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A pegada não morreu; apenas deslocámos a maior parte das nossas pegadas para o facebook. Enorme pecado, bem sabemos; mas por estes instantes, em que o tempo não abunda, é mais fácil interagir e publicar ali. Esta nossa casa não desaparece; será sempre a referência principal e o lugar das pegadas mais profundas. No entretanto, e quando não nos virem por aqui, é porque estamos aqui:pegadabook. Cliquem no link (não é necessário ter facebook para ler, apenas para comentar) e/ou façam like acima. A todos os leitores e ao sapo, que nunca nos falhou, pedimos desculpa. É coisa de momentos; a pegada será sempre aqui. Aqui é a regra, este anúncio não revela mais do que uma excepção. Já agora, e também no facebook, mas numa onda diferente -- e em que todos os leitores podem ser autores --, visitem o ouvir & falar.

 

 



Um Oceano não nos separa…

por Rogério Costa Pereira, em 04.03.14

Ontem estive na conversa com o André J. Gomes. Brasileiro. O curioso, e isso acontece-me quase sempre que falo com brasileiros, foi a facilidade com que passámos adiante o que não interessa, a forma como não falámos do que é meramente instrumental (embora, convenhamos, o André seja um tipo diferente; basta ler os textos dele na Bula).

Nunca tínhamos trocado palavra e avançámos directo para o "- Tás bom, pá?; - Sim, o que contas?". Passe o exagero, fica a ideia. E eu contei, e ele contou. Alguém já havia caminhado quinhentos anos por nós. Alguém falou a mesma língua. Quinhentos anos a musicar confianças. O mais próximo que sinto, em termos de afinidade – e ainda assim a léguas de separação, por causa de uns cheques carecas pelo meio −, é com Espanha e com os espanhóis.

E dou por mim a pensar que, Espanha à parte, mas essa também se deixou enrolar no mesmo nó górdio que nós (e este tipo de nós só se “desatam” à espadeirada), − dizia, Espanha à parte, a distância geográfica não é um bom referencial.

A Alemanha, no que respeita a caminho caminhado, fica bem mais longe de nós do que o Brasil. A Europa, essa, fica no outro lado do mundo. Puta de jactância, a nossa, que nos cegou a boca e emudeceu os olhos. Portugal virou-se para o lado errado. Fomos atraídos pela cenoura do dono que nos cavalga e hoje já nem a cenoura é necessária. Nem sequer a ameaça de chicote; obedecemos sem ameaça e de rojo lambemos as patas de quem nos põe a pata em cima.

O tempo que não perdi a falar com o André é bem o exemplo do tempo que Portugal perdeu nesta caminhada inglória em que o caminho não se faz andando. Rio, para não chorar, quando penso no que seria ter tido aquela conversa, com um alemão. Ainda que fossemos percebendo, em inglês, o que o outro diz, nunca nos entenderíamos. As nossas referências são outras. Trocámos uma identidade, feita de História comum, por dinheiro fácil.

Agora, chegou a factura da nossa estupidez. Paguem e não bufem. Ou  façam como eu, não paguem e bufem… Soltemos a jangada de pedra, com ou sem além-Olicença, e não paremos onde parou a de Saramago. Porto de Galinhas é um bom destino, desta vez sem que seja porto de descarga de escravos (as tais “galinhas” que deram o nome àquele sítio de aportar). Não literalmente, entenda-se, que um Oceano não nos separa…

Alea jacta est, a porra. O Rubicão existe nas nossas cabeças amestradas. Não há rio para atravessar. Basta tirar a venda e olhar.

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publicado às 19:42


A Islândia e isto...

por Rogério Costa Pereira, em 01.12.13

Três coisas, antes de passar a palavra ao Joe Wolf:
1 - Abram os olhos, porra, nós somos a galinha dos ovos de oiro dos mercados (nenhuma dívida rende tanto, "a Berlim e a Manhattan", como a nossa).

2 - Conhecem a história recente da Islândia? Não, pois não? Ora lá está. Da bancarrota a isto, que cito de seguida, foram quatro anos de censura e auto-censura e reverência económica made in "jornalismo-o-rei-manda", honrosas excepções à parte: "(...) a Islândia quatro anos após a crise desceu a taxa de desemprego de 14 para 7%, é o país que mais cresceu na Europa, e a dívida externa baixou para 30% do PIB.]

3 - Surpresa: a Islândia não se afundou nem a afundaram; é possível fazer diferente disto que nos fazem? A Islândia não se afundou nem a afundaram, repito. Não é possível... O preço de um país deixar de existir é algo que arrasaria a negociata dos especuladores (ironias). 


«Diferenças entre o cidadão de Boliqueime e Olafur Grimson, presidente da Islândia

Joe Wolf


Substanciais!
Olafur Grimson, PR Islândia diz:
"Não temos medo dos mercados eles que paguem a crise"
O cidadão de Boliqueime diz:
"insultar os mercados prejudica a economia nacional"
Olafur Grimsom diz:
"Ninguém há-de passar fome num país com mais ovelhas que gente e mais canas de pesca que telemóveis"
O cidadão de Boliqueime diz:
"congratulo-me pelas críticas aos mercados não terem passado além fronteiras"
Olafur Grimsom diz:

"Nunca fecharia uma escola, infantário ou hospital, para pagar as "cowboiadas"e aventuras da Banca ou da Bolsa"
O cidadão de Boliqueime diz:
"é preciso ter muito cuidado com o que se diz na actual conjectura"
Resultado:
Quando se insulta os mercados, a Islândia quatro anos após a crise desceu a taxa de desemprego de 14 para 7%, é o país que mais cresceu na Europa, e a dívida externa baixou para 30% do PIB.

