Quinta-feira, 23.02.12

Georg Friedrich Haendel – Um dos maiores compositores do barroco alemão

por António Filipe às 00:01

No dia 23 de Fevereiro de 1685, nasceu, em Halle an der Saale, o compositor Georg Friedrich Haendel, que, tendo nascido na Alemanha, passou pela Itália e foi viver para Londres, onde foi objecto de elevadíssima estima do povo britânico. Foi consagrado como um dos maiores compositores do seu tempo.
O seu pai queria que ele fosse advogado. Contudo, ao observar o interesse do filho pela música, que estudava em segredo, mudou de ideias e dispôs-se a financiar o estudo da música. Assim, Haendel tornou-se aluno do principal organista de Halle e, aos dezassete anos, foi nomeado organista da catedral calvinista. Em 1703, foi para Hamburgo, onde foi admitido como violinista e clavicordista da orquestra da ópera e estreou a sua primeira ópera, Almira, em 1705. Depois de Hamburgo, deslocou-se até Itália, onde conheceu os grandes músicos do seu tempo: Corelli, Scarlatti e Pergolesi. Nesta altura já era considerado um génio. De Itália data o primeiro conjunto de "concerti grossi" do compositor. Em 1710 entra ao serviço da corte de Hanover, mas, no mesmo ano, foi convidado a ir para Londres, para escrever uma ópera (Rinaldo).
Como tinha compromissos com Hanover, pediu ao príncipe para fazer uma curta viagem a Londres. A autorização tardou, mas quando a obteve, foi para Londres para nunca mais voltar. Como é óbvio, o príncipe não ficou nada satisfeito e Haendel teria, mais tarde, problemas quando, por ironia do destino, o príncipe, que tão astutamente tinha enganado, ascendeu ao trono de Inglaterra. Em Londres, daria início a um período de 35 anos de grande sucesso na sua carreira. Recebeu a missão de criar um teatro real de ópera, que também viria a ser conhecido como a Royal Academy of Music. Foram escritas 14 óperas para essa academia, entre 1720 e 1728, o que conferiu a Haendel uma grande fama em toda a Europa. A partir de 1740, dedicou-se mais à composição de oratórias, entre as quais “O Messias” e “Judas Macabeu”.
Consagrado como um ídolo do panorama musical inglês, faleceu no dia 14 de Abril de 1759, em Londres, oito anos após ter ficado cego do olho esquerdo e, mais tarde, de ambos.


"Hallelujah", da oratória “Messias”, de Haendel
Academia de Música Antiga
Coro da Abadia de Westminster
Maestro: Christopher Hogwood
Quarta-feira, 22.02.12

João de Sousa Carvalho – Compositor português

por António Filipe às 00:01

No dia 22 de Fevereiro de 1745, nasceu, em Estremoz, o compositor João de Sousa Carvalho, uma das figuras mais relevantes da música portuguesa da segunda metade do séc. XVIII, destacando-se sobretudo no campo da ópera e da música religiosa. Depois de iniciar os estudos no Colégio dos Santos Reis em Vila Viçosa, ingressou no Conservatório de Santo Onofre a Capuana, em Nápoles, a expensas do rei D. José I, grande impulsionador da actividade operática na corte portuguesa. De regresso a Portugal ocupou o lugar de professor de contraponto e, mais tarde, de Mestre do Seminário da Patriarcal, onde viria a ter como alunos alguns destacados compositores da geração seguinte (António Leal Moreira, Marcos Portugal e João José Baldi, entre outros). Em 1778 sucedeu ao napolitano David Perez como professor de música dos Infantes e como compositor oficial da corte.
À semelhança da maior parte dos seus contemporâneos, Sousa Carvalho repartiu a sua actividade entre a música religiosa e a música dramática, usando em ambos os géneros uma linguagem estética muito semelhante. No domínio sacro, chegaram até nós 17 obras em manuscritos autógrafos, das quais fazem parte sete missas, três Te Deum, três salmos, um motete e a oratória “Isaco figura del Redentore”. A sua produção dramática inclui cinco óperas e dez serenatas, um género semi-operático, de dimensões reduzidas, que se executava em versão de concerto.
Grande parte da sua obra carece ainda de divulgação e estudo, mas pode dizer-se que, em geral, ela encontra fortes pontos de contacto com as tendências estéticas do pós-barroco, em especial com o chamado estilo galante, caracterizando-se por uma harmonia relativamente simples e uma fecunda inspiração melódica.
Sousa Carvalho morreu no Alentejo, em 1798.


Dueto da ópera "L'Amore Industrioso", de Sousa Carvalho
Agrupamento Americantiga
Maestro: Ricardo Bernardes
Solistas: Silvina Sadoly e Pablo Pollitzer
Terça-feira, 21.02.12

Andrés Segovia – “O pai da guitarra clássica”

por António Filipe às 00:01
No dia 21 de Fevereiro de 1893, nasceu em Linares, na Espanha, o guitarrista Andrés Segovia. Considerado pela maioria dos estudiosos de música como o pai da guitarra clássica, Segovia dizia que “resgatou a guitarra das mãos dos ciganos flamencos” e construiu um repertório clássico que permitiu ao instrumento ter um lugar nas salas de concerto.
O primeiro contacto de Segovia com a guitarra foi aos quatro anos de idade. O seu tio entoava-lhe canções, enquanto ele tocava uma guitarra imaginária. Isto entusiasmou Segovia a elevar a guitarra ao estatuto do piano e do violino. O sonho dele era que a guitarra fosse tocada e estudada em todos os países e universidades do mundo.

A primeira apresentação de Segovia foi em Espanha, quando tinha 16 anos. Poucos anos depois, deu o seu primeiro concerto profissional em Madrid, tocando transcrições de Tárrega e algumas obras de Bach, que ele próprio transcreveu. Em 1916, fez uma digressão pela América do Sul e, em 1924, apresentou-se em Paris e em Londres. Seguiu, depois, para várias outras cidades na Europa e na Rússia. Em 1935, estreou a “Chaconne”, de Bach, uma peça difícil para qualquer instrumento, e originalmente escrita para violino solo. Mudou-se para Montevideo, fazendo muitos concertos na América do Sul, nas décadas de 1930 e 40.
Depois da II Guerra, Segovia começou a gravar mais frequentemente e a fazer digressões regulares pela Europa e Estados Unidos. Em 1981, e em reconhecimento da sua enorme contribuição cultural, foi-lhe atribuído o título de Marquês de Salobreña. Morreu em Madrid, vítima de ataque cardíaco, no dia 3 de Junho de 1987, tendo concretizado o desejo de transformar a guitarra num instrumento de concerto.

“Astúrias”, da Suite “Cantos de Espanha”, de Albeniz
Guitarra: Andrés Segovia

Segunda-feira, 20.02.12

Ernest Ansermet - Matemático, físico e maestro suíço

por António Filipe às 00:01

No dia 20 de Fevereiro de 1969 faleceu o matemático, físico e maestro suíço Ernest Ansermet. Tinha nascido em Vevey, na Suiça, a 11 de Novembro de 1883. Apesar de ter nascido no seio de uma família com tradições musicais, os seus estudos focaram-se principalmente na matemática, e não propriamente na música. No entanto, ainda novo, estudou vários instrumentos, entre os quais o clarinete e o violino, e mais tarde, enquanto prosseguia os estudos na Sorbonne, frequentou cursos no Conservatório de Paris. No regresso à pátria começou por ser professor de matemática na Universidade de Lausanne, antes de se dedicar exclusivamente à música.
Estreou-se como maestro em 1910 e entre 1915 e 1923 foi maestro nos Ballets Russes de Diaghilev. Viajando pela França, encontrou-se com Debussy e Ravel, e pedia-lhes conselhos sobre a interpretação das suas obras. Durante a primeira guerra mundial encontrou-se com Stravinsky, que estava exilado na Suíça, e a partir deste encontro começou a sua associação com a música russa.
Fundou a Orquestra Nacional de Buenos Aires e, em 1918, a Orquestra de la Suisse Romande, da qual foi maestro até 1967. Fez várias tournées pela Europa e pela América e ficou famoso pelas suas precisas interpretações da música moderna, fazendo primeiras gravações de obras como o “Capriccio”, de Stravinsky, tendo o compositor como solista. Ansermet nunca concordou com o hábito de Stravinsky fazer revisões às suas obras e por isso tocou sempre as versões originais deste compositor. Era um homem enérgico, que defendia as suas opiniões com veemência. Ficou conhecido na Grã-Bretanha pelas suas discussões nos ensaios com as orquestras inglesas, cujos músicos estavam habituados ao estilo mais jovial de Sir Thomas Beecham ou à maneira mais introvertida de Sir Adrian Boult.
Foi sob a sua batuta que se estrearam diversas obras de Stravinsky, Satie, Prokofiev, Honegger e Frank Martin, entre outros. A sua última gravação, “O Pássaro de Fogo”, de Stravinsky, foi feita em Londres, com a Orquestra Nova Filarmonia e incluiu a gravação dos ensaios, em memória do maestro.


“La Valse”, de Ravel
Orquestra de La Suisse Romande
Maestro: Ernest Ansermet
Domingo, 19.02.12

Francisco Mignone - “O rei da valsa”

por António Filipe às 00:01

No dia 19 de Fevereiro de 1986, faleceu, no Rio de Janeiro, o compositor brasileiro Francisco Mignone, uma importante referência da música erudita do Brasil. Tinha nascido em São Paulo, no dia 3 de Setembro de 1897, filho de pais italianos recém-chegados ao Brasil. Iniciou os estudos de piano aos dez anos e, muito jovem, iniciou uma carreira musical cujas primeiras escolhas se centraram na música popular. A partir dos 13 anos, começou a apresentar-se como flautista e pianista em pequenas orquestras. Os seus estudos académicos em São Paulo foram continuados em Milão, para onde viajou em 1920. Durante algum tempo, compôs obras eruditas, assinando o seu próprio nome, e obras populares com o pseudónimo de “Chico Bororó”. A sua obra musical inclui numerosas canções, obras para piano, óperas, um ballet e obras de cunho nacionalista. Particular destaque têm as suas inúmeras valsas para piano, que levaram o seu amigo Manuel Bandeira a chamá-lo “o rei da valsa”. Compôs, ainda, várias obras para trios, quartetos e outros conjuntos instrumentais.
Em Milão, escreveu a sua primeira ópera, “O Contratador de Diamantes”. A primeira audição da “Congada”, uma peça orquestral dessa ópera, deu-se em 1924, no Rio de Janeiro, sob a batuta de Richard Strauss, com a Orquestra Filarmónica de Viena. Francisco Mignone regressou de Milão em 1929, fixando-se primeiro em São Paulo e, a partir de 1933, no Rio de Janeiro, onde foi professor no Instituto Nacional de Música. As décadas de 1930/1940 vêem surgir algumas das suas mais representativas obras: a “Sinfonia do Trabalho”, o “Maracatu do Chico-Rei”, “Festa das Igrejas” e “Leilão”. Fundamental é a sua obra vocal, com ou sem instrumentos, como o atestam as seis Missas e a oratória “Alegrias de Nossa Senhora”, com texto de Cecília Meireles.


