Quinta-feira, 12.04.12

Parque Escobar

por Luis Moreira às 17:00

Alçada Batista defende que candeeiros desenhados por Siza Vieira e utilisados na reabilitação das escolas não são um luxo, a Fundação de Serralves também os tem!!!

A "dondoca" Canavilhas acha que se as escolas não tiverem candeeiros "Siza Vieira" (1.700 Euros/cada) é estar a nivelar por baixo...

Maria de Lurdes acha que não haver concursos públicos, fazer ajuste directo de obras e projectos, ultrapassar em 264% a previsão inicial de custo e que não haver níveis de custos orçamentados, isto é, tudo o que o Estado de Direito construiu para que a transparência prevaleça, foi uma festa " “O programa da Parque Escolar foi uma festa para as escolas, para os alunos, para a arquitectura, para a engenharia, para o emprego e para a economia”, disse.
Confrontada com as críticas de deputados do PCP e do Bloco de Esquerda sobre a entrega por ajuste directo de todos os contratos de arquitectura, um procedimento também criticado pelo Tribunal de Contas, Maria de Lurdes Rodrigues insistiu que todos estes procedimentos estão previstos na lei e que “nem sempre a transparência”, garantida pela realização de concursos públicos “é convergente com o interesse público.

Enfim, mais uma festa onde se sentaram à mesa alguns e que o povo português paga!

Terça-feira, 31.01.12

O pacto Orçamental

por Luis Moreira às 13:00

A UE, a 27, com excepção da Inglaterra e da República Checa entenderam-se quanto à disciplina orçamental e contrabalançaram com a reorientação dos fundos para combater o desemprego jovem. Com medidas concretas!

""Tudo o que tinha que ver com o desenho institucional que faltava no Tratado de Lisboa para a união económica e monetária está agora em condições de ser superado", disse, referindo-se ao tratado intergovernamental, conhecido como "pacto orçamental", que reforça a disciplina das finanças públicas dos Estados-membros signatários, e ao tratado que regula o novo mecanismo europeu permanente, que entrará em vigor em meados deste ano.
Passos Coelho falava no final de um Conselho Europeu dedicado também ao crescimento e emprego."

Há, finalmente, passos dados na direcção certa, mas como sempre quiseram os alemães, só depois de os países periféricos terem feito o trabalho de casa.

Austeridade, arrefecimento das economias, cortes estruturais, privatizações e em paralelo "limpar" o tecido empresarial com o fecho de empresas que não se actualizaram. Com um custo muito grande e doloroso, o desemprego, especialmente o jovem!

Domingo, 01.01.12

Presidência Dinamarquesa - por uma europa responsável

por Luis Moreira às 17:11

Volta a esperança, vem ai gente que não conta histórias nem filmes com finais felizes. Gente que se propõe a implementar uma maior disciplina orçamental e iniciar programas financeiros e orçamentais plurianuais. A Presidência Dinamarquesa!

"O ministro dinamarquês Wammen apontou como lema e grande prioridade para o seu semestre uma "Europa responsável", indicando que Copenhaga concentrar-se-á em aplicar as decisões de reforçar a disciplina orçamental, adoptada no último Conselho Europeu, assim como as novas propostas de maior vigilância.
Outro "dossier" muito importante que vai ser trabalhado pela presidência dinamarquesa, embora certamente vá passar para a cipriota, no segundo semestre, é o das complexas negociações do orçamento plurianual da UE pós 2013, as chamadas "perspectivas financeiras 2014-2020".
A Dinamarca elegeu em Outubro um novo governo, liderado pela primeira-ministra Helle Thorning-Schmidt, eleita por uma coligação de esquerda.
Thorning-Schmidt é a primeira mulher a aceder ao poder no país e encerrou no recente sufrágio uma década de governo de direita.

Como se vê gente de esquerda que se preparou enquanto oposição. Em democracia a esperança está sempre ao virar da esquina!

Quinta-feira, 01.12.11

Militares tomarão medidas...democráticas!

por Luis Moreira às 13:00

Os militares acham que estão a ser penalizados e não desarmam!

"

"Os militares, dando continuidade à manifestação [de 12 de Novembro], pretendem pedir ao senhor Presidente da República que não promulgue o Orçamento do Estado para 2012, que contém aspectos e decisões que afrontam sobremaneira a condição dos militares e a própria instituição militar", explicou à agência Lusa Manuel Cracel.

Com esta iniciativa, os militares querem "deixar ali com a sua presença" as "profundas reservas" que têm "relativamente ao que vai acontecendo" no país e com as políticas de austeridade adoptadas pelo Governo, "em particular no que diz respeito aos militares", ainda segundo o dirigente da AOFA.

