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A pegada não morreu; apenas deslocámos a maior parte das nossas pegadas para o facebook. Enorme pecado, bem sabemos; mas por estes instantes, em que o tempo não abunda, é mais fácil interagir e publicar ali. Esta nossa casa não desaparece; será sempre a referência principal e o lugar das pegadas mais profundas. No entretanto, e quando não nos virem por aqui, é porque estamos aqui:pegadabook. Cliquem no link (não é necessário ter facebook para ler, apenas para comentar) e/ou façam like acima. A todos os leitores e ao sapo, que nunca nos falhou, pedimos desculpa. É coisa de momentos; a pegada será sempre aqui. Aqui é a regra, este anúncio não revela mais do que uma excepção. Já agora, e também no facebook, mas numa onda diferente -- e em que todos os leitores podem ser autores --, visitem o ouvir & falar.

 

 



Ó Pai Natal!

por Maria Duarte, em 02.12.11

Mã!!!! Sim, querida!?, respondi eu.

Olha que lindo livro de brinquedos que o papá trouxe (ela diz trouche e tem muita mais graça).

Eu olhei: era um folheto duma empresa de brinquedos. Gostas, Madalena? Gosto muito – respondeu com os olhinhos a brilhar. Pronto, então agora toca a dormir que já é tarde. Ela, com um ar desafiador, responde-me: Mã, olha vês aqui no livro?, os brinquedos para as meninas estão a cor-de-rosa e os outros, que não são para meninas estão a vermelho. Sim, filha e depois? Depois???- inquiriu estupefacta - até o Pai Natal sabe que há brinquedos para meninas e outros para meninos. Todos, todos sabem, menos tu mamã. (um suspiro de ai-que-já-estou-a-perder-a-paciência)

O Miguel riu-se à gargalhada e sussurrou-me: Vá. Agora descalça essa botinha.

Amanhã, vou ter de lhe voltar a explicar que qualquer criança pode brincar com qualquer brinquedo. Ter uma filha reguila dá muito trabalho.

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publicado às 14:14


Algo palpável

por Maria Duarte, em 01.12.11

Numa aula de supervisão uma aluna chamou-me.

Queria saber do seu trabalho, se estava bem, se cumpria as normas, se eu gostava. Sentei-me a seu lado e li com atenção. Ela contorceu-se e eu disse: Está bem, mas Margarida preciso que me dê algo mais palpável, menos teórico. Fez-se silêncio. Já levantada olhei  para ela e reparei que ela tinha cerrado os olhos e estava muito ruborizada. Margarida! - exclamei em tom suave. Sim? - respondeu ela. Faz sentido para si o que lhe disse? [Pausa longa]  E a resposta veio: Percebi, percebi tudo. Quer algo mais palpável não é? Aceita o trabalho em braille? Sorri e disse-lhe: Boa, compreendeu-me na perfeição.

Adoro o que faço.

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publicado às 14:14


Oui, c'est ça. Bon dimanche.

por Maria Duarte, em 13.11.11

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publicado às 11:40


É só semântica?

por Maria Duarte, em 10.11.11

Vamos ter crescimento nulo. Pois...

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publicado às 19:12


Reminder

por Maria Duarte, em 09.11.11

Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inlcusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora da minha própria vida. 

Clarice Lispector, in 'Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres'

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publicado às 23:32


Cocinitas

por Maria Duarte, em 08.11.11

Portugal pode perder mais de 700 milhões de euros em contrapartidas da compra dos submarinos.  E agora, Paulo?

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publicado às 13:11


Tertúlias matinais

por Maria Duarte, em 08.11.11
Mã!!! Sim, filha, diz. Eu já sou grande? És grande, mas ainda pequenina. [silêncio e um contorcer das mãos pequeninas e papudinhas] E quando tiver 8 anos sou grande? Sim, és muito maior. Mas porque queres ser grande, Madalena? Ai , suspirou com imensa graça, nunca mais posso fazer coisas boas dos grandes! E que gostavas tu de fazer, minha querida? Tomar um cafezinho e fumar um cigarrinho. Não conseguimos suster o riso. Mas agora vamos ter muito que fazer: explicar que tomar cafezinho e fumar um cigarrinho não são coisas boas dos adultos. Vai uma aposta como a Madalena nos vai “encostar à parede”?

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publicado às 12:34


Mood, Music

por Maria Duarte, em 07.11.11

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publicado às 17:17


Post-it

por Maria Duarte, em 07.11.11

Nós matamos pessoas que matam pessoas, porque matar pessoas é errado. god bless you, usa.

