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A pegada não morreu; apenas deslocámos a maior parte das nossas pegadas para o facebook. Enorme pecado, bem sabemos; mas por estes instantes, em que o tempo não abunda, é mais fácil interagir e publicar ali. Esta nossa casa não desaparece; será sempre a referência principal e o lugar das pegadas mais profundas. No entretanto, e quando não nos virem por aqui, é porque estamos aqui:pegadabook. Cliquem no link (não é necessário ter facebook para ler, apenas para comentar) e/ou façam like acima. A todos os leitores e ao sapo, que nunca nos falhou, pedimos desculpa. É coisa de momentos; a pegada será sempre aqui. Aqui é a regra, este anúncio não revela mais do que uma excepção. Já agora, e também no facebook, mas numa onda diferente -- e em que todos os leitores podem ser autores --, visitem o ouvir & falar.

 

 



Muito Bom Ano

por besugo, em 02.01.11

Lembro-me bem, era de Verão e discutia-se qualquer coisa sobre o mercado e a sua auto-regulação. A noite até se ia prolongando bem, apesar de eu ir sentindo um ligeiro mal-estar pelo pressentimento fundo de que estavam a levar-me, vagarosamente, para onde não queria.

Lembro-me de ter tentado evitar falar de vísceras (que é uma maneira como outra qualquer de devolver algumas excitações humanas à sua basal e humana condição) e recordo-me, finalmente, de não ter conseguido. De ter soltado o freio ao burro doudo que me escoicinha dentro, de ter aludido à regulação dos intestinos. Estava era longe de sonhar o salto excrementário a que tinha servido de trampolim.

Num repente, a noite iluminou-se como se fosse ocasião de festa ansiosa - ficou clara demais de tão escura.

Hoje percebo melhor o que se passou: sendo os intestinos (ao menos o grosso deles) dados à fácil penetração endoscópica, deu-se ali um salto de coelho para o mercado das colonoscopias. Não sabiam que há esse mercado? Eu também não. Aliás, continuo a crer que não o há. Mas suponhamos que a conversa descambou - e descambou - baseando-se na suposta certeza de que o há.

Disseram-me que "nem nisso tens razão", o que me desconcertou um pouco: eu não dissera nada, ainda. "Mas pensaste", disseram-me, que "tu pensas sempre da mesma maneira". E isso aborreceu-me porque tinha ideia de ser essa uma das maiores das minhas pequenas virtudes, pensar mais ou menos sempre da mesma maneira. E não era.

Escutei. "Se um médico, em dez horas, conseguir fazer cem colonoscopias - e recuperar, assim, listas de espera nisso do espreitar de cus adentro, é justo que seja mais bem pago do que outro que só faça trinta".

Não consegui alhear-me do surrealismo dos números indicados, de maneira que fiz as contas em voz alta, dividi cem por dez e entreguei, baixinho, "se um tipo, em dez horas de trabalho seguidinho, consegue invadir cem cus, fica esse tipo com seis minutos para cada cu  e cada um desses cus em risco de não ter sido outra coisa senão espreitado - o que não é o pretendido". Estava ainda disposto a regressar ao remanso da cabeça fria, mas sobreaqueceram-ma com o "e porquê?" que se seguiu. Respondi de esguelha.

"E porquê? Olha, porque seis minutos é pouco tempo para se ver, até dum intestino, como está. E porque, em prosseguindo na tua velocidade - que hoje mais parece só de ponta -, vais acabar a defender que o alucinado médico que faça duzentas colonoscopias em dez horas merecerá ainda mais ganhuça do que o equilibrista que já fazia cem".

"Exactamente! Por que não?".

Apeteceu-me ajavardar sorrindo e conceder "que sim, olha, vai para dentro e que Deus te ilumine na tua vertigem, desde que o cu seja teu". Mas tentei calar-me ali, que ainda se estava bem. Não me deixaram. Largaram-me os cães.

"Julgas que não te percebo, mas olha que sim; aliás, o que dizes só me dá razão: se o tipo que fizesse duzentas colonoscopias em dez horas, três minutos para cada uma, fizesse uma mal feita e isso prejudicasse um que fosse dos colonoscopados, haveria sempre tribunais para dirimir esses assuntos e repor as coisas no seu devido lugar". Eu até estava capaz de ficar assim, que já estava encostado às cordas, mas há uppercuts que são impiedosos: "Como vês, o mercado, seja onde for, mesmo nessa espécie de santuário ridículo que invocaste, auto-regula-se: esse médico pagaria a sua culpa e seria impedido de reincidir e, se se atrevesse ao mesmo e lhe corresse mal, por maior culpa pagaria. Não entendes?".