Valsa 24, para piano, de Francisco Mignone
Piano: Alexandra Mascolo-David
Sábado, 18.02.12

Gustave Charpentier - Compositor francês

por António Filipe às 00:01

No dia 18 de Fevereiro de 1956, morreu, em Paris, o compositor francês Gustave Charpentier.
Filho de um padeiro, nasceu a 25 de Junho de 1860, em Dieuze, na Lorena, mas deixou a região natal, com a família, depois da guerra franco-prussiana de 1870. Na cidade de Tourcoing, perto de Lille, cursou violino e harmonia na Escola das Belas Artes e foi o município dessa cidade que lhe ofereceu uma bolsa para continuar os estudos no Conservatório de Paris. Aí, foi aluno de Émile Pessard e de Jules Massenet.
Preocupado com as questões sociais, Charpentier foi o fundador do Conservatório Popular Mimi Pinson, destinado à educação artística gratuita das jovens operárias, e da Federação dos Artistas Músicos, organismo sindical dos músicos de Paris. Mas no plano musical tinha igualmente talento e personalidade fortes. Diga-se, por exemplo, que a sua obra ‘A Coroação da Musa’, que compôs na juventude e, então, não mereceu grande sucesso, viria a ser executada nas comemorações do bi-milenário de Paris e Montmartre, com 1250 intérpretes em cena e apresentada por ele próprio, aos 91 anos.
Em 1887, ganhou o Grande Prémio de Roma com a cantata Didon.
Tendo sido compositor de música que, por vezes, era intencionalmente excêntrica, a sua obra é principalmente associada à criação de ‘A Coroação da Musa’, um espectáculo que tinha Montmartre por cenário, e à ópera ‘Louise’, considerada a sua obra-prima e de que veio a ser feita uma versão cinematográfica.


Ária “Depuis le jour”, da ópera “Louise”, de Gustave Charpentier
Soprano: Renée Fleming
Sexta-feira, 17.02.12

Marcos Portugal – Compositor português

por António Filipe às 00:01

No dia 17 de Fevereiro de 1830, morreu, no Rio de Janeiro, o compositor português Marcos Portugal.
Marcos António da Fonseca Portugal nasceu em Lisboa, no dia 24 de Março de 1762. Estudou com o compositor João de Sousa Carvalho, no Seminário Patriarcal, a única escola de música que, naquela altura, existia em Lisboa. Começou a sua carreira como compositor de ópera, em 1786, quando foi designado maestro do novo Teatro Salitre de Lisboa. Durante os seis anos em que ocupou o lugar, compôs uma série de óperas portuguesas. O seu estilo de composição baseava-se nas óperas de Cimarosa e de outros compositores italianos daquele tempo. Em 1792 Marcos Portugal viajou até Itália, graças a uma bolsa de estudo concedida pela Coroa Portuguesa. Mas, em vez de estudar, Marcos Portugal compôs uma série de óperas para teatros italianos, o que, em poucos anos, lhe trouxe reconhecimento como um dos principais compositores de ópera do seu tempo.
Quando regressou a Lisboa, em 1800, para assumir o cargo de director do Teatro de São Carlos e mestre de capela da Capela Real, Marcos Portugal estava no auge da sua carreira, com as suas óperas a serem aplaudidas em todos os principais teatros europeus. Em 1807, a família real fugiu para o Rio de Janeiro, em consequência da primeira invasão napoleónica. Em 1811 foi a vez de Marcos Portugal ir para o Brasil. Durante os anos que passou no Rio de Janeiro, dedicou-se, principalmente, à composição de música sacra.


“Christe e Kyrie”, de “Missa Grande”, de Marcos Portugal
Agrupamento e Coro l'Echelle

Quinta-feira, 16.02.12

Carlos Paredes - “O homem dos mil dedos” - Mestre da guitarra portuguesa

por António Filipe às 00:01

No dia 16 de Fevereiro de 1925, nasceu, em Coimbra, o compositor e o mais virtuoso dos guitarristas portugueses Carlos Paredes, a quem chamaram “o homem dos mil dedos”.
Influenciado pela música de câmara da Renascença e pelo fado de Coimbra, desenvolveu ao longo dos anos um estilo pessoal que, a partir da tradição e apoiado no vigor de execução, mitificou um instrumento: a guitarra portuguesa.
O bisavô já tocava guitarra. O avô Gonçalo também. E o pai, Artur Paredes, foi um dos mais importantes renovadores da guitarra portuguesa em Coimbra na primeira metade do séc. XX. Neste ambiente cresceu Carlos Paredes, que, pela vida fora, fez da guitarra portuguesa mais um membro do seu próprio corpo, mais um corpo da portugalidade genuína.
“A minha mãe achava que eu tinha bom ouvido e sugeriu ao meu pai que eu fosse aprender violino. O meu pai - homem de bom gosto - disse: ‘Não vai nada. Só valeria a pena estudar violino se ele fosse como o Heifetz.’”
O facto é que o jovem Carlos ainda estudou violino, por volta dos dez anos de idade, mas tinha a escola da guitarra em casa e o mestre no seu próprio pai. Esta tradição familiar com quase dois séculos levou Carlos Paredes a aprofundar os seus estudos sobre um instrumento que, durante toda a sua vida, considerou "menor", limitado, e ao qual procurou acrescentar inovações que o tornassem completo, mas com pouco sucesso
Homem de extrema modéstia, recusou ser profissional da guitarra, dizendo que gostava demasiado da música para viver à custa dela e intitulando-se um simples “músico popular urbano”. Os críticos e especialistas dedicaram-lhe um outro adjectivo: “genial”.
Paredes defendia que a guitarra portuguesa é um instrumento que não está estudado, que se toca bastante ao sabor da improvisação. A propósito desta mesma improvisação, afirma que, para ele, tocar é improvisar sempre um pouco. "É como falar com alguém. É possível que a guitarra também fale... O improviso é o momento em que se cria qualquer coisa".
Tentou acrescentar mais uma corda à guitarra: "Fiz tentativas nesse sentido - comecei-as há 5 anos e, de vez em quando, ainda me entretenho com elas. Para conseguir uma afinação idêntica à do alaúde bastaria acrescentar à guitarra portuguesa mais uma corda grave porque é um instrumento com muitas deficiências de baixo. Fiz uma experiência acrescentando-lhe um Mi grave. Simplesmente, acontece que essa corda desequilibra o instrumento, que parece já ter atingido a sua forma definitiva".
Sempre num registo de humildade, o guitarrista considera que as próprias limitações da guitarra portuguesa o levam a compor e executar uma "música menor", por comparação com a "música maior" que diz ser a música clássica ou erudita. "A guitarra não é de modo nenhum essencial na música portuguesa. Como já disse, não é, na sua origem, portuguesa. O que com ela se interpreta de mais característico é o fado”.
"Quando eu morrer, morre a guitarra também. O meu pai dizia que, quando morresse, queria que lhe partissem a guitarra e a enterrassem com ele. Eu desejaria fazer o mesmo. Se eu tiver de morrer."
Carlos Paredes morreu em Lisboa, no dia 23 de Julho de 2004. A guitarra não foi enterrada com ele. E ainda bem.

Verdes anos, de Carlos Paredes
Guitarra: Carlos Paredes

Movimento Perpétuo, de Carlos Paredes
Guitarra: Carlos Paredes

Quarta-feira, 15.02.12

Mikhail Glinka – O “pai” da música russa

por António Filipe às 00:01

No dia 15 de Fevereiro de 1857, morreu, em Berlim, o compositor Mikhail Ivanovich Glinka, nascido a 1 de Junho de 1804, em Novospasskoye, na Rússia. Foi o primeiro compositor russo a ser reconhecido fora do seu país e é, geralmente, considerado o “pai” da música russa. O seu trabalho teve grande influência nos compatriotas que se lhe seguiram, sendo de sublinhar que inspirou o grupo de compositores que se celebrizou como “Grupo dos Cinco” a unirem-se na criação de música baseada na cultura russa, donde resultou a fundação da Escola Nacionalista Russa.
A sua formação musical foi bastante irregular. Só veio a sistematizá-la a partir de 1828, quando, por motivo de saúde, viajou para a Itália. Durante os três anos que passou em terra italiana, amadureceu o seu antigo projecto de criar uma música nacional russa. De passagem por Berlim foi fortemente estimulado pelo exemplo de Weber, que havia criado uma ópera caracteristicamente alemã.
De volta à Rússia, em pouco tempo compõe a ópera “A vida pelo czar”, cujo enredo se passa durante a guerra russo-polaca de 1635. A ópera obtém um sucesso triunfal. Os seus coros e danças autenticamente populares e o patriotismo do libreto assinalam o começo de uma escola musical genuinamente russa. Animado pelo sucesso, Glinka escreve outra ópera, “Russlan e Ludmila”, baseada no poema homónimo de Alexander Pushkin. Desta vez utiliza o orientalismo procedente das regiões fronteiriças com a Ásia. Apesar do interesse exótico e da estrutura operística mais sólida, a obra foi menos aplaudida que “A vida pelo czar”, que até hoje é muito representada na Rússia, sob o título de Ivan Sussanin. Compôs a “Canção Patriótica”, que foi postumamente usada como o hino da Rússia durante os anos de 1991 a 2000, que, apesar de ser uma canção conhecida e aprovada pelo povo, actualmente é considerada pelos russos que viveram no período pós-soviético como uma melodia que faz lembrar os "desastrosos" anos em que Boris Ieltsin estivera no poder, sendo vulgarmente chamada “Canção da Oligarquia”.
Em 1852, Glinka visitou Paris, onde passou dois anos vivendo serenamente e fazendo visitas frequentes aos jardins botânico e zoológico. Depois, mudou-se para Berlim, onde, cinco meses depois, morreu repentinamente, depois de uma constipação. Foi sepultado em Berlim, mas, alguns meses mais tarde, o seu corpo foi levado para S. Petersburgo e enterrado no cemitério do Mosteiro Alexander Nevsky.


