Segunda-feira, 09.04.12

As exportaçãoes aumentaram 10% e as importaçãoes cairam 6%

por Luis Moreira às 16:00

A balança comercial está a portar-se bem.

As exportações atingiram naquele trimestre os 10,5 mil milhões de euros e as importações 9,5 mil milhões de euros.

Para a redução das importações contribuíram principalmente menos entradas de automóveis de passageiros e de combustíveis minerais, em especial nos óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, e outros produtos provenientes da destilação dos alcatrões de hulha a alta temperatura.

Os dados referem-se ao trimestre terminado em Fevereiro.

Terça-feira, 26.08.08

A Marinha Grande de Obama?

por Rogério da Costa Pereira às 19:05

A polícia norte-americana deteve ontem na cidade de Denver, onde decorre a Convenção Democrata, quatro homens suspeitos de quererem assassinar Barack Obama.

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Segunda-feira, 25.08.08

Best of Manuela Ferreira Leite (Agosto)

por Rogério da Costa Pereira às 19:11

Depois de exaustiva selecção, apresento um resumo das reacções da líder da oposição aos principais acontecimentos de Agosto (o caso das massagens que terminam sabe-se lá como, o uso de snipers no caso BES, a vaga de criminalidade que vem assolando o país, o veto presidencial à nova lei do divórcio e, na secção desportiva, a ida de Quaresma para o Inter e o Caso Vanessa - Fortes)


«zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz»


Já me esquecia, sobre o caso Pinho - Phelps: «zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz-zzz»

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Sábado, 23.08.08

Sister Italia 2008 - Fotografia espiritual

por Rogério da Costa Pereira às 19:03

«Para se inscreverem, as religiosas terão que enviar “fotos bonitas e expressivas, que mostrem sua beleza nos planos estético e espiritual [?]“, disse o padre.

Depois, caberá aos internautas escolher a freira mais bonita da Itália.

“Uma freira santa, inteligente, mas também bonita, pode contribuir muito para a missão evangelizadora e da pastoral juvenil”, acrescentou o sacerdote, que pediu que várias freiras revelassem sua beleza neste concurso.»

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Sexta-feira, 22.08.08

A realidade do (novo) divórcio

por Rogério da Costa Pereira às 18:58

A propósito do veto presidencial à nova lei do divórcio, a Fernanda refere que:



«E quanto aos “créditos” invocados pelo veto, só se aplicam no caso de “trabalho no lar”, ou seja, ao contributo invisível e não financeiro prestado à vida em comum (…).»



Ora, com o devido respeito pela minha colega de blogue, tal não é inteiramente exacto. Com efeito, a norma que regularia os tais créditos de compensação seria o artigo 1676.º do Código Civil, a qual, sob a epígrafe “Dever de contribuir para os encargos da vida familiar”, passaria a ter a seguinte redacção (as novidades são os n.ºs 2 e 3):



1 - O dever de contribuir para os encargos da vida familiar incumbe a ambos os cônjuges, de harmonia com as possibilidades de cada um, e pode ser cumprido, por qualquer deles, pela afectação dos seus recursos àqueles encargos e pelo trabalho despendido no lar ou na manutenção e educação dos filhos.

2 - Se a contribuição de um dos cônjuges para os encargos da vida familiar exceder manifestamente a parte que lhe pertencia nos termos do número anterior, esse cônjuge torna-se credor do outro pelo que haja contribuído além do que lhe competia.

3 - O crédito referido no número anterior só é exigível no momento da partilha dos bens do casal, a não ser que vigore o regime da separação.


4 - Não sendo prestada a contribuição devida, qualquer dos cônjuges pode exigir que lhe seja directamente entregue a parte dos rendimentos ou proventos do outro que o tribunal fixar.



Ou seja, os ditos créditos de compensação teriam como origem não só o trabalho despendido no lar ou na manutenção e educação dos filhos, mas também a afectação dos recursos dos cônjuges aos encargos da vida familiar, pelo que não é correcto afirmar que «os “créditos” invocados pelo veto, só se aplicam no caso de “trabalho no lar”, ou seja, ao contributo invisível e não financeiro prestado à vida em comum.»


