Quarta-feira, 22.02.12

A ERVA MOLHADA

por Adriano Pacheco às 16:00

Paira o cheiro da erva molhada

Pela encosta do soalheiro

No cume do monte cimeiro

Solta-se um fogo que arde

E nos olhos vai caindo a tarde

 

Soltam-se os dias e o tempo passa

Num espaço leve e sereno

Assim a vida se vai gastando

Mas como, onde e quando

Se o cantinho é tão pequeno?

 

Minha terra minha doce lonjura

Meu espaço de breve lembrança

Longe, tão longe, ficou a criança

Perto, tão perto se estende

brancura

Bordada pelo fumo da distância

 

Verde, tão verde breve ficaste

Num tempo em que tudo mudou

Tudo mas tudo se esfumou

Na mente e na gente que criaste

 

 

 

 

Domingo, 19.02.12

PARA ONDE VAMOS

por Adriano Pacheco às 16:00

De silêncio em silêncio

Chego ao murmúrio das águas

Ao som que deixou brado

Às serras vales e fragas

Num tempo morno acabado

 

Longe do tempo segue a brisa

Em busca das vagas do sonho

São luzes de vagos sinais

Vêm de perto ou de longe

E perdem-se nos vendavais

 

Perto bem perto soa o clarim

Dum tempo já acabado

Mas o murmúrio do riacho

Lembra-me o som doutro lado

 

De silêncio em silêncio

Lentos, vazios, caminhamos

Sem sabermos… para onde vamos

 

Sábado, 18.02.12

POEMAS DAS ÁGUAS - RESISTENTES DO TEMPO

por Adriano Pacheco às 16:00

Na erma solidão da terra

Os que não morrem

velam

Os que velam testemunham

amanhã

Os que cheiram a passagem

do tempo

Levam consigo o pensamento

 

Somos deste tempo confidentes

Desta chama fogo trepidante

Deste nefasto murmúrio

complacentes

Ouvidos calmos e tolerantes

 

Somos produto mal tratado

Dum tempo que não se contém

Quando vai não se despede

Anuncia-se logo, quando vem

 

Ficamos assim mal tratados

E dum tempo desapossados

 

 

Domingo, 12.02.12

MAR SERRA E BRISA

por Adriano Pacheco às 17:00

 

Solta-se a brisa e o mar rebenta

Solta-se areia em bancos

de espuma

Solta-se a manhã de cinzenta

bruma

E na crista da onda tudo se esfuma

 

Solta-se o brado numa onda

de fúria

Solta-se uma vaga nebulosa

E um olhar vago se descuida

Numa face condoída

A crista da onda vitoriosa

 

Assim se rasga novo espanto

Na cor do céu contemplativo

No rosto aberto vem encanto

Entre céu e mar fica o sentido

 

Nada mais cabe neste horizonte

Apenas mar, serra, vale e monte

 

 

 

 

 

Quinta-feira, 09.02.12

O principio e o fim

por Adriano Pacheco às 17:30

Há um caminho para seguir

Num vale que não conheço

Por que estou e por que vou?

Num rio largo que encheu

E nos contornos se perdeu

 

Somos feitos desse caudal

Desse movimento sem fim

Por momentos estancou

E logo tudo se renovou

Porque ficou dentro de mim

 

Há um princípio e um fim

Numa longa caminhada

Mas se o fim nos redime

Há sempre quem se afirme

Por tudo, que reduz a nada

 

Mas é no caminho que tudo

se resume

Onde tudo se devora na chama

do lume

Segunda-feira, 06.02.12

O TOM E O SOM

por Adriano Pacheco às 16:30

Queria dizer uma palavra

Fosse ela apenas um som

Uma palavra que mudasse

o rumo

Nas faldas da serra ou no vale

Apenas um sinal de fumo

 

Podia ser apenas um verso

Que alterasse todo o sentido

Uma sílaba ou um fonema

Parte vibrante do poema

Nem que fosse um latido

 

Se tudo começa no latido

E se fica no puro som

Para que nos serve o tom

Por que busco então o sentido?