Quando não se insulta os mercados o resultado é... aquele que está à vista.
Agora escolham.»

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publicado às 04:40


Portugal e o Pleno Emprego

por Rogério Costa Pereira, em 29.11.13

Ministro diz que descida do desemprego "é sinal positivo" [JN]

Se todos os desempregados emigrarem chegamos a uma situação de pleno emprego. E eu que desconfiava da competência deste governo. 
A propósito, um amigo foi ontem pôr a filha a uma grande agência de emprego. Estavam lá centenas de outros pais. Com os filhos. Estes, já com emprego garantido. Estranhamente, poucos não choravam de tristeza. Pais e filhos. A tal agência de emprego chama-se aeroporto Sá Carneiro. 
Não nos gozem mais com estes números. É melhor para a saúde de todos, acreditem.

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publicado às 13:29


Sorriam, ontem foi dia 21 de Novembro de 2013

por Rogério Costa Pereira, em 22.11.13


E ontem não acabou ontem. Continua por hoje e por amanhã. Até termos de volta o que é nosso. Não esperem é por uma manif dos polícias conjugada com uma Aula Magna todos os dias. Temos de ser nós a continuar o trabalho. Que as mudanças só ocorrem quando as mulheres e os homens fazem por elas. Bom dia. Bons Dias.

Como tenho trabalho para fazer, e o tempo não estica, mas ainda assim quero aqui marcar o dia, ficam de seguida algumas das coisas que ontem publiquei no facebook


|| Secos & Molhados às portas do Parlamento. Versão 2013 em que por enquanto ainda não há molhados. Era bom que houvesse. Seria um excelente princípio. Para quem não saiba ou não se lembre, deixo o link para a memória dos Secos & Molhados originais: http://expresso.sapo.pt/policias-lembram-20-anos-dos-secos-e-molhados=f509793

|| “Invasão, invasão”, gritaram os polícias à porta da AR.".

Invadam, invadam, digo eu.

|| "Polícia de intervenção trava profissionais de segurança que derrubam barreiras de proteção no parlamento". 

Será que não há polícia de intervenção a manifestar-se? Ora, é só fazer as contas.

|| 21h05: Um grupo de polícias que invadiu a escadaria cumprimenta os colegas de serviço. "Desculpem e obrigado".

Ai a porra... 

|| Ainda assim ninguém subiu tantos degraus, nos últimos tempos. E percebe-se a atitude de ambas as partes. Este RECADO à vilanagem valeu por todas as manifs semestrais à moda do qslt.

|| Em tempo de guerra não se limpam armas. O Mário Soares não está senil. Senil está quem o chama senil. Hoje está a ser um dia luminoso. Liguem para os canais de notícias e vejam a História acontecer.

|| O discurso do Carlos do Carmo está a ser... Ah, fadista!

|| Cortaram a emissão. Ordens dos kapos?

|| [EM DIRECTO] Em Defesa da Constituição, da Democracia e do Estado Social [esquerda.net]

|| revolucionário | adj. | adj. s. m.
(francês révolucionnaire) 
adj.
[AQUELE QUE OUSA DEFENDER A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA]
1. Relativo a revolução, em especial às revoluções políticas.
2. Que introduz novidades ou grandes alterações. = INOVADOR ≠ CONSERVADOR
adj. s. m.
3. Que ou quem é partidário ou participante de uma revolução.
4. [Figurado] Que ou aquele que introduz novos processos ou grandes alterações em alguma coisa. ≠ REACCIONÁRIO


Hoje foi um dia luminoso. A polícia subiu lá acima, bateu à porta e avisou que só não entra se não quiser. Só não entrou porque não quis. E depois a reunião organizada por Mário Soares (perca tempo quem o tiver a discutir-lhe o passado; eu não tenho tenho tempo para perder tempo). Em Defesa da Constituição, da Democracia e do Estado Social. Excelentes intervenções do próprio Mário Soares, da Helena Roseta e do Carlos do Carmo (não, não enlouqueci; não vi muitas mais, mas estas três foram intervenções marcantes e demolidoras). Só quem é cego ou é cúmplice deste governo e deste arremedo de pr pode achar que hoje nada mudou.

