem?

De Sou autor do outro comentário a 22.03.2012 às 17:00

Caro "autor do comentário":


Também sou engenheiro civil E trabalhei numa das sub-contratadas pelo consórcio ELOS, especificamente no projecto Poceirão-Caia.


A bitola é de especial importância porque a) têm de ser projectados nós especiais quando a linha de TGV e a nossa (ibérica) se encontram e b) a bitola específica do TGV é, bem, específica. Não esquecer que toda esta brincadeira não era sobre uns comboios rápidos até Madrid, era, especificamente, sobre o TGV (o tal vendido pela Alstrom). Não era o comboio-bala, não eram pendulares.


O TGV em concreto (volto a lembrar que o projecto era sobre "O" TGV, e não sobre outro qualquer) tem requisitos específicos, nomeadamente ao nível dos taludes (sim, ta-lu-des: onde é que tirou a licenciatura? na Independente, não?) da linha, que têm de ser especialmente reforçados para o material circulante específico (sim, específico) do TGV. A mesma coisa para eventuais PS (e o Poceirão-Caia tinha uma porrada delas).


Comparar o alfa-pendular com o TGV é prepóstero: o nosso alfa-pendular (que é o Fiat Pendolino redesenhado para a nossa bitola) pode atingir os 250km/h, enquanto os TGV atingem, numa base regular, os 320km/h. Recentemente, um TGV em testes atingiu os 570km/h.


É certo que o TGV é só uma marca, e ninguém disse o contrário. O que aparentemente desconhece é que o contratado era que a linha suportasse essa marca específica; toda a rede europeia de alta velocidade tem de suportar essa marca específica (vá-se lá saber porquê, construtor francês, grandes quantidades de material alemão, como Siemens).

De Ainda sou autor do outro comentário a 22.03.2012 às 17:24

Luís Moreira, por favor não continue a publicar estes comentários, porque não mudam o essencial: isto tinha de ser cancelado, desse por onde desse. A economia não precisa duma linha de turismo, precisa duma linha de mercadorias (em bitola ibérica).

De Luis Moreira a 22.03.2012 às 17:38

É isso. Mas foi uma boa lição para a maioria. Obrigado.

De Sou o engenheiro civil a 23.03.2012 às 13:46

Aqui é manifestada mais ignorância, e da grosseira.  É absurdo afirmar que a nova ligação ferroviária Lisboa-Madrid era "uma linha de turismo".  É um comentário desligado da realidade.  A nova ligação Lisboa-Madrid é a execução do plano da rede trans-europeia de transportes.  É sobretudo uma ligação que permite ligar o terminal logístico de Sines com o resto da europa, e assim viabilizá-lo como um dos principais terminais logístico da europa, senão mesmo o principal. A única coisa que faz deste projecto uma ligação ferroviária de Lisboa é ora a defunta terceira travessia do tejo, que ligaria Lisboa ao nó do Poceirão, ou a travessia da ponte 25 de Abril via Pinhal Novo.  Mais, a terceira travessia do tejo iria ligar Chelas ao Barreiro, uma ligação que já é exigida há umas décadas.

E para sublinhar o quão grosseira é essa ignorãncia, enquanto se põem a manifestar que "isto tinha de ser cancelado", o governo de Passos Coelho e representantes da união europeia já vieram a público declarar que afinal a ligação Lisboa-Madrid sempre será realizada, só que não terá um traçado que permitirá as mesmas velocidades previstas anteriormente nem terá a terceira travessia do tejo.  Mais precisamente, enquanto que no projecto dos tempos de Durão Barroso e Sócrates a nova ligação ferroviária permitia uma velocidade, salvo erro, de 250km/h em todo o trajecto, a nova ligação pedida por Passos Coelho terá uns troços onde a velocidade máxima do trajecto é descida para 200km/h, e em vez da ligação Chelas-Barreiro será prevista a ligação Alcantara-Almada via 25 de Abril, que depois liga ao Poceirão via Pinhal Novo.

E assim se enganam tolos.

De Engenheiro civil a 23.03.2012 às 14:30

Permita-me perguntar: se realmente trabalhou para o consórcio, trabalhou em projecto ou limitou-se a estar a estar nas operações de construção no terreno juntamente com os operários? Pelo comentário parece-me mais o segundo, pois os pontos que foram apontados são errados e perfeitamente irrelevantes para o assunto em discussão.  Ora vejamos:

A bitola é claramente irrelevante para se ter material circulante que justifique a etiqueta de alta velocidade.  Não percebo como é que alguém tenta pôr em causa os conhecimentos de outros quando se é autor de um disparate deste calibre.  E explico porquê.