 

O tom é o ponto de partida

O som é caminho p’ra saída

 

Sábado, 04.02.12

UM CAIS VAZIO

por Adriano Pacheco às 16:00

No cais de súbito vazio

Vens na hora do entardecer

Chegas com graça ou estigma

Envolta de luz ou enigma

 

Não sei bem como entender

A luz e um busto vazio

Se espero vem o entardecer

Se avanço foge proa do navio

 

Recebo a luz com agonia

No cais das despedidas

Soltam-se ais nos desenlaces

No cais de todas as partidas

Tudo é vertido como esperastes

 

São ventos, ais e vago arrepio

Depois, silêncio e quietude

Ausência de tudo, enorme vazio

tags: ,
Quinta-feira, 02.02.12

QUE PAÍS É ESTE

por Adriano Pacheco às 16:00

Soltam-se vagas de vento

Em fúria quase errante

Solta-se o mar por dentro

E no pensamento

Brilha uma luz distante

 

Soltam-se ondas alteradas

Trazem espuma de degredo

Trazem brancura doutro sal

E nos sulcos do areal

Soltam algas, escondem medo

 

Nesta faixa verde de luz

Que cheira a algas e a resina

Sopra vento no monte cimeiro

E quando o sal cristaliza

Brilha na água, cresta o pinheiro

 

Qual o país onde isto existe

Cor cinzenta do amanhecer

Num sol dourado

Que se mostra num rosto triste?

 

 

 

 

Domingo, 29.01.12

ÁGUA E ESPUMA

por Adriano Pacheco às 18:30

POEMAS PERDIDOS

 

Correm torrentes de água

Num vale que se chama rio

De mágoas elas vão cheias

Nas rochas ficam sereias

Na escuta d’eterno vazio

 

No grande rio ou nas veias

Correm sempre em turbulência

Serenas num lastro vazio

Num vale que se chama rio

Vão fogosas na aparência

 

São águas que enxameiam

Correntes em turbulência

São chamas que incendeiam

Alma cheia de inocência

 

Desta água que me atormenta

Haverá espuma que acrescenta

 

Quarta-feira, 25.01.12

SENHORA DOS VENDAVAIS V

por Adriano Pacheco às 16:00

No alto dos montes sagrados

Espera-se o pôr do sol

Como logo o amanhecer

Os tempos como os momentos

Tudo assim se encaminha

atrás do sol

Tudo se compraz e se aninha

 

Tudo se afasta e se aconchega

Com harmonia e beleza

Num Deus que dialoga por

momentos

E com a natureza por alguns tempos

 

Se a beleza nos aproxima de Deus

De um Deus tão luminoso

A natureza faz o quadro final

Então onde está o mal

Ser da natureza produto

E de Deus ser um fruto?

 

Sexta-feira, 20.01.12

Senhora dos vendavais IV

por Adriano Pacheco às 15:00

Há na sombra dos meus pecados

Dúvidas das minhas certezas

Por que te chamo e te oiço

Por que te falo e me escutas

Se não sei rezar…

Por que me esperas e me perguntas?

 

Vejo-te tão longe e distante

Quando os ventos sopram de feição

Por que te afastas quando me elevo

Por que te aproximas protectora

E depois… me deixas senhora?

 

Não sei as coordenadas do teu

trajecto

Mas sei que em cada rua há

uma esquina

E logo um ângulo cortado

Há uma serra verdadeira, outra

em sentido figurado

 

 

Quarta-feira, 18.01.12

Senhora dos Vendavais III

por Adriano Pacheco às 14:34

 

Senhora de mistérios e arrogância

Trazes contigo um segredo

Se é do teu boreal, zéfiro ou noto

Diz por que é que me esperas

E por que me trespassas de medo

 

Há nesse teu contínuo arfar

Um brilho no sentido mágico

Corres lesta com mensagem

Vejo-te sempre em viagem

E afugentas o sinal trágico

 

Levas contigo um segredo

Senhora de todas distâncias

Não sei por que tenho medo

Se em ti tudo são fragrâncias

 

Toda ironia em ti se conjuga

Como se os versos fossem teus

Não sei se és a natureza

Ou se te confundo com Deus

 

 

Domingo, 15.01.12

SENHORA DOS VENDAVAIS II

por Adriano Pacheco às 14:00

Não sei dos teus aposentos
Senhora por que sopras tanto?
É a angústia dos teus lamentos
Azedume dos teus ventos
Ou lampejos do teu encanto?
 
