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No dia 31 de Janeiro de 1797 nasceu, num pequeno subúrbio de Viena, o compositor austríaco Franz Schubert. Aos seis anos, entrou na escola de Lichtenthal, onde passou alguns dos melhores anos da sua vida. A sua educação musical começou também por esta altura. O seu pai transmitiu-lhe alguns conhecimentos rudimentares sobre violino e o seu irmão, Ignaz, iniciou-o no piano.
Aos sete anos, foi entregue à guarda de Michael Holzer, o mestre de capela da igreja de Lichtenthal. As lições de Holzer consistiam mais em manifestações de espanto por parte do mestre. O jovem Schubert beneficiou muito com a ajuda de um seu colega que o levava a um armazém de pianos, onde tinha oportunidade de praticar em instrumentos mais sofisticados do que aquele que a sua família lhe podia proporcionar.
Aos 11 anos foi ouvido por Antonio Salieri, compositor oficial da corte (que também foi mestre de Mozart), o que lhe valeu um lugar de soprano no coro da corte e uma bolsa de estudo num dos melhores colégios de Viena. Depois, foi uma vida de criação e produtividade imensas. Dessa vida nasceram 600 lieder, a imortal Ave Maria, concertos e peças de piano e sinfonias que, enriquecendo o património da humanidade, de pouco adiantaram a um génio que lidava mal com o dinheiro e morreu sem ver publicadas algumas das suas mais geniais obras. Depois da morte, as partituras de Schubert foram vendidas ao desbarato e vieram a enriquecer editores como Diabelli.
A obra de Franz Schubert não teve grande reconhecimento por parte do público durante a sua curta vida. Teve sempre dificuldade em assegurar um emprego permanente, vivendo muitas vezes à custa de amigos e do trabalho que o pai lhe dava. Conseguia ganhar algum dinheiro com obras que publicava e, ocasionalmente, dando explicações de instrução musical. Só no último ano de vida conseguiu alguma aceitação por parte do público.
A sua saúde deteriorou-se no auge da sua actividade criativa. Sofria de sífilis desde 1822. Supõe-se que morreu de febre tifóide, ainda que vários biógrafos apresentem outras possíveis doenças, no dia 19 de Novembro, na casa do seu irmão Ferdinand, em Viena, com 31 anos de idade e sem quaisquer recursos financeiros. Parecia ter morrido um qualquer vagabundo, desprezado por quase todos, boémio miserável que nunca tivera para tocar senão um piano alugado com o dinheiro que um amigo rico lhe emprestava.
Ao fazerem o despejo da casa em que habitava, fizeram um inventário de uns míseros 63 florins – dos quais 53 foram contados como "roupas domésticas e pessoais" e 10 – apenas 10 florins – como “músicas".
Foi sepultado num pequeno cemitério local e, 60 anos mais tarde, trasladado para o cemitério central de Viena, para repousar ao lado de Beethoven. Continua ainda hoje lembrado por uma estátua digna, na principal praça de Viena.


Serenata, de Franz Schubert
Tenor: Peter Schreier
Piano: Rudolf Buchbinder

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