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A pegada não morreu; apenas deslocámos a maior parte das nossas pegadas para o facebook. Enorme pecado, bem sabemos; mas por estes instantes, em que o tempo não abunda, é mais fácil interagir e publicar ali. Esta nossa casa não desaparece; será sempre a referência principal e o lugar das pegadas mais profundas. No entretanto, e quando não nos virem por aqui, é porque estamos aqui:pegadabook. Cliquem no link (não é necessário ter facebook para ler, apenas para comentar) e/ou façam like acima. A todos os leitores e ao sapo, que nunca nos falhou, pedimos desculpa. É coisa de momentos; a pegada será sempre aqui. Aqui é a regra, este anúncio não revela mais do que uma excepção. Já agora, e também no facebook, mas numa onda diferente -- e em que todos os leitores podem ser autores --, visitem o ouvir & falar.

 

 



Portugal: uma vírgula entre o sujeito e o predicado

por Rogério Costa Pereira, em 28.06.12

A propósito da pressão sobre a Alemanha na Cimeira Europeia, valeu a pena ouvir o que disse agora Pedro Santos Guerreiro, Director do Negócios, na SIC Notícias. 
"A pressão sobre a Alemanha nesta cimeira cresceu muito. De facto, Portugal já não faz pressão (...). Portugal é uma vírgula nesta história, nesta crise, e não faz nenhum tipo de pressão, nem tem capacidade de fazer nenhum tipo de pressão sobre a Alemanha. Isso não é verdade com a Espanha e com a Itália que estão a fazer toda a pressão sobre a Alemanha. E esta resposta, que é dizer 'que condicionamos o nosso apoio a este Pacto [para o Crescimento e para a Promoção de Emprego] às medidas de emergência que foram aprovadas na cimeira' o que parece é uma forma de pressão sobre a Alemanha. E forma de pressão sob que tipo de medidas? Medidas que tentem atenuar a subida das taxas de juro destes dois países nos mercados. Uma das possibilidades que pode ser aprovada é (...) a hipótese do Fundo de Estabilização Europeu (...) poder comprar, no chamado mercado secundário, directamente dívida pública destes dois países (aliás, de países em situação de necessidade), para tentar atenuar a subida das taxas de juro (...), através de uma compra directa por este Fundo, coisa que o BCE deixou de fazer (...). E o BCE tem, nos casos anteriores, sido quem encurrala as instituições europeias na necessidade de lançar resgates, como aconteceu em Portugal, na Irlanda e na Grécia."

E é isto, somos isto... Nem o Pacto-Placebo avança (para além de um nome pomposo, também não imagino o que possa trazer de menos mau), nem as medidas de emergência para a Itália e para a Grécia nos servem agora, porque extemporâneas para Portugal. 
Uma vírgula, sim, somos uma vírgula; e colocada entre o sujeito e o predicado.

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publicado às 23:52

Steve bell.jpg

Esta frase é todo um programa, se atentarmos nas especificidades de quem a profere -- refiro-me à arrogância da senhora -- e nas especificidades da nacionalidade de quem a escarra -- a inditosa arrogância alemã que sempre que pode faz gala em não deixar pedra sobre pedra na Europa onde geograficamente se integra. 
"Enquanto for viva". Enquanto ela for viva, portanto. Imagino que a senhora já esteja de planos traçados para se perpetuar no poder. Concedendo no exagero retórico do dito, a verdade é que se há algo que a história nos ensina é que a água passa mesmo duas vezes debaixo das pontes do rio Spree. 
Quanto ao integral esplendor do manifesto, espero que faça corar de vergonha os líderes europeus que se têm agachado aos pés desta praga em forma de mulher. Ela quer, ela sabe que pode e ela manda (porque a deixam). 
A verdade é que este desafio em forma de insulto, em vésperas de Cimeira Europeia, vem a calhar. Quem se calar, quem amanhã se calar, o que inclui Hollande, está a consentir numa Europa com capital em Berlim. Quem amanhã nada disser -- não incluo obviamente os destituídos de voz própria, como o pm de Portugal -- está a dizer que sim, que a Alemanha é que manda sozinha. Está a dizer à sucessora de Adolf no poder do Reich que sim, que o que este não conseguiu, aquela alcançou. E que a Europa esqueceu e perdoou o que não tem perdão nem pode cair fora das margens da memória.
Falem, pois, ou calem-se para sempre, que nesta segunda hipótese será o povo a falar. Luís XV também terá dito algo como "après moi, le déluge". E o dilúvio lá veio, uns anos depois, em forma de Revolução Francesa. Desta vez, não tardará tanto.
Merkel vai ser atropelada pelas rodas da história. E, pela frase ontem dita, parece que o quantum doloris já não depende dela. É tarde demais; para ela e para a Europa. 