 


Também neste pressuposto, tem toda a razão o PR ao alertar «para o paradoxo que emerge do novo modelo de divórcio, a que corresponde uma concepção de casamento como espaço de afecto, quando a seu lado se pretende que conviva, através da criação do crédito de compensação, uma visão “contabilística” do matrimónio, em que cada um dos cônjuges é estimulado a manter uma “conta corrente” das suas contribuições para os encargos da vida conjugal e familiar. Existe, assim , uma forte probabilidade de aquela visão “contabilística” ser interiorizada pelos cônjuges, gerando-se situações de desconfiança algo desconformes à comunhão de vida que o casamento idealmente deve projectar.»


Desta vez devidamente autorizado pelo Luis Rainha, recorro à auto-citação:



«A nova lei do divórcio prevê que o cônjuge que contribui manifestamente mais do que era devido para os encargos da vida familiar adquire um crédito de compensação que deve ser respeitado no momento da partilha. Só mesmo alguém instalado numa torre de marfim, que não conhece, do ponto de vista jurídico, a realidade que envolve um divórcio e a subsequente partilha, se podia lembrar de tal coisa. Como raio se vai quantificar o dito “crédito de compensação”? “Contribuir manifestamente mais do que era devido para os encargos da vida familiar”, conceito para além do vago e indeterminado, traduz-se em quê? Uma mudança de fralda vale quanto? Ou pura e simplesmente não se trata de um “encargo da vida familiar”? E no caso do casal ter decidido, em plena loucura pós-lua-de-mel, que ele trabalharia enquanto ela ficava incumbida da casa e dos filhos? Ou vice-versa. Como é? Estou louco por ver as tabelas de equivalências. Uma aspiradela à carpete vale 5 euros, uma amante abate 100. Eis chegados os casamentos conta corrente!»



Acresce, ainda a respeito do que refere a Fernanda, a propósito da fundamentação do presidencial do veto, na parte que refere que «é no mínimo singular que um cônjuge que viole sistematicamente os deveres conjugais previstos na lei – por exemplo, uma situação de violência doméstica - possa de forma unilateral e sem mais obter o divórcio e, sobretudo, possa daí retirar vantagens aos mais diversos níveis, incluindo patrimonial.», que, naturalmente não imagino que, em situação de prévia inexistência de processo crime por crime de maus tratos, o agressor se apresente «a tribunal fundamentando nas agressões de que é autor o pedido de divórcio», mas configuro perfeitamente possível, a nova lei não parece afastá-lo, que um agressor, já condenado com sentença transitada em julgado, use a decisão que o condenou para provar a ruptura definitiva do casamento e, logo, com base nela, fundamente o pedido de divórcio. Trata-se, inquestionavelmente, de um facto que, independentemente da culpa dos cônjuges, mostra a ruptura definitiva do casamento, como prevê a alínea d) do artigo 1781º do Código Civil na redacção dada pela lei ora vetada.


Devia agora terminar com uma qualquer sentença de estilo, mas não tenho tempo.

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Quinta-feira, 21.08.08

Catano, parece o Marco Fortes

por Rogério da Costa Pereira às 18:57


 


Mesmo a sério: Parabéns ao Nelson.


E obrigado! (bloguisticamente parolo, eu sei, mas é assim que me sinto: agradecido!)

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Quarta-feira, 20.08.08

Dos comités escrutinadores independentes e doutras brincadeiras

por Rogério da Costa Pereira às 18:53

Alertado pelo João Galamba, lá fui ler o post do João Miranda, com o apelativo título “Direito de matar” (com tal título, dificilmente um post pode ser mau). E não me arrependi, porque me diverti imenso (o Galamba nem sabe o que perdeu).