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publicado às 10:29


Sorriam, vamos ao Mundial

por Rogério Costa Pereira, em 20.11.13

A selecção portuguesa de futebol vai ao Brasil disputar o mundial. 
Para esse mundial acontecer, muita pobreza foi escondida debaixo do tapete, para que ninguém a veja e para que se mantenha pobre, porque há uma copa à qual urge encher o bandulho (e os jogos olímpicos vêm logo a seguir). 
Com tudo isto, há muito pouco tempo e dinheiro e ainda menos vontade para dar ao povo o que o povo precisa. Pão, Saúde, Educação. Resta aquele ópio inibidor. 
Mesmo a sério, qual a real substância de tanta alegria? Relativizem e pensem claro, esse sorriso que amanhã levam para o trabalho é feito de quê? O que mudou hoje, exactamente, nas vossas vidas? Que milagre vai acontecer amanhã? Pois, imagino que seja algo como isso. Do género nada. 
Nas vidas dos brasileiros, pelo contrário, esta copa está a mudar muito. Melhor, durante o tempo em que esteve e estará a ser trabalhada, o Brasil social parou. Isso é mudar muito, porque nada se alterou num país que tinha tudo para mudar o que realmente interessava.
A propósito ou nem por isso, Ronaldo é realmente um poço de energia, de talento e de querer, mas de muito trabalho, também. Tem muito do que falta à escandalosa maioria do povo português. Agora a sério, donde vem isso que hoje vos enche a alma?
Lembram-se da pobreza de que falei lá atrás? Aquela que quem manda e desmanda insiste em esconder debaixo do tapete? Pode ser que resolva sair de novo de onde a escondem e ir também assistir à copa. Aí sim, teríamos um verdadeiro Mundial. O povo brasileiro já mostrou do que é capaz. Quem sabe? É que a miséria tem tendência, nos povos portadores de alma, a dar-se mal com a afronta, e a virar ganas, e depois raiva. Se esse jogo começar, não vai acabar aos noventa minutos.
Imagino que anseiem por um bom Mundial. Eu desejo o mesmo, acreditem. Só espero é que se alastre e um dos jogos seja em Portugal. Um jogo por país. Um verdadeiro Mundial. 
Continuem a sorrir, a sério. Eu estou a fazer o mesmo, acreditem.

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publicado às 01:54


... de Direito Democrático

por Rogério Costa Pereira, em 03.11.13

Sacana de país este.

Sacana de gente esta; a que não se cansa de dar estalos e a que não se cansa de dar a outra face.

Sacana de insónia esta, que me impede de cumprir o “vou dormir” que disse há umas horas.

Não nos tiram a pata cima e roubam-nos mais do que o brilho dos olhos.

Arrancam-nos a vista à dentada e ainda nos cospem no vazio que fica.

Quem se agacha a este “Estado”, que nos quer tirar até o que não temos, acaba por ser cúmplice desse "Estado", e assim nos tornamos cúmplices do nosso próprio estado de negação; deixa estar e deixa andar; paga agora e morre o mais cedo que possas. Aceitas?

Aceitas ser cúmplice, camarada, companheiro e palhaço de um Estado bêbado que nos quer levar ao coma alcoólico da inacção?

Pode um gajo ser cúmplice da sua própria morte?

Ai o respeitinho?!

Ai a porra que vou dizer caralho?!

Ai! mas é o meu filho que dorme!, e que já tem os netos como fiadores de um porvir que por este andar não virá.

Esse sim, vale um ai. Todos os ais. E todos os meus ais serão para que ele não os grite.

E ai que cobarde seria eu se me deixasse ficar. Assim quietinho, resumido aos ais. A dizer ai. Apenas ai.

Ai que é tão injusto? Ai, vamos mas é ver no que isto dá? E esses filhos do diabo lá querem saber do que é justo?

O meu nome está ali em cima. E eu não ficarei por baixo. Nem embarco mais em manifestações folclóricas que apenas servem para dar fôlego ao “Estado” que nos impede o respirar; nos impede o estar.

Tirem-me a puta da pata de cima. Não é um pedido, é mesmo uma ameaça. E outras, de outros, virão.

E um dia chegará o Dia.

O Dia que nunca falhou; o passado é a maquina do tempo para o futuro. Olhai a História.

E o Estado será resgatado e devolvido aos seus apelidos.

...de Direito Democrático. 

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publicado às 05:11


Para Angola... com meiguice

por Rogério Costa Pereira, em 18.10.13

O fim da parceria estratégica entre Angola e Portugal irá afectar a corrupção estratégica, o tráfico de influências estratégico e a lavagem de dinheiro estratégica que eram sustentados pela dita parceria... estratégica? É que nesse âmbito estávamos claramente perante uma parceria com um grande passado, um presente próspero e um futuro sorridente.

Custa-me muito ver os negócios de sucesso estratégicos ruírem assim, da noite para o dia, e tudo por causa da casmurrice duma cena que não lembra ao diabo e que é velha c'mó arco. Essa coisa da separação de poderes que empecilha o caminho a quem pretende fazer pela vida, furando pelas vidas dos outros adentro.

Tomem mas é juízo. Há elites para sustentar. Há crianças, mulheres e homens a morrer de fome para que as cúpulas de além e aquém mar possam manter-se vivas e saudáveis e no poder. Vá lá, ganhem mas é juízo. Vão lavar o dinheiro onde? À ribeira com cal?

Repensem mas é isso, sim? Não se brinca com coisas sérias.

E nós, egoístas!, que raio estamos a fazer parados?, enquando este colorido mundo de clandestinidade perfeita aparenta moribundar? Toca mas é a pegar nos talheres e a bater com eles nos pratos e nos copos... vazios.

Beija, beija, beija...

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publicado às 20:06


Todas as revoluções são impossíveis... até se fazerem

por Rogério Costa Pereira, em 11.10.13

No facebook, uma amiga de longa data, que não vejo há cerca de quinze anos (emigrou, em versão “fuga de cérebros” – e que cérebro ela é!) perguntou-me algo como: “tu que és político e sabes destas coisas... e vives em Portugal! Achas que há alguém que possa salvar o país depois da desgraça Sócrates + Coelho (não esquecendo os anteriores)? Esta pergunta não tem ironia nenhuma, é que gostava mesmo de saber!”