Vento, sorte, sina e destino
Amor firme e verdadeiro
Tudo em ti tem o mesmo
fado
Canto soalheiro, sol dourado
Tudo se conjuga no mesmo
tempo
E são rajadas do mesmo vento
 
Senhora por que me esperas
No vale da tua fertilidade
Cruzas-te no meu caminho
Sabendo que sofro sozinho
Doença de eterna saudade

Sexta-feira, 13.01.12

SENHORA DOS VENDAVAIS

por Adriano Pacheco às 15:00

I

De que lado sopram os teus ventos

Donde vêm e para onde vão

Arrastam tudo pelo chão

Não entendem os teus sinais

Quem és senhora dos vendavais?

 

Não conheço os teus ideais

Senhora que te deitas e te

levantas

Que semeias tantas esperanças

Vens lá dum ponto cardial

Percorres montes e montes

Sem nunca deixares sinal

 

Quem és tu senhora dos vales

e das serras

Quem és tu que há tanto tempo

me esperas?

Terça-feira, 10.01.12

O TAMANHO DO SONHO

por Adriano Pacheco às 16:00

Com os pés sentiste a dureza

das pedras

Com os pés rasgaste a pele

e a alma

Com os pés saltaste lume

e labaredas

Com os pés fizeste o caminho

Onde sentistes o calor delas

 

Com os braços agarraste

o mundo

Com os braços abraçaste os montes

E nos teus olhos se abriram

anseios

Que rasgaram outros horizontes

 

Tens olhar do tamanho dos sonhos

quando gravitas

No espaço onde cresces e levitas

Ergues-te depois pelo som do grito

E sonhas para lá do infinito

 

Nos teus braços se envolvem

horizontes

E nos olhos rebentam as fontes

 

 

 

 

 

Sexta-feira, 06.01.12

O TAMANHO DO SONHO

por Adriano Pacheco às 16:00

Com os pés sentiste a dureza

das pedras

Com os pés rasgaste a pele

e a alma

Com os pés saltaste lume

e labaredas

Com os pés fizeste o caminho

Onde sentistes o calor delas

 

Com os braços agarraste

o mundo

Com os braços abraçaste os montes

E nos teus olhos se abriram

anseios

Que rasgaram outros horizontes

 

Tens olhar do tamanho dos sonhos

quando gravitas

No espaço onde cresces e levitas

Ergues-te depois pelo som do grito

E sonhas para lá do infinito

 

Nos teus braços se envolvem

horizontes

E nos olhos rebentam as fontes

 

 

Quarta-feira, 04.01.12

MOMENTO PALPITANTE

por Adriano Pacheco às 16:00

Sinto o mar agitado

Como seguisse a crista da onda

Como se fosse no balanço

enrolado

Remoinho do tormento

Aperto dum arfar cansado

que sinto cá dentro

 

Sinto a serra alterada

Como se a giesta fosse tenra

de raiz e fraga

Amor primeiro de sentimento

No sabor de zimbro e framboesa

Aroma cristalino da natureza

 

Sinto o palpitar do momento

Como se o brio redobrasse

por dentro

E a voz quebrada se apagasse

Perante a encruzilhada

Outro ar, outra vida brilhasse

 

Tudo se redobra no momento

Tal como forte contentamento

 

 

 

 

 

Segunda-feira, 02.01.12

O GRITO DOS PENEDOS

por Adriano Pacheco às 14:30

Aqui nas faldas das colinas

Em manhãs douradas

e ventos soberbos

Quem assume a neblina

dos arvoredos

Quem protesta e roga aos céus

brisa amena

Se os ventos são bafejos de Deus?

 

Os penedos se erguem para lá

dos montes

Com o fulgor que reluz

Na grandeza que se ergue

se eleva como luz

Se propaga como trovão

Se esmaga e faz tremer

o xisto rugoso do chão

 

Por que temos esta grandeza

tão grande

Que mal se sabe e se conhece

Que se expõe e engrandece

O nosso pequeno horizonte

Sob o olhar que nos conhece?

