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A pegada não morreu; apenas deslocámos a maior parte das nossas pegadas para o facebook. Enorme pecado, bem sabemos; mas por estes instantes, em que o tempo não abunda, é mais fácil interagir e publicar ali. Esta nossa casa não desaparece; será sempre a referência principal e o lugar das pegadas mais profundas. No entretanto, e quando não nos virem por aqui, é porque estamos aqui:pegadabook. Cliquem no link (não é necessário ter facebook para ler, apenas para comentar) e/ou façam like acima. A todos os leitores e ao sapo, que nunca nos falhou, pedimos desculpa. É coisa de momentos; a pegada será sempre aqui. Aqui é a regra, este anúncio não revela mais do que uma excepção. Já agora, e também no facebook, mas numa onda diferente -- e em que todos os leitores podem ser autores --, visitem o ouvir & falar.

 

 


Nas cerimónias municipais das comemorações do 25 de Abril no Fundão houve um discurso em particular que é perfeitamente revelador do pensamento de alguns dos nossos governantes. O jovem deputado municipal que representou a bancada do PSD, depois de citar alguns sofistas sobre a arte de fazer política, afirmou que acreditava num país sem um estado providência, disse-nos que acreditava num país em que o emprego não é para a vida e no qual, quem pode, paga a saúde e a educação. Suponho, por boa fé, que nesta sua visão o estado se encarregaria de pagar a educação e a saúde dos pobrezinhos.

Para que estes pensamentos não pareçam pura maldade, o argumento principal usado para defender estas ideias é que o país não tem dinheiro para manter um estado providência. É a tal ideia de “nós também gostávamos mas temos de nos cingir ao domínio do possível”

Há vários problemas nestes pensamentos, auto intitulados de reformistas, que estes jovens especialistas que pululam no PSD (e, infelizmente para nós, também no governo) gostam de proclamar, apoiados por um dos seus gurus, o Ministro Gaspar.

Primeiro, Portugal, nunca conseguiu realmente ser um estado providência para todos os portugueses. Aliás o grande problema de Portugal é que o estado tem sido mais providencial para os monopólios das grandes empresas estupidamente privatizadas, como a EDP, a REN, a GALP ou PT, tem sido providencial para alguns bancos e banqueiros, tem sido providencial para alguns grupos financeiros, curiosamente, na sua genética, os mesmos de há um século, mas não tem sido providencial para todos os portugueses.

Apesar das grandes melhorias dos últimos 39 anos, a verdade é que só quem não conhece Portugal pode dizer que todos têm o mesmo acesso à saúde e à educação, ao transporte, à habitação e aos direitos mais elementares dos trabalhadores, mesmo antes desta crise especulativa se ter iniciado.

Assim, na realidade, o que estes jovens reformistas “sociais democratas” (note-se, sociais democratas entre aspas) querem dizer, não é que vão acabar com um estado providência em nome do possível, mas sim acabar com algumas "benesses" que todos partilhávamos e que são bem baratas comparadas com o que custam os verdadeiros beneficiários da nossa providência.

Segundo, Portugal é um país demasiado pequeno e assimétrico para implementar o liberalismo defendido por estes jovens especialistas. Alguém acredita que sem uma redistribuição da riqueza produzida em Portugal, sem solidariedade inter-regional e inter-geracional se pode manter um país socialmente ou até fisicamente coeso? Agora sou eu que vos falo do domínio do possível. Simplesmente não é possível. Como somos um país extremamente desigual na distribuição da riqueza, se o estado se demitir de fazer uma justa redistribuição, então só meia dúzia de privilegiados terão direito a uma educação e a uma saúde de qualidade, o que resta para nós, os outros, são uns serviços mínimos de saúde e educação.

Por último, até há bem pouco tempo achava que a única solução para recuperar a nossa soberania, dignidade e esperança era sair do Euro, hoje já não sei. Toda a Europa já percebeu que esta auto-austeridade nos vai levar a um colapso gigantesco, e não é só nos países do sul não subservientes que está a ser repensado um novo caminho, é também na própria Alemanha que as alternativas estão a ser equacionadas. Por isso o que se pode pedir a estes jovens reformistas é que esperem, peçam mais tempo, e parem com este afã destruidor das conquistas do Portugal de Abril que ainda restam. Pensem duas vezes antes de destruir a nossa rede de transportes, a escola pública e o serviço nacional de saúde.

É um país inexistente que queremos para os nossos filhos?

A única forma de podermos pagar as nossas dívidas é, primeiro, livrá-las de uns juros agiotas, e depois crescer economicamente com o estado a ajudar o renascimento da produção nacional, seja ela agrícola, pesqueira ou industrial.