Sei que, efectivamente, não há ponta de ironia no que a Ana me pergunta, mesmo quando refere “tu que és político e sabes destas coisas”. Não sei se sei “destas coisas”, digamos que tenho uma ideia acerca destas coisas. A minha, obviamente; que não é imutável e que foi construída em cima de muita reflexão, muito Ouvir e Falar, muitas argoladas, muitos erros de análise e ainda mais erros perpetrados nas urnas do sufrágio “democrático”. Parto sempre de um Princípio. Não sou dono da verdade, embora defenda as minhas verdades, à minha maneira, a cada tempo; e isso possa passar por inflexibilidade. E defendo-as como sei e nunca saio de uma discussão como entrei nela. Aqui há dias, “consegui” ser chamado de comunista e anti-comunista primário, pela mesma pessoa, em menos de meia hora. Nada disto está relacionado com trocas mais ou menos azedas de palavras que tive há alguns meses com autores da pegada, no Ouvir e Falar. E não penso que o meu passado, porque um dia votei em indivíduos que hoje abomino, me traga uma espécie de capitis diminutio que me impeça de evoluir e de ter chegado onde estou hoje, certo que para trás mija a burra e não enfio duas vezes o pé no mesmo buraco; assim o reconheça como tal. O meu passado não me impede o presente e não me corta a palavra. E ao contrário do que foi propalado neste mesmo blogue, e leu quem quis e o post está aí para quem o quiser reler, há algo de que faço questão. Não dizer nada nas redes sociais que não diga na cara das pessoas. Penso poder afirmar, com segurança e sem me pôr em bicos de pés, que não me podem acusar de falta de frontalidade e de franqueza. Adiante.

Sou tão político como gostava que qualquer um fosse, não no sentido pejorativo da palavra, que foi corrompida por estes trastes que ora estrangulam a res publica. Mas no sentido de dar a cara por aquilo que acredito e nunca o fazer em busca de tachos. Em suma, assumo-me Político; não porque integro um partido ou movimento ou porque viva cegamente à sua sombra, mas porque ataco quem devo atacar e defendo quem e o que devo defender em prol daquilo que acredito ser o melhor para o futuro do meu filho. Um dia, acusaram-me de usar a defesa do futuro do meu filho, e por extensão, o meu filho, como escudo. Sem sequer comentar tão infames palavras, explico que “o meu filho” é também para ser lido no sentido lato. O meu filho merece um futuro, um país onde possa viver. De onde não o mandem embora. Porque Portugal é dele. Dele e de todos os filhos deste país. A defesa dum futuro “higiénico” para o Francisco, e sem que ele deixe de ser a moral da minha história, é obviamente a defesa de Portugal. Tristes daqueles que têm vergonha de se levantar de manhã e de assumir a luta contra os biltres que nos retalham Portugal e o vendem à peça.

Quanto à pergunta da Ana. Não me parece que seja no nosso tempo que Portugal se reintegre ou se reencontre. Ou integre e encontre, que este país sempre andou ou a cavalo ou a fazer de mula de interesse alheios. José Gil chamou-lhe medo de existir. A nossa essência existe, não duvido disso, e identifico-a várias vezes. Mas a verdade imediata é que parece que navegamos e navegámos sempre ao som do vento. Descobrindo “Brasis” onde deviam estar “Índias”. Andamos empurrados e sem destino certo. E se calha termos água para um mês, bebemo-la num dia. E adiante de novo, que isso é conversa para outro post.

O facto de não acreditar que seja nos próximos tempos que Portugal se revolucione e revolucione, e para isso é necessário começar pelas mentalidades, não é razão (muito pelo contrário) para ficarmos parados, à espera que o relógio faça o trabalho sozinho. Cabe-nos ir limpando o caminho e tornar os acessos menos difíceis às gerações que se seguem e, assim, impedir que este estado neofascista tire a esperança à esperança. Facilmente podemos ser “acusados” de "sonhadores". É o meu insulto favorito. Sempre que me chamam isso − ou lírico ou algo semelhante − tenho a certeza que o caminho é este. Quanto ao depois? Também já há muito trabalho feito nessa área (e isso também dava outro post), mas para já só quero que me tirem a porra da pata de cima do pé, que “me” estão a magoar. E, naturalmente, eu não gosto; e a dor começa a ser insuportável. Daí advém outro perigo, é certo. E urge estar atento. A dor pode cegar. Falo dos extremismos, e penso principalmente nos fachos que tem já pata e meia no sistema. Há que ter “um olho no burro e outro no cigano”. No imediato, quero mesmo que me tirem a pata de cima. Não me satisfaz ficar quieto a ver a bola e à espera que um milagre aconteça. Ou descrente, a encolher os ombros enquanto grito golo. Não há milagres.

Neste momento todos temos uma parede à frente. Uns dizem que é impossível deitá-la abaixo, porque sempre ali a viram, nasceram e viveram com ela. Ali, naquele sítio e com aquela cor. Eu olha para ela e vejo apenas uma parede. Que, como qualquer parede que impede o caminho, vai abaixo. Quando me perguntam se o vou conseguir sozinho, eu respondo que se tu vieres já somos dois. Um segundo antes do 25 de Abril, poucos acreditavam nele. Refiro-me à população 9-to-5 e depois casa e depois jantar e novela e bola e cama e uma queca nos fins-de-semana e depois 9-to-5 (mutatis mutandis àqueles tempos que não vivi). Quem estava mais por dentro, porém, sabia que era uma questão de dias. Mas a maioria estava-se bem nas tintas e viveria com aquela outra parede, daquela outra cor, sem bufar até ao fim dos dias. Este nosso inimigo é, porém, bem mais poderoso. Não tem cara. Ou tem muitas caras, se preferirem.