 

Sabe um deus e o seu olhar

Com que pena temos dito

Mas o eco só redobra o nosso grito

tags: ,
Sexta-feira, 30.12.11

A TROVOADA

por Adriano Pacheco às 16:40

Elevam-se sons no firmamento
Torre fantástica sem abrigo
Vergam-se plantas em desalinho
Curvam-se pela força do vento
E protegem-se do destino
 
Movem-se nuvens, levanta-se
a brisa
Solta-se aviso de mudança
Muda-se o vento e a confiança
Caem gotas, a água desliza
No meu peito cresce a esperança
 
Soltam-se raios dum céu cinzento
A serra esconde-se enevoada
Tudo no céu se aconchega
Lá longe se ouve trovoada
 
Esmaga-se na terra molhada
Gotas grossas da forte trovoada

Terça-feira, 27.12.11

O TAMANHO DO SONHO

por Adriano Pacheco às 14:25

Com os pés sentiste a dureza

das pedras

Com os pés rasgaste a pele

e a alma

Com os pés saltaste lume

e labaredas

Com os pés fizeste o caminho

Onde sentistes o calor delas

 

Com os braços agarraste

o mundo

Com os braços abraçaste os montes

E nos teus olhos se abriram

anseios

Que rasgaram outros horizontes

 

Tens olhar do tamanho dos sonhos

quando gravitas

No espaço onde cresces e levitas

Ergues-te depois pelo som do grito

E sonhas para lá do infinito

 

Nos teus braços se envolvem

horizontes

E nos olhos rebentam as fontes

Sexta-feira, 23.12.11

PARA ONDE VAMOS

por Adriano Pacheco às 16:00

Na turbilhão da nascente

Troco uma sílaba

afogada

Por uma gota endiabrada

De todas quantas navegam

e se apegam

Na marcha da corrente

 

São gotas infindas, amarradas

Que buscam o céu duma foz

Perdidas ou destacadas

Seguem a corrente do brilho

E no trilho mais escavado

Também podemos ir nós

 

Somos elos dessa ligação

Que buscam o verde junco

Tão verde quanto viçoso

Tão arreigado e presunçoso

 

Quem somos, para onde vamos

Quem ditou o lugar que ocupamos?

 

 

 

tags: ,
Quarta-feira, 21.12.11

SILABA BRILHANTE

por Adriano Pacheco às 17:00

Queria do sol a sílaba

mais ardente

A mais errante e luzidia

De fascínio incandescente

Vivo ou dormente

Numa aurora amanhecida

 

De frémito fulminante

Queria a sílaba mais errante

Tão viva ou ensombrada

Tão esquecida ou lembrada

Fonte de brilho fascinante

 

Dum brilho forte inflamado

Vem no céu enevoado

Ficaria mais perto da terra

Tão perto humilde e sereno

Na partilha do nosso terreno

 

Mas o céu cinzento se esqueceu

Da pobre sílaba que se ergueu

Terça-feira, 20.12.11

O PESO DA MEMÓRIA

por Adriano Pacheco às 16:00

Quando te espero no tempo

Sou apenas saudade

e ausência

Antes da vida e depois

da permanência

Antes de tudo o que sois

Fica memória na dependência

 

És tu que fazes nascer os dias

As auroras e as manhãs

sem vento

O perfume das pétalas aladas

As folhas inertes caladas

Nas dobras profundas do tempo

 

És tu que dás cor aos dias

Quando a mente já entorpecida

Desce à terra empobrecida

Liberta a face do seu rubor

Que arde em chamas d’amor

 

Depois sozinho neste lugar

Vejo a sombra no espaço

E na fronteira do invisível

Cai aroma de leve perfume

Na saudade que arde no lume

tags: ,
Domingo, 18.12.11

MOMENTO PALPITANTE

por Adriano Pacheco às 16:30

Sinto o mar agitado

Como seguisse a crista da onda

Como se fosse no balanço

enrolado

Remoinho do tormento

Aperto dum arfar cansado

que sinto cá dentro

 

Sinto a serra alterada

Como se a giesta fosse tenra

de raiz e fraga

Amor primeiro de sentimento

No sabor de zimbro e framboesa

Aroma cristalino da natureza

 

