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A pegada não morreu; apenas deslocámos a maior parte das nossas pegadas para o facebook. Enorme pecado, bem sabemos; mas por estes instantes, em que o tempo não abunda, é mais fácil interagir e publicar ali. Esta nossa casa não desaparece; será sempre a referência principal e o lugar das pegadas mais profundas. No entretanto, e quando não nos virem por aqui, é porque estamos aqui:pegadabook. Cliquem no link (não é necessário ter facebook para ler, apenas para comentar) e/ou façam like acima. A todos os leitores e ao sapo, que nunca nos falhou, pedimos desculpa. É coisa de momentos; a pegada será sempre aqui. Aqui é a regra, este anúncio não revela mais do que uma excepção. Já agora, e também no facebook, mas numa onda diferente -- e em que todos os leitores podem ser autores --, visitem o ouvir & falar.

 

 



Como pode um incompetente chegar a dirigente?

por Filipe Figueiredo, em 21.12.13

Numa perspectiva de longo prazo, a prosperidade de um povo depende, quase sempre, da competência daqueles que o lideram, porque todas as acções de um qualquer líder - acertadas decisões ou sublimes disparates - condicionam gravemente o futuro do seu povo.

Considerando a hipótese de que num qualquer momento a hereditariedade se apresenta como condição única para determinar a “escolha” de um líder, a sua inteligência deixa de ser uma condição necessária e os riscos de se “escolher” um líder incompetente, duplicam.

Um líder incompetente ou de débil inteligência tenderá a sentir o seu ego e poder ameaçados pelos homens inteligentes que o rodeiam, procedendo diligentemente à substituição destes, por outros que se identifiquem com ele em “sabedoria ou inteligência”.

Estes pressupostos, facilmente nos levam à conclusão de que as Monarquias correm constantemente o risco de criar governos (ou representantes oficiais de um povo, como defendem os agora “modernos” monárquicos) impregnados de homens singularmente incompetentes.

Também nas sociedades modernas pouco me surpreenderá se assistir a este sistema gerador de incompetentes entre as segundas e terceiras gerações das “grandes” famílias capitalistas; neste caso, menos preocupante, pois a queda de determinado “império capitalista” familiar não provocará danos de maior, ou de longa duração, na sociedade.

Em Democracia, o sistema gerador de incompetentes, mais gravoso e de difícil resolução que conheço, estará, muito provavelmente, no seio dos partidos políticos. Este tipo de sistema surge dentro das máquinas partidárias sem que se dê por isso. É como um cancro não detectado em tempo útil, em que a esperança de cura se revela mínima. 

Diferentemente das Monarquias, os sistemas geradores de incompetentes (não gerando obrigatoriamente incompetentes), presentes nos partidos políticos, nem sempre decorrem de uma qualquer linhagem familiar.

Nas profundezas da génese dos partidos políticos, existem várias condições ideais, favoráveis ao surgimento e propagação destes sistemas.

Exponho aqui o que julgo serem cinco dessas condições:

 

“Lobbysta”: quando (não raras vezes) existe a intromissão nas decisões dos agentes políticos, por parte de grupos organizados, levando à nomeação directa de alguém, não pela sua competência mas sim pela sua fragilidade intelectual e moral;

- Emocional: os conhecidos “Jotas”, desde tenra idade, vão criando os naturais laços de amizade que justificam depois, em idade adulta, as abundantes nomeações “entre si” para funções dirigentes, nas mais variadas áreas da sociedade, sem que estejam minimamente qualificados para tal;

- Hereditário: apesar de apelidar esta condição de “hereditária”, aqui não estamos perante (como no caso das Monarquias) uma “hereditariedade literal” (por não ser uma condição “lei” assumida publicamente); trata-se antes de uma “hereditariedade emocional/condicional”, no sentido em que existe uma real “troca de cadeiras” entre familiares de políticos (sendo mais perceptível entre os familiares de distintos políticos);

- Mediático: a mediatização da política tem obrigado os agentes políticos de maior profundidade intelectual (também conhecidos por “estadistas”) a ceder os seus lugares de primeira fila, do teatro político, aos “artistas” (palhaços) do populismo demagógico e simplório que, com maior facilidade, conquistam espaço nesta nova era de “fast food” mediático;

- Casulo: esta condição, que casualmente decidi apelidar de “casulo”, consiste na barreira invisível que impede ou dificulta grandemente a entrada de novas pessoas e novas ideias nos partidos políticos. Qualquer norma que limite, seja de que forma for, a participação pacífica de um cidadão na actividade interna de um partido político, essa norma estará a castrar um direito que me parece fundamental em qualquer Democracia. A exclusão de todos os não-filiados nos actos eleitorais internos de um partido político, são prova chocante de violação das “regras” de uma Democracia.

Esta fobia (fobia dos “votos de sabotagem”, ou seja, “fobia” no seu sentido estrito), leva ao aumento das probabilidades de surgir a incompetência e a habitual cegueira. Assim como Tirésias vaticinou que Narciso teria vida longa desde que jamais contemplasse a própria figura, também os partidos, através deste “casulo” (qual Narciso!), não fazem outra coisa que não seja olhar-se ao espelho.

 
Porque existirão sempre excepções…É importante que olhemos para estas condições, em particular para as primeiras quatro, não com fatalidade, mas sim como POTENCIAIS geradoras de gente incompetente. Devendo, contudo, ser constantemente analisadas e tendencialmente extintas. 

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publicado às 08:55


 

 

 

 

 

 

 

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