Apeteceu-me um banho, que tomei logo que pude. Mesmo sentindo não ser eu quem mais dele carecia.

  

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publicado às 00:46


"procolarum?"

por besugo, em 18.12.10

 

Não se trata aqui de nascer nos anos sessenta, trata-se aqui de ter nascido em mil novecentos e sessenta.

Não se trata aqui de ter sete anos quando esta canção saiu, deixando finalmente bailar pegados, como bailar se deve sempre, em milhentos bailes de liceu, os namorados (nem que o fossem só durante quatro minutos) do mundo inteiro. A Portugal chegou-me mais tarde, é disso que se trata, pelo menos cinco anos mais tarde. Em mil novecentos e setenta e dois.

No ginásio dos liceus crescia-se depressa. Devia ser mais ou menos como se cresce agora, que nem há liceus. Mas não sei, uma coisa é crescer e outra é ver crescer, naquele tempo parecia que o tempo, em correndo sempre, passava muito devagar - enquanto nós íamos crescendo em velocidade desbragada. E carregava consigo, o tempo - pesado fardo visto agora por quem antes apenas o via gentilmente - três certezas: a de que a nossa barba despontaria bela, a de que iríamos para a guerra (sabíamos isso lindamente pelos relatos dos que tinham irmãos mais velhos que " já lá estavam") e a de que, num dia que viria breve - mas que se demorava -, também nós iríamos bailar así pegados, com raparigas que nos amariam muito e que nós também amaríamos para sempre, ao menos durante oito minutos, quatro para cada um.

Quando esse tempo dos amores eternos de fugazes chegou, cumpriu-se mal - que as coisas nunca são muito bem como as imaginamos, coisas de contra-tempo.

A barba veio, igual a todas as barbas deste mundo grande, sempre ansiosa entre as proprietárias indecisões do "deixo-te estar, desfaço-te?".  O tempo da guerra não chegou, embora se perceba agora, lustros depois, à força de repetições, que deveria ter chegado: quase todos os dias escuto tipos mais novos do que eu, muito mais novos, saudosos do passado que não cheguei a ter e do futuro que teriam se o meu passado tivesse sido diferente, culpa mais funda.

Bailar pegados? Sim, bailei.

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publicado às 17:27


vai uma apostinha?

por besugo, em 24.10.10

Esta vitória sobre o Rio Ave é muito importante. Nem sequer é por termos ganho o jogo, é porque era fundamental ganharmos um jogo com sorte. E este ganhámo-lo assim, com sorte. Basta o golo ter sido do Abel - e da maneira que foi - para se perceber isso.

A equipa do Sporting suspira por Pedro Mendes. Não havendo dinheiro para mais nada, em Janeiro poupem. Ou poupem-me. Não se metam a comprar cepos como o Zigic, que está muitíssimo bem no banco do Birmingham e parece que gosta de lá estar (aliás, o sérvio já correu bancos de várias equipas, tem esse hábito, que esse hábito o mantenha por outras bandas até se reformar). Basta-nos que o Pedro Mendes regresse a jogar o que sabe e que não volte a aleijar-se. E, claro, que o Maniche se aguente nas canetas. E mais uma ou duas coisas, concedo. 

Vou mais longe: com o Pedro Mendes, se ele voltar bem e, entretanto, com sorte ou sem ela, formos ganhando os jogos que são de ganhar - estes jogos todos que vai havendo contra equipas "ronhudas", destas com Gaspares, Zés Gomes, Nunos Santos, Joões Tomáses e Tarantinis - o Sporting vai ser o próximo campeão nacional.

Quem não acreditar em mim mas quiser quedar-se, apesar de tudo, a matutar um bocadinho no que afirmo, faça o favor de pensar assim: é o Pedro Mendes a entrar na equipa e o André Santos a sair dela que nem um foguete. Já viram bem isso? Pois, então é verem isso bem, se fazem o favor.

E boa semana para todos.

 

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publicado às 20:30


entremez

por besugo, em 22.10.10

Há vários dias da minha vida em que consigo vislumbrar problemáticas que ultrapassam em complexidade e profundeza a disciplinada e intensa discussão que vai decorrendo sobre o Orçamento e a Lei Geral dos Casamentos.