Depois de um curto arrazoado, o JM conclui:



“No caso dos snipers, a decisão é tomada no terreno em reacção ao desenrolar dos acontecimentos. Existe uma grande probabilidade de se cometerem erros de avaliação, de se atingirem inocentes ou de a função para que foram constituídas as forças policiais ser subvertida. Existem por isso boas razões para que o uso de snipers no mínimo seja escrutinada por autoridades independentes. A principal função desse escrutínio é dissuadir os usos inadequados deste instrumento policial.

Mas esta até é uma posição moderada. Existem boas razões para se colocar em causa o poder do ramo executivo do Estado para tirar a vida através da iniciação de um nível mais elevado de violência que aquele que foi utilizado pelos alvos. A natureza do Estado recomenda que o seu poder seja sempre limitado. Devem ser-lhe retiradas as formas mais extremas de poder.”



Vindo dessa entidade blogo-etérea que é o João Miranda, a falha só pode ser minha, mas raios me partam se percebo sequer como é que, sem ser a brincar, no que não me convenço, alguém possa escrever tal disparate e assinar por baixo. É que a simples ideia do uso de snipers a ser escrutinado por autoridades independentes remete-me para o melhor de Monty Python. Mais: tenho a certeza que com a utilização de tal nonsense até o Herman voltaria a ter piada.


À laia de declaração de interesses, sejamos claros: eu não acredito no João Miranda. Literalmente. Não se trata apenas de não acreditar no que ele escreve, eu pura e simplesmente não acredito que ele exista. Acho que se trata de um produto da imaginação colectiva, assim tipo três pastorinhos, ou coisa que o valha - mas isso são coisas que não são para aqui chamadas.



Mas dando de barato que ele existe, apenas para efeitos de raciocínio, sem conceder, parece-me óbvio que o João Miranda é um puro provocador. Ou seja, não me parece que ele acredite, de acreditar, em tudo o que escreve. O que realmente lhe dá gozo é esticar uma corda invisível num passeio público e ficar, na varanda, a ver as pessoas caírem. A rir-se que nem um perdido. E, no caso, as pessoas caem mesmo: levam-no a sério, comentam, concordam, discordam.


Vejamos: ao escrever aquela barbaridade do escrutínio dos snipers “por uma autoridade independente” (o tipo é mesmo bom), e caso estivesse a falar a sério, que autoridade independente teria ele em mente? Teria que ser privada, isso é certo. Uma espécie de ONG feita comité, digo eu.


Depois vem o pormenor que ele não esclarece, o tal comité independente agiria no terreno? BES a BES? E assim sendo, como decorre óbvio, cada sniper teria direito ao seu próprio comité, formado por não menos de três pessoas, para não haver empates e com direito a apelo para instâncias superiores, também elas independentes, claro. (até parece que estou a ver: “senhor gatuno, por decisão do senhor sniper, corroborada, por unanimidade, pelo comité escrutinador independente, decidimos matá-lo, assim que o senhor decida afastar a cabecinha assim um bocadinho para o lado direito. Tem, portanto, 15 segundos para apelar para o comité escrutinador independente de apelo. Caso assim pretenda, afaste a cabecinha assim um bocadinho para o lado direito”).


Não sendo no terreno, e tratando-se de um comité supra e extra situação, a coisa ainda tem mais piada, pelo tipo de discussões que propiciaria, com muito mais tempo para escrutinar.


Mas onde o João exagera, e se revela o brincalhão que é, é no último parágrafo, quando, após a cena do escrutínio dos snipers, escreve: “Mas esta até é uma posição moderada.” Que mimo. O tipo leva-nos às lagrimas e depois diz que é uma posição moderada. Para terminar esta curta análise, que isto era merecedor de ensaio, chamo, de forma avulsa, a atenção para as expressões “iniciação de um nível mais elevado de violência que aquele que foi utilizado pelos alvos”, que se vê ter sido coisa pensada em rima, e depois transformada assim em prosa corrida, para a paródia não ser muito óbvia, e “a natureza do Estado”, que ele se dispensa de nos explicar, tão óbvia ela é - para todos os que o seguem. Ao João.