[Imagem: detalhe de um cartoon de Steve Bell]

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publicado às 10:44

Se a Grécia sair do Euro e a banca espanhola entrar em colapso...

...só uma firme declaração política lida por Merkel com todos os membros de um Conselho Europeu extraordinário atrás de si, afirmando a Grécia dentro do Euro, uma garantia europeia para os depósitos bancários, a compra ilimitada, pelo Eurosistema, dos títulos da dívida mais afectados, e a emissão conjunta para breve de títulos da dívida europeia (eurobonds e project bonds) administrados pela Comissão europeia, numa perspectiva de desenvolvimento sustentável, só essas medidas, como primeiro passo na senda de um novo tratado para uma União Federal, democrática, e com um orçamento à altura alargando o prazo das metas de austeridade, poderão evitar que uma Europa em agonia se transforme numa Europa moribunda"

PS : Visão - Viriato Soromenho Marques

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publicado às 18:00


A crise mina a confiança dos europeus na UE

por Luis Moreira, em 31.05.12

Artigo de El País

 

A crise mina a confiança dos europeus na UE”, titula El País, um dia depois da publicação do relatóriodo Pew Research Center no final de uma sondagem realizada em março e abril em oito países europeus (Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Espanha, Grécia, Polónia e República Checa). Entre as conclusões: apenas um em cada três europeus pensa que a integração económica foi positiva para a economia do seu país enquanto 37% acham que o euro não tem qualquer incidência positiva. A sondagem revela ainda que

A Alemanha e a Grécia são os dois polos da UE atual. Quanto à Alemanha e aos alemães, incluindo a chanceler [Angela Merkel], há uma larga opinião favorável (o país mais admirado, a líder mais respeitada, os mais trabalhadores, os maiores partidários da integração económica e da UE, os menos corruptos), perante uma Grécia sobre a qual ninguém tem boa opinião, a não ser os próprios gregos.

O jornal madrileno sublinha ainda que:

A Espanha, tradicionalmente adepta da ideia pró-europeia é, com a eurocética República Checa, o país mais desiludido da União Europeia. Hoje, pouco mais de metade dos espanhóis acredita que a UE foi positiva para o país. A nível europeu, o euro continua a ser apreciado pelos europeus que o veem com um mal menor: preferem mantê-lo em vez de o perderem.


 

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publicado às 17:00


Mais Europa, já!

por Luis Moreira, em 24.05.12

Maria de Oliveira Martins no (i) : A Europa está neste momento a falhar no seu projecto porque não promoveu o aprofundamento da noção de solidariedade que deveria estar na sua base, devido à natureza híbrida que sempre cultivou. Para a afirmação desta solidariedade muito tem faltado: um tratamento igual dos seus estados, competências políticas comuns para promover o crescimento económico e o desenvolvimento sustentável e harmonioso dos estados-membros, um alargamento da estrutura democrática para além das fronteiras nacionais, a existência de regras eleitorais e de um sistema partidário europeus e a pertença a um colectivo político. E aqui não podemos deixar de admitir que a crise tem a sua quota-parte no recuo da parcela de solidariedade que foi afirmada ao longo da existência da UE. Os programas de austeridade, que ameaçam a coesão social, o fundo de resgate insuficiente para cobrir as necessidades dos países maiores e o ambiente institucional acusatório e sancionatório que se instalou são provas disso mesmo.

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publicado às 17:00


A democracia não é substituível

por Luis Moreira, em 20.05.12

A democracia não é substituível, e esta é a melhor e mais importante lição que podemos retirar desta União Europeia feita em fanicos. A maioria acreditou que bastavam umas eleições para deputados de uma Assembleia de que nada sabemos e que a democracia europeia se resumia a isso. Entregamos o nosso voto silencioso a políticas e tratados onde  se jogava, em grande parte, a nossa vida em comum. Sem deles nada saber!