Abertura da ópera “Russlan e Ludmilla”, de Glinka
Orquestra do Teatro Mariinsky
Maestro: Valery Gergiev
Terça-feira, 14.02.12

Michel Corboz – Maestro suíço

por António Filipe às 00:01

No dia 14 de Fevereiro de 1934, nasceu, em Marsens, na Suíça, o maestro Michel Corboz. Frequentou a École Normale, de Fribourg, onde estudou canto e composição. Em 1953, tornou-se director de música de igreja, em Lausanne. O seu conhecimento e paixão pela voz levaram-no a dirigir as obras inspiradas por ela: coros e a capella, cantatas e oratórias. Em 1961, fundou o Agrupamento Vocal de Lausanne, com o qual gravou e fez várias digressões. As distinções e as críticas favoráveis na imprensa, pela sua gravação de “Vésperas” e “Orfeu”, de Monteverdi, em 1965 e 66, marcaram o início da sua carreira internacional.
Em 1969 Michel Corboz foi nomeado Maestro Titular do Coro Gulbenkian. Pela sua reconhecida competência, foi solicitado a ficar, sucessivamente, durante os anos seguintes. Dirigindo o Coro Gulbenkian, realizou um grande número de concertos e gravações de obras de carácter coral-sinfónico, tendo assim colocado em destaque as qualidades raras e fundamentais deste coro. A partir de 1976, é professor no Conservatório Superior de Música de Genebra. Em 1990, foi-lhe atribuído o Grande Prémio da Cidade de Lausanne. Recebeu o Prémio da Crítica, na Argentina, em 1995 e 96. A República Francesa honrou-o com o título de Comandante da Ordem das Artes e Letras. Em 1999, foi condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique, pelo Presidente da República Portuguesa. Já então tinha mais de 100 títulos gravados, muitas vezes galardoados por várias academias internacionais do disco. Da música sacra à ópera, muitas das suas gravações são com o Coro Gulbenkian e com intérpretes portugueses.


Excerto da Missa em si menor, de Johann Sebastian Bach
Agrupamento Vocal e Instrumental de Lausanne
Maestro: Michel Corboz

Segunda-feira, 13.02.12

Richard Wagner - Maestro, teórico musical, ensaísta, poeta e compositor alemão

por António Filipe às 00:01

No dia 13 de Fevereiro de 1883, morreu, em Veneza, o compositor alemão Richard Wagner, um dos mais influentes compositores da música erudita. Tinha nascido no dia 22 de Maio de 1813, em Leipzig, cidade talismã da grande música. Foi compositor, maestro, teórico musical, ensaísta e poeta. Na música, foi um dos expoentes do romantismo.
Era um homem de personalidade egocêntrica e teve uma vida turbulenta e ideias radicais, não só quanto à música, mas também em assuntos tão diversos como a religião e a pureza racial.
Tendo-se apropriado do dinheiro e das mulheres dos seus amigos como se a sua condição de génio tudo permitisse, Wagner viveu em mais de uma dúzia de cidades da Europa, por vezes fugido de credores impacientes ou governos enfurecidos. Era anti-semita e xenófobo fanático e os seus caóticos panfletos viriam a ser muito admirados pelo ditador Adolf Hitler.
Apesar deste carácter controverso, teve um papel primordial na cultura europeia do séc. XX. Revolucionou a ópera, que com ele passou a ser o chamado “drama musical”. Combinação perfeita de música, poesia, dança e artes visuais, Wagner enriqueceu, como poucos, este género musical. Mas a produção wagneriana não se limitou à ópera, tendo conseguido excelentes obras no domínio da música orquestral e em particular da música de câmara.


Prelúdio da ópera "Tristão e Isolda", de Wagner
Orquestra Sinfónica de Boston
Maestro: Leonard Bernstein
Domingo, 12.02.12

Hans von Bülow - Maestro, pianista e compositor alemão

por António Filipe às 00:01

No dia 12 de Fevereiro de 1890, morreu, no Cairo, o maestro, pianista e compositor alemão Hans von Bülow. Tinha nascido a 8 de Janeiro de 1830, em Dresden, na Alemanha. Virtuoso pianista, foi um dos mais famosos maestros do século XIX. Entre 1887 e 1892 foi director artístico e maestro titular da Filarmónica de Berlim. Em 1848 entrou para a Universidade de Leipzig para estudar Direito, porém, ao assistir a uma representação da ópera Lohengrin, de Richard Wagner, dirigida por Liszt, decidiu tornar-se músico profissional. Foi para Zurique, e encontrou Wagner, de quem recebeu conselhos essenciais sobre direcção de orquestra. Entre 1851 e 1853 estudou piano com Franz Liszt, em Weimar. No período de 1855 e 1864 ocupou a cátedra principal de piano no Conservatório Stern em Berlim e, em 1867, assumiu a direcção do Conservatório da Baviera.
Bülow, que construíra fama como pianista e também como maestro, veio a ser o solista na primeira execução do Concerto nº 1 para piano e orquestra de Tchaikovsky, em 1875, em Boston. Em apenas dois anos apresentou 139 concertos, apenas nos Estados Unidos. Como compositor, é mais conhecido pelas suas paráfrases e transcrições de óperas de Gluck, Verdi, e Wagner, incluindo a primeira transcrição para piano da ópera “Tristão e Isolda”, de Wagner. É de sua autoria a conhecida frase: "Os três grandes ‘Bs’ da música", fazendo referência a Bach, Beethoven e Brahms.
A partir de 1890 a sua saúde física e mental começou a deteriorar-se, devido a um tumor do nervo cervical radicular. Esperando uma melhoria na sua saúde, viajou para o Egipto em 1894, tendo vindo a falecer, no Cairo, poucos dias depois da chegada.


Abertura da ópera “Tannhäuser”, de Wagner
Arranjos para piano a 4 mãos de Hans von Bülow
Piano: Katrijn Simoens e John Gevaert
Sábado, 11.02.12

Sir Alexander Gibson – Maestro escocês e cavaleiro de Sua Majestade

por António Filipe às 00:01

No dia 11 de Fevereiro de 1926 nasceu, em Motherwell, o maestro escocês Alexander Gibson. Embora a sua família tivesse muito pouco a ver com música, o pequeno Alex, desde muito cedo, tinha o hábito de, aos Sábados à noite, ir, com alguns amigos, assistir às actuações da Orquestra da Escócia, em Glasgow. Começou por estudar música na Royal Scottish Academy of Music e, aos 17 anos, já era organista numa igreja da vizinhança. Licenciou-se em Literatura Inglesa e Música, na Universidade de Glasgow.
Entre 1944 e 1948 cumpriu o serviço militar, sendo pianista na Royal Signals Band, onde também fazia arranjos de concertos de Mozart, Beethoven, Schumann, Grieg e Rachmaninov. Em 1948 deixou a vida militar e, pouco tempo depois, ganhou uma bolsa de estudo para frequentar a Royal College of Music, onde lhe disseram que não podia frequentar as aulas de direcção de orquestra, por não ter conhecimentos teóricos suficientes. Como resposta, Gibson formou a sua própria orquestra e, subsequentemente, as autoridades da Universidade reconheceram o seu enorme talento.
Em 1952, foi nomeado maestro assistente da Orquestra Escocesa da BBC, onde permaneceu durante dois anos. Em 1959 foi-lhe oferecido o cargo de maestro da Orquestra Nacional da Escócia. Depois de uma noite sem dormir, a contrapor os prós e os contras desse passo, decidiu aceitar o cargo. Na manchete do jornal “The Scotsman” lia-se: “A Orquestra Nacional da Escócia tem um novo maestro. E é escocês!”. Sob a batuta de Alexander Gibson, a orquestra atingiu reputação internacional e, em 1975, tornou-se a primeira orquestra inglesa, fora de Londres, a fazer uma digressão pela América do Norte.
De 1981 a 1983, foi o maestro principal da Orquestra Sinfónica de Houston, no Texas. Durante a sua carreira deu vários concertos, com as principais orquestras inglesas, pela Europa, Austrália, América, Hong Kong e Japão. Ganhou um grande número de prémios por esse mundo fora e é Doutor “Honoris Causa” de várias universidades. Fez um notável trabalho em prol da ópera no Reino Unido, o que lhe valeu, para além de ter recebido a Ordem do Império Britânico e recebido o título de Sir, ter sido dado o seu nome à primeira escola de ópera britânica e colocado o seu busto no Teatro Real de Glasgow. Fundou a Ópera Escocesa, em 1962, e foi seu director até 1986. No ano seguinte, foi nomeado director honorário e conservou esse lugar até que morreu, no dia 14 de Janeiro de 1995, devido a complicações, depois de ter sofrido um ataque cardíaco. Tinha 68 anos.


Capricho Italiano, op. 45, de Tchaikovsky
Nova Orquestra Sinfónica de Londres
Maestro: Sir Alexander Gibson

Sexta-feira, 10.02.12

Leontyne Price – "A primeira soprano afro-americana digna de registo"

por António Filipe às 00:01

No dia 10 de Fevereiro de 1927 nasceu em Laurel, no Mississippi, a soprano norte-americana Leontyne Price.
Com uma carreira iniciada na 2ª metade do século XX, tornou-se numa das mais admiradas sopranos, com um desempenho particularmente brilhante no papel de Aida, da ópera homónima, de Verdi, que cantou durante 30 anos e com o qual fez a despedida operática, em 1985, no Metropolitan Opera House, em Nova Iorque. E não se pense que lhe foi fácil chegar ao estrelato! A cor da pele pode não influenciar as cordas vocais mas entope os neurónios de muito boa gente. Quando ela nos é apresentada como "a primeira soprano afro-americana digna de registo", isso não só revela as qualidades de Leontyne Price, como nos diz bastante do que se passou até então.
Teve uma educação musical num programa de apenas membros negros no Wilberforce College, em Wilberforce, Ohio. Teve muito sucesso em clubes, onde cantava solo e foi encorajada a continuar os seus estudos de canto. Com a ajuda de Chisholm e do famoso baixo Paul Robeson, entrou na Escola Juilliard em Nova Iorque.
A sua primeira actuação importante aconteceu em 1952, numa produção estudantil da ópera Falstaff, de Verdi. Na primavera de 1955, no Carnegie Hall, teve uma audição com o maestro Herbert von Karajan, que a devlarou "uma artista do futuro" e a convidou para cantar Salome, no La Scala, convite que ela recusou. Em 1956 e 1957, Price fez recitais nos Estados Unidos, Índia e Austrália.
A sua estreia numa sala de ópera foi em São Francisco, a 20 de Setembro de 1957, como Madame Lidoine, na estreia americana da ópera “Dialogues des Carmélites”, de Francis Poulenc. Poucas semanas depois, quando a soprano italiana Antonietta Stella sofreu de apendicite, Price foi chamada para cantar Aida (papel que a imortalizou). No ano seguinte, foi convidada, novamente por Karajan, para fazer sua estreia europeia, cantando Aida na Ópera do Estado de Viena, a 24 de Maio de 1958. Ainda em 1958, apareceu como Aida na sua estreia no Royal Opera House, Convent Garden, em Londres e na Arena de Verona. Em 1959 voltou a Viena, novamente com Aida, mas, desta vez, cantando também na ópera “A Flauta Mágica”, de Mozart. No dia 21 de Maio de 1960, apresentou-se no La Scala, novamente com Aida. Foi a primeira afro-americana a ter um papel principal numa companhia de ópera italiana.
Plácido Domingo referiu-se a ela como “a mais bela voz de soprano que já ouvi a interpretar Verdi".

