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Ameaçar a Grécia ou Reconhecer o Fracasso?

por Ana Paula Fitas, em 05.02.12

A economia europeia e, em particular, a da zona euro, atravessa uma crise sistémica cujo paralelismo nos obriga à evocação de quase um século (a famigerada crise dos anos 30) e, apesar de todas as cimeiras e austeridades extremas, mantém-se sem fim à vista. Relativizar o aumento generalizado do desemprego e ignorar o agravamento das economias nacionais dos países que sempre foram reconhecidos como os que maior fragilidade apresentavam no contexto da evolução política da actual União Europeia é, por isso, insistir em não querer resolver, de facto!, o problema. Por isso, a ameaça dirigida por Jean-Claude Juncker à Grécia é apenas mais um sinal da incapacidade institucional europeia em resolver a dimensão global desta crise. Depois de tanto tempo com recurso a intervenções financeiras internacionais (da Islândia à Irlanda, à Grécia e a Portugal) e de tanta previsão ter sido feita relativamente a um significativo número de Estados-membros (Espanha, Itália, Bélgica, França, Chipre e Eslovénia), não é credível que as lideranças político-económicas (do FMI aos EUA e aos 27 que integram a UE), considerem que as medidas de austeridade com que os países vão penalizando os cidadãos, resolvam a profunda disfuncionalidade em que assenta a organização socio-económica que conhecemos. Estaremos perante uma insustentável (in)cultura política que reduz à lógica artimética do cálculo financeiro dos mercados a representação ideológica da gestão da Polis? - ou, como vamos sendo, cada vez mais!, induzidos a concluir, a democracia deixou de ser a boa governação da "coisa pública" e passou ao mero exercício da liderança de uma globalização falhada no que respeita à partilha de valores, princípios e práticas de carácter integrador e promotor da dignidade - como convém a tudo o que se pensar para a comunidade humana... afinal, a questão que se coloca é a de saber se esta espécie de "manta de retalhos" criada para ocultar a verdadeira dimensão do imenso buraco da crise é ou não reflexo de uma gravissima regressão política ou, apenas!, o testemunho da vitória do movimento de capitais contra o bem-comum!

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publicado às 12:13


2 comentários

De Luis Moreira a 05.02.2012 às 12:26

Uma coisa parece certa. É algo insustentável e que a não ser resolvida e não se tirar as ilações óbvias poderá contribuir para a existência de tumultos sociais se não mesmo para uma guerra global. A classe média, essa invenção da social democracia, almofada de todos os choques, vai reagir de forma violenta. Oxalá não se chegue aí e que os políticos vejam e tomem as medidas a tempo. Mais ninguém foi eleito a não ser eles.

De Ana Paula Fitas a 05.02.2012 às 13:54


De facto, Luís... e é de facto assustador esta incapacidade de renovar o ordem económica de acordo com os valores que estão na base da edificação social que gerações e gerações de pessoas acreditaram estar a construir... no fundo, a política está completamente alienada aos ditames de uma economia que é, essencialmente, o garantir da continuidade dos mecanismos financeiros ... e, mais uma vez, obrigado pelos bons votos de acolhimento :)

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