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O pós-31 de Julho

por Rogério da Costa Pereira às 18:52

«De acordo com o site do chefe do Estado, “o Presidente da República decidiu devolver hoje à Assembleia da República o Decreto nº232/X que aprova o Regime Jurídico do Divórcio, solicitando que o mesmo seja objecto de nova apreciação, com fundamento na desprotecção do cônjuge que se encontre em situação mais fraca – geralmente a mulher – bem como dos filhos menores a que, na prática, pode conduzir o diploma, conforme explica na mensagem enviada aos deputados”.»



Aplaudo, assim que acabar de teclar, o veto político, este, stricto sensu, do Presidente da República. A minha opinião sobre a matéria ora vetada já a deixei aqui. Espero que agora percebam a importância do 31 de Julho de 2008.

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Sexta-feira, 15.08.08

A metamorfose (versão “bastão fino de grafite inserido num cilindro de madeira”)

por Rogério da Costa Pereira às 18:47



(imagem gentilmente cedida pela “Fundação Inês Meneses”)


Acordou sem razão aparente. O coração palpitava, como se lhe fosse saltar pela boca. Tentou respirar fundo, mas não conseguiu. Levantou-se. Vou molhar a cara, a ver se me acalmo. Caiu da cama. Sentia-se cego, pelo que teve de recorrer a outros sentidos para se percepcionar. Algo estranho se passava. Não tinha bracinhos, não tinha perninhas, disso tinha a certeza. Sobejava-lhe boca, porém. E apetecia-lhe escrever. Mas coisas de merceeiro de drogaria. 2 pacotes de açúcar, 3 quilos de farinha, 4 pilhas, das alcalinas, que duram mais. 150$50. E escreveu, rapidamente, como se com dez fura-bolos. Naquele papel pardo que alguém ali tinha colocado. Sentiu-se aliviado. Mas nova ansiedade se seguiu. Uma espécie de medo. Vou mas é lavar a cara. Chegou ao lavatório e sentiu que não tinha caminhado, antes se arrastado pelo chão, que ficou todo riscado - como se por minas de lápis. Olhou como pôde para o espelho que o encimava - os olhos continuavam a não responder. Não tinha cara. Staedtler. Staedtler. Staedtler. Amarelo e preto. Staedtler amarelo e preto. “Viu-se” como um lápis. Centenas deles, em rigor. Teve medo. Muito medo. Não por ter adormecido homem e acordado espécie ignota de agregado de lápis baratos. Era pelo seu aspecto de lampreia, que agora vislumbrava pelo olho pineal que aprendia a usar. E temeu a Inês. A receitinha minhota do arroz de Lampreia da Inês. Não aguentou, aquilo era demais.


Afiou-se todo. Staedtler por Staedtler. A vergonha que a Inês sentiria diante dos seus convidados fê-lo sorrir.


Arroz de lampreia, amiga? Fica-te mas é com as aparas.


Afiei-me até ao tutano, mas afiei-me feliz.

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Quinta-feira, 14.08.08

Onda estacionária

por Rogério da Costa Pereira às 18:42

À semelhança da Fernanda e do Filipe, que ora se vêm especializado em posts unitemáticos, respectivamente, sobre danos colaterais e João Miranda* (ninguém os pode acusar de reducionismo ambicioso), vou encetar uma série sobre a lampreia. São doze, os posts, dos quais, à laia de teaser, adianto os respectivos títulos:


- Lampreia: peixe ou felino?;

- A língua raspadora da Lampreia e o artigo 6º do Código Civil;

- Lampreia, quo vadis?;

- Petromyzontida ou Cephalaspidomorphi?;

- A minha Lampreia é maior que a tua;

- A importância da Lampreia no cinema polaco;

- Minha Lampreia, meu tesouro (versão alternativa de Benjamim Spock);

- De olho pineal em ti;

- A câmara branquial das Lampreias: feitio ou defeito?;

- A Lampreia e o domínio do mundo: do auge do Carbonífero ao declínio do Devoniano;

- Há boa Lampreia onde o Douro abocanha o Sousa;

- A utilização da Lampreia, como arma branca, em assaltos a agências do BES.