Há até muitos dias desses na minha vida e, já agora, é o que me vale. Penso que isto se deverá a algumas coisas mas não me apetece agora dizer nenhuma, de maneira que enveredo já pela súmula de uma das problemáticas que acima referi e que é a seguinte: por que raio é que o Sporting empata e perde com equipas como o Beira Mar, o Olhanense, o Benfica, a Académica e o Paços de Ferreira e, altaneiramete, dá pancada a eito em equipas que vão no cimo da tabela de campeonatos como o búlgaro (a Bulgária, berço de Iordanov, Kostadinov, Stoijkov, Balakov - entre outros que já não jogam também) e o belga (o campeonato dos Van der Whatever, do Lozano e do Scifo, que também já arrumaram as chuteiras mas não interessa)? Por causa dos nomes. Dos nomes dos clubes.

Por exemplo: vamos agora jogar em casa contra o Rio Ave. Já sabemos que os vilacondenses estão a contar com as palermices que o Sporting costuma fazer no campeonato nacional (Liga Zon-Sagres, ou isso). Os rapazes da nossa equipa escutam o nome "Rio Ave" e desatam a tremer como varas verdes (e brancas). Ora bem. A estratégia que melhor serve os interesses do Sporting passa pela utilização duma arma chamada "desinformação para consumo interno". Em que consiste esta coisa? Consiste em desinformar os jogadores do Sporting.

Um jogador do Sporting, informado de que vai jogar com o Rio Ave, associa essa espécie de Adamastor Boleiro, imediatamente, a jogos anteriores contra outras equipas de alto gabarito, como o Paços de Ferreira, o Benfica, o Estoril, o Leiria ou o Marítimo. Entre outras. Portanto, é preciso que o treinador desinforme os jogadores e lhes garanta que "não, senhores, nós não vamos jogar contra a super equipa do Rio Ave, nem mesmo contra qualquer outra super equipa portuguesa; nós vamos é defrontar o Waregen, o Volendam, o Vitesse, o Alkmaar, o Everton, o PAOK, o Genk, o Crvena Zvezda, o Queen's Park Rangers, o Steaua, o Cercle de Brugges, o Roda, o Lech Poznan, o NAC, o Motherwell, o Reggina, o Basileia, o Rapid de Viena, ou um Dínamo qualquer (de preferência o de Minsk)".

Quanto mais esquisito e "estrangeiro" for o nome do clube que inventarmos para opositor da nossa leonina rapaziada, mais a malta se engalfinhará neles (e com eles) e os aviará a preceito. Por exemplo: proponho que o Paulo Sérgio desinforme os jogadores de que, afinal, em lugar do Rio Ave, vem aí jogar o Sheffield Wednesday. Por um lado, a maior parte dos atletas nunca ouviu falar nesse clube e desconfia que Wednesday é uma localidade perto de Sheffield - que há-de ser na Escócia ou no País de Gales. Por outro, afastados desta maneira torpe da realidade nacional (os jogadores do Sporting andam mais perturbados com a realidade nacional do que, por exemplo, os jogadores do Benfica - que são quase todos estrangeiros, sobretudo o César Peixoto), os mancebos atirar-se-ão como gato a bofe aos desgraçados do Rio Ave, duma maneira tão eficaz que nem o excelente Milhazes deixará de passar por um grandessíssimo cabo dos trabalhos, esse islandês.

E quando for contra o Porto, diremos que é contra o AEK, ou o Akkranes. E quando for contra o Guimarães, juraremos que é contra o Mullhouse, ou contra os veteranos do Matra Racing. Há-de vir aí o Braga? Pois será o Neuchatel Xamax, ou o Sion. E quando voltar a ser o Benfica, por Deus, teremos aí o Groningen piorado. Ou o Dínamo de Tirana, em podendo ser.

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publicado às 23:20


salvem o tempo

por besugo, em 02.10.10

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publicado às 23:42


verde-e-branco

por besugo, em 02.10.10

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publicado às 22:47


vermelho e coiso

por besugo, em 02.10.10

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publicado às 22:46


muito obrigado, senhores

por besugo, em 02.10.10

Não prometo voltar ao tema, até porque me é doloroso e as nossas feridas devem lamber-se em silêncio - para não perturbar alheios regozijos.  

Sou funcionário público. Em dedicação exclusiva desde que, em novo, me obrigaram a isso e eu acreditava nisso sem reservas.

Nos dias de hoje já me não obrigam a exclusividades, mas acontece que já passaram quase vinte e cinco anos. Acontece, também, que dediquei esse meu tempo quase inteiro a tentar ser um bom funcionário público e que, suprema aberração do meu  pobre entendimento, creio tê-lo conseguido. E que, como se não bastasse, acredito ainda nisso, nessa coisa de ser funcionário público  em exclusiva dedicação, sem reservas que me esmoreçam demasiado. Por enquanto.