Os referendos passaram a ser empecilhos que só dão trabalho, despesa e perdas de tempo. A distância física entre eleitos e eleitores passou a ser sinónimo de distanciamento. "Eles" e "elas" vão e voltam e nós não fazemos ideia nenhuma do porquê. Sabemos vagamente que vão para Bruxelas uns tipos que se tornaram incómodos. E tudo isto deu em quê?

Num "directório", umas pessoas que não foram escolhidas pelos cidadãos europeus mas que mandam porque pertencem ao país "A" ou "B". Não perguntam nada a ninguém nem sequer aos eleitos democraticamente. O que é bom para os seus países passou a ser bom para a Europa. A Alemanha está cheia, "enxugou" as suas contas nacionais e agora acha que os outros devem fazer o mesmo. Sem cuidar de saber se isso representa ou não uma catástrofe.

As suas decisões, que os outros acatam, não resultam das regras de proporcionalidade da democracia nem da discussão e consenso democráticos. Resultam exclusivamente do facto de ninguém na área dos órgãos do executivo da UE ter a força e a legitimidade de ter sido eleito democraticamente pelos cidadãos europeus. É dos livros que na  ausência de poder e legitimidade democrática, manda quem pode. E quem pode é sempre o mais poderoso. Tenha ou não razão!

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publicado às 10:00

Ao fim de sessenta e dois anos, fundimo-nos em algo que é difícil separar. Tornámo-nos um siamês com 27 cabeças, em que as funções vitais estão interligadas. Consequentemente, os políticos europeus não se mostram propensos a recuar. O preço por rodarmos sobre os calcanhares é geralmente elevado ou acompanhado de incerteza. É o que distingue os treinadores de bancada dos políticos com sentido do dever.

Estes últimos receiam aventuras insanas, como uma completa rutura do euro. Seria possível dividir a zona euro de maneira adequada, sem causar ondas, com cinco minutos de coragem política. O mundo inteiro poderia também sentir os abalos. Não sabemos, já que os economistas se contradizem uns aos outros.

Isso torna a política europeia indigesta e pegajosa: mal uma decisão é tomada, fica colada, não sai mais. As decisões posteriores são construídas com base nos acordos anteriores. A página nunca volta a ficar em branco.

Começar do zero não é possível, mas introduzir acertos é. E não é apenas possível, é essencial. Os últimos meses deixaram claro que é necessário fazer uma mudança de rumo. A velocidade a que os dirigentes políticos estão a ser afastados não tem precedentes. A austeridade não permite ganhar eleições e está a ficar claro que a austeridade só por si não vai salvar a economia.

A União tem de dar à população, a começar pelos gregos, alguma perspetiva de futuro. Essa deve ser a agenda para a próxima cimeira, dentro de duas semanas.

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publicado às 12:20

O advogado António Martins Moreira, natural de Penha Garcia, arrolou, na última semana, a União Europeia na ação popular que já havia interposto, no ano passado, contra o Estado Português.

Na origem da ação popular, interposta no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, está a desertificação do interior do país e os prejuízos resultantes da política agrícola seguida por Portugal e pela Europa.

O advogado, que tem o seu escritório em Torres Vedras, quer que o Estado Português e a União Europeia, sejam condenados a rever todos os programas negociados no domínio da agricultura e pescas.

António Martins Moreira acredita que o Estado Português e a União Europeia vão ser condenados.

O advogado revela que essa condenação resultará em diferentes objetivos, como "estimular, incentivar e desenvolver, com adequados e criteriosos subsídios, o cultivo e aproveitamento agropecuário de todo o território nacional, tendo em vista necessidades alimentares do povo português".

A criação de "linhas de crédito bonificado para aquisição de modernos equipamentos e tecnologias deste setor, estimulando o aproveitamento integral dos solos e o associativismo agrícola", é outro dos objetivos da ação interposta pelo advogado.

Outra das medidas exigidas pelo advogado passa pela criação de "um banco de terras a nível nacional e municipal com a cooperação e coordenação em todos os municípios".