No dia 19 de Novembro de 1997, com setenta anos, cantou num recital na Universidade da Carolina do Norte, no Chapel Hill. Em Outubro de 2001, já com setenta e quatro anos, cantou num concerto em memória dos ataques de 11 de Setembro, no Carnegie Hall, em Nova Iorque. Com James Levine no piano, cantou o seu espiritual favorito "This Little Light of Mine", seguido de "God Bless America".
Actualmente, Leontyne Price vive em Greenwich Village, em Nova Iorque.


Ária " O Patria Mia ", da ópera “Aida”, de Verdi
Soprano: Leontyne Price
Quinta-feira, 09.02.12

Coisas que irritam os piegas como eu

por António Filipe às 17:30

Ontem dirigi-me a um edifício público, no Fundão, para pagar uma taxa, a pedido de uma pessoa amiga, que se encontra no estrangeiro.
Havia 5 ou seis funcionárias ao balcão, sentadas em frente a um computador. Não estavam a olhar para o computador (talvez tivessem a mão direita no rato, mas nisso não reparei porque tinham as mãos atrás do balcão). Na parte de trás da sala estava um funcionário a mexer nalguns papéis ao mesmo tempo que ia mexendo no rato do computador e olhando para o monitor. Parecia estar a trabalhar. As funcionárias que estavam sentadas atrás do balcão estavam todas a ouvir uma outra senhora que estava do lado de fora (o lado dos clientes). Só cheguei à conclusão de que esta não era cliente quando me apercebi que a conversa (monólogo, pois as outras limitavam-se a ouvir e a acenar com a cabeça) girava à volta de ter mudado de gabinete e de andar. Dizia que agora estava num andar superior, o que lhe dava oportunidade de fazer mais exercício. Depois começaram a falar sobre transferências bancárias e a senhora que parecia cliente, mas, afinal, era funcionária da casa, embora num andar superior, informou as outras que nunca optaria por esse método de pagar as contas, porque, caso tivesse direito a alguma devolução de dinheiro, demoraria meses a recebê-la.
Como já tinha aprendido alguma coisa e, sendo eu o único cliente, decidi dirigir-me à primeira senhora atrás do balcão e, apresentando um aviso de pagamento, disse:
"Bom dia. Era para pagar este aviso."
A senhora pegou no papel, olhou para ele e, após alguns segundos, perguntou:
"É para pagar?"
Já não posso precisar se disse que sim ou se, simplesmente, acenei com a cabeça, num gesto de concordância.
A senhora fez qualquer coisa no computador e disse-me que precisava do número de contribuinte da pessoa que constava do aviso. Ao que eu respondi que não sabia, explicando que a pessoa em causa se encontrava no estrangeiro e, caso fosse mesmo necessário o número de contribuinte, não poderia pagar. A funcionária começou então a vasculhar no computador e, ao que parece, a máquina sabia o número de contribuinte, porque, depois de algum tempo, foi-me entregue um recibo no valor de 5 euros. Eu peguei numa nota desse valor e, naturalmente, ia entregá-la à senhora, quando esta me disse que o pagamento não era com ela e que teria de me dirigir à colega que se encontrava no mesmo balcão, um pouco mais à minha direita. Eu assim fiz. Peguei no recibo e na nota e lá fui eu à outra funcionária que, recebendo o dinheiro, carimbou o recibo.
Missão cumprida!
Ah! Já me ia esquecendo de dizer que, entretanto, a tal senhora que parecia cliente, mas, afinal, era funcionária, já tinha desaparecido. Provavelmente tinha ido fazer exercício. Teria que subir 3 ou 4 andares e a hora de almoço aproximava-se a passos largos.

Será que estou a ser piegas?
Talvez, mas há coisas que me irritam...


Burocracia

 

Franz Anton Hoffmeister – Editor de música e compositor austríaco

por António Filipe às 00:01

No dia 9 de Fevereiro de 1812 morreu, em Viena, o compositor austríaco Franz Hoffmeister. O seu nome foi injustamente votado ao ostracismo pelo curso da história, mas merecia uma reavaliação, dada a qualidade criativa das suas obras.
Nasceu em Rothenburg am Neckar, na Áustria, no dia 12 de Maio de 1754. Com apenas 14 anos foi estudar direito para Viena, mas envolveu-se de tal modo na rica e variada vida musical dessa cidade que, depois da licenciatura, decidiu dedicar-se à música. Em 1780 já se tinha tornado num dos compositores mais populares de Viena, com um repertório muito extenso e variado.
Activo no âmbito do universo vienense da segunda metade do séc. XVIII, Hoffmeister viria a ser conhecido sobretudo como editor de música, a ele se devendo a fundação da, ainda hoje existente, editora C. F. Peters. Mas também se relacionou com os grandes génios musicais do seu tempo, com destaque para Mozart, de quem foi um fiel amigo, e, também, Haydn, Dittersdorf e Beethoven, que se referia a ele como um “verdadeiro irmão na arte da música”.


1º andamento da Sinfonia Concertante em mi bemol maior, de Hoffmeister
Südwestdeutsches Kammerorchester Pforzheim
Solistas em clarinete: Dieter Klöcker e Giuseppe Porgo
Quarta-feira, 08.02.12

John Williams – Compositor americano

por António Filipe às 00:01

No dia 8 de Fevereiro de 1932, nasceu, em Long Island, Nova Iorque, o compositor americano John Williams. Considerado por muitos o maior compositor vivo, foi, quando jovem, pianista de jazz em Nova Iorque, mas notabilizou-se depois de se mudar para Los Angeles, onde foi trabalhar para a indústria cinematográfica.
Compôs música para mais de 100 filmes, na grande maioria sucessos estrondosos do cinema. Poderíamos começar em Indiana Jones, Guerra das Estrelas, Parque Jurássico ou Super-homem, e iríamos até Nascido a 4 de Julho, Nixon, 7 Anos no Tibete, Amistad ou A Lista de Schindler. Mas seria demasiado longa a enumeração do rol de grandes bandas sonoras que John Williams compôs, por encomenda dos principais realizadores do cinema.
Para além de ser a personalidade que mais nomeações recebeu para os óscares de Hollywood, recebeu, pela sua música, mais de 40 óscares e galardões como os Emmys, os Grammys ou os Globos de Ouro – e ainda numerosos discos de ouro e platina.
Não se esgota no cinema, porém, a vasta obra deste compositor. Na música erudita, compôs diversos concertos orquestrais, sendo os mais famosos os que escreveu para instrumentos de sopro e orquestra e para violoncelo e orquestra.
Em 1980, foi nomeado maestro de uma das mais célebres orquestras do mundo, a Orquestra Pops de Boston. E quando, por sua vontade, se retirou, em Dezembro de 1993, passou a ser maestro honorário residente daquela prestigiada orquestra, com mais de 120 anos de existência.
No dia 19 de Julho de 1996 a cidade americana de Atlanta celebrou a abertura dos Jogos Olímpicos, comemorando ao mesmo tempo os 100 anos das Olimpíadas da Era Moderna. O hino encomendado para esse evento foi composto por John Williams e chamou-se “Summon the heroes”.


Summon the Heroes (tema dos Jogos Olímpicos de Atlanta-1996), de John Williams
Maestro: John Williams

Terça-feira, 07.02.12

Stuart Burrows - Tenor

por António Filipe às 00:01

No dia 7 de Fevereiro de 1933, nasceu, no País de Gales, o tenor britânico Stuart Burrows. Considera que o ponto mais alto da sua carreira foi a participação no Festival de Atenas, interpretando o "Oedipus Rex”, de Stravinsky, por designação do próprio compositor. A verdade é que, 29 anos depois da sua estreia na Royal Opera House, em 1967, Burrows tinha-se afirmado como um dos maiores cantores líricos do mundo.
Foi aclamado nas maiores salas de ópera de todo o mundo – da ópera de San Francisco, ao Teatro Cologne de Buenos Aires, à Ópera de Paris ou à Ópera Estatal de Viena, protagonizando os principais papéis de Mozart a Donizetti, de Puccini a Berlioz. Como intérprete convidado, fez digressões com a Royal Opera no Extremo Oriente e no Japão e cantou nas cerimónias dos Jogos Olímpicos de 1984 em Los Angeles.
Familiarizado com os palcos mais exigentes, interpretou papéis de protagonista na Brahmsaal de Viena (considerada a mais importante sala de concerto da Europa), no Teatro La Scala de Milão, no Carnegie Hall e no Metropolitan de Nova Iorque. Com a orquestra do Met, como convidado, fez várias digressões pela América.
Também para a televisão Burrows foi muito solicitado. Fez programas para estações do Canadá, Irlanda, Finlândia, Bélgica, Austrália e França, onde cantou o Requiem de Berlioz, sob a direcção de Bernstein. A BBC dedicou-lhe um programa semanal que, ao longo de 8 anos, teve uma audiência de oitenta milhões de espectadores.


Ária “Il mio tesoro”, da ópera “Don Giovanni”, de Mozart
Tenor: Stuart Burrows
Maestro: Colin Davis
Royal Opera House, Covent Garden, Londres
Segunda-feira, 06.02.12

Claudio Arrau - o “Paganini do piano”

por António Filipe às 00:01

No dia 6 de Fevereiro de 1903, nasceu, em Chillán, no Chile, o pianista Claudio Arrau. Nasceu chileno e viria a naturalizar-se norte-americano, este grande intérprete dos compositores clássicos, dos românticos e dos impressionistas. Filho de um oftalmologista e de uma professora de piano, é conhecido pelas suas interpretações de um vasto repertório, abrangendo compositores desde o barroco até ao séc. XX e é considerado um dos maiores pianistas do século passado. Deu o seu primeiro concerto aos cinco anos e, aos sete, com a ajuda de uma bolsa de estudo dada pelo governo chileno, foi estudar para a Alemanha, no Conservatório Stern, de Berlim. O maestro Martin Kraus, seu professor, referiu-se a ele dizendo: “Este menino vai ser a minha obra-prima”. Aos 11 anos já tocava os Estudos Transcendentais, de Liszt, considerada uma das mais difíceis obras para piano. Com essa idade também já tocava as Variações Paganini, de Brahms.
A Europa e os Estados Unidos “apropriaram-se” do virtuosismo e da profundidade com que estudou e interpretou Brahms, Chopin, Schumann e Beethoven (este o compositor que mais preencheu o seu repertório), mas também outros grandes mestres, designadamente românticos. Só em 1984, numa sequência de recitais comemorativos dos seus 80 anos, voltou a tocar no Chile.
Estreia em Berlim aos 14 anos de idade, carreira internacional iniciada aos 18, vencedor do Prémio Internacional de Genebra em 1927… Mas muito mais: recebeu, da Orquestra Filarmónica de Berlim, a medalha Hans von Bülow, em 1980; a Légion d’Honeur, em França; o Prémio da Música da UNESCO; a Medalha Beethoven em Nova Iorque, o grau de Doutor Honoris Causa da Universidade de Oxford; e o Prémio Nacional de Arte do Chile, em 1983.
Aos 20 anos, deu os seus primeiros concertos nos Estados Unidos, tendo, a partir dessa altura, conquistado fama mundial. Fundou, no Chile, em 1940, uma escola de piano que se tornou muito conhecida.
Veio a falecer no dia 9 de Junho de 1991, em Mürzzuschlag, na Áustria, mas os seus restos mortais encontram-se na sua cidade natal, no Chile.
 