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publicado às 12:53


Fashion deviation

por Maria Duarte, em 07.11.11

Ela é quase bonita. Tem olhos verdes, expressivos, mas quando se ri os dentes entristecem-na. Veste bem, como quem diz: todos os clichés de moda, mas diz córror eu não sou uma fáxion vítima, nem pensar. Podia ser tão bonita. Olhando melhor, usa e abusa da base mais escura do que a cor da sua pele que lhe traça uma máscara, não mais uma das que usa para tentar ser tão bonita como se julga. Dá-lhe , de perto, um ar trágico-cómico. No entanto, veste roupas de marca, ousadas para o seu corpo rechonchudo, mas a ela qualquer trapinho fica bem. Trapinhos de marca, aliás dizem que tem uma alcunha : Miss marcas, com carteira da LV ou Burberrys( não sei se são fakes, nem me atrevo a perguntar porque ainda a vou achar menos bonita), galochas brilhantes da sapataria X, pumps de xadrez vermelho, trenchcoat igual á daquela atriz que não me recordo o nome, punhos repletos de barbaridades penduradas todas da Pandora(não da figura mítica), relógio cravejado de “diamantes” da Svarovsky. Ela é mesmo quase bonita. Abre a boca e tece, entusiasmada, horas e horas de comentários sobre a casa dos segredos, que nunca vê, mas teve de ver o último por causa das conversas que ouve no cabeleireiro. Até é engraçado, nunca vistes? Tens de ver. Aquilo dava uma boa tese para ti que és dada a essas coisas da imagem das mulheres na televisão e revistas. Debita tanta informação e com tanta veemência como eu lhe falo das injustiças, do perigo em que o povo português se encontra. Não gosta de política e muito menos dessas conversas. Quase bonita. Desemprego? Não tem medo, diz-me enquanto pinta as enorme unhas, bem tratadas, de azul turquesa( está na moda e liga tão bem com o blazer de veludo que comprou ontem). Sabe quem é, sabe fazer inúmeras coisas, auto-estima nunca lhe faltou. Isso e homens atrás dela. [Podia ser tão bonita] Sabes, eu não gosto de falar disto, mas o governo faz o que pode, os outros deixaram aquilo tudo mal. Que outros? Sei lá, eles são todos iguais, mas o Nuno diz que este é o melhor governo que lá esteve desde sempre. Ah sim?( soltei eu) e então porquê? Então não é que só eu ainda não vi que estão a salvar Portugal, para nos tornarem uma nação de gente como os outros países desenvolvidos e nunca mais termos de pagar aos drógados, sim é assim que ela pronuncia [ podia mesmo ser bonita] rendimentos que tomara ela receber. Olho para ela e penso: podias ser tão bonita, acredita! podias mesmo.  Um trauseunte passa e diz : ó sótora dê-me um cigarrinho e eu brinco e digo-lhe que não sou  dótora, sou engenheira e ofereço-lhe o maço para tirar um. Ele agradece e desculpa-se, mas dótora não é ofensa, pois não? Sorrio e desvio o olhar para ela. O ar de censura materializa-se em palavras: muito sinceramente, diz com solenidade, acho que não te conheço, Maria. Até me fazes ter medo destes mendigos todos, córror. E agora tornaste-te alternativa a vestir? Pareces aquela malta dos tolinhos dos resignados ou lá o que é. Só te falta usar rastas.

Sorri e pensei em voz alta: podias ser tão bonita. Mas não és.

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publicado às 12:10


Domingo

por Maria Duarte, em 06.11.11

Não acordei assim. Sinto-me assim. Bom domingo, enquanto continuamos a ter domingo(s).

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publicado às 11:41


Crónica de uma despedida não anunciada

por Maria Duarte, em 05.11.11

É com imenso prazer, caro senhor, que lhe venho transmitir publicamente que não comparecerei mais no meu lugar de trabalho. Dirá que não estou no meu perfeito juízo, que os tempos não estão para pruridos como os meus. Honestidade, empatia e ética. São esses os meus pruridos, na sua boca. Para mim são qualidades únicas porque se deveriam pautar todas as relações, as profissionais incluídas.

Estou a prejudicar, gravemente, os propósitos da organização que julga chefiar. Fez-me sentar numa espécie de tribunal marcial: “Tem consciência dos graves erros que cometeu?”- perguntou-me VSª em frente da equipa de trabalho- “ Erros graves?...Não, conscientemente não cometi qualquer erro” [ fez-se silencio]” Pense bem porque eu interditei a sua entrada até hoje porque quis colocar a questão a nível da direcção nacional” “ Desculpe? Fala de quê?”[inquiri de olhos arregalados]” Não me diga que se refere ao fato de ter dado leite a uma mãe desesperada para alimentar o seu filho?”.

A ventania imperou e veio o veredito:” Claro que sim. Não devemos nunca dar nada do nosso bolso. Para isso há instituições que providenciam alimentos. Eles( este eles foi dito assim como se de coisas se tratassem) que esperem pela distribuição do Banco Alimentar ou outra coisa qualquer. Ou vai dar a toda a gente?”

De lágrimas a turvarem a visão apenas disse: “ Que faria se estivesse no meu lugar e uma mãe lhe pedisse leite para o seu bebé de colo?”

Resposta rápida: “ Que não lhe dava. Que saiba gerir a sua vida. Eles ( voltou a coisificação) vão sofrer muito em breve e todos vamos. O que vai fazer então? Dar o que tem na sua casa e vir para aqui andrajada?” “ Com esta gente só se consegue fazer alguma coisa se não houver pessoas como você armadas em polícia bom” [ o tom aqui era quase ensurdecedor].

As lágrimas não se contiveram e rolaram na mesa. Levantei-me. Decidida.

“ Desculpe a honestidade e a ética que me acompanham, mas eu não ficaria descansada sabendo que uma criança de colo poderia estar sem leite durante, pelo menos três dias!”

“Inadmissível! “- gritou VSª.

Saí porta fora e ninguém tentou deter-me ou defendeu que o meu ato não fora uma monstruosidade.

Malditos projetos revestidos de solidariedade. De humanismo. De coisa nenhuma.

Estou sem trabalho, mas sei que de 28 de Outubro até hoje um bebé tomou leite. Amanhã não sei , mas enquanto cidadã irei saber.

Caro senhor e senhoras, passem bem que o vosso projeto não vai sobreviver. Porque o dinheiro também se vai acabar para VSªs.

Viva Portugal [dos pequeninos e pequeninas pessoas].

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publicado às 23:52


 

 

 

 

 

 

 

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