«Quanto devem os portugueses à Cruz Vermelha? Não sei responder. Quanto devem os portugueses ao grupo SONAE, também não. Mas é fácil de saber que a Cruz Vermelha Portuguesa deve muito ao portentado de Belmiro de Azevedo. Parece óbvio, pelo menos.
Há uma semana ou duas, a administração do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa solicitou aos seus empregados uma generosa dádiva natalícia: que se voluntariassem para ajudar o pessoal auxiliar do Continente a embrulhar prendas de Natal. As prendas são muitas, os clientes do mega-mercado devem ser muitos mais (sem subsídios é difícil comprar fora das áreas comerciais 'barateiras') e pagar salários a quem faça os embrulhos deve ser uma despesona - para mais num país em que está instituído que salários são 'gorduras' a evitar e desemprego um 'bem' a promover. Feita a simpática sondagem no Hospital da CVP, não apareceram voluntários. Facto que não surpreende ninguém, mas agastou a administração da Cruz Vermelha. Nada de mais simples solução: as direções de pessoal do HCVP elaboraram as escalas de serviço dos seus funcionários, incluindo nas suas tarefas de cumprimento de horário os almejados turnos ou piquetes de auxílio ao Continente. É trabalho distribuído em escala de serviço – e, portanto, quem se recusar sujeita-se a sanções. De fora ficam apenas os médicos (o que se compreende, dado o melindre de se comparar uma profissão como a de médico com algo que é prestar serviço e dar generosamente de si...), apesar de outros profissionais, com o mesmo grau de formação dos doutores clínicos, não estarem dispensados de se integrarem no dito 'voluntariado' forçado. (
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Denúncia de António Leal Salvado, comprometimento de Rogério da Costa Pereira (que a leu e assina por baixo)
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