O erro original
Foi Cavaco Silva ter dado posse a um governo minoritário, o segundo de José Sócrates. Num momento já tão difícil e que se adivinhava que se tornaria ainda mais difícil, Cavaco colocou a sua re-eleição à frente do interesse nacional dando posse a Sócrates. O que Cavaco conseguiu com isso foi ter um governo fragilizado atacado à esquerda e à direita. Depois a teimosia de Sócrates fez o resto.
Ganha a re-eleição, Cavaco, também ele, colocou em mira o governo já fragilizado por uma oposição partidária aguerrida.
Olhando a Grécia vemos o que nos poderia ter acontecido. Um leque partidário disperso, sem conseguir o acordo mínimo que é encontrar uma solução para formar governo. Políticos desacreditados, a bancarrota a espreitar e a saída do euro com o regresso do Dracma cada vez mais próximos. A saída do euro, a acontecer, vai levar os Gregos a perceberem a situação. Desvalorização dura da moeda e empobrecimento rápido.
O caminho da austeridade com os cortes no desperdício e nas estruturas não sustentáveis e sem retorno e o relançamento da economia só faria sentido se fosse possível encontrar um amplo consenso político. Isto é, fazer regressar a política.
Portugal também está a perder essa arma estratégica por culpa exclusiva do governo.



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