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Quarta-feira, 13.08.08

Danos colaterais - a prequela

por Rogério da Costa Pereira às 18:40

1 Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?

2 E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos,

3 Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais.

4 Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis.

5 Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.

6 E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.

7 Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.

8 E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim.

9 E chamou o SENHOR Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás?

10 E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me.

11 E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?

12 Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi.

13 E disse o SENHOR Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.

14 Então o SENHOR Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida.

15 E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.

16 E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.

17 E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida.

18 Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo.

19 No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.

20 E chamou Adão o nome de sua mulher Eva; porquanto era a mãe de todos os viventes.

21 E fez o SENHOR Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu.

22 Então disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente,

23 O SENHOR Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado.

24 E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida.

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Terça-feira, 12.08.08

“(e o cabrão ainda tem a lata de se dizer crente, o filho-da-puta)“

por Rogério da Costa Pereira às 18:36

Este blogue, tal como o arrastão, tem os comentários moderados, o que quer dizer que só são publicados os que os respectivos moderadores deixam - passe uma falha ou outra, imputáveis à pressa, à carga pejorativa que a acção censória ainda tem e, no caso do 5 Dias, também, ao facto sermos mais que as mães.


Sucede que, um dos moderadores desse imenso blogue colectivo que é o arrastão, fez questão de deixar publicar (ou, no mínimo, de não censurar) estes dois comentários, dum(a) senhor(a) que assinou “Zazie” (e são daqueles que não passam por engano, não se encaixam em nenhum dos 3 desleixos supra citados - vide, a título ilustrativo, a alarvidade que intitula este post).


O(A) dito(a) Zazie, que anda nisto há um par de anos (muitos pares, em rigor), e até me conhece o ofício, já tem idade para ter juízo, e, azar dos azares, o mesmo par de anos, para sua infelicidade, fá-lo(a) conhecido (a)em juízo (no meu, pelo menos).


Ontem, houve por aqui muita gente a ferver em pouca água, mas os comentários do(a) Zazie, no Arrastão, extravasaram o aceitável.

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Segunda-feira, 11.08.08

Hoje vou adormecer assim

por Rogério da Costa Pereira às 18:31


 


A expressão Danos Colaterais, utilizada como foi, parece fazer comichão a muita gente. A verdade é que, a partir do momento em que a situação foi levada, pelos sequestradores, ao ponto a que pudemos observar, reafirmo, “ali só havia dois que careciam de ser salvos - aqueles que não se tinham lembrado de tomar reféns e de lhes apontar armas à cabeça. O resto nem danos colaterais são.”


Mas isto já estava dito no post do Detritus. Leiam-no sem ser de esguelha.


PS - Hoje é um dia incaracterístico, em que se assiste à promessa de fusão entre o Blasfémias e o Arrastão. A paz esteja convosco.

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Sexta-feira, 08.08.08

Questões que me atormentam #1

por Rogério da Costa Pereira às 01:37

A SIC tem um presidente da Câmara Municipal de Santarém. Terá a Câmara Municipal de Santarém um comentador da SIC?

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Quinta-feira, 07.08.08

“A NASA quer chichi”

por Rogério da Costa Pereira às 01:32

Em “A NASA quer chichi”, a Sábado esclarece:

«É apenas para testar as novas casas de banho do Programa Orion que a NASA irá enviar astronautas de volta à lua em 2020. A ideia é verificar como reagem os filtros do WC espacial com diferentes tipos de urina - e aceitam-se ofertas de amostras de voluntários.»

É por causa deste tipo de notícia, em que são revelados os verdadeiros desígnios das missões espaciais, e de erratas como esta, que eu compro a Sábado. Para além, claro, das crónicas compostas pelo inefável sociólogo Gonçalves.

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O Truão que viu um sapo

por Rogério da Costa Pereira às 01:30

Eis a história do Truão.