Os militares protestam sobretudo contra os cortes que os afectam e a retirada de direitos inerentes à condição militar, sublinhando que estão a ser equiparados a qualquer funcionário público quando lhes são pedidas obrigações e disponibilidade que não existem para nenhum outro grupo profissional."

As corporações ainda não perceberam que a única forma de tornar o país viável é tirar-lhes mordomias e privilégios.

Quarta-feira, 30.11.11

Fundos de pensões da banca transferidos para o Estado

por Luis Moreira às 16:30

Parece um poço sem fundo, há sempre onde ir buscar dinheiro e, também, onde o "raspar".

"Ou seja, com o dinheiro que será transferido, as Administrações Públicas vão pagar as dívidas à banca, que está com dificuldades de acesso ao financiamento no mercado interbancário. Com este dinheiro, os bancos podem assim financiar a economia, nomeadamente as empresas mais competitivas e exportadoras. "

Será? É que esta é uma boa notícia pelo menos no que diz respeito ao apoio à economia a que se podem juntar as receitas das privatizações que deverão ser também, canalizadas para apoiar as empresas que produzem bens transaccionáveis.

Era bom era, mas cheira-me que as empresas públicas, principalmente as de transportes, vão "comer" grande parte do bolo. Talvez as pessoas comecem a perceber que as empresas com deficits permanentes são insustentáveis. E, pior, desviam os meios necessários das empresas mais competitivas.

Mário Soares gostou da abstenção

por Luis Moreira às 11:00

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Sábado, 12.11.11

Núcleo duro na UE?

por Luis Moreira às 11:00

A União Europeia a duas velocidades? Um núcleo de países bem comportados, a crescer e, outro, incluir os relapsos? Não creio que isso seja possível tais são os tremendos problemas daí resultantes. Mas acredito que os países em dificuldades, com acordos, passem a ser controlados directamente pelo BCE. 

Orçamentos nacionais sob controlo férreo, uma única instituição financeira ( a criar e dedicada só aos países em dificuldades e com acordos)  para resgatar as dividas e  o BCE, actuando como credor de último recurso na compra ilimitada de obrigações .

É uma tremenda machadada na soberania dos países mas "não há almoços grátis", são os credores que estabelecem as regras e as condições.

Alternativa? juízo!

Segunda-feira, 07.11.11

Relvas não merece a abstenção do PS...

por Luis Moreira às 13:10

Relvas, espaldado na maioria que suporta este governo na Assembleia da Republica, desvaloriza a posição do PS. Faz mal, muito mal! Infelizmente, não percebeu que se o Orçamento é tão rígido e tão exigente é porque quer mostrar aos mercados e aos países credores que podem confiar no governo de que ele, Relvas, faz parte. E, esta é, também, a única razão que pode explicar a abstenção do PS.

Com um Orçamento apoiado ou, pelo menos, não chumbado por qualquer  dos partidos do arco da governação, a credibilidade e a confiança dos mercados são bem mais fáceis de conseguir.  Se Relvas não percebe isto, então, na verdade, não merece a abstenção do PS .

Este Orçamento não é fácil para ninguém mas parece que Relvas não percebe isso ou, pior, só é fácil para ele!

Sexta-feira, 04.11.11

Última hora - PS abstem-se no Orçamento

por Luis Moreira às 01:00

Com vinte e dois votos contra e duas abstenções o órgão máximo do partido entre congressos decidiu-se pela abstenção. Felizmente que o secretariado tirou as devidas ilações do que se está a passar na Grécia onde a oposição de direita está, irresponsavelmente, a lançar o país numa crise sem fim à vista e sem soluções.

Há oportunidade de discussão, de melhorar, de se encontrar consensos, mas ninguém faz muito diferente. O diferente que poderia fazer-se está em grande parte nas mãos de estranhos, de terceiros, não dos próprios e, quando se depende de terceiros, a solução que se tem em mãos não passa de tema de discussão até o terceiro concordar.

Ora os restantes parceiros, os credores, os que têm dinheiro não concordam com as alternativas conhecidas!

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Quarta-feira, 02.11.11

BE apela ao "não" do PS no Orçamento de 2012

por Luis Moreira às 19:00

Quem não tem responsabilidades governativas e nunca virá a ter, orienta-se como o BE, diz sempre "não" mesmo quando ainda não leu o documento nem discutiu propostas. É, óbvio, que o PS não faz isso. Não só porque é um partido de governo, responsável, mas também porque tem propostas para melhorar o documento.