3º andamento da Sonata op. 57 "Appassionata", de Beethoven
Piano: Claudio Arrau
Domingo, 05.02.12

Jacques Ibert – Compositor francês

por António Filipe às 00:01

No dia 5 de Fevereiro de 1962, faleceu, em Paris, o compositor francês Jacques Ibert. Tinha nascido, na mesma cidade, a 15 de Agosto de 1890. Começou a estudar música aos 4 anos, primeiro violino e, depois, piano. Foi na capital francesa que fez os seus estudos no Conservatório, de 1910 a 1914. Logo a seguir à 1ª grande guerra, em 1919, foi distinguido com o 1º Grande Prémio de Roma, pela sua obra “Le Poète et la Fée”. Este prémio permitiu-lhe continuar os estudos em Roma.
Durante a 2ª Guerra, Ibert passou tempos difíceis. Em 1940, a sua música foi banida pelo governo de Vichy e teve que se retirar para Antibes, no sul da França, e, mais tarde, para a Suíça. Em Agosto de 1944, regressou à cena musical da França, quando o General de Gaulle o chamou para Paris.
Durante quatro décadas, desde 1936 até que morreu, ocupou importantes cargos de direcção musical e artística: Director da Academia Francesa, na Villa Médici, em Roma, da Agregação dos Teatros Líricos Nacionais (que incluía a Ópera de Paris e a Opéra-Comique) e da Academia das Belas Artes.
Tendo composto mais de 60 peças para o cinema, músicas para teatro, bailado e ópera, Ibert foi um contemporâneo que cultivou e representou a tradição da arte francesa, com música eivada de elegância e humor, mas escrita com seriedade e rigor.


Flautista: James Galaway
Royal Philharmonic Orchestra
Maestro: Charles Dutoit
Sábado, 04.02.12

Erich Leinsdorf – Maestro austro-americano

por António Filipe às 00:01

No dia 4 de Fevereiro de 1912 nasceu em Viena o maestro austro-americano Erich Leinsdorf. Aos 5 anos já estudava música no Mozarteum de Salsburgo e, mais tarde, na Universidade de Viena e na Academia de Música de Viena. Dirigiu, em concertos e gravações, as principais orquestras da Europa e dos Estados Unidos e, entre 1934 e 1937 trabalhou como assistente de Bruno Walter e Arturo Toscanini, no Festival de Salsburgo. A partir de 1938, foi maestro no Metropolitan Opera de Nova Iorque, sendo particularmente notável nas suas interpretações de Wagner. Em 1942 naturalizou-se americano e, a partir de 1943, foi Director Musical da Orquestra de Cleveland, durante 3 anos, mas a maior parte do tempo estava ausente, porque foi chamado para o exército dos Estados Unidos, durante a 2ª guerra mundial. Depois disso a orquestra não renovou o seu contrato.
Em 1962, Erich Leinsdorf foi nomeado Director Musical da Orquestra Sinfónica de Boston, produzindo muitas gravações para a RCA. A sua estadia nesta orquestra foi marcada pela controvérsia, por, ocasionalmente, entrar em conflito, tanto com os músicos, como com a administração. Em 1967 dirigiu a Orquestra Sinfónica de Boston num programa televisivo de grande audiência e impacto na América, intitulado “Uma Tarde em Tanglewood”, no qual, com o violinista Itzhac Perlman, lançou na NBC a ideia de um grande canal comercial de televisão transmitir regularmente concertos de longa duração.
Em várias ocasiões as interpretações de Leinsdorf foram interrompidas por acontecimentos históricos. Um exemplo disso foi a actuação com a Orquestra Sinfónica de Boston, no dia 22 de Novembro de 1963, que o maestro teve que interromper para dar a notícia do assassinato de John Kennedy. A Orquestra tocou, então, a Marcha Fúnebre, da Sinfonia nº 3, de Beethoven, que não estava no programa. Erich Leinsdorf morreu de cancro, no dia 11 de Setembro de 1993, em Zurique.


Final da Sinfonia nº 5, de Tachaikovsky
Orquestra Sinfónica de Boston
Maestro: Erich Leinsdorf
Sexta-feira, 03.02.12

Felix Mendelssohn – Pintor, escritor, organista, pianista, maestro, violinista, professor e compositor

por António Filipe às 00:01

No dia 3 de Fevereiro de 1809 nasceu, em Hamburgo, o compositor alemão Felix Mendelssohn. Foi uma das figuras mais importantes do início do período romântico e um homem com dotes excepcionais: um bom pintor e escritor, um soberbo pianista e organista, um bom violinista e maestro e, principalmente, um grande compositor. Começou a estudar piano com a mãe e, mais tarde, com Ludwig Berger, altura em que se revelou um compositor bastante precoce. Em 1816, o pai viajou para Paris, levando Felix consigo. Na capital francesa recebeu aulas de piano. Mas o mais importante professor de Mendelssohn foi Karl Friedich Zelter, que o orientou a partir de 1819, dando-lhe aulas de composição e transmitindo-lhe o seu amor por Bach. Terminada a fase de formação, os anos seguintes seriam marcados por viagens e pelo seu trabalho em prol da difusão da obra de Bach. Aos 20 anos, prestou um inestimável serviço à humanidade, fazendo ressurgir a obra de Bach, depois de 100 anos de esquecimento. Durante a adolescência, escreveu várias composições, entre as quais cinco óperas, 11 sinfonias para orquestra de cordas, concertos, sonatas e fugas.
Com apenas 17 anos, compôs o acompanhamento musical para uma peça de Shakespeare: “Sonho de uma Noite de Verão”. Ainda hoje, esta é uma das suas obras mais reconhecidas e divulgadas e surpreende a maturidade de composição que o jovem compositor já revelava.
Na sua música, Mendelssohn observou os modelos clássicos e os aspectos-chave do romantismo. O seu movimento artístico exaltou os sentimentos e a imaginação, sobrepondo-se às formas rígidas e às tradições.
O excesso de trabalho e o choque da repentina morte da irmã Fanny (também ela compositora), em Maio de 1947, resultou na sua própria morte, no dia 4 de Novembro desse mesmo ano, em Leipzig.


1º andamento do Concerto paria violino e orquestra, de Mendelssohn
Violino: Janine Jansen
Orquestra Sinfónica da BBC
Maestro: Sir Roger Norrington
Quinta-feira, 02.02.12

Tullio Serafin – Grande maestro da ópera italiana

por António Filipe às 00:01

No dia 2 de Fevereiro de 1968 morreu, em Roma, o maestro italiano Tullio Serafin. Tinha nascido em Rottanova, perto de Veneza, no dia 1 de Setembro de 1878. Formou-se em Milão e tocou viola na Orquestra do Teatro La Scala, sob a direcção de Arturo Toscanini, sendo, mais tarde, nomeado maestro adjunto. Tomou posse como director musical daquele teatro, quando Toscanini foi para Nova Iorque, entre 1909 e 1914 e entre 1917 e 1918. Depois da segunda guerra mundial retomou brevemente o cargo, em 1946 e 1947. Dirigiu um repertório de ópera muito vasto, que reavivou muito do bel canto do século XIX: óperas de Bellini, Donizetti e Rossini.
Tullio Serafin integrou o elenco de maestros do Metropolitan Opera de Nova Iorque em 1924, onde permaneceu durante uma década. Depois tornou-se o director artístico do Teatro Reale, em Roma. Durante o seu grande percurso como maestro, ajudou as carreiras de muitos importantes cantores, incluindo Rosa Ponselle, Joan Sutherland, e Maria Callas, com quem fez inúmeras gravações.


"Pur ti riveggo", da ópera “Aida”, de Verdi
Soprano: Leyla Gencer
Barítono: Giangiacomo Guelfi
Maestro: Tullio Serafin
Quarta-feira, 01.02.12

Victor Herbert – Violoncelista, maestro e compositor

por António Filipe às 00:01

No dia 1 de Fevereiro de 1859 nasceu, em Dublin, o compositor irlandês Victor Herbert. Embora tenha tido uma carreira importante como violoncelista e maestro, é mais conhecido por ter composto muitas operetas de sucesso que estrearam na Broadway, a partir de 1890 e até à 2ª guerra mundial. Fez a sua formação musical no Conservatório de Estugarda, onde aprendeu violoncelo. Tocando esse instrumento integrou a Orquestra de Johann Strauss em Viena, antes de se mudar para os Estados Unidos, juntamente com a mulher, a soprano Therese Förster, que, em 1886, foi contratada pelo Metropolitan Opera de Nova Iorque. Enquanto a mulher fazia a sua estreia na companhia, interpretando a Aida, Herbert integrava a orquestra do Met, tocando violoncelo.
Continuou a sua carreira como solista, maestro e compositor, enquanto ensinava no Conservatório Nacional. Em 1892, tornou-se maestro da Banda do 22º Regimento da Guarda Nacional de Nova Iorque, sucedendo ao lendário Patrick Gilmore. Na viragem para o séc. XX dirigiu a Orquestra Sinfónica de Pittsburgh, que levou à sua maior digressão pelas principais cidades americanas. Nesses primeiros anos do século XX, fundou a sua própria orquestra, que dirigiu até ao fim da vida, e liderou a defesa dos direitos autorais dos compositores, fundando, com John Philip Sousa e Irving Berlin, a ASCAP, Sociedade Americana de Compositores, Autores e Editores, de que foi vice-presidente durante uma década. Veio a falecer, de ataque cardíaco, depois de uma vida saudável, no dia 26 de Maio de 1924, em Nova Iorque.
Como compositor, escreveu principalmente operetas, a par de concertos para violoncelo. De uma das suas obras mais conhecidas, "Babes in Toyland", faz parte a “Marcha dos Brinquedos”.