A ação popular revela que "as assimetrias entre os Estados Membros, na área do setor primário da atividade económica, - a agricultura e as pescas -, no que respeita ao nosso País, não só não foram corrigidos e/ou atenuados, como se agravaram, levando-nos a abandonar, perigosamente, grande parte dos nossos recursos naturais".

No documento a que tivemos acesso, pode ler-se que o país tem a possui "mais de dois milhões de hectares de terras do interior de Portugal, totalmente incultos e abandonados, e 220 mil agricultores a receberem subsídios da União Europeia para os manterem nessa situação, quando deviam recebê-los para os cultivarem".

O advogado recorda que esta situação "conduziu-nos a uma perigosa desertificação e despovoamento de todo o interior do país, em que se fecharam centenas de escolas primárias, postos sanitários, postos de correios, e outras infraestruturas de apoio às populações rurais".

Uma situação que António Martins Moreira diz ficar agravada em 2012 "quando se prepara o encerramento em massa de tribunais e juntas de freguesia, os últimos redutos da soberania nacional nestas áreas abandonadas, esquecidas e desprotegidas".

António Martins Moreira considera a União Europeia corresponsável "com o Estado Português, pelo estado calamitoso de abandono e de ausência de aproveitamento das potencialidades dos campos e dos mares de Portugal".

A concluir, António Martins Moreira recorda que "80 por cento dos bens alimentares de que necessitamos poderiam e deveriam ser produzidos nos nossos campos. Mas apenas produzimos cerca de 20 por cento das nossas necessidades e em relação ao trigo que serve de alimento básico nas nossas populações apenas produzimos 10 por cento!".

Nota: no jornal Reconquista

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publicado às 20:00


UE : um oceano de desconfiança

por Luis Moreira, em 11.05.12

Crescimento:

Para começar, necessita de: recuperar a dinâmica democrática a todos os níveis, incluindo o interinstitucional; rejeitar todo e qualquer desvio para "diretórios"; redescobrir a comunidade de direito e a igualdade dos Estados perante a lei, bem como o princípio da unidade na diversidade (e não na uniformidade). Só enveredando por esse caminho se pode esperar uma cura da crise de confiança e da travessia do oceano de desconfiança mútua que envenena hoje a coabitação europeia.

Mas, sem um crescimento económico tangível, que não se limite a declarações, sem novos empregos, sem pontes, sem autoestradas transeuropeias, sem redes digitais e de energia, em suma, sem uma Europa de oportunidades e de esperança a substituir a de rigor e desespero, não sairemos do marasmo.

Seria ilusório acreditar que a França de François Hollande, que foi eleito por apostar tudo na reativação da economia europeia, possa contornar sozinha a obstinação alemã. Para evitar no resto da Europa uma repetição do pesadelo da Grécia, onde o rigor excessivo rebentou no passado dia 6 de maio o último dos parâmetros da democracia, com uma anormal ascensão de extremistas de todos os quadrantes, Paris precisa de formar uma espécie de santa aliança. Que deve funcionar como um sólido contrapeso ao superpoder da Alemanha, que tem podido agir sem restrições porque não se deparou com uma barreira credível.

Depois de ficar claro que o caminho do crescimento dentro do rigor é estreito mas imperioso para haver um diálogo sério com Angela Merkel e que Hollande parece aceitar este caminho com convicção, o acordo com a Itália de Mario Monti, com a Comissão Europeia de José Manuel Durão Barroso, com a Espanha de Mariano Rajoy, com Portugal, a Grécia, a Bélgica, mas também a Holanda, é apenas uma questão de tempo. A cimeira extraordinária de chefes de Estado e de Governo de 23 de maio pode ser uma oportunidade para testar novas alquimias de poder, bem como receitas concretas para relançar a economia.

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publicado às 15:00


A China está a colonizar pedaços da Europa

por Luis Moreira, em 28.04.12

Tal como a Europa já colonizou partes da China é agora a vez da China colonizar a Europa. Como? Investindo nas relações com os países membros e não com a União Europeia. Enfraquece a União Europeia favorecendo uns países em detrimento de outros.

Um estudo recente do Conselho Europeu de Relações Externas (ECFR) estima que 40% do investimento chinês na UE está em Portugal, Espanha, Itália, Grécia e Europa de Leste.