Sinto o palpitar do momento

Como se o brio redobrasse

por dentro

E a voz quebrada se apagasse

Perante a encruzilhada

Outro ar, outra vida brilhasse

 

Tudo se redobra no momento

Tal como forte contentamento

 

 

 

tags: ,
Sexta-feira, 16.12.11

DOCE OUTONO

por Adriano Pacheco às 16:00

Outono doce Outono

Das brisas suaves e quentes

E tempestades frequentes

Das folhas leves amarelecidas

Pendentes nos amores findos

Em tardes longas esquecidas

 

Outono doce Outono

Dos vendavais desaparecidos

E campos rejuvenescidos

Nos amores renovados

Nos cânticos acabados

 

Outono doce Outono

Réstia de luz e suave cor

Dum Verão quase acabado

E na minha alma perdida

Se aninham folhas desbotadas

 

No Outono ninguém se ficou

Para um Inverno que cedo chegou

 

Paxiano

 

Quinta-feira, 15.12.11

AMBIÇÃO DESMEDIDA

por Adriano Pacheco às 16:00

Faz de mim o teu espaço

O teu barco de refúgio

Tua viagem ao outro lado

Teu porto, teu cais

Teu recanto e aconchego

Teu doce mentolado

 

Faz de mim luz, a tua luz

No beco escuro da tua rua

Ou na calçada da tua estrada

O degrau que sobe e desce

E que merece

Ser o primeiro da tua escada

 

Faz de mim nesga abençoada

Réstia do sol da tarde

Nos Outonos entristecidos

Refúgio de todos os loucos

E dos outros, quase perdidos

 

Isso seria a bênção sem medida

Que venceria a causa perdida

 

 

 

 

 

 

tags: ,
Segunda-feira, 12.12.11

LUZ INTERMITENTE

por Adriano Pacheco às 14:38

Se o vento um dia se calar

Fica desperto ao meu lado

Vigiando os meus passos

Tão gastos e pesados

Como se mexessem parados

 

Fica bem perto de mim

Vigiando os meus fantasmas

Tão lestos nesta corrida

Furiosos e determinados

Que me levam de vencida

 

São eles que me sacodem

Numa noite de vigília

Que me levam, me afastam

Despertam e consomem

Num tempo que tudo gastam

 

Quem me leva os fantasmas

Que me gastam e atormentam

Que acordam e alimentam

 

Quem me leva pelo caminho

Duma luz intermitente

Que me seguem e não mente

tags: ,
Sexta-feira, 09.12.11

A PARTE DO TODO

por Adriano Pacheco às 16:00

Não é a vida longa que nos

alimenta

Tão vazios são os espaços

Da sonolência do tempo

Em que crescemos

Tão sombria e vazia é a luz

em que vivemos

 

Nesta costa cheia de arribas

Com perfil duma esfinge

Há mil olhares perturbados

Na arriba encostados

À beira duma vertigem

 

Somos feitos do momento

cheio de intensidade

Tão diferentes e singulares

Instante que nos alimenta

de serenidade

tags: ,
Quarta-feira, 07.12.11

AFIRMAÇÃO

por Adriano Pacheco às 15:00

Rumo ao destino do lugar

derradeiro

Não me chega ter vida

falta viver

Não me chega ter amor

falta amar

Não me chega ter folgo

falta respirar

 

Não me chega ter corpo

e vontade

Não me chega ter vontade

e dizer sim

Não me chega o céu imenso

de saudade

É preciso força e querer

chegar ao fim

 

Para desatar este laço

Não basta querer… dizer sim

É preciso refazer o que faço

Crescer alegre dentro de mim

 

Para uma mente que navega

em liberdade

Não basta ser forte,

É preciso ser dono da sua vontade

 

 

 

 

tags: ,
Segunda-feira, 05.12.11

ENCONTRO DUM VERSO

por Adriano Pacheco às 16:00

Na luz dum verso te vejo

navegar

Nos sons das palavras

afagas o rosto

Nas mãos fechadas aqueces

o tom

E atrás dos montes deixas

o sol-posto

 

Esgueira-se assim o sol

doutro dia

Cai a noite na renda do luar

Procuro-te na penumbra

perdida

E encontro o vazio do teu lugar

 