“Marcha dos brinquedos”, da opereta “Babes in Toyland”, de Victor Herbert
Orquestra Sinfónica de Saint Louis
Maestro: Leonard Slatkin
Terça-feira, 31.01.12

Franz Schubert-Um dos maiores compositores do séc. XIX

por António Filipe às 00:01

No dia 31 de Janeiro de 1797 nasceu, num pequeno subúrbio de Viena, o compositor austríaco Franz Schubert. Aos seis anos, entrou na escola de Lichtenthal, onde passou alguns dos melhores anos da sua vida. A sua educação musical começou também por esta altura. O seu pai transmitiu-lhe alguns conhecimentos rudimentares sobre violino e o seu irmão, Ignaz, iniciou-o no piano.
Aos sete anos, foi entregue à guarda de Michael Holzer, o mestre de capela da igreja de Lichtenthal. As lições de Holzer consistiam mais em manifestações de espanto por parte do mestre. O jovem Schubert beneficiou muito com a ajuda de um seu colega que o levava a um armazém de pianos, onde tinha oportunidade de praticar em instrumentos mais sofisticados do que aquele que a sua família lhe podia proporcionar.
Aos 11 anos foi ouvido por Antonio Salieri, compositor oficial da corte (que também foi mestre de Mozart), o que lhe valeu um lugar de soprano no coro da corte e uma bolsa de estudo num dos melhores colégios de Viena. Depois, foi uma vida de criação e produtividade imensas. Dessa vida nasceram 600 lieder, a imortal Ave Maria, concertos e peças de piano e sinfonias que, enriquecendo o património da humanidade, de pouco adiantaram a um génio que lidava mal com o dinheiro e morreu sem ver publicadas algumas das suas mais geniais obras. Depois da morte, as partituras de Schubert foram vendidas ao desbarato e vieram a enriquecer editores como Diabelli.
A obra de Franz Schubert não teve grande reconhecimento por parte do público durante a sua curta vida. Teve sempre dificuldade em assegurar um emprego permanente, vivendo muitas vezes à custa de amigos e do trabalho que o pai lhe dava. Conseguia ganhar algum dinheiro com obras que publicava e, ocasionalmente, dando explicações de instrução musical. Só no último ano de vida conseguiu alguma aceitação por parte do público.
A sua saúde deteriorou-se no auge da sua actividade criativa. Sofria de sífilis desde 1822. Supõe-se que morreu de febre tifóide, ainda que vários biógrafos apresentem outras possíveis doenças, no dia 19 de Novembro, na casa do seu irmão Ferdinand, em Viena, com 31 anos de idade e sem quaisquer recursos financeiros. Parecia ter morrido um qualquer vagabundo, desprezado por quase todos, boémio miserável que nunca tivera para tocar senão um piano alugado com o dinheiro que um amigo rico lhe emprestava.
Ao fazerem o despejo da casa em que habitava, fizeram um inventário de uns míseros 63 florins – dos quais 53 foram contados como "roupas domésticas e pessoais" e 10 – apenas 10 florins – como “músicas".
Foi sepultado num pequeno cemitério local e, 60 anos mais tarde, trasladado para o cemitério central de Viena, para repousar ao lado de Beethoven. Continua ainda hoje lembrado por uma estátua digna, na principal praça de Viena.


Serenata, de Franz Schubert
Tenor: Peter Schreier
Piano: Rudolf Buchbinder
Segunda-feira, 30.01.12

Francis Poulenc – Compositor e pianista

por António Filipe às 00:01

No dia 30 de Janeiro de 1963 morreu o compositor e pianista francês . Tinha nascido em Paris, no dia 7 de Janeiro de 1899. Aprendeu piano com a mãe e começou a compor com 7 anos de idade. Aos 15 anos estudou com Ricardo Vinhes, que o encorajou a compor e o apresentou a Satie, Casella, Auric e outros. Em 1917 a sua “Rapsodie Nègre” deu-lhe uma proeminência notável em Paris. Mesmo assim, os seus conhecimentos técnicos eram escassos. Nunca frequentou o Conservatório, pelo que, em 1920, decidiu estudar harmonia durante três anos, mas nunca estudou contraponto nem orquestração.
A sua vida foi de constante luta interna. Tendo nascido e sido educado na religião católica, debatia-se com a conciliação dos seus desejos sexuais, pouco ortodoxos à luz das suas convicções religiosas. Alguns autores consideram mesmo que foi o primeiro compositor abertamente homossexual, embora tenha mantido relações sentimentais e físicas com mulheres e tenha sido pai de uma filha.
O Dicionário Oxford de Música classifica a sua música como “essencialmente diatónica e melodiosa, embelezada com dissonâncias do século XX” e diz que tem talento, elegância, profundidade de sentimento e doce-amargo que são derivados da sua personalidade alegre e melancólica.
Poulenc fez parte dum grupo de seis compositores escolhidos pelo crítico Henri Collete e que ficaram conhecidos por “Les Six”. Deram concertos juntos, baseando-se num manifesto de inspiração no chamado “folclore parisiense”, isto é, nos músicos de rua, nos teatros musicais e nas bandas de circo.
A obra de Poulenc, no estilo dos Seis, chamou a atenção de Stravinsky e Diaguilev e veio a dar origem às suas obras mais conhecidas, as canções para voz e piano, sobre poemas de Apollinaire e de Paul Elouard, que, de resto, foi amigo pessoal de Poulenc. É uma obra ecléctica e ao mesmo tempo pessoal.
A morte acidental do seu grande amigo Pierre-Octave Ferroud, conjugada com uma peregrinação à Virgem Negra de Rocamadour, em 1935, levou Poulenc a regressar ao catolicismo, resultando em composições com um tom mais austero e sombrio.


Glória, de Francis Poulenc
Coro da Sé Catedral do Porto
Orquestra Nacional do Porto
Maestro: Marc Tardue
Igreja da Lapa 17 Dezembro 2004
Domingo, 29.01.12

Fritz Kreisler – Compositor e virtuoso violinista

por António Filipe às 00:01

No dia 29 de Janeiro de 1962 faleceu, em Nova Iorque, o violinista e compositor Fritz Kreisler. Filho de pai judeu e mãe católica, tinha nascido, em Viena, no dia 2 de Fevereiro de 1875.
Entrou no Conservatório aos 7 anos e, mais tarde, estudou, também, em Paris. Tinha um talento fora do comum para tocar violino, o que fez com que a sua técnica parecesse incólume às várias mudanças de rumo que, em determinado período, a sua vida foi sofrendo. Nos finais da década de 1880, depois de uma bem-sucedida digressão pelos Estados Unidos, viu recusada a sua pretensão de ingressar na Orquestra Filarmónica de Viena, o que o levou a abandonar a música e a seguir medicina, tal como o seu pai, que era um conceituado cirurgião. Uns anos depois, deixou a área da saúde e regressou às artes, dedicando-se à pintura. Andou por Paris e Roma a tentar aperfeiçoar o dom de pintor; coisa de pouca duração. Algum tempo depois virou-se para as artes da guerra, alistando-se no exército. A aventura bélica durou cerca de um ano, após o que decidiu regressar às origens e voltar a pegar no violino.
Tinham-se passado, entretanto, cerca de 10 anos, e para regressar à música, no ano de 1899, Fritz Kreisler necessitou de um prolongado período de preparação de exactamente… 8 semanas. Entre 1901 e 1903 fez várias digressões pelos Estados Unidos que marcaram o início do reconhecimento internacional daquele que viria a ser um dos violinistas mais marcantes da primeira metade do século XX. Deu concertos públicos até 1947, com alguns interregnos pelo meio devido às duas grandes guerras.
Como compositor, fez arranjos e transcrições – e apresentou uma controversa série de peças que foram atribuídas a compositores anteriores, mas que, de facto, eram de sua autoria.


Violinista: Gidon Kremer
Pianista: Martha Argerich
Sábado, 28.01.12

Arthur Rubinstein - Um dos melhores pianistas virtuosos do século XX

por António Filipe às 00:01

No dia 28 de Janeiro de 1887 nasceu em Łódź, na Polónia, o pianistaArthur Rubinstein. Começou a tocar piano muito cedo, com apenas três anos. Aos 6, tocou em público pela primeira vez. Entrou para o Conservatório de Varsóvia aos oito anos, onde foi aluno de Paderewski. Prosseguiu os seus estudos em Berlim, onde se apresentou, em recital, em 1900. Em 1906 estreou-se em Nova Iorque, como solista da Orquestra de Filadélfia. Regressou, depois, à Europa e, em Paris, trabalhou como professor de piano.
Em 1916 visitou a Espanha, onde interpretou composições de Granados e Manuel de Falla, que lhe dedicou a “A Fantasia Bética”. Em 1919 foi ao Brasil e conheceu Villa-Lobos. Foi o responsável pela divulgação das suas mais famosas composições. Em sua homenagem, Villa-Lobos escreveu o “Rudepoema”, em 1926. Stravinsky também lhe dedicou os 3 Movimentos de Petruschka - considerada a sua mais difícil obra para piano.
Depois de algum tempo dedicado a intensivos estudos, Arthur Rubinstein viajou até aos Estados Unidos, em 1937. A partir daí, teve a sua reputação de grande intérprete assegurada. Em 1946, obteve a cidadania norte-americana, depois de ter fugido da França em 1940, por causa da invasão alemã. Impressionado por essa experiência e pelos crimes do nazismo, nunca mais se apresentou em concerto na Alemanha. Rubinstein revelava extrema modéstia quando falava de si próprio. Mostrava interesse não apenas pela música, mas também pelos pequenos e refinados momentos de prazer que a vida oferece. A sua última actuação em público teve lugar em 1976, quando já estava com 89 anos. Morreu em Genebra, no dia 20 de Dezembro de 1982.


Scherzo nº 2, op. 31, em si bemol menor, de Chopin
Pianista: Arthur Rubinstein
Sexta-feira, 27.01.12

Wolfgang Amadeus Mozart - Compositor

por António Filipe às 00:01

No dia 27 de Janeiro de 1756 nasceu, em Salzburgo, o compositor Wolfgang Amadeus Mozart. Filho de uma família musical burguesa, começou a compor minuetos para cravo com a idade de cinco anos. Em 1763, com 12 anos, o pai levou-o numa viagem pela França e Inglaterra. Em Londres, Mozart conheceu Johann Christian Bach, o último filho de Johann Sebastian Bach, que exerceria grande influência nas suas primeiras obras. O período entre 1781 e 1786 foi um dos mais prolíficos da carreira de Mozart, com óperas, sonatas para piano, música de câmara e, principalmente, os concertos para piano. Em 1786, compôs a primeira ópera: “As bodas de Fígaro”. A ópera fracassou em Viena, mas fez um sucesso tão grande em Praga que Mozart recebeu a encomenda de uma nova ópera. Esta seria “Don Giovanni”, considerada, por muitos, a sua obra-prima. Mais uma vez, a obra não foi bem recebida em Viena.
Na primavera de 1791, um desconhecido encomendou-lhe um Requiem. Contudo, com a saúde cada vez mais enfraquecida, morreu antes de completar a obra. Há quem diga que o Requiem estaria a ser composto para ser tocado na sua própria missa de sétimo dia. A obra foi acabada por Franz Süssmayr, discípulo de Mozart. A sua saúde começou a deteriorar-se em Novembro. Atacado por febre reumática, veio a falecer, em Viena, na manhã do dia 5 de Dezembro de 1791. No dia 6 de Dezembro, às 15 horas, o seu corpo foi levado para a Igreja de Santo Estevão para uma cerimónia sem pompa, nem música. Süssmayr, Salieri e mais três pessoas acompanhavam o cortejo até às portas de Viena, porém o mau tempo fê-los voltar atrás. Mozart foi enterrado numa vala comum, no cemitério de São Marx, em Viena. Até hoje não se sabe ao certo o local exacto do seu túmulo.


