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Xenofobia, racismo, ódio e outras aberrações

por António Filipe, em 30.11.11

Durante as minhas quase seis décadas de vida (digo seis décadas porque parece menos que sessenta anos) já ouvi uma enorme quantidade de coisas que me irritaram.
Mas nada me irrita e revolta mais do que estar num grupo onde se começa a dizer mal de uma determinada raça, de um determinado povo ou de um determinado grupo. O racismo e a xenofobia sempre me incomodaram. Infelizmente, constato que isto acontece com cada vez mais regularidade. E isso incomoda-me, porque eu fico sem palavras. Cobardemente, admito-o, pois tenho o pressentimento que, no grupo, sou o único (salvo raras excepções) que sente obrigação de falar em defesa daqueles que, não estando presentes, estão a ser atacados. Tenho a sensação que somos um país cada vez mais xenófobo e racista. Pelos nossos erros, culpamos todos e tudo o que nos seja alheio. Raramente temos a humildade de admitir a nossa própria culpa. Culpamos os ciganos, os pretos, os romenos, os imigrantes em geral e até os nossos próprios emigrantes. No entanto, ironia das ironias, quando algum dos “nossos” comete um erro, ouço, muitas vezes, a expressão: “É à portuguesa”. Expressão que eu detesto, diga-se de passagem, por considerar que não deixa de ser xenófoba por ser contra o nosso próprio povo. Neste aspecto, outros povos fazem exactamente o contrário. Por exemplo, os americanos têm uma expressão semelhante, mas usam-na quando alguém tem sucesso naquilo que faz. Quando as coisas correm bem, dizem: “It’s the american way”, o que é uma maneira bem mais optimista de encarar a vida.
O que mais me espanta é que muitas das pessoas a quem eu ouço comentários racistas, afirmam-se democratas e dizem que são a favor da liberdade e da igualdade. Chegam ao cúmulo de, muitas vezes, iniciarem um comentário racista com: “Eu não sou racista, mas…”. E, depois de mandarem uma enxurrada de baboseiras de teor claramente racista, dão-se ao luxo de afirmar, orgulhosamente: “Mas, atenção, eu não sou racista.” Bem, justiça lhes seja feita, pelo menos negam a sua própria xenofobia, o que demonstra algum sentimento de culpa. O Hitler nem sequer se dava a esse luxo. Exterminava judeus, ciganos e tudo o que não fosse raça ariana, sem pudor nem vergonha.
Já não me espanta muito o facto destas mesmas pessoas se assumirem católicas e, muitas delas, até praticantes. É que as religiões sempre foram e continuam a ser causa de grandes ódios por esse mundo fora. Tudo o que for de crença diferente é para destruir.
Cúmulo dos cúmulos: agora até já nos jogos de futebol se instalam jaulas destinadas aos adeptos do clube adversário. E, depois, dá no que deu: fogo à peça.
Tenho alguma dificuldade em acreditar que qualquer normal ser humano não tenha o discernimento necessário para chegar à conclusão de que qualquer outro ser humano é igual a ele e que todos temos defeitos e qualidades. Se tivermos respeito, damo-nos ao respeito. Se compreendermos, somos compreendidos. O ódio só alimenta o ódio.

Deixo uma canção do grande John Lennon, que, além de ter uma melodia bem bonita, tem uma letra sobre a qual todos devíamos meditar.

 

 

 

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publicado às 12:36


4 comentários

De Luis Moreira a 30.11.2011 às 12:46

Realmente esta poesia devia ser ouvida por todos...

De António Leal Salvado a 30.11.2011 às 20:31

Concordo com o Luís - e quanto aos dois poemas: primeiro o poema cívico e realista do António Filipe e depois o poema lírico e (embora menos profundo) também muito bonito cantado por Lennon.
Excelente reflexão do A. Filipe (eu bem avisei, quando anunciei a chegada dele à Pegada) num tema que dá pano para mangas.
E, a propósito, pensem lá sobre as múltiplas ligações da xenofobia com a exclusão social. Pano para tantos milhões de mangas...

De António Filipe a 30.11.2011 às 21:30

Exactamente. O grande problema é a exclusão social não só por parte dos cidadãos em geral, mas também por parte dos governos que, aproveitando a maré xenófoba, começam a retirar direitos aos mais desgraçados sem medo de perder eleitores, porque se sentem apoiados por estes. Por sua vez, as vítimas de xenofobia ficam revoltadas e dizem e fazem coisas que, por vezes, também não são correctas. É um círculo vicioso muito complicado.

De Luis Moreira a 30.11.2011 às 22:11

Um circulo vicioso tremendo!

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