O PCP faz o mesmo, diz "não" a tudo o que "mexe" pelas mesmas razões do BE. É, fácil, ser assim, partido da oposição, oferece-se a lua e o sol, porque se sabe que ninguém lhos pedirá.

O PS Grego é governo na Grécia e o caminho que traça não é muito diferente do que está em cima da mesa aqui em Portugal. Temos a vantagem de ver o percurso da Grécia e da Irlanda e isso pode ser muito útil. O tempo é uma variável importantíssima na gestão de um problema de liquidez como é o que temos em mãos. Sem dinheiro não podemos alavancar a economia nem ajudar as exportações e, sem isto, não criamos riqueza nem criamos postos de trabalho.

As coisas são como são! 

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Terça-feira, 01.11.11

Última hora - destituídas todas as chefias militares na Grécia

por Luis Moreira às 22:00

Em Democracia a substituição de todas as chefias militares no quadro de uma profunda crise social e política, só quer dizer que o governo perdeu a confiança nos militares e tratou de colocar nesses postos chave gente da sua confiança. Gravíssimo! Já é a Democracia que está em jogo na Grécia!

Em todo o mundo as bolsas reagiram com grandes quedas espelhando a gravidade da situação.

Os países da Zona Euro iniciam uma manobra de coesão no sentido de garantirem que todas as medidas decididas na última reunião serão implementadas a muito curto prazo.

A oposição na Grécia ao partido socialista no poder tem sido nefasta, sem alternativa visível, com o único intuito de surfar a onda do descontentamento.

Portugal está a seguir se não for aprovado o orçamento de 2012 por todos os partidos que assinaram o acordo da troika. Todas as oportunidades de entendimento são possíveis de serem aproveitadas na discussão na especialidade na Assembleia da República.

O momento é muito grave! Portugal está primeiro!

Segunda-feira, 31.10.11

A autonomia das Universidades em perigo? Não me parece!

por Luis Moreira às 12:00

O Carlos Zorrinho, líder parlamentar do PS,  diz que sim: "A luta pela Autonomia Universitária foi um dos processos mais ricos e complexos da democracia portuguesa. Nos últimos anos algumas instituições avançaram para um modelo sofisticado de autonomia com a criação de fundações experimentais. Tudo isso é agora arrasado no articulado do Orçamento sem que Crato pareça capaz de se opor à sanha controladora e castradora de Gaspar."

Eu também acho que a autonomia das universidades ( e das escolas, já agora) é um dos factores que mais pode contribuir para a excelência, razão porque estou inteiramente de acordo com as preocupações manifestadas pelos Reitores. E, devemos defender com todo o vigor, o excelente trabalho das universidades que tem permitido que inovadores projectos ganhem prémios internacionais e, bem assim, se criem empresas inovadoras que dão cartas a nível do mercado global.

Mas não devemos tirar conclusões apressadas que a ideologia e/ou o desconhecimento nos podem levar a fazer. A verdade é que com um Orçamento tão apertado e tão rigoroso como o que vai entrar em execução, mandam as regras da boa gestão apertar o controle e, este controle, faz-se centralizando nesta fase do processo!De outra forma, como mostram todos os exemplos conhecidos, todos tendem a "fugir do aperto".

Se assim não for estarei na primeira linha do combate, contra quem se atreva a colocar a autonomia das universidades em causa!

Domingo, 23.10.11

Cavaco Silva disse uma vez em público o que só devia dizer em privado...

por Luis Moreira às 11:30

Andamos há 20 anos, mais coisa menos coisa, a ouvir Cavaco Silva dizer que "não pode dizer em público o que só deve dizer em privado" para, sem mais, mudar o "bico ao prego" 360 graus .

Esta não me convence! Ainda para mais dita entre um "entrar e sair" num qualquer cerco de microfones de jornalistas ele, que se contem como ninguém e só diz o que treina em casa em frente do espelho. Então do que se trata?

Quer que ao nível da discussão na especialidade na Assembleia da República, sejam introduzidas alterações que já comunicou, previamente, aos partidos. E, para que o PS e a restante oposição não venham para a Comunicação Social dizer que conseguiram fazer recuar o governo, na tal "discussão na especialidade", já Cavaco apadrinhou publicamente as mudanças. Por exemplo, é hoje consensual que o prazo de correcção orçamental devia ser feito até ao fim de 2013, isto é, em mais um ano, o que tornaria a trajectória muito mais suave sem que daí venham problemas de monta. Bruxelas já deu sinais que sim, que não se oporia se a questão lhe for colocada.

No entanto, foi por a Irlanda ter implementado nos primeiros seis meses, após o período da ajuda, medidas muito agravadas que, ao contrário da Grécia, já está a colher frutos.