Vivo numa ditadura mascarada de democracia que me "permite" e até "agradece" eu dizer estas coisas publicamente (essa parte está de alguma forma referida nestoutro post que escrevi hoje), mas eu também quero que eles as leiam. Não me incomoda que não os incomode. Faz parte do meu sistema.

Como vês, Ana, é extremamente difícil. Marcamos para amanhã? 

Todas as revoluções são impossíveis... até se fazerem.

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publicado às 21:23


Raisparta na Constituição

por Rogério Costa Pereira, em 29.08.13

"O Tribunal Constitucional chumbou hoje as novas regras da mobilidade da Função Pública. (...) Joaquim Sousa Ribeiro esclareceu posteriormente que o chumbo deveu-se a ter o TC entendido que o regime que Governo pretendia criar entregava à entidade empregadora (Estado) a definição unilateral das razões para a passagem do funcionário para a mobilidade, e de seguida o corte do vínculo laboral, o que acabava por ser traduzir numa limitação dos direitos e expectativas legítimas dos trabalhadores." [DN]


Raisparta na Constituição mais na porra dos Direitos, Liberdades e Garantias. Há que rever de imediato este instrumento castrador, que impede as politicas fascizantes de arrasarem de forma ainda mais célere e eficaz este país de economia ainda demasiado próspera para os donos das vozes legitimadas pelo voto popular. Há que apelar ao "sentido de Estado" do Partido Socialista para, de uma vez, arrumar o assunto e o país. Votem PSD, votem PS, votem CDS. Votem Centrão. Votem União Nacional. Morram todos aqueles que ousam gritar, espernear. Morram todos os vivos. Morra Portugal. Pim.

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publicado às 18:58


Faz hoje 113 anos que Eça não morreu

por Rogério Costa Pereira, em 16.08.13

E%3Fa.jpg"Portugal está a atravessar a pior crise. Que fazer? Que esperar? Portugal tem atravessado crises igualmente más: - mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não - pelo menos o Estado não tem: - e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela Política. De sorte que esta crise me parece a pior - e sem cura."

Eça de Queirós, in 'Correspondência (1891)'

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publicado às 16:25


Efeito Dominó

por Rogério Costa Pereira, em 27.07.13

A petição contra as touradas está nas 785 assinaturas. Seria importante que, quando o David Caetano fosse na segunda-feira à Câmara Municipal do Fundão entregar a petição, tivéssemos um número mais redondo e anafado, que retratasse melhor a realidade do tamanho do nosso repúdio. Sei que hoje já telefonei para muita gente, mandei mensagens a mais gente ainda. Sei também que grande parte respondeu, assinando a petição. Continuarei a chatear-vos, lamento. Já assinaram? Partilhem! Já partilharam? Partilhem de novo. Esta guerra não é do Fundão, é de País. Bem bonda os estupores que nos atentam diariamente juízo, a bolsa e o pão com os mercados que os pariram e que os engordam. Hoje, alguém dizia algo semelhante a "que se lixem as petições pelos toiros, façam uma contra a pobreza". A minha onda é simples de surfar. Que se lixem os sofás, a minha luta é contra a pobreza de espírito.

Quando a vencermos, acontecerá como na imagem

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publicado às 03:24

"Três pequenos detalhes comuns a Rui Machete e a Franquelim Alves: 1) Foram ambos altos quadros do grupo BPN no tempo das práticas de administração ruinosa; 2) São hoje ambos membros do Governo; 3) Nas notas biográficas de cada um deles distribuídas à comunicação social pelo Gabinete do Primeiro Ministro a passagem de ambos pelo BPN foi omitida..." [José Manuel Pureza]

Isto tresanda a gozo e, francamente, nem consigo escrever muito sobre esta coisa. Ia fazer uma nota sobre a nova bandeira destes diabos e calhou aparecer-me o Pureza a dizer algo semelhante ao que eu iria escrever, o que me poupou uma série de linhas. No dia 10 deste mês, dia da pantominice do pantomineiro-mor, escrevi (entre outras coisas e ainda sem ter percebido bem o que se estava a passar): O PS, ao não aceitar esta ignomínia [se aceitar, morre!, de vez e de morte matada], “obriga” o Cavaco a escolher a solução de governo proposta pela dupla PSD-PP (...) Não alinho na ideia de que isto foi uma moção de censura do Cavaco à proposta do PSD e do PP. A ideia de reproduzir as minhas palavras (coisa algo pateta, diga-se) não é dizer que li bem nas entranhas da cagarra anilhada, mesmo porque a verdade é que também me enganei p'ra caraças noutras coisas que fui dizendo entretanto (e ainda que não); a cena é mesmo dizer o óbvio. Esta vilanagem que nos mata já há muito perdeu a vergonha e nem se dá ao trabalho de disfarçar.

Em suma: desde o dia 1 desta "crise" que este era o final em guião. Mercado sobe, mercado desce. E o POVO fornece e o POVO fenece. O mesmo povo que nesta merda vota e que esta merda merece. Sei que se fosse chamado às urnas o povo enfiava-se nelas e votava em mais do mesmo, ainda que lhes mudasse a cor. Ainda assim, não desisto, que o POVO um dia vai ganhar vergonha na cara e fazer por arrancar as vergonhas a estes biltres. Refiro-me às vergonhas de que falava Pero Vaz de Caminha, aquando do achamento do Brasil. "Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas.".