“Lacrimosa”, do Requiem em ré menor, K. 626, de Mozart
Coro da Ópera de Viena
Orquestra Filarmónica de Viena
Maestro: Karl Böhm
Quinta-feira, 26.01.12

Jacqueline du Pré - Violoncelista

por António Filipe às 00:01

No dia 26 de Janeiro de 1945 nasceu em Oxford, Inglaterra, a violoncelista Jacqueline du Pré. Aos quatro anos, ao ouvir pela primeira vez o violoncelo, pediu que lhe comprassem um. Começou a tocar com cinco anos, entrando na escola de violoncelo, em Londres, quando tinha seis, e deu o primeiro concerto aos sete. Aos dez anos começou a estudar com William Pleeth e continuou a estudar com ele quando entrou para a escola de música de Guildhall. Ao completar 11 anos, ganhou o primeiro prémio internacional de violoncelo de Guilhermina Suggia. Continuou a ganhar prémios durante todos os anos de escolaridade, incluindo uma medalha de ouro quando se graduou da escola de Guildhall, em 1960.
O reconhecimento profissional de Jacqueline du Pré aconteceu em 1961 quando tocou, no Salão Wigmore, em Londres, num raro violoncelo que lhe foi oferecido por um anónimo - um Stradivarius de 1672, avaliado em cerca de 3 milhões de dólares. A sua intensidade e virtuosismo atraíram imediatamente a atenção e daí surgiu a oportunidade de viajar por toda Europa e América do Norte. Após vários anos de intensa actividade, foi para Moscovo, em 1966, para estudar com o célebre violoncelista e maestro Mstislav Rostropovich. No ano seguinte casou com o pianista e maestro Daniel Barenboim. A sua carreira foi curta e trágica. Aos 28 anos começou a apresentar sintomas de esclerose múltipla e teve que se aposentar. Morreu no dia 19 de Outubro de 1987, em Londres. Jacqueline du Pré teve uma vida curta mas recheada de momentos geniais, como o da estreia, no Carnegie Hall, do concerto para violoncelo de Edward Elgar.


Excerto do Concerto para violoncelo e orquestra de, Elgar
Violoncelista: Jacqueline du Pré
Orquestra Nova Filarmonia
Maestro: Daniel Berenboim
Quarta-feira, 25.01.12

Wilhelm Furtwängler - Um dos maiores maestros do século XX

por António Filipe às 00:01

No dia 25 de Janeiro de 1886 nasceu, em Berlim, o maestro e compositor alemão Wilhelm Furtwängler. Foi titular da Orquestra Filarmónica daquela cidade durante o período nazi. Passou a maior parte da infância em Munique, onde o pai leccionava na universidade local. Recebeu educação musical desde cedo, desenvolvendo, imediatamente, um amor por Beethoven, compositor com quem foi fortemente associado ao longo da vida. Embora seja conhecido principalmente pelo seu trabalho como maestro, foi também compositor e considerava-se acima de tudo como tal. Na realidade, teria começado a empunhar a batuta apenas para executar as suas próprias obras, mas a falta de segurança financeira como compositor fez com que passasse a concentrar-se na direcção de orquestra.
Foi director musical da Orquestra Filarmónica de Viena, do Festival de Salzburgo e do Festival de Bayreuth, o cargo mais elevado que um maestro podia ocupar na Alemanha da época. Também apareceu diversas vezes como maestro fora da Alemanha. Estreou-se em Londres em 1924 e, em 1925, apareceu como maestro convidado da Orquestra Filarmónica de Nova Iorque.
Mas a década de 30 foi muito complicada: Foi acusado de ser complacente com o regime nazi que imperava na Alemanha – e isso viria mesmo a estar na base do corte de relações com Arturo Toscanini. Acabou mal-amado pelos nazis e pelos que se lhes opunham; forçado a fugir do país antes que os nazis lhe deitassem a mão, em Fevereiro de 1945, foi para a Suiça e nunca mais seria autorizado a reger nos Estados Unidos. Ao regressar à Alemanha voltou à actividade de maestro e retomou a sua popularidade na Europa.
As interpretações de Furtwängler nem sempre seguiam marcações precisas, a emoção e a improvisação predominavam, associadas a frequentes alterações de tempos e flutuações de andamentos. Algumas das gravações que nos deixou são ainda hoje consideradas de referência.
Morreu no dia 30 de Novembro de 1954, em Ebersteinburg.


Final da Sinfonia nº 9, de Beethoven
Gravação de 1942
Maestro: Wilhelm Furtwängler
Terça-feira, 24.01.12

Friedrich von Flotow – Compositor alemão

por António Filipe às 00:01

No dia 24 de Janeiro de 1883 morreu, em Darmstadt, o compositor alemão Friedrich von Flotow. Tinha nascido de uma família aristocrática, em Teutendorf, a 27 de Abril de 1812. Estudou no Conservatório de Paris e teve como professores Auber, Rossini, Meyerbeer, Donizetti, Halévy e, mais tarde, Gounod e Offenbach. Das cerca de 30 óperas que escreveu, a primeira foi “Pedro e Catarina”, em 1835, mas só começou a ser conhecido em 1839, com a ópera “O naufrágio do Medusa”, baseada no naufrágio daquele navio de guerra.
A ópera romântica “Alessandro Stradella”, de 1844 é reconhecida como uma das melhores obras da Flotow. Entre 1856 e 1863, Flotow trabalhou como intendente do teatro da corte de Schwerin. Passou os seus últimos anos em Paris e Viena, e teve a alegria de ver as suas óperas levadas a cena em São Petersburgo e Turim. A sua ópera “Martha”, muito popular no século XIX e pela qual é mais conhecido, foi encenada, pela primeira vez, em Viena, no Teatro de Kärntnertor, no dia 25 de Novembro de 1847.


Ária “M’appari”, da ópera “Martha”, de Friedrich von Flotow
Maestro: Anton Guadagno
Tenor: Luciano Pavarotti
Segunda-feira, 23.01.12

Samuel Barber – Compositor norte-americano

por António Filipe às 00:01

No dia 23 de Janeiro de 1981 morreu, em Nova Iorque, Samuel Barber que tinha nascido em Westchester, na Pennsylvania no dia 9 de Março de 1910.
Notabilizou-se como compositor e começou cedo: assinou a sua primeira composição quando tinha sete anos e aos 10, tentou escrever uma ópera. Foi organista aos 12 anos e, quando fez 14, ingressou no Curtis Institute, em Filadélfia, onde estudou piano, composição e canto. Ganhou duas vezes o Prémio Pulitzer: em 1958, pela sua primeira ópera, Vanessa e em 1963 pelo Concerto para piano e orquestra.
Barber passou muitos anos em reclusão depois de a sua terceira ópera “António e Cleópatra” ter sido rejeitada. Sofreu de depressão e tornou-se alcoólico. A ópera tinha sido escrita para a ocasião da abertura do novo Metropolitan Opera, no dia 16 de Setembro de 1966. Depois deste contratempo, continuou a escrever música até aos 70 anos. A música dos seus últimos anos seria aclamada como meditativa e contemplativa, mas sem a característica de infelicidade de outros compositores no final da vida.
Ficou célebre, acima de tudo, pelo Adágio para Cordas, que é uma das obras clássicas mais utilizadas no cinema, nos mais diversos tipos de filmes.
Em Janeiro de 1938, Barber enviou o Adagio a Arturo Toscanini. O maestro devolveu-lhe a partitura sem qualquer comentário, o que desgostou severamente o jovem compositor. Passado pouco tempo, Toscanini escreveu a um amigo, dando notícia de que estava a preparar a apresentação da peça e acrescentou que a devolvera sem comentários porque, simplesmente… a tinha memorizado integralmente. No dia 5 de Novembro desse ano de 1938 o Adagio para Cordas teve a sua estreia com a Orquestra Sinfónica da NBC. Foi interpretada a versão original do arranjo do próprio Barber e a dirigir a orquestra estava Toscanini.


Adagio, do Quarteto para cordas, op. 11, de Samuel Barber (arranjos para orquestra)
Orquestra Sinfónica da NBC
Maestro: Arturo Toscanini
Domingo, 22.01.12

Rosa Ponselle – A maior intérprete de “Norma”, antes de Maria Callas

por António Filipe às 00:01

No dia 22 de Janeiro de 1897 nasceu em Connecticut, nos Estados Unidos a soprano norte-americana Rosa Ponselle. Reinou no repertório dramático e lírico nas décadas de 20 e 30, do séc. XX. Nascida Rosa Ponzillo, era filha de imigrantes italianos vindos dos arredores de Nápoles. Começou a cantar em vaudevilles em 1915 e, em 1918, foi descoberta pelo célebre tenor Enrico Caruso, o qual se impressionou com a sua qualidade vocal e a levou imediatamente para os palcos do Metropolitan Opera, em Nova Iorque, que necessitava de uma intérprete para o papel de Leonora, de “A força do destino”, de Verdi.
Ponselle iniciou a sua grande carreira no Metropolitan a 15 de Novembro de 1918. As críticas foram bastante favoráveis e obteve sucesso junto da plateia. Mas, ao contrário do que diz a lenda, houve também menções negativas à sua interpretação, embora fosse reconhecido o imenso potencial da jovem soprano. Em 1927, canta a sua primeira “Norma”, um dos maiores êxitos de sua carreira, tendo sido considerada a maior intérprete desse papel até ao advento de Maria Callas, nos anos 50. Em 1937, abandonou os palcos repentinamente, com apenas 40 anos. A sua última actuação ocorreu em Cleveland, a 17 de Abril de 1937. A soprano continuou com a sua carreira de concerto até 1939, quando então deixou os palcos definitivamente. Rosa Ponselle morreu no dia 25 de Maio de 1981.