Falar no fabricante dos comboios é, além de irrelevante, um disparate.  Nenhum comboio tem a sua velocidade de circulação limitada pela bitola em que é projectado para circular, e de certeza que qualquer fabricante estaria mais disposto a produzir comboios de alta velocidade para circular em bitola ibérica se lhes abanassem com o dinheiro à frente.  Se houver dúvidas então que se olhem para os alfa pendulares, que os portugueses circulam em bitola ibérica e os italianos em bitola padrão.  Mais, se realmente tiver alguma ideia do que é um comboio então com certeza terá conhecimento que a bitola ibérica é mais larga que a bitola padrão, e assim contribuiria para uma maior estabilidade da circulação em alta velocidade em curvas.  Não tivemos formação em mecânica?

Sobre esse disparate dos taludes, volto a chamar a atenção que o termo técnico correcto neste contexto é movimentação de terras.  E é movimento de terras pois para o traçado de vias de comunicação, tanto rodoviárias como ferroviárias, implica tanto obras de escavação como de aterro, conforme a orografia e exigências de inclinação dos trainéis.  Só se fala em taludes no âmbito das operações de aterro, por incluir a sua estabilização, que é apenas uma das componentes da operação de movimentação de terras. Tirando isso, temos o balastro da via, e duvido muito que qualquer hipotética formação mal-conseguida o leve a confundir o balastro da via com taludes.  Ou será que leva?  Por isso pergunto: já participámos em algum projecto?

Depois vem o disparate de se referir o "reforço do material circulante".  Será que esse curso magnifico de engenharia também ensinou que os automoveis teriam de ser reforçados para, ao circularem numa auto-estrada, a auto-estrada poder ser chamada por esse nome?  Não brinquemos com coisas sérias.  Não tarda nada essa vontade de se pôr em bicos de pés ainda o leva a falar na sinalização da via.

E sobre a referência mesquinha à velocidade dos alfa pendular, ninguém afirmou que eram os comboios recordistas de velocidade.  O único facto que foi apontado, e que parece que não foi ensinado nesse curso esquisito de engenharia, é que a definição de comboio de alta velocidade assenta somente num critério: ser capaz de circular acima dos 200km/h.  Se um comboio for capaz de circular a 201km/h então é um comboio de alta velocidade.  O mesmo se aplica se for 205km/h, 210km/h, 220km/h, 250km/ e por aí a fora.  Um comboio não deixa de ser um comboio de alta velocidade se houver outro mais rápido.  Esse disparate é ensinado aonde?

Depois, por fim, vem a cereja no topo desse bolo de ignorância.  A europa não é coberta por uma rede de TGVs.  A europa é coberta por uma rede ferroviária de alta velocidade.  Isso de TGV é coisa da frança.  São TGVs pois são chamados Trains à Grande Vitesse, que significa literalmente comboios de alta velocidade.  Em espanha há os AVE, que é Alta Velocidad Española, e não deixam de ser AVE mesmo estando ligados à rede TGV pelo tunel Pelthus nem se circularem para além da fronteira.  Ou será que estamos a confundir a marca dos veículos com a categoria de alta velocidade?  É que uma auto-estrada não passa a ser uma estrada porsche, ferrari ou ford só porque circulam nela automoveis dessa marca.

Enfim, não vou perder mais tempo com estas tentativas de provocação mesquinhas fundadas em ignorância. 

De O outro engenheiro a 23.03.2012 às 17:55

Não sei o que é pior, a ignorância, a teimosia ou a arrogância. De qualquer das formas, tenho como regra não discutir com pessoas que juntam estas três características.


(psst: os comboios do serviço AVE são, para todo e qualquer efeito, comboios TGV, tendo sido derivados dos mesmos planos e, inclusivamente, alguns foram feitos pela mesma marca. E não, repito, não circulam na mesma bitola dos restantes serviços espanhóis, cuja bitola é igual à nossa)

De O engenheiro a 23.03.2012 às 22:22

É claro que não sabe o que é pior, e é por isso que manifesta as três indiscriminadamente.  Quem é que começou com a patetice dos ataques pessoais com o comentários reles do curso da independente?  Quem é que se pôs a debitar ignorância sobre tricas insignificantes que nada tem a ver com alta velocidade?  E quem é que insiste em afincar o pé na sua ignorãncia?  Pois claro. 

Agora diz que tem por regra não discutir com quem amua, mas nós sabemos a verdadeira razão: não tem argumentos, reconhece que não tem nada a apontar e como isso de se pôr em bicos de pés não funciona... retirada estratégica.

E para terminar, de que vale tentar gabar-se de escolas que supostamente frequentou se não se aprendeu nada nelas?

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