Quem acreditar que fui, que sou e que continuarei a ser aquilo que aqui acima disse, pode zombar de mim, pode dizer-me que sou burro, mas compreenderá, espero, que me sinta apoucado, revoltado e muito triste com o "prémio" que se preparam para me oferecer.

Quem não acreditar em mim, dirá da minha sensação de apoucamento que é ainda escassa, da minha revolta que é grotesca e desta minha funda tristeza que é merecida, por não passar dum "despesista público", por ser culpado dos "enganos" de todas as inocentes gestões de todos os inocentes gestores que inocentemente quiseram gerir o meu trabalho e a minha vida - e que o fizeram, ao longo de quase vinte e cinco anos, como inocentemente lhes aprouve. E poderá dizer, também, que o castigo que me dão agora, consequência final da minha culpa inteira - essa culpa tão grande que enobrece todas as inocências, as antigas e as de agora, todas elas, que há inocências de quase todos os tempos e de quase todas as cores -, peca apenas por ser ainda brando e por demais tardio.

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publicado às 11:33


para memória futura

por besugo, em 29.09.10

Espero que Manuel Alegre venha a ser Presidente da República. Vou votar nele. E não é por ser poeta, que eu nem gosto de poesia.

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publicado às 00:25


pilritos de pilriteiro

por besugo, em 25.09.10

Não gosto do Professor Carlos Queirós. Prefiro dizer que "quem manda na FPF agiu de má fé, mas o Professor não presta" do que proferir um falso e completamente diverso "o Professor não vale um chavo, mas a Federação fede". Devem aliás feder, ambas as entidades, Federação e Professor, o mais que podem. Não será pouco.

O que nos transporta ao Orçamento. O Geral do Estado. Aquele que parece que é preciso que haja e que se aprove (este ou outro, mas que se aprove um) mas que provoca nos seus autores e nos seus sufragadores um daqueles conflitos que a Psicologia tenta explicar com a teoria dos conflitos (aquilo da atracção-rejeiçao, da rejeição atracção e da rejeição-rejeição e, já agora, do "eu queria-te mas às tantas contas ao teu namorado e eu levo no focinho") e que a Psiquiatria forense resolveria, se tivesse asas e independência e voltagem para tanto, com a velhíssima electroconvulsoterapia.

O que nos faz lembrar do estado da cultura em Portugal. Electrochoques é cultura? Também deve ser. Eu acho que a cultura podia estar pior. Por exemplo, o canal Q, que me fica de borla, podia limitar-se a não passar a entrevista que fez ao Fernando Tordo - mas não: deu um bocadinho e depois passou a transmitir uma merda qualquer com uns parvajolas. Ou seja, do mal o menos, deu um bocadinho do Fernando Tordo e eu gostei.

O que nos faz pensar na Literatura Portuguesa e no lugar que João Tordo, filho do Fernando Tordo e, hoje por hoje, mais "in" que o Pai, vai ocupar nela. Será, seguramente, um bom lugar - partindo do princípio que se esmerará mais, nos seus vertiginosos e quase trimestrais romances, na construção frásica gramaticalmente correcta (e menos nas suas noções de escrita criativa) do que se empenha quando se oferta ao "spank my monkey" no seu blogue.

O que poderia endereçar-nos, imediatamente, aos blogues. Mas não endereça. Ao menos para já. Ainda nos falta falar do Pedro Passos Coelho, do Marques Mendes, do Marcelo Rebelo de Sousa, do Cavaco Silva, do Bloco de Esquerda e do seu antagónico(?) émulo PP (de Paulo Portas), do papel estruturante e quinzenal (dantes era quinquenal) do PCP e do Santana Lopes. Falta-nos falar disso. É disso e da senhora doutora Nogueira Pinto e do aparentemente "spineless" Mário Crespo. E, provavelmente - pode parecer fora de propósito, mas a cara do Mário Crespo é o que me faz lembrar -, do caralho. E continuará a faltar, pela parte que me toca hoje. Eu, hoje, de grandes e pesadotas cabeças, fálicas ou não, só falaria se possuísse uma dessas em cima dos ombros. Mas hoje não. Hoje sinto os ombros mais leves, os trapézios mais afrouxados, o que deve querer dizer que sou detentor dum apêndice cefálico para dentro do qual bufaram hélio, ou outro raro gás levíssimo, que me faz cismar fininho e alevantadamente.