E eu estou para lá da paciência... Não vou ficar sentado à espera do povo mas também não tenciono sujar-me na imundice. O que vou fazer, então? Não faço puto de ideia (mentira), mas já não é mau saber o que não vou fazer. 

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publicado às 03:07


Aníbal Cavaco Silva, há 30 anos a foder Portugal

por Rogério Costa Pereira, em 21.07.13

"A VIDA POLÍTICA DO PROFESSOR CAVACO SILVA ACABOU!"04.01.13
Esta frase foi proferida (em júbilo envergonhado) há quase 17 anos, no dia 15 de Janeiro de 1996, dia em que o Cavaco perdeu, para Jorge Sampaio, a sua primeira tentativa de não ser Presidente da República. 
Nessa altura, o jotinha Coelho, com 32 anos, andava a ganhar buço pela Casa do Povo. Já o fazia, aliás, deste 1991, com os seus experientes e vividos e aptos 27 anos -- com 27 anos, pode ser-se vivido e experiente e apto, mas a personagem nem aos 48, e já com ano e meio de poleiro dos altos, atingiu tal estatuto. 
Em 2004, cerca de 8 anos depois da profética e certeira frase em título ter sido atirada às câmaras da TVI, o autor da dita convidou o Coelho para ingressar no Grupo Fomentinvest, onde este continuará a não ganhar aptidão nem experiência até 2006.
Entretanto, o enterrado em 1996 anda agora, e já há quase 7 anos, mascarado de presidente da República, a terminar o serviço que havia começado em 1985 e interrompido em 1996. Falo do de co-coveiro de Portugal.
E o tal profeta calha a ser o mentor do experiente e vivido e apto jotinha que ora nos desGoverna.
O que é curioso é que, como se vê, já desde, pelo menos, 1996 que o profeta Ângelo Correia y su muchacho (mas este só soube a razão mais tarde, quando lha ex-pli-ca-ram) não gramam o Cavaco. O que é obviamente e notoriamente recíproco.
O que é ainda mais curioso é que os dois (ou três), cada um em seu poiso -- o Cavaco em Belém e a dupla Coelho sob a pata da Merkel e Ângelo no ombro deste e de bico encostado ao ouvido do seu tem-fome-investe --, e não se gramando, conseguem atingir uma sintonia não premeditada mas quase perfeita, naquele singular e democrático estilo de golpe e contra-golpe, no empurrão abismo abaixo que este país parece exigir aos sentidos e bons e suficientes haveres de um e de outros.
"A vida política do professor Cavaco Silva acabou!"... Não deixo de me questionar, se Jorge Sampaio não tem logrado pontapear o Cavaco em 1996 teríamos hoje um Presidente da República? Não que a resposta me interesse ou que eu ouse desejar agora que 1996 tivesse sido ao contrário. Mas gostava tanto de ter, hoje, um Presidente da República. Essa é que é essa! Dava um jeitaço... É que estou mesmo desesperado por um, sabem?, ao ponto de terminar com este parágrafo estilo regresso-ao-futuro. A Constituição não prevê a existência de um? Ok, esqueçam esta última pergunta...

[MINISTRY OF SILLY WALKS: http://youtu.be/IqhlQfXUk7w]

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publicado às 02:56


Há sinais de fogo posto na terra dos Sinais de Fogo

por Rogério Costa Pereira, em 20.07.13

Figueira da Foz-20130720-00071.jpg
A terra dos Sinais de Fogo está deserta. Há sinais de fogo posto pelos mata-vidas que se governam no nosso prato. É Sábado, mas é "É tarde, muito tarde da noite". Jorge de Sena voltaria ao exílio. O senhor onde íamos comprar pão terá emigrado. Não há pão, tal como eles ditaram. E agora já "É tarde, muito tarde da noite". Ou talvez não, que Sena também escreveu doutros estados de espírito. E da vida do Homem e dos que não o são. Ora leiam.

"Podereis roubar-me tudo:

as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas, os temas, os motivos, 
os símbolos, e a primazia
nas dores sofridas de uma língua nova,
no entendimento de outros, na coragem
de combater, julgar, de penetrar
em recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
outros ladrões mais felizes.
Não importa nada: que o castigo
será terrível. Não só quando
vossos netos não souberem já quem sois
terão de me saber melhor ainda
do que fingis que não sabeis,
como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
reverterá para o meu nome. E mesmo será meu,
tido por meu, contado como meu,
até mesmo aquele pouco e miserável 
que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada: nem os ossos, 
Que um vosso esqueleto há-de ser buscado,
Para passar por meu. E para os outros ladrões,
Iguais a vós, de joelhos, porem flores no túmulo."

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publicado às 12:15


A dívida, a dívida, a dívida

por Rogério Costa Pereira, em 16.07.13

A dívida, a dívida, a dívida. E que tal aquele modus faciendi punk?, de dedo do meio erguido para cima a dizer "aponta no tecto"? Nem é preciso ir tão longe, concedo; e não se trata de renegociar o capital ou os juros. Trata-se de ir à essência da coisa. Explicar a dívida, escudo a escudo, euro a euro. Pagar o que se deve, mas apenas o que o Povo deve (e os aprendizes de feiticeiro da dívida que se amanhem com o resto), fazer um manguito aos mercados e aos especuladores. Portugal comprou um apartamento e está a pagar uma cidade inteira. Trata-se disso. Porque uma mentira muitas vezes repetida não passa, por exaustão e cansaço de quem a ouve, a ser verdade. 