Uma coisa é certa. Cavaco nunca trocaria a sua frase favorita por outra a dizer exactamente o contrário, senão tivesse a certeza que é isso que Merkel queria ouvir!

E, repararam que por uma vez na vida Catroga e Manuela Ferreira Leite apressaram-se a discordar de Cavaco  em público?

Terça-feira, 18.10.11

Orçamento 2012

por Luis Moreira às 10:00

 

ORÇAMENTO DO ESTADO 2012. Um documento para ler com muita atenção.

Segunda-feira, 17.10.11

Mas não podemos alcançar os objectivos um ano mais tarde?

por Luis Moreira às 22:23

Com mais um ano de prazo, não precisávamos dos dois subsídios, precisávamos só de um. Nem de subir o IVA e destruir a restauração. Bastava renegociar. Cumprimos, cortamos o que há a cortar, mas em dois anos. Não correríamos o risco de cair numa recessão ( o governo fala em 2,9%, há quem diga que pode chegar a 4%) e, com isto perder milhares de postos de trabalho.

Temos mesmo que ser o melhor aluno? Estar no quadro de honra? A qualquer preço?

Sexta-feira, 14.10.11

Depois deste Orçamento já estou na categoria de indigente...

por Luis Moreira às 18:00

Dizia o ministro de França (Mazarino) para o seu tesoureiro (Colbert): há os pobres e esses nada têm, não há por onde lhes tirar; aos ricos não se pode tirar porque eles, ao gastar, dão trabalho aos pobres.Mas os que querem ser ricos e estão sempre cheios de medo em cair na pobreza, a esses tira-lhes o que puderes porque eles vão trabalhar ainda mais na ânsia de recuperar o que lhes tiraste. São um poço sem fundo, carrega-lhes  que eles protestam mas no dia seguinte já estão a trabalhar.

E, eu, que sou dos que vou apanhar com todos os sacrifícios dei comigo a fazer contas. Onde corto? O carro já  há dois anos que só sai da garagem uma vez por semana. Jantares fora nem vê-los já os troquei por uma almoço aos sábados ali nas tasquinhas de Belém. Os fatos de antigamente, que eu trocava periodicamente, agora quem muda sou eu, emagreço para poder caber dentro deles. Cinema, vou de vez em quando que um homem não é de ferro, mas deixei de ir ao teatro a pagar bilhetes de 30 euros para ver o La Féria.

Resta-me o Sporting! E as viagens de férias! Quando aqui cheguei vi que a minha vida está mesmo a andar para trás, por isso decidi fazer uma lista de despesas. Pior, 80% das minhas despesas são como as do estado, são fixas não podem deixar de ser pagas. Se for obrigado a deixar de ser sócio do Sporting, vou enviar esta listagem de despesas ao senhor primeiro ministro, acompanhado de requerimento a solicitar a minha própria falência, demonstrando que já estou na categoria de pobre ++ ( como dirá a Fitch quando souber do meu caso).

Espero que dois ou três dos meus amigos assinem como testemunhas.

Não corto nas viagens de férias porque são a minha última esperança. Posso sempre comprar só bilhete de ida!

Quinta-feira, 13.10.11

Orçamento 2012 - onde estão eles?

por Luis Moreira às 20:52

Como se chegou aqui e quem são os responsáveis?

Cavaco Silva é hoje Presidente da República; António Guterres é Alto Comissário para a pobreza; Durão Barroso é Presidente da Comissão Europeia: Santana Lopes é Presidente da Santa Casa da Misericórdia e anda por aí;  José Sócrates passeia nas margens do Sena a filosofar!

E, nós, os que pagamos? Estamos onde sempre estivemos. A trabalhar e a ver o estado ladrão a roubar-nos 50% do que ganhamos.

E como é que a economia cresce?

Quinta-feira, 28.10.10

Estou fascinada

por Isabel Moreira às 10:04

Há imensa gente, por exemplo aqui, que SABE quem culpar pelo falhanço das negociações sobre o OE. Estavam lá, ouviram os intervenientes, ajuizaram calmamente cada proposta e contraproposta, leram nas entrelinhas de tudo quanto foi apresentado e zás. Deuses.

Quarta-feira, 27.10.10

Se é assim

por Isabel Moreira às 17:23

Se o Governo e o PSD falharam as negociações relativas ao OE, tenho para mim que o CDS perdeu uma grande oportunidade.