Lembro-te na nesga do sol

brilhante

Luz dum olhar distante

Guardo na mão que agarro

A luz do verso que te amarro

 

De quantos sois já me libertei

Mas foi na luz que te encontrei

 

 

 

 

 

 

tags: ,
Sábado, 03.12.11

Uma Vida para Abraçar

por Adriano Pacheco às 16:00

Voaste sobre árvores sem folhas

Junto dum fio de água sem luz

Aprendeste que pouco

é quase nada

Numa terra que tudo produz

 

Agora sabes que tens braços

para abraçar

Olhos que alcançam horizontes

Narinas p’ra aroma dos montes

E uma voz em surdina

Que canta mesmo sem rima

 

Teus braços vão além do tempo

Tua garganta eleva a voz

Feitos foram p’ra outros sonhos

Teus sonhos desataram nós

Dos laços apertados, risonhos

 

Quantos nós se desataram

e se fecharam…

para que sós se libertarem

 

tags: ,
Sexta-feira, 02.12.11

A SERRA E A NEVE

por Adriano Pacheco às 16:00

Fez-se silêncio, deixou de nevar

Na serena e suave brancura

Nem uma fugidia ave

se vislumbra

Na soberba serrania

Onde o cinzento dia

Se levanta e se esfuma

 

Do manto que se contempla

Soltam-se raios de espanto

E no meio da brancura

Esvoaçam flocos de ternura

Que me prendem de encanto

 

Vergam-se ramos de neve pura

Vergam-se corpos com anos

de vida

E na alma fica perdida

Paisagem que foi de verdura

 

Solta-se a luz que vai morrendo

No silêncio da escuridão

Na serra tudo se contempla

Deus, vento, neve e solidão

tags: ,
Terça-feira, 29.11.11

UM ENTRE OS DEMAIS

por Adriano Pacheco às 16:30

Trovão que no horizonte

deflagra

Que ribomba no eco das serras

Ressoa, fustiga e amedronta

E na gota que ao longe

desponta

Cai a tempestade que medeia

Ventos fortes que semeia

 

A fúria que aos poucos

se acalma

Refúgio que no espaço

nos acolhe

Tornado que se despenha

e desaba

Nuvem que aos poucos

se dissolve

 

Este tempo do tudo e do nada

Das pedras frias e metais

É um, entre muitos

Muitos dos poucos

Poucos, muito poucos, entre os demais

 

Sou do tempo que não espera

No tudo que nos move

Sou átomo que se dissolve

Nas gotas que vêm da serra

 

 

 

 

tags: ,
Segunda-feira, 28.11.11

QUE DURA PENA

por Adriano Pacheco às 15:30

Que silêncio criou este vale

Junto do murmúrio das águas

Levou o pendor das mágoas

De amor suavizou os ventos

E calou a verdade dos tempos!

 

Quem soltou o vento na serra

E libertou água no riacho?

Quem teceu o verde dos montes

E fez crescer água nas fontes?

 

Quem fez este caminho sinuoso

Em redor desta montanha

Quem deu esta pena tamanha

Quando tudo no campo é viçoso?

 

Toda a pena tem um tempo

e um fim

Esta por ser tão dura

Cresce e morre dentro de mim

 

 

 

 

tags: ,
Sexta-feira, 25.11.11

A MÚSICA DOS MONTES

por Adriano Pacheco às 16:15

Sobem os sons nos vales

e montes

Na serra se ouvem gemidos

Dos vales fogem perdidos,

Acossados e fustigados

Nos ares se ouvem perdidos

 

Uns e outros fazem melodia

Todos juntos música solene

Ouvem-se com toda harmonia

Sons da vida sem fim…

Fim de vida e sabor perene

 

Música solta, sobe nos montes

Aos céus se eleva timbrada

Da terra se liberta acossada

Em sons se repete desfeita

Num espaço que não aproveita

 

A música tem a cor do sol

O timbre vai nas asas do vento

Nas ondas leva ritmo do tempo

Nos montes solta-se sinfonia

E na serra paira harmonia

 

 

 

 

 

 

Quarta-feira, 23.11.11

A TROVOADA

por Adriano Pacheco às 16:00

 