Porquê tanta atenção à periferia? Bom, porque há investimentos prometedores a serem feitos lá e porque estas pequenas e periféricas economias são a porta de entrada mais fácil para um mercado único europeu de 500 milhões de consumidores. O mercado da UE está muito mais aberto aos chineses do que o chinês está aberto aos europeus.

Investir muito nestes países também traz recompensas políticas. Não é excesso de cinismo ver Pequim construir uma espécie de lobby da China dentro das estruturas de tomada de decisão, onde o Estado mais pequeno é, pelo menos teoricamente, exatamente igual ao maior.

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publicado às 11:00

Hollande é um homem perigoso para a Europa? Para alguns é porque sendo presidente de França irá travar as necessárias reformas estruturais que exigem austeridade. Para outros, será o homem que fará que a Alemanha suavize as medidas de austeridade e invista no crescimento. A curto prazo será muito bom mas a médio prazo os problemas permanecem.

Com um Presidente socialista, a França conseguiria uma coisa importante. Hollande opõe-se ao duro controlo fiscal imposto pelos alemães, que está a estrangular as possibilidades de recuperação da zona euro. Mas fá-lo pelas razões erradas e parece provável que os erros sejam tão grandes que porão em risco a prosperidade da França (e da zona euro).

Hollande fala muito sobre justiça social, mas quase nada sobre a necessidade de criar riqueza. Embora se comprometa a reduzir o défice orçamental, planeia fazê-lo aumentando impostos, não cortando nos gastos. Hollande prometeu contratar 60 mil novos professores. Pelos seus cálculos, as suas propostas implicarão um aumento de 20 mil milhões de euros nos próximos cinco anos. O Estado aumentará ainda mais.

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publicado às 09:00


Como se diz "basta" em Alemão?

por Luis Moreira, em 27.04.12

Não há uma única medida a favor do crescimento."

Numa versão mais longa do seu artigo, publicada pelo Financial Times, José Ignacio Torreblanca vai mais longe na denúncia que faz da austeridade e conclui com aquilo que poderá tornar-se um slogan, nos próximos meses:

O acordo orçamental, o tratado mais falho de equilíbrio e mais assimétrico que os Estados-membros alguma vez assinaram, constitui o melhor exemplo do que é a nova Europa: a austeridade é rigorosamente imposta, enquanto o crescimento quase não é referido. Na velha UE, os Estados-membros eram iguais e os tratados representavam um compromisso entre visões diferentes da Europa. Agora, a Europa tem a ver com assimetrias de poder e medo quanto ao futuro. Agora, a Europa assemelha-se à descrição que Thomas Hobbes faz da vida do homem no seu estado natural: "pobre, sórdida, brutal e curta". Dois anos decorreram e não foi adotada uma única medida de crescimento. Chegou a altura de dizer 'basta'!

 

 

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publicado às 15:00

Merkel, Draghi, secretário estado das finanças alemão, no mesmo dia, falam abertamente do pacto para o crescimento. Não somos os talibãs da austeridade dizem.

Merkel avisa que isso não deve impedir as medidas estruturais necessárias.

A crise das dívidas soberanas na zona euro desde 2010 e o seu impacto em toda a União Europeia já fez cair 9 governos: Irlanda, Portugal, Grécia, Itália, Espanha, Eslováquia, Eslovénia, Holanda (que ainda tem notação de crédito de triplo A) e República Checa. E, nesta fase mais recente, poderá colocar em xeque a própria estratégia de "compacto orçamental" da Alemanha e do Banco Central Europeu (BCE) se houver uma derrota política definitiva de Nicolas Sarkozy nas eleições de 6 de maio (2ª volta das presidenciais) em França.

Por outro lado, para além da turbulência política, a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) é para uma recaída na recessão (double-dip, na expressão inglesa) na zona euro na ordem de uma quebra do PIB de 0,3%  e a nível dos países avançados uma descida mais ligeira, de 0,1%.

O Pacto para o Crescimento está cada vez mais em cima da mesa. A emissão de Eurobonds parece ser a medida mais célere e mais segura.

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publicado às 18:00


Também tu, França ?

por Luis Moreira, em 20.04.12

Agora que a Espanha vacila, que a Itália corre em pista própria, a tragédia pode vir de onde nunca se esperou. A França!