Sem pudores – e quando um homem se despe de pudores é mesmo assim, criam-se histórias com nexo.

O Truão, como é bom de ver, é um homem. Pelo menos, ao sentido da visão assim se afigura. E, como todos os homens, estultos, tem um ideal de vida - não ter nenhuma ideia para a vida é, por si, um ideal de vida.

É um panteísta puro, daqueles que empurra para a terra as folhas caídas no passeio de cimento - não se lhes vá perder o desígnio. O Truão acredita que a morte é um princípio e, no caso de algumas pessoas, um bom princípio. Vá-se lá entender o Truão.

O Truão ia então pela rua, chamemos-lhe da Saudade, em Alicante, quando tropeçou num sapo, e vivo, que se lhe dirigiu nos seguintes termos - se não se incomodam, nesta história, a sapos e quejandos foi dado o dom da fala - dizia eu, nos seguintes termos falaram:

O Sapo: Caminhais? Qual a razão?

O Truão: Bardamerda?

O Sapo: Se andais sem motivo, sabeis ao menos porque não tendes motivo?

O Truão: Ó espécie de criatura verde-ranho, por que me incomodas? E não me venhas com a conversa de que és um príncipe. Pernas de rã são boas, que tal serão as de sapo?

O Sapo: Ameaças. É próprio de ti, Truão.

O Truão: Conheces-me, reles batráquio?

O Sapo: Se vos conheço? Eu fui um de vós!

O Truão: Já cá faltava o lirismo! Conta-me lá então a tua história! Mas vamos para minha casa, porque de doido já vou tendo fama e não aguentaria as consequências de me verem a falar com um sapo.

O Sapo: Truão, não era preciso vir tão longe para que te contasse a minha história. É curta e simples! Não nasci girino. Outrora, fui um homem, e, como tu, apaixonado por uma mulher. Apostei com uma bruxa, por cujos encantos me perdi, que jamais amaria uma mulher que não fosse a minha. Que pela bruxa, e pelas outras mulheres, não nutriria mais do que desejos de ocasião.

O Truão: E então?

O Sapo: A bruxa apostou comigo que em sapo me transformaria (não que me transformaria em sapo, sublinhe-se) se por ela viesse a sofrer de amores.

O Truão: E?

O Sapo: E aqui estou eu, sapo, sapinho, batráquio anuro, sem nunca ter sido girino!

O Truão: E que porra tenho eu a ver com isso?

O Sapo: Pensei que como caminhavas tão desatento pela Rua da Saudade, tivesses feito alguma aposta do género. Daí querer saber a razão de caminhares!

O Truão: Deixa-me que te conte a minha história, ó ranhoso. Nasci girino, um dia perdi-me de encantos por uma sapa que era bruxa, apostei que jamais a amaria e ela replicou que, assim não sendo, em homem me transformaria. Eis porque, batráquio nascido, hoje sou homem.

O Sapo: Isso é mesmo verdade?

O Truão: Não, sapo filho da puta! `tou só a gozar contigo!

O Sapo: Porquê?

O Truão: Não acredito em sapos!


Era assim o Truão, um egoísta sem magia. E olhem que nem todos merecemos que um sapo nos dirija a palavra. É coisa de predestinados. Não acontece todos os dias.

Tudo, só para dizer que o Truão morreu de velho, com um cancro de fumador passivo, num hospício, sem mulher, sem filhos, sem família (nem pintelho de girininho). Panteísta como era, o seu destino se cumpriu, foi deitado aos peixes do mar alto, que dele se alimentaram. Sem apelo nem agravo, memórias não deixou e de actos valorosos, o único de que restou lembrança - sem chegar para o libertar da morte, foi ter caído de um 4º andar, com os chavelhos no cimento do passeio, e não ter morrido.


Pelo menos no mesmo dia.


Do último relatório médico, antes de morrer, consta, além das algaraviadas do costume, o que passo a citar:

“O paciente julga que foi sapo. Diz que um dia um sapo lhe falou de outros sapos, bruxas, mulheres, amores e paixões (…) Conselho (não tivesse ele esticado pernil - bom como os de rã, by the way): juntá-lo a uma paciente que julgue ser a Branca de Neve.”