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publicado às 21:28


Crónica da terra queimada

por Rogério Costa Pereira, em 16.07.13

Durante dois anos por aqui falei da política de terra queimada levada a cabo pelos mandatários de interesses alheios a Portugal. Durante o mesmíssimo tempo, aludi à falácia em que se traduz a "legitimidade democrática" desses salteadores avençados, assente num sistema eleitoral que nada tem de democrático e, mais que tudo, assente na reiterada e persistente violação da Constituição. 
Vivemos uma ditadura do capital e da alta finança mascarada de democracia. E é incomparavelmente mais complicado abater esta ditadura com trombas de democracia do que um regime autoritário e ditatorial que se assume como tal. Quando digo muito mais complicado, temo estar a usar um eufemismo, porque esta "democracia" renova-se e "legitima-se" a cada eleição que não o é verdadeiramente. A prova do que acabei de escrever é que se chega ao despudor de se argumentar, sem corar, com o "arco da governação", esse aborto da tal "democracia". 
Os culpados, também o disse, somos nós todos. Os que mamam na teta deste regime, tacho após tacho, de cor de cartão em cor de cartão. Mas também os que ou acordaram tarde ou não lutaram o suficiente (contra o sistema como um todo, o que inclui lutar contra os que vivem dele e por ele). Porque muito é pouco. Muito é quase nada. E, ironicamente, dou por mim a pensar que não passamos, todos os que dão a cara e arriscam a pele, da válvula de escape essencial à sobrevivência deste regime fatal que não nos impede de falar (outra válvula de escape), mas nos obriga a sobreviver, de dor em dor. Aos gritos. Sem realmente viver.
Quanto mais penso em tudo isto, já em plena terra queimada, quanto mais volto atrás no tempo, mais me convenço de que vivemos num fabuloso erro de casting. A maior parte dos portugueses vende-se por menos de trinta moedas. A mentalidade dos portugueses assenta no conformismo do "tudo é aceitável, por mais que nos tirem". E as vénias proliferam, século após século, a troco do "deixem-nos sobreviver".
Como se muda isto? No papel seria fácil argumentar, mas na prática não faço a menor ideia. Não sei como convencer quem se sente bem de que não está nada bem. De que nada está bem. De que viver não é isto. De que ontem tínhamos mais, de que já nada pode ser dado como adquirido e de que amanhã teremos menos.
Não sei mudar a mentalidade de quem pensa que "antes isto do que nada". Já chegamos ao "nada" e mesmo agora parece que muitos dos que não se rebelam acham suficiente esse "nada".
Podem matar-me, mas enterrem-me ao menos. Talvez esta última frase venha a ser o ideal do português de XXI. Quando esse dia chegar, Portugal morreu.

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publicado às 15:30


O Estado da Nação

por Rogério Costa Pereira, em 05.07.13

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publicado às 22:03


A nomeação de Maria Luís Albuquerque para o cargo de Ministra das Finanças é uma provocação reles e vil saída da cabeça de uma criatura infame que, de derrota em derrota que não mata-mas-mói (não ainda totalmente real e eficaz, para meu lamento; que tais derrotas são o lado para onde eles melhor se deitam), insiste em vingar-se de quem, dia após dia -- na rua, nos jornais e nas redes sociais --, faz por lhas infligir. Falo das pedras no caminho do esvaziamento, do despejo, do esgotamento de um país; as areias na engrenagem da aniquilação total. Falo do POVO que ousa respirar.

Para o “neoliberalismo segundo coelho e respectivos caudilhos”, quanto pior melhor. Não quero com isto dizer que Gaspar era melhor do que a ora indigitada – ao nível do “pior é impossível”, não é sério fazer tal comparação. Ao dizer que, para Passos y sus muchachos, “quanto pior melhor”, refiro-me ao pior para Portugal e para os portugueses.

Gaspar era a pedra angular deste governo e das suas políticas de terra queimada. O plano de acabar com Portugal e com os Portugueses, pela via duma espécie de genocídio social, cultural, económico e institucional, sustentando numa espécie de solução final política, foi traçado a régua e esquadro por Gaspar, orientado pelos seus mandantes. E, ainda que fosse factual que Gaspar houvesse sido escolhido por Passos para a função – no que não concedo e apenas por uma questão de raciocínio refiro --, tal não retiraria ponta de verdade ao que atrás disse. Pelo contrário. Passos, eleito pelo voto popular, era a legitimação democrática, salvo seja, de um mercenário pago para trazer o país até aqui. Mas Gaspar já fez o seu trabalho e pode seguir adiante, para outras funções.

Em suma, neste estado de coisas, tanto fazia escolher Maria Luís Albuquerque como a nossa senhora de Fátima. O trabalho já está feito e o barco dos infernos já dispensa Caronte. Aos olhos dos neoliberais, o ideal até dispensaria, neste momento, um ministro das finanças – não vá correr-se o risco de o escolhido não ter a arte e o engenho de ir além de apenas se certificar de que o leme se mantém seguro na direcção do abismo.

Posto isto, e porque parece mal não ter alguém na pasta das Finanças, qual a razão para não dar mais uma cuspidela no POVO e escolher quem, antes de o ser, já reúne todas as condições para não o ser? Penso que foi o João Semedo que disse, as palavras são minhas mas ideia é esta, que a cabeça de Maria Luís Albuquerque podia ser pedida hoje mesmo, que quem o fizesse não cairia no ridículo.

