A ERVA MOLHADA
Paira o cheiro da erva molhada
Pela encosta do soalheiro
No cume do monte cimeiro
Solta-se um fogo que arde
E nos olhos vai caindo a tarde
Soltam-se os dias e o tempo passa
Num espaço leve e sereno
Assim a vida se vai gastando
Mas como, onde e quando
Se o cantinho é tão pequeno?
Minha terra minha doce lonjura
Meu espaço de breve lembrança
Longe, tão longe, ficou a criança
Perto, tão perto se estende
brancura
Bordada pelo fumo da distância
Verde, tão verde breve ficaste
Num tempo em que tudo mudou
Tudo mas tudo se esfumou
Na mente e na gente que criaste