Evidentemente que cada um tem direito a escolher a ideologia que mais lhe agrada, até tenho o profundo gosto pela discussão, mas, para mim há um limite a partir do qual não tenho qualquer tipo de consideração pelas ideias dos outros. É um limite simples e de bom senso, todas as ideologias que posso respeitar têm como fim último o bem estar dos povos, de todo o povo, e não só o bem estar dos afortunados ou iluminados. Mesmo as ideologias clássicas que não partilho, cuidam dos seus mais desfavorecidos, sejam velhos, doentes, crianças ou incompetentes. Não acredito no pecado dos povos, nem no castigo, nem na expiação. Para mim a arte de fazer política, não é fazer os possíveis e os impossíveis para ser eleita. A arte de fazer política é partilhar ideias e agir, com mais ou menos dúvidas, na direcção de um melhor futuro, é lutar diariamente, e dentro do que cada um é capaz, por um mundo melhor para todos.

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publicado às 11:10


Bom Natal

por Catarina Gavinhos, em 22.12.12

 

Passos quer que “em cada português haja um soldado para vencer a guerra da crise"

Eu espero que estes traidores que nos governam deixem o poder antes de fazerem de  nós soldados para os vencer.

 

Bom Natal!

 

 

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publicado às 11:06


Portagens (intervenção de 3/10 na AM do Fundão)

por Catarina Gavinhos, em 04.10.12

Todos os dias faço 80km para ir trabalhar e voltar para casa. Até há pouco tempo fazia esse percurso na A23 e demorava menos de 30 minutos a chegar ao meu trabalho. Agora não, uso a Estrada Nacional 18 e demoro mais 10 minutos. Perco mais 20 minutos por dia, mas não posso acrescer às minhas despesas 80 euros por mês, afinal sou funcionária pública, o que quer dizer que nos últimos dois anos sofri um corte nos meus rendimentos de 30%. O empréstimo para pagar a casa que comprei numa época em que nem sequer havia casas para alugar mantem-se.

Nestas minhas viagens tenho cada vez mais tempo para pensar, sou uma optimista e gosto de ver o lado positivo até das tragédias. No outro dia, às 8:30 da manhã, em filinha indiana fartei-me de rir com a situação. Temos uma estradita entupida, à mercê dos rebanhos que ainda por lá passam, e a menos de50 metrostemos uma auto-estrada luzidia, com o tráfego do lá vai um. Imaginem ter de explicar isto a um extraterrestre, basta imaginar a qualquer não português. Não dá, é de um absurdo tão grande que não dá para explicar.

Os nossos magníficos governantes que negociaram este processo garantiram à concessionária um lucro sem risco, o que quer dizer que quanto menos nós passarmos na A23 mais o estado paga por terem falhado as inenarráveis previsões. Ora, os nossos magníficos governantes de agora mostram-se incapazes de rasgar este tipo de contratos ruinosos e ainda por cima obrigam todos a pagar umas portagens para as quais nem as empresas nem as pessoas têm dinheiro.

Claro que vão existir mais acidentes, que mais gente ficará ferida ou até mesmo morrerá, e todos vamos perder mais tempo. Se o resultado dos acidentes for a morte não é uma tragédia para o governo, afinal a probabilidade do morto ser um pensionista ou um desempregado é cada vez maior, logo o seu desaparecimento é um benefício para as contas públicas. Os feridos é que é pior, a não ser que comecem também a racionar os tratamentos aos acidentados.

Parece que este governo está habituado a modelos económicos aos quais falta claramente a variável portugueses, esta corja de piegas, cigarras e ignorantes que, ainda por cima, em tempos de crise, não gastam dinheiro… E que, apesar das ideias geniais do governo e do Borges, continuam a fazer derrapar as contas públicas e o deficit. Logo a eles, que têm uns modelos tão bonitos, ainda mais bonitos que os da tróica, havia de lhes calhar este povo!

Hoje, depois de termos tido o desprazer de ouvir em segunda ou terceira mão, as inevitabilidades que nos esperam, depois de ter sido abandonada a inevitável subida da TSU para os trabalhadores, só me apetece dizer que esta última mudança  inevitável  no pagamento das SCUT, acabando com os benefícios para os moradores, foi só o corolário de um processo que não consigo qualificar de tão ignóbil que é. Dá vontade de lhes dizer que podem ficar como os 15% das portagens mais caras do país e… fazerem o que bem entenderem com eles. Os portugueses já perceberam que a única coisa verdadeiramente inevitável não tem nada a ver com política.

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publicado às 18:22


Porque é que o “Relvas inda está no governo”

por Catarina Gavinhos, em 07.08.12

A culpa desta crise não é exclusiva de nenhum governo deste país. Nem o caminho escolhido para sair da crise é essencialmente do presente. O que surpreende no governo de Passos Coelho é a forma como abraçou as escolhas exteriores, como sendo as suas, indo, nas suas próprias palavras, muito para além do acordado com os agiotas da tróica. Aparentemente, a sua ideologia parece ser este austeritarismo cego e purificador, que, apesar dos resultados desastrosos, continua a defender com unhas e dentes. Cada vez mais tenho a certeza que isto não é mais do que uma cortina de fumo para destruírem o país, todos os países do sul, vendendo-os ao desbarato a quem assegurar as melhores comissões.  