Tudo indica que a França -oh! ironia das ironias - vai ter que aplicar as "medidas alemãs." A campanha para as presidenciais correu à margem desse problema, nem Sarkozy nem Hollande centraram as suas preocupações nessa possibilidade, mas Hollande não deixou de dizer que vai lançar "um imposto de 75% sobre as fortunas" e que vai abrir a porta à "admissão de 60 000 professores".

Quando um país começa a ser falado é mais que certo que a sua hora está a chegar. Mas desta vez trata-se da França o que quer dizer, no mínimo, que a União Europeia tal como a conhecemos está a dar as últimas.

A dívida, constituída por dinheiro barato, também tramou a segunda maior economia europeia. Se Hollande ganhar - e é quase certo- o eixo MerkHollande não vai estar em sintonia, o que não quer dizer, obrigatoriamente, que seja mau. Mas não sendo mau é, contudo, mais dificil. A dimensão financeira que passa a estar em jogo com - Espanha, Itália, França - é de tal ordem que tudo terá de mudar.

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publicado às 11:00

Mas só se o governo estimular a economia. Este ano afunda 3,3%, para o ano andará pelos 0% e a partir de 2014 poderá crescer para os 2% e anos seguintes. Mas é tudo ainda muito nebuloso. A reboque das exportações as boas notícias vêem dos Estados Unidos onde a economia está em processo de aceleração consistente, que arrastará as restantes economias, especialmente as dos países europeus.

Mas não se vê que o governo tenha estabelecido essa prioridade continuando a canalizar dinheiro para os bancos que o não fazem chegar à economia.

As receitas das privatizações são uma boa ajuda mas não parece que sejam suficientes e a sua aplicação na amortização da dívida com juros mais altos pode ser uma tentação.

Nos últimos dias avolumaram-se as suspeitas que nem tudo está claro nas contas do estado e a ser assim podem vir aí mais ajustes com a consequente encolha da procura interna. Ora isto não ajuda em nada a economia. E, mesmo com estas previsões algo positivas a verdade é que o flagelo do desemprego veio para ficar pois a criação de emprego só se faz acima dos 2% de crescimento da economia.

Há quem diga que com o estreitamento das relações comerciais com a China e o Brasil as nossas exportações vão dar um salto muito significativo. Portugal terá passado a ser uma economia a jogar no mercado global.

Um pouco de esperança não faz mal a ninguém!

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publicado às 11:00

Surpreendente a subida do desemprego diz Bruxelas ! Ora, surpreendente, seria se não subisse, isso sim, pois corta-se na capacidade do consumo interno, aumentam-se os impostos, corta-se no investimento, que raios, pode esperar-se o quê?

Como a economia só vai começar a crescer lá para 2 014 e a criação de postos de trabalho só se faz acima dos 2% de crescimento do PIB temos, como mais certo, que só lá para 2 016 é que se trava o flagelo do desemprego. Como, entretanto, a Segurança Social treme com cada vez maiores déficites, os subsídios aos desempregados e famílias aflitas vão ver travados. As condições estão reunidas para termos nos próximos anos uma grande caldeirada mesmo com a UE a canalizar ajudas e mais um resgate pelo menos.

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publicado às 18:00

Um bilião, dizem eles, não há mais ataques contra o euro. Acontece que não há bilião nenhum, o que há é um truque meramente contabilístico. Somam o dinheiro já utilizado com a Grécia, Portugal, Irlanda.

"Essa proposta foi rejeitada na sexta-feira [30 de março] devido à pressão da Alemanha e, num golpe de magia, os ministros europeus fizeram sair da cartola uma verba ainda mais significativa: 800 mil milhões de euros. Viria a verificar-se que se tratava da soma dos 500 mil milhões já prometidos, mais os 200 mil milhões de empréstimos do antigo fundo, mais os 100 mil milhões da primeira ajuda de emergência à Grécia. Logo: um chapéu velho, disfarçado com um punhado de poeira para os olhos."

"Um bilião de dólares." O ministro das Finanças holandês [Jan Kees De Jager] fala quase num murmúrio, ao anunciar o montante do novo fundo de resgate europeu. Mas o facto de os ministros das Finanças europeus invocarem o dólar para garantir a estabilidade da zona euro, não augura nada de bom.