Por mais absurdo que pareça, Passos escolheu Albuquerque para o cargo porque esta já reunia, hoje mesmo, aos olhos da higiene democrática, condições para ser demitida de secretária de estado. Que pior afronta para a democracia e para o regular funcionamento das instituições democráticas do que escolher Albuquerque? Alguém que comprovadamente mentiu e reincidiu na mentira? Antes que alguém ousasse pedir-lhe a cabeça, Passos promoveu-a. E como se deve estar a rir, e como deve estar a ser felicitado pela sua vilanagem companheira.

Se vivêssemos numa Democracia, se tivéssemos um Presidente da República, o governo cairia já hoje. Mas tal não acontece nem vai acontecer pelas mãos de Aníbal, o traidor. Para o decano regedor da destruição pátria, ora elevado a chefe de estado, este é um sonho tornado realidade.

E amanhã assistiremos à alegoria sórdida que aníbal, Passos e seus mandantes nos servem no prato – o gozo primário de homologar a ignomínia. Apesar de não a ter jurado – ou por isso mesmo --, à constituição democrática que cada vez mais se resume ao papel, sinto-me completamente desobrigado de respeitar o estado de sítio actual. E direi e agirei em conformidade.

Não assistirei cego, surdo e mudo a este “quanto pior melhor”, que tem como fim único a destruição e venda a retalho do país do meu filho. Continuarei a não dar para o peditório destes canalhas. Não assistirei sentado à destruição de Portugal. E continuarei a escrever e a fazer, em Liberdade – aqui ou ali --, aquilo que a consciência me dita.

Continuo a sonhar que é possível, mesmo que tudo indique o contrário. Assim o engenho e as forças mo permitam – e a loucura não me atente --, continuarei a contribuir para o extermínio do projecto de aniquilação de Portugal.

Este é o meu testemunho e a minha certeza. 

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publicado às 22:42

As pessoas cegam de raiva com a merda do futebol mas ficam completamente indiferentes perante a destruição do país. Assobiam para o lado e vão à bola para se distraírem.

Para se distraírem... Ainda mais, catano? E se é só uma distracção qual a razão para tanto ódio?

Falam de campeonatos roubados e ficam indiferentes perante o país roubado e vendido a retalho.

Eu não tenho o que mereço, a minha mulher também não e o meu filho e os amigos dele muito menos.

Os nossos filhos vão pagar o preço do que não compraram, do que não gastaram, do que não roubaram; vão viver pior do que os meus pais e ainda mal ler sabem e já estão endividados até ao pescoço. Eles não mereciam isto.

Conheço centenas de pessoas que também não merecem o que estão a passar. E todas as crianças de Portugal. Elas não mereciam isto.

Mas a maioria deste povo sem ganas, cobarde, acomodado, de cornos no ar à procura de tacho, merece exactamente os eleitos que tem e devia responder na exacta medida do que aqueles um dia responderão.

A cumplicidade do silêncio mata! Prioridades, rapaziada, prioridades.

E lá fora tocam as buzinas, num silêncio ensurdecedor e devastador...

Parabéns a eleitos e eleitores, aos da cruzinha no papel de 4 em 4 anos. Que o resto do tempo não existe. A coisa pública alguém que a resolva. Alguém que a destrua e reconstrua, que o que interessa é o golo em fora de jogo. Fora de jogo está o país, porra.

Gosto particularmente das queixas do "ninguém faz nada?". Fazem pois, dão a cara e o pêlo, arriscam o que têm e o que não têm, roubam tempo aos filhos, enquanto os demais tocam buzinas.

Golo!

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publicado às 21:25


O jogo da bola e os que não batem bem dela

por Rogério Costa Pereira, em 12.05.13

«"Uma situação inacreditável. Estava a colocar o equipamento para fazer a reportagem móvel no estádio, eu e o Manuel Augusto, quando fomos violentamente agredidos por um adepto. Depois, logo a seguir, vieram outros, que continuaram a agredir fisicamente e com insultos. Além disso, foram dando pontapés no carro, impedindo-nos de sair", descreveu o jornalista.» [JN]

Se isto é ser português então bate mesmo tudo certo. Não fosse apenas tusa de mijo e não estaríamos a chafurdar na pocilga onde nos meteram (e onde nós entrámos a pontapé e de sorriso nas trombas). Quem encontra no pontapé na bola a razão primeira para viver, para se zangar e para lutar merece ser tratado a pontapé. Como a bola.
Para que algumas dessas mentes entorpecidas não pensem que estou a falar dos jornalistas pontapeados, eu faço um desenho em forma de palavras. Ficaram fodidos porque um clube de futebol perdeu? Mais do que a cada acto deste terrorismo de Estado que vos tira o pão da mesa aos filhos? É de vocês e para vocês que falo. Cambada de inúteis que não merecem o ar que respiram.
Lutem pelo futuro dos vossos filhos, deixem as guerras a fingir, abram as portas e janelas. Há uma guerra a sério lá fora. De vida ou de morte!
Se a regra deste triste país se traduz nos campeonatos que se ganham e se perdem, então Portugal não bate bem da bola. Há que virar a mesa e começar de novo. Que a excepção vire regra. Juízo, garotos, juízo.

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publicado às 18:04


 

 

 

 

 

 

 

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