Quarta-feira, 20.10.10

Por que é que não exigimos de todos?

por Isabel Moreira às 12:01

Conhecida, mais ou menos, a proposta de Orçamento, penso que a esta hora já não é necessário fazer nova lista das preocupações que a mesma gera no comum dos portugueses. Tenho para mim que qualquer cidadão que não perceba nada de finanças - é o meu caso -, mas que esteja minimamente atento à realidade, começa por se perguntar o por quê de só agora nos virem falar da urgência de tantas medidas de austeridade. É certo que nos podem dizer que é fácil falar no final do jogo, mas certo é também que se os números são os apresentados, há indícios violentos de que não teria sido difícil um juízo de prognose mais cedo. Diz-me o senso comum que o Governo tentou adiar o inadiável, tentou desesperadamente viver como que de forma elástica sem dizer aos governados que havia de lhes dar notícias muito, mas muito más. Acontece que adiar o problema aumenta o problema, não é preciso ser licenciado em finaças para saber isso. Diria, pois, que, ao contrário do que sucedeu em Espanha, por exemplo, por cá acharam por bem viver-se numa ilusão enquanto fosse possível. Ora, não foi possível, não dá, e o resultado está à vista.

Este é o primeiro aspecto que me parece tão certo como dois e dois serem quatro. Em casa, aprendi um princípio segundo o qual reformas adiadas tornam revoluções inevitáveis. Tenho-me lembrado dele. Aqui, a revolução não foi do povo mas a apresentação de um Orçamento feito com uma cruz em cima da sua cabeça, o limite de défice imposto por essa coisa distante, que nos diz pouco no dia a dia, sim, essa coisa, a Europa que tem um presidente da Comissão que explica que há sanções para os os governos que ultrapassem os limites do défice previstos no Pacto de Estabilidade e Crescimento .

Vem então o dito Orçamento, apresentado por um Governo de esquerda. E tomam-se medidas de poupança que atingem os mais fracos e os mais indefesos da nossa sociedade, como esta medida. Há que obter receita rápida, pelo que se corta nos salários dos funcionários públicos, zás, é rápido, desigual, mas dá receita, aumenta-se o IVA violentamente em produtos essenciais à população carenciada, sendo justo pensar se quem o fez tinha na cabeça exactamente os produtos que estavam em causa. Verifica-se um ataque violento às famílias de classe média e baixa com uma simples simulação de preenchimento de modelo de IRS das mesmas sem as deduções abolidas, por exemplo, e por aí fora, toda a gente sabe a história.

Pelo meio, não valendo a penafazer links, já li Passos Coelho recusar-se a aprovar o Orçamento, afirmar que é muito mau o país ficar sem ele, dizer que é uma pessoa responsável, jurar não ceder a pressões para acalmar num dar a ideia de que o aprova, tal como aprovou o PEC.

A responsabilidade pela apresentação do Orçamento é do Governo, mas eu gostava de saber exactamente como é que o PSD, que aprovou o PEC, chegaria àquele número mágico dos 3% do PIB? Como? Já me chegou aos ouvidos o corte na despesa. Agradeço. Mas quero saber duas coisas: como é que o corte na despesa chega para alcançar o objectivo? De que despesa está o PSD a falar? Eu não quero cortes em certas despesas, por exemplo.

Pelo meio, ainda, se olharmos outros países da Europa, sabemos, por exemplo, que meio milhão de funcionários públicos britânicos provavelmente vão perder o emprego. Esta é uma desgraça entre muitas justificadas por um "pacote de medidas de austeridade".

Temos de questionar o Governo que elegemos, temos de esperar mais da oposição, sim, mas temos de, sem desresponsabilizar aqueles, pôr os olhos num mundo que chove cá dentro, num mundo que decide por nós sem que nos preocupemos com os rostos dessas decisões, com a democraticidade das mesmas, com a relação delas com um número que nos surge como se interno apenas. Não podemos ser marionetas. Não podemos gritar de fúria quando a má decisão é do Governo ali em São Bento e cruzar os braços em aceitação porque parece que foi decidido em Bruxelas, é obrigatório.

Sexta-feira, 15.10.10

Pedro Passos Coelho, Orçamento, Esquizofrenia

por Isabel Moreira às 10:46

O que é que se passa? A culpa é dos jornalistas ou do do líder do maior partido da oposição que consegue o resultado espectacular nas sondagens de empatar com o PS?

 

"Passos Coelho viabiliza Orçamento" 

 

 

Pedro Passo Coelho, garantiu hoje no Funchal que não cederá a “pressões orçamentais”, reforçando a ideia de que chumbará a proposta de OE para 2011.

 

Não é possível.

Quinta-feira, 14.10.10

Não há dúvida

por Isabel Moreira às 15:53

O discurso de Pedro Passos Coelho em matéria de Orçamento tem primado pela coerência e pela clareza.

 

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