Elevam-se sons no firmamento                                   

Torre fantástica sem abrigo

Vergam-se plantas em desalinho

Curvam-se pela força do vento

E protegem-se do destino

 

Movem-se nuvens, levanta-se

a brisa

Solta-se aviso de mudança

Muda-se o vento e a confiança

Caem gotas, a água desliza

No meu peito cresce a esperança

 

Soltam-se raios dum céu cinzento

A serra esconde-se enevoada

Tudo no céu se aconchega

Lá longe se ouve trovoada

 

Esmaga-se na terra molhada

Gotas grossas da forte trovoada

 

Quinta-feira, 17.11.11

QUE DURA PENA

por Adriano Pacheco às 17:00

Que silêncio criou este vale

Junto do murmúrio das águas

Levou o pendor das mágoas

De amor suavizou os ventos

E calou a verdade dos tempos!

 

Quem soltou o vento na serra

E libertou água no riacho?

Quem teceu o verde dos montes

E fez crescer água nas fontes?

 

Quem fez este caminho sinuoso

Em redor desta montanha

Quem deu esta pena tamanha

Quando tudo no campo é viçoso?

 

Toda a pena tem um tempo

e um fim

Esta por ser tão dura

Cresce e morre dentro de mim

 

 

 

 

tags: ,
Terça-feira, 15.11.11

A MÚSICA DOS MONTES

por Adriano Pacheco às 16:15

sobem os sons nos vales

e montes

Na serra se ouvem gemidos

Dos vales fogem perdidos,

Acossados e fustigados

Nos ares se ouvem perdidos

 

Uns e outros fazem melodia

Todos juntos música solene

Ouvem-se com toda harmonia

Sons da vida sem fim…

Fim de vida e sabor perene

 

Música solta, sobe nos montes

Aos céus se eleva timbrada

Da terra se liberta acossada

Em sons se repete desfeita

Num espaço que não aproveita

 

A música tem a cor do sol

O timbre vai nas asas do vento

Nas ondas leva ritmo do tempo

Nos montes solta-se sinfonia

E na serra paira harmonia

 

 

tags: ,
Sábado, 12.11.11

VOZ QUE RESSOA

por Adriano Pacheco às 16:30

Ser ligeiro e agreste como
o vento
Eco duma voz que ressoa
Do grito que se prolonga
no tempo
E vagueia na serra
Como voz de qualquer pessoa
 
Sentir sede de conhecimento
Que se escapa na encosta da vida
E se esconde…
entre veredas e escombros
Como se fosse apenas… um momento
 
Sentir o crepitar dos enigmas
Na opacidade dos tempos
Como o fogo-fátuo
Senti-los, vivê-los e mastigá-los…
Como se fossem alimentos
 
É sentir-se na vaga dos ventos
Como no fluir das águas
Que se libertam das margens
que as apertam
e acossam
Desaguando na foz do tempos

tags: ,
Quinta-feira, 10.11.11

O MISTÉRIO DO SER

por Adriano Pacheco às 16:00

Fazemos parte desse mistério

sonhado

Fazemos parte da bruma

que criámos

Levantamos depois este véu

Onde há sombra dum sol

que nasceu

 

Somos um pouco sombra

e sol

Dum sorriso meio louco

meio sério

Somos o resto da poeira

solta

Que assenta quase louca

No restolho deste mistério

 

Somos pedra da estátua feita

Escopro duro dos seus traços

Somos o busto já erguido

Nem perfeito nem definido

No meio de todos embaraços

 

Somos parte desse mistério

Sorriso meio louco, meio sério

 

tags: ,

                          Para receber as actualizações, siga o link facebook.com/pegadablogue e clique em Gosto

 

 

 

 

 

página facebook da pegada twitter da pegada email da pegada subscrever a pegada

 

pegadas recentes

últimos comentários

arquivos

2012:

 J F M A M J J A S O N D

2011:

 J F M A M J J A S O N D

2010:

 J F M A M J J A S O N D

2009:

 J F M A M J J A S O N D

2008:

 J F M A M J J A S O N D

tags

pesquisar

 

links

subscrever feeds

 

arquivados

Isabel Moreira

Luiz Antunes

 

 

Paperblog :Os melhores artigos dos blogs