“Ceterum censeo Carthaginem esse delendam", ou seja,"quanto ao resto, penso que Cartago deve ser destruída".Catão o Antigo...
“...quanto ao resto, penso que Portugal e o resto a União Europeia precisam de uma estratégia diversa – RD”
Sim, há sempre uma alternativa! Até aqui o Sr. Nicolau Santos no seu artigo “Uma raiva a nascer-me nos dentes” tem razão. Quanto à raiva que lhe está “a nascer nos dentes”, nem por isso. De facto, a raiva é má conselheira e tolda a visão para o TODO. E as análises – alguém chamou a análise da Nicolau Santos extraordinária –, sobretudo as da “casa sem pão”, são o que são e raras vezes são seguidas da síntese, isto é, de soluções viáveis.
Bom, vou ser breve: na actual situação, a alternativa certa nem seria “lutar ferozmente nas instâncias internacionais para minimizar os sacrifícios que teremos inevitavelmente de suportar” nem o contrário mas sim olhar em frente e sobretudo para fora, perguntando: quais são os pontos fortes únicos e inconfundíveis de Portugal e qual é o respectivo grupo-alvo no mundo a quem nos podemos dirigir melhor que outros?
Que esta ideia é procedente e de modo algum descabelada, prova o artigo da advogada e actual Ministra da Justiça Paula Maria von Hafe Teixeira da Cruz no Correio da Manhã: “Da Vida Real – Hoje” de 9 de Junho 2011. Já escrevi sobre isto e volto a apresentar o meu texto, ligeiramente ascrescentado, como segue:
“Finalmente alguém com responsabilidades políticas, a Advogada Paula Teixeira da Cruz, faz afirmações estrategicamente certas e de fundamental importância, apontando o caminho que já sugeri no meu artigo “Porque vale a pena apostar em África” (Semanário Económico de 04.07.97). Com efeito, “a par das medidas difíceis, das restrições, tem de se criar desígnio”, tem de se “apostar na economia e na cultura com os países de expressão oficial portuguesa” o que “pode ser absolutamente decisivo para transformar a actual situação numa oportunidade....”. Tratando-se dos pontos fortes de Portugal no mundo, é este o caminho seguro da saída do atoleiro e de rumo ao sucesso”.
Com efeito, cumprindo o duro programa da troika e enveredando ao mesmo tempo pelo caminho de uma verdadeira saída da crise que promete novos horizontes, entusiasmo, nova fé, confiança, é a melhor forma de começar a criar já este futuro e para evitar que a medicina imposta pela temível troika mate o paciente. Significa, tirar partido da crise, utilizando-a como “combustível” para criar novas perspectivas a par de um futuro melhor. A simples proposta de execução deste projecto ainda poderá apaziguar os credores internacionais, as rating agencies e a própria troika, podendo torná-los mais condescentes com o devedor e apoiando-o. Depois do haircut previsto para as dívidas da Grécia, poderá constitituir um nítido sinal que estas perdas não se repetirão.