 Habanera, da ópera Carmen, de Bizet
Soprano-Rosa Ponselle
Sábado, 21.01.12

Plácido Domingo - "El Granado"

por António Filipe às 00:01

No dia 21 de Janeiro de 1941 nasceu, em Madrid, o tenor espanhol Plácido Domingo. Famoso por ter integrado, juntamente com Luciano Pavarotti e José Carreras, o grupo dos Três Tenores, Plácido Domingo também já actuou como director geral da Ópera Nacional de Washington e na Ópera de Los Angeles. Em família, era conhecido como "El Granado", por cantar desde muito pequeno, a canção Granada, de Agustín Lara. Em 1949, a sua família mudou-se para a Cidade do México, onde iniciou os seus estudos de piano. Algum tempo depois, foi admitido na Escola Nacional de Artes e no Conservatório Nacional de Música da capital mexicana, estudando piano e direcção de orquestra.
Estreou-se como tenor a interpretar o papel de Alfredo, na ópera La Traviata, de Verdi, em 1959, em Monterrey. Em 1962, juntou-se à Ópera de Tel Aviv, onde nasceria a sua fama. Passou ali dois anos e meio, cantando em 280 ocasiões. Posteriormente, em 1966, estreou, na Ópera de Nova York, a ópera Don Rodrigo, de Alberto Ginastera. A partir de 1968, quando se apresentou no Metropolitan de Nova Iorque, pela primeira vez, na ópera Adriana Lecouvreur, de Francesco Cilea, ao lado Renata Tebaldi, passou sempre abrir a temporada em vinte e uma ocasiões, superando o recorde de Enrico Caruso. Durante a sua carreira, cantou na maioria das grandes salas de ópera do mundo e nos festivais mais importantes.
Também trabalhou como maestro, juntamente com Herbert von Karajan, Zubin Mehta e James Levine. Em cena, Plácido Domingo interpretou mais de noventa personagens distintas. O seu repertório inclui principalmente óperas italianas e francesas, e também óperas de Richard Wagner, no festival de Bayreuth. Desde 1996 é director artístico da Ópera Nacional de Washington. Em 1998 foi nomeado director artístico da Ópera de Los Angeles, tornando-se director geral em 2003.


Granada, de Agustín Lara
Piano: Plácido Domingo
Tenor: Plácido Domingo
Sexta-feira, 20.01.12

Carta ao Sr. Presidente, Aníbal Cavaco Silva

por António Filipe às 22:35

Exmo. Sr. Presidente da República:
Soube hoje que os sr. está preocupado com o seu futuro. Tive pena de o ouvir dizer que a sua reforma não vai ser suficiente para pagar as despesas.
Desejando manifestar a minha solidariedade e como agradecimento por tudo o que tem feito por mim e pela minha família, proponho-lhe o seguinte:
Eu dou-lhe tudo o que tenho em troca de 5% de tudo o que o sr. tem. E deixo-o ficar com a tal reforma de 1300 euros.
Aguardo ansiosamente a sua resposta à minha oferta. Mantê-la-ei até à minha ou à sua morte que eu não sou homem de voltar atrás com as minhas promessas.
Os meus mais respeitosos cumprimentos e beijinhos solidários à esposa que, coitada, só recebe 800 euros de reforma.
P.S. Este país não é para velhos.

Walter Piston – Engenheiro, pintor, músico e compositor

por António Filipe às 00:01

No dia 20 de Janeiro de 1894 nasceu em Rockland, estado do Maine, o compositor americano Walter Piston. Depois de ter estudado engenharia no liceu e de se ter licenciado em pintura, foi admitido na Universidade de Harvard, em 1920, onde estudou contraponto, harmonia, composição e história da música. Trabalhou como assistente de vários professores de música e foi maestro da orquestra dos estudantes. Mais tarde, foi professor na Universidade de Harvard, cargo que exerceu até 1959.
Virtuoso neoclássico no seu estilo, recebeu influências do jazz. É autor da suite de bailado “O Incrível Flautista” e de seis sinfonias, concertos, cinco quartetos de cordas, bem como de tratados de orquestração, contraponto e harmonia. Nos últimos anos de vida, Piston ficou debilitado com diabetes, que afectaram a sua visão e audição. Morreu, de ataque cardíaco, no dia 12 de Novembro de 1976, em Belmont, no estado de Massachusetts.


4º andamento da Sinfonia nº 6, de Walter Piston
Orquestra Sinfónica de Saint Louis
Maestro: Leonard Slatkin
Imagens: Obras do pintor e muralista americano Thomas Hart Benton
Quinta-feira, 19.01.12

Ferdinand Hérold - Compositor

por António Filipe às 00:01

No dia 19 de Janeiro de 1833 morreu, em Paris, o compositor francês Ferdinand Hérold, conhecido pelas suas óperas e ballets. Tinha nascido na mesma cidade a 28 de Janeiro de 1791. As suas primeiras aulas de música foram em casa, com o pai, pianista e compositor, tendo sido admitido mais tarde no Conservatório de Paris. Em 1812 concorreu ao prestigiado “Prix de Rome” com as suas peças para piano. Como vencedor do 1º prémio foi para Itália onde conviveu com Paisiello e Zingarelli que o incentivam a compor ópera. É assim que surge “A juventude de Henrique V”, a primeira ópera de Hérold e um estrondoso sucesso em Nápoles, onde trabalhava como pianista para a rainha Carolina.
Em 1827, um ano após o êxito da sua ópera Marie, tornou-se maestro do coro da Ópera de Paris. Um ano depois consagrou-se também como compositor de ballets com “La Fille mal gardée”. A ópera Zampa chegou com um estrondoso sucesso em 1831, ano em que Ferdinand Hérold começava a evidenciar problemas de saúde, sendo que, no dia 19 de Janeiro de 1833, pouco depois da estreia da sua ópera “Le Prés-au-Clercs”, morreu de tuberculose, em Paris. A sua música ainda hoje permanece bastante popular na França, Itália e Alemanha, sobretudo à custa do bailado “La Fille mal gardée” e da ópera “Zampa”.


Abertura da ópera “Zampa”, de Ferdinand Hérold
Orquestra Sinfónica NHK
Maestro: Wolfgang Sawallisch
Quarta-feira, 18.01.12

Emmanuel Chabrier – Pianista e compositor

por António Filipe às 00:01

No dia 18 de Janeiro de 1841 nasceu, em Ambert, o pianista e compositor francês, do período romântico, Emmanuel Chabrier. Estudou piano desde os seis anos e mostrava muitas capacidades como compositor. Apesar disso, o pai obrigou-o a estudar direito. Em 1856, a família foi viver para Paris e o jovem Chabrier estudou no Liceu de St. Louis durante um ano, ingressando, depois, na Universidade de Direito, onde se graduou em 1861. No dia 29 de Outubro desse ano, começou a trabalhar no Ministério do Interior francês. Em 1879, visitou a Alemanha, onde assistiu a uma apresentação da ópera “Tristão e Isolda”, de Wagner. Impressionado com a obra, decidiu dedicar-se inteiramente à música e, em 1880, pediu a demissão do cargo que ocupava no Ministério do Interior.
Do grupo de amigos de Chabrier faziam parte alguns dos mais proeminentes escritores e pintores da época, como Claude Monet e Édouard Manet. Fazia colecção de pinturas impressionistas, ainda antes do impressionismo estar na moda. Nos últimos anos de vida, além de problemas financeiros, Chabrier teve graves problemas de saúde, causados pela sífilis. Na estreia da sua ópera “Gwendoline”, em 1893, em Paris, o compositor nem sequer se apercebeu que os aplausos eram para ele. No último ano de vida, sofreu de paralisia total, vindo a falecer em Paris, no dia 13 de Setembro de 1894.


España – Rapsódia para orquestra, de Chabrier
Orquestra Sinfónica de Victoria
Maestro: Darryl One
Terça-feira, 17.01.12

A democracia dos Dupont & Dupond, S. A.

por António Filipe às 18:24

Hoje em dia, a democracia é assim como uma espécie de religião. No caso português, foi-nos impingida há trinta e tal anos. A grande maioria dos portugueses acreditou nela. E muito bem. Mas não tardou muito que a democracia deixasse de o ser, na verdadeira acepção da palavra. A pouco e pouco foi-se degradando, mas os portugueses continuaram a acreditar nela. E pior, continuaram a acreditar que viviam em democracia. Acreditar em democracia é uma coisa. Mas acreditar que vivemos em democracia é outra completamente diferente. No tempo do fascismo havia muita gente que acreditava em democracia, mas ninguém acreditava que vivíamos numa. Conquistámo-la em 1974 mas esquecemo-nos que temos que a reconquistar diariamente, senão perdemo-la. Pode manter o nome, mas a prática é outra conversa. A palavra democracia, de origem grega, significa “governo do povo” (Demos=povo - Kratein=governo). Se alguém acredita que, em Portugal, temos um governo do povo, decerto vive na lua. O simples facto de podermos votar sempre que há eleições não significa que vivemos em democracia. Neste país, grande parte das pessoas nem sequer sabe os nomes ou conhece as caras daqueles que as vão representar. A única pessoa cujo nome aparece no boletim de voto e que é escolhida de acordo com os votos é o Presidente da República. E este, nas últimas eleições, foi eleito por vinte e tal por cento dos votantes. E foi assim que passou a ser o representante de todos os portugueses.
Este sistema está feito por partidos e para partidos. Devia ser do povo e para o povo. Isso é que é democracia. O sistema representativo e parlamentar ou semiparlamentar, que se apodera do nome da democracia, limita o poder dos cidadãos ao simples direito de votar, ou seja, a nada. É o único direito que o povo tem e, mesmo esse, é condicionado pelos mais diversos factores que, em muitos casos, se resumem à necessidade de arranjar emprego (para si próprio ou para um familiar) e a promessas eleitorais que raramente são cumpridas.
Não podemos considerar democrático um sistema em que os políticos e governantes mentem constantemente, enriquecem à custa do povo, prometem e não cumprem, não são responsabilizados pela má gestão do dinheiro dos contribuintes, um sistema em que o ordenado mínimo e grande parte das pensões são miseráveis.
Enquanto isto acontecer, a democracia não passa de um sistema em que os eleitores têm a liberdade de escolher os seus próprios ditadores. Não passa de um mito. De uma religião em que os deuses são os partidos e os crentes são os seus militantes. Não passamos de escravos modernos, crendo poder votar e livremente escolher quem decidirá o nosso futuro. E quando, logo após as eleições, chegamos à conclusão que fomos enganados, podemos barafustar, espernear e até ameaçar. Não temos poder para mudar nada. E andamos nisto até ao dia das eleições seguintes. E nesse dia lá vamos nós, todos contentes e orgulhosos, exercer o nosso único direito democrático. E, espantosamente, votamos nos mesmos ou nos outros, que, afinal, são os mesmos! E, como são os mesmos, fica tudo na mesma. Só mudam os “boys”, que foi para esses que votámos. E assim tem acontecido connosco há mais de trinta anos e, com outros países, ainda há mais tempo.
A nossa democracia é um “bluff”. A oposição já não existe. Os principais partidos políticos estão de acordo no essencial: manter este tipo de sociedade, em que os mercados e os senhores do grande capital é que mandam. Nenhum dos partidos políticos com acesso ao poder põe isso em causa. Tudo isto, nem remotamente, tem a ver com democracia. Escolher entre o Sr. Feliz e o Sr. Contente ou entre Monsieur Dupont e Monsieur Dupond nunca será uma verdadeira escolha.
Vivemos numa ditadura económica.

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