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RASGUE-SE JÁ O ACORDO MERDORTOGRÁFICO!, por Joaquim

por Rogério Costa Pereira, em 17.12.11

Tipicamente português é isto: que a porcaria do chamado Acordo Ortográfico nem tenha suscitado grande entusiasmo nem grande rejeição e porventura seja essa morna coisa lusa o balanço possível no final do 1.º período do ano lectivo em que se introduziu nas escolas portuguesas a Merdortografia. Sou Poeta e sou professor de Língua Portuguesa e conheço suficientemente tudo o que diz respeito a este ingénuo AO, com todos os recursos disponíveis a fim de sedimentá-lo, para lhe conhecer 70% de impraticabilidade e 90% de inconveniência, dada a sua lógica disruptiva e destrutiva de uma ortografia que nos vertebre o carácter nacional e nos não descaracterize dentro da nossa tradição europeia apenas para menor glória nossa e nossa maior submissão política a uma lógica de força brasileira e não de História. Se ainda há dúvidas sobre certas regras é porque são regras do laisser écrire laisser passer, isto é, regras que desregulam o irregular, abrem caminho ao absurdo elevado à quinta casa. A reflexão de Fernando Venâncio, além de historiar esta lusofónica quimera quixotesca, explica como e porquê o AO não nos serve de todo: «Mais discutível é a supressão do acento em para e pára, que soam diferentemente no português europeu e deveriam continuar desambiguados. Como ler doravante «João, para o carro!» sem informação extratextual? Bizarro é, também, o uso facultativo do acento em certas formas verbais, tornando indecifrável, em Portugal, um bilhete que diz «Pagamos hoje» ou «Não demos nada». Simplesmente, a questão das «consoantes mudas» tem bem maiores, e mais onerosas, implicações. Um exemplo disso, em versão simplificada: só a supressão do «c» em finais de tipo-acção (o cálculo é do investigador Francisco Miguel Valada, num artigo em Diacrítica) produz um aumento exponencial de «excepções», num sistema de regras que, até hoje, quase não as conhecia. Para um Acordo que visava «simplificar», é obra. Um eventual leitor brasileiro há-de perguntar-se que há, nisto, de tão espantoso. Eu explico. No português europeu, duas palavras como nação e fracção soam diferentemente, pelas consoantes iniciais, decerto, mas também porque o primeiro «a» de nação soa fechado (como o «a» carioca no final de «casa») e o de fracção soa aberto. Ora bem, essa abertura é indicada por aquele «c» mudo.»

Joaquim, PALAVROSSAVRVS REX

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publicado às 18:24


7 comentários

De Luis Moreira a 17.12.2011 às 18:38

Isto é, realmente, uma "baralhação" bem conseguida! (a baralhação é que é bem conseguida...)

De truk a 18.12.2011 às 01:48

começo por felicitar o cavalheiro pela criação do MERDORTOGRAFIA - que desconheço em absoluto mas aprovo com ve(h)emência, favorável que sou à inovação linguística.

antes mesmo da conclamada necessidade de recorrer à tecnológica, como chave para todas as fechaduras do DESENVOLVIMENTO económico.

logo de enfiada - porque estou de acordo com o novo AO, acho que apenas peca por defeito - e, retomando a sua linguagem escatológica, desejaria BARDAMERDIZAR as suas teorias, que, pela amostra, nos OBRIGARIAM ainda a escrever PHarmácia ou sei lá que outras dinossáuricas monstruosidades com que os puristas da língua se babariam de gozo

"Sou Poeta (porra, com P grande, é obra. nem Camões) e sou ( que feio repetir o sou em apenas três palavras) professor de Língua Portuguesa (tem a certeza que mesmo pelo velho AO língua portuguesa, alheira portuguesa, esperteza portuguesa se escreviam com maísculas?) e (sem uma vírgula a separar, senhor professor de Língua Portuguesa) conheço suficientemente ( também é sinal de sabedoria segura) o que diz respeito a este ingénuo AO

não sou Poeta nem professor de Língua Portuguesa. (ia escrever SOU mas lembrei-me do péssimo exemplo de vício de estilo que tomei a liberdade de lhe apontar) quedei-me por um curso médio de Agricultura - mais vocacionado para a poda do que para a ortografia.
parece-me legítimo, por tanto, não aceitar que seja o senhor a tentar agenciar milícias contra o novo AO - quando a qualidade do seu texto panfletário, mesmo aos olhos de um podador de árvores de fruto, lhe parece notoriamente MAL ESGALHADO

  

De Carlos Dias a 18.12.2011 às 02:23

PHarmácia ou sei lá que outras dinossáuricas monstruosidades

Passei por aqui e vi o comentário do apologista do acordo.

Espero que não tome nada produzido pela pharmaceutical science inglesa, ou norte-americana, ou canadiana, ou australiana, ou pelas sciences pharmaceutiques ou pela pharmazeutischen Wissenschaft, porque são países atrasados.

Mais, desconfiar de tudo o que é publicado nas revistas de referência com nomes tais como Science e semelhantes, seja em que ramo da ciência for. Physics não dá confiança. Preferir qualquer coisa de moderno, publicada no Maranhão, de certeza sem ph e sc.

De Luis Moreira a 18.12.2011 às 03:55

Eu que nem de perto sou versado no assunto só posso dizer: de fato o fato  cai aqui bem! ( mas parece que é uma das exceções - e esta é excepção?) Uma porra em bom português!( embora porra seja um pau de figueira - em castelhano)

De truk a 18.12.2011 às 09:43


PRAGMA (para auto-intitulado Poeta contra novo AO)


SOL
quando está frio e apareces
isso me apraz


e sabes
quão pouco me faz
saber 
se me aqueces


só com um C
se com mil SS




(oportunidade para lhe desejar um Bom NATAL - um NATALÃO
e de caminho tb um grande novo Ano - um ANÃO)

ah, e reiterar que não tenho nada contra quem "é contra" o novo AO.
sou contra quem não é contra a intolerâcia. Contra quem não aceita que eu possa ser do contra

De truk a 18.12.2011 às 09:58

Para Luis Moreira

Não sendo versado na matéria, como afirma, pode, contudo, saber que o "c" de fa(c)to - porque nós o pronunciamos - não vai desaparecer.

e, se desaparecesse, também não era por aí que o meu amigo se enganava entre mudar de roupa (FATO) ou beber um copo de água quando lhe apetece (FACTO)

tá? deixe-os falar, amigo

abraço - Boas -Festas

De Luis Moreira a 18.12.2011 às 12:17

Bom Natal! Obrigado e volte sempre.Abraço

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