Na verdade, não dispomos de um bilião de dólares para o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), o fundo de emergência ao qual a Espanha e a Itália deverão recorrer, em caso de ameaça de falência.

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publicado às 22:23

Sexta-feira de manhã os parlamentares europeus assinam o livro de presença e depois zarpam para casa. Veja o jornalista a querer falar com eles e os deputados a fugirem!

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publicado às 13:00

“Esta é a primeira consequência que sobrevém quando no mundo alguém deixa de mandar: que os demais, ao se rebelarem, ficam sem tarefa, sem programa de vida.” José Ortega y Gasset (Fonte: A Rebelião das Massas)

No seu artigo em alemão, que apareceu na versão print do DER SPIEGEL de 13.02.2012 (não está online nem em alemão, nem em inglês, apenas um comentário em inglês, cf. linka abaixo), o historiador e politólogo britânico que lecciona em Oxford, Timothy Garton Ash, afirma sob o título:

 “Sozinhos eles não conseguem”

 

“No ano de 1953, Thomas Mann fez um discurso perante estudantes, no qual implorou que eles não deveriam aspirar a uma “Europa alemã” mas sim a uma Alemanha europeia. Esta fórmula foi repetida sem fim nos dias da reunificação alemã. Hoje, porém, vivemos uma variação que só poucos previram: uma Alemanha europeia numa Europa alemã....A Alemanha não pretendeu a liderança da Europa mas também está mal preparada para exercê-la....Que se chegou a isto, é a prova da lei histórica das consequências involuntárias...Até aqui, a Alemanha mostrou ser um líder prudente e não muito habilidoso. Para isso existem muitas razões. Em primeiro lugar a Alemanha não gosta de estar ao volante. Além disso, desconfia que todos os demais passageiros esperam dos alemães que paguem a gasolina, as refeições e – possivelmente – também as despesas da pernoita....Os alemães sentem se incómodos porque é recebido mal se eles lideram mesmo, mas também quando não lideram...os franceses adorariam liderar mas não podem; os alemães podem mas não querem (...)”

Para não esquecer: as causas – comportamento linear > introversão > egocentrismo > declínio – são conhecidas e os princípios de solução – viragem sóciocêntrica da UE para fora – também. Isto é uma verdade relativa que carece de “falsificação” no sentido de Popper. Neste contexto ainda a seguinte citação do saudoso Vergílio Ferreira:

“Uma verdade só é verdade quando levada às últimas consequências. Até lá não é uma verdade, é uma opinião.”

Por isso, a verdade acima referida, para deixar de ser uma mera opinião, terá que ser levada às “últimas consequências” para sabermos se é consistente ou se tem que ceder o lugar a uma verdade diversa e mais apta para resolver os nossos problemas. Por enquanto, alguns insistem em aplicar a verdade da troika – a qual certamente não vai funcionar. Mas também esta minha afirmação é “falsificável”.

http://www.eurotopics.net/en/home/medienindex/media_articles/archiv_article/ARTICLE100574-Timothy-Garton-Ash-recommends-Europe-should-help-Germany?EURO=u3molbid7ppl32sf0e776dkcd1

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publicado às 21:00

Gr%3Fcia confron.jpg

E quando Papademos diz que “a violência e as destruições não têm lugar em democracia” está a referir-se à democracia de que país? À grega, que também já não existe, não é com certeza. Imagino que a frase vinha no memorando que a Goldman Sachs lhe enviou logo pela fresquinha e um homem tem de fazer pela vida, sendo certo que isso passa por não aborrecer o (ex-)patrão.

A profunda estupidez destes pequenos seres não cessa de me surpreender. Será que eles acreditam mesmo que podem continuar a pisar o povo e impedir o curso natural da história? Vamos ver quanto mais dura esta palhaçada, embora eu ache que podíamos passar já adiante. Para a inevitável parte do inevitável golpe de Estado (na Grécia já cheira a overcooked).

De resto, e a este propósito, os "líderes" europeus têm-me feito lembrar aquele saudoso ministro iraquiano. Claro que não, meus caros, no pasa nada, continuem assim, que o povo é sereno. Até na hora de vos ir ao focinho. Toodles.

[citação de Papademos e imagem via Público]

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publicado às 09:04


 

 

 

 

 

 

 

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