Não estarei a demonizar pessoas que até têm boas intenções? Talvez alguns achem mesmo que o caminho para a prosperidade é um neo-liberalismo bacoco e que, na presença de países cada vez mais pobres às suas mãos, vão à missa todos os domingos procurar a pacificação da sua consciência, procurando conforto naquele Deus que lhes perdoa os pecados se contribuírem para a fé.

Quem ainda vive em Portugal já percebeu que há cada vez mais gente a não conseguir pagar a energia e a água que consome, as fontes estão cada vez mais concorridas. Já percebeu que há muitos medicamentos esgotados, que a saúde está incomportável para a classe média e que às classes mais baixas são exigidos tantos comprovativos da sua miséria que nem sempre conseguem assegurar os seus direitos. Pode ainda não ter percebido, mas em Setembro vai perceber porque é que o Ministro Crato declarou que 10% dos professores do quadro como prescindíveis: o ensino vai recuar 30 anos! E os idiotas que acham bem é porque não se lembram do que era e para quem era. E para quê? Para baixar um deficit que teima em subir? Para diminuir a dívida pública que teima em aumentar? Para cumprir um acordo com a tróica que não é possível cumprir? Não! Todas estas medidas servem para transformar serviços e bens públicos em negócios rentáveis, não para o estado, mas para privados obscuros entrincheirados no anonimato da psicologia dos “mercados”. Dizem eles que querem um estado mínimo, mas eu acho que muitos deles nem sabem o que isso é. Serão os governos dos países do sul da Europa constituídos por traidores? Na realidade, o problema é que o estado não lhes paga as tais comissões, pelas quais tanto lutam. E, aparentemente, os “mercados” só descansam quando tiverem nas mãos todos estes bens e serviços. Os “mercados” desistiram de investir no sector produtivo na Europa do sul, acham mais fácil ganhar dinheiro vendendo os bens e serviços essenciais à vida, um caminho falhado, porque nós não vamos ter dinheiro para lhes pagar.

Estou a escrever este texto na PEGADA de uma forma livre. Vês, tens liberdade de expressão. E é verdade, tenho, por enquanto. Atacar os direitos dos trabalhadores da forma como eles têm sido atacados, desempregar um quinto da população e diminuir-lhes drasticamente o valor e o tempo do subsídio de desemprego e pôr em prática medidas que são escandalosamente apresentadas como boas, como a que ontem entrou em vigor em Portugal e que permite acumular um ordenado com o subsídio de desemprego, vai fazer com que o mercado de trabalho procure basicamente escravos. A minha liberdade é a liberdade de quem trabalha e é remunerada pelo seu trabalho, porque se me tirarem o trabalho e/ou a respectiva remuneração eu deixo de ter esta liberdade. Não me digas que se isso acontecer vais deixar de dizer e escrever o que pensas? Não sei! Não porque me apontem uma pistola à cabeça, mas porque poderia ter de gastar todas as minhas energias na luta pela sobrevivência.

Talvez me tornasse uma empreendedora a vender água porta a porta…

Ah, e o “Relvas inda está no governo”, como diz o meu amigo António Filipe, porque ainda não fechou o negócio da RTP. 

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publicado às 14:01


Os mineiros

por Catarina Gavinhos, em 11.07.12

Não sei, mas desconfio que os nosso amigos espanhóis não vão assistir tão mansamente à escravização do trabalho que nos estão a impor. Por cá só os médicos, os professores e os trabalhadores dos transportes públicos é que ainda conseguem protestar, os outros, quase todos, perderam a sua capacidade de reivindicar seja o que for. 

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publicado às 00:58


Meritocracia

por Catarina Gavinhos, em 01.07.12

A propósito de um dos títulos do Público de hoje - “ Ser “Excelente” já não basta para vencer” - voltei a pensar naquele discurso irritante dos ultra-liberais que anda por aí a espalhar que a pobreza é um estado de espírito. Quem trabalha, quem não desiste, quem é empreendedor, dizem eles, consegue sempre o que quer. É mentira, há muita gente que trabalha muito, que luta muito e que não consegue sair da pobreza e do desemprego, neste mundo com cada vez mais mercados e menos estado. Os desafortunados precisam de ser protegidos por um estado forte e solidário.

 

Nesta minha primeira intervenção na Pegada, deixo-vos uma Ted talk  de que gostei muito:

 

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publicado às 15:21


 

 

 

 

 

 

 

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