O que me recorda o problema da cisma, do "finismo" e do alevantamento. Tenho cismado fininho nisto dos blogues, no pouco e finíssimo tempo que o meu tempo me vai deixando para todas as cismas e para quase todos os tempos. Cisma pouca, portanto. A bastante, contudo, para vos deixar - alevantadamente - com a minha certeza de hoje: nos blogues contam-se poucas histórias e abusa-se um bocadinho da dissecação. Ou da dissecção, se preferirmos aludir a bisturis mais afiados com um mero sinónimo.

Uma vez, numa aula de Anatomia, dissequei parte dum cadáver que me deram para o efeito. Fi-lo porque tinha que o fazer, sem querer provocar naquelas carnações (eu sei que estavam mortas e que fediam a formol, nem sempre me saem bem as alegorias) nenhuma reacção, nenhum comentário, nenhum abraço terno, nenhum "quase zombiano" chapadão nas ventas. Saí-me bem, lembro-me disso, e façam-me o favor de acreditarem que isto é a minha história de hoje - e que talvez devesse contá-la, a querer contá-la, noutro sítio.

 

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publicado às 00:12


o problema búlgaro

por besugo, em 08.09.10

Não sei se será possível que alguém explique à Dra. Joana Amaral Dias que o estatuto de vítima, além da sua justiceira aplicação a pessoas transitadas como tal num julgado qualquer, também se adequa a qualquer condenado nas mesmas transitadas condições - se for, por exemplo, inocente. Se não for possível, paciência: ela sabe e explico-me eu, na mesma.

Digo isto apenas por a ter vislumbrado e escutado (num sotaque um bocadinho afectado e, já agora, afectado não sei por quê, mas não me perguntem nada sobre isso porque eu não entendo dessas afecções, e quem disser que eu disse afectações em lugar de afecções padece largueiro dum sindroma qualquer, mas atenção, para que conste em acta, um sindroma perfeitamente legítimo e benigno e, quem sabe, imprescindível) num fogacho muito isolado - e a vida parece que é cada vez mais feita disto, não é?, e quem sou eu para dispensar a importância jactante e desinserida do momento avulso?, pois é, exactamente, "quem és tu para isso, besugo?" -, dissertando num programa de televisão.

É bem boa. A televisão. Excepto no caso de muitos anúncios, no caso patológico que é o canal do Benfica e, já agora, no caso duma estação búlgara em que se expressam num dialecto de que só entendo metade - mas isso é o menos, porque me disseram, embora eu duvide disso fortemente, que Anabela Mota Ribeiro terá confidenciado, um dia, num eventual blogue que eventualmente teve, andar a ler uma obra dum escritor grego na versão linguística original, sem entender pevas do idiota. Do idioma, peço perdão. 

E digo isto, também, e peço - desde já e uma vez mais - desculpa às pessoas de bem, eu friso, peço desculpa às cerca de oito milhões e novecentas e noventa e sete mil pessoas de bem que há em Portugal e que apenas "querem acreditar que se fez justiça" (um bocadinho naquele estilo do "é preciso fazer alguma coisa, isto é alguma coisa - portanto é preciso fazer isto"), porque depois de ter assistido em casa a alguns vídeos em que o M.P. (não, não sou canadiano e não monto ruminantes sem ser obrigado, o que também não permite inferir que me refira aqui ao Ministério Público, nem aos Monty Python, nem mesmo ao Momento Pascal) interroga algumas pessoas num registo que só não afirmo que é risível porque não estou para ser processado e porque nunca me rio de coisas sérias pelo simples facto de serem (ou parecerem, ou seja, para que pus eu aqui parêntesis, foda-se, leia-se "mil raios", repito, ou seja, o que eu quero mesmo dizer é "pelo simples facto de serem", isto que fique claro) sérias, percebi que entre a solenidade e o ridículo pode existir, apenas, pouco mais que um tom de voz - e reparem que estou longe de afirmar "um tom de mente", tudo separado: eu escrevi mesmo "um tom de voz"; tudo separado, também, e com um "z" no fim - e uma postura.

E também digo isto porque raras vezes faço "linha" e fico sempre com um relativamente irritante sentimento de injustiça (claramente infundado, jogo é jogo, sorte é sorte, isto é mais ou menos à sorte, não é?, pois é) quando, não tendo sido eu a fazê-la (à linha), a senhora que pega nas bolinhas manda (porque quem pega nas bolinhas manda sempre) "seguir para bingo".

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publicado às 23:26


 

 

 

 

 

 

 

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