Isto tudo para vos dizer o seguinte. A história do Truão que foi Truão, que foi batráquio, baseia-se em factos reais, os nomes foram alterados para não ferir susceptibilidades. A moral é inexistente. E este é o meu receio. Acabar sem moral, sem ninguém que ouça as minhas loucuras de velho. Por mais loucas que elas sejam.

É também para isso que serve o amor, para confiarmos um ao outro as nossas loucuras. Aqueles segredos loucos, imprudentes, alienados. Daqueles que apertam no peito se não se contam a uma mulher. Pós-afazeres de alcova…

Afinal, é também para isso que as mulheres (produto melhorado da fotocópia de fim de tonner que é o homem) foram feitas.

Caso contrário, acabaremos como o Truão: triste, a pensar que viu um sapo.

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Terça-feira, 05.08.08

Um mundo meão*

por Rogério da Costa Pereira às 01:27

Hoje, não faz sentido que a discussão se centre entre esquerda e direita, cavaqueira que, sendo cada vez mais despida de conteúdo, é totalmente vazia de sentido prático.

Desabafo, pois, sobre algo que sempre me atormentou, que me vem atormentando de forma mais aguda ultimamente, algo que me enraivece até às lágrimas, que me tolda o espírito, que me altera o humor até ao Prozac: a Mediocridade!

O mundo parece, cada vez mais, estar cheio desses pequenos répteis, repelentes e asquerosos, que vêem o mundo por entre duas palas de orientação, como burros de carga que na realidade são. E eu, estupidamente, deixo-me incomodar por eles, com os seus olhares entupidos, com os seus sorrisos vazios, com o alimento que dão à indústria livresca da faca e alguidar, com a seborreia com que me engraxam os sapatos.

A mediocridade da televisão.

A mediocridade d’algum jornalismo que é judiciário porque escreve sobre tribunais mas jamais o será por o ser.

A mediocridade da pulp fiction.

A mediocridade do Zé-povinho.

A mediocridade d’alguns comentadeiros.

A mediocridade dos estudantes que não pagam, não pagam, nem eles sabem bem o quê.

A mediocridade das generalizações por falta de tempo e de interesse.

A mediocridade das descontextualizações.

A mediocridade a que a mediocridade nos conduz.

A mediocridade do terror.

A mediocridade da casa que um dia foi pintada de branco e, havendo falta de melhor, casa branca ficou.



(imaginem a confusão, se a moda pega cá pelo nosso mui português e desaguado Alentejo e começam os seus indígenas a dizerem-se moradores da casa branca. Pois se de cal foram as suas casas pintadas e se o outro, num país bem maior e provavelmente com maior número de casas brancas, se arrisca a que o carteiro não lhe conheça o paradeiro, porque não eles, que antes da tinta havia a cal e antes das Américas já o Alentejo deitava cal nas suas casas, findas as últimas chuvas, lá para os idos de Maio, não fosse a pintura ficar borrada – de um fôlego, este).

Dizia (mente tortuosa, esta minha, que não me deixa escrever sem a propósitos):

E o problema começa a ser sério e grave, pelo menos para mim que não consigo passar por cima da merda, acabando sempre por pisá-la. Fico ali, a fazer pontaria e lá vai.

Não consigo ignorar, não consigo olhar adiante, fico a remoer naquilo, horas a fio. Fico a imaginar como me saberia bem ter dito isto, feito aquilo.

E estudo o fenómeno.

Para melhor combater a coisa, é necessário entendê-la.

Até se me arrepiar a espinha e depois vocifero. Impreco!

Não fosse eu ter uma réstia de razão e coração e ter-me-ia casado por puro interesse científico. Seria um mártir da investigação. Teria escolhido uma mulher medíocre.

E estudá-la-ia. De forma afincada!

E descobriria a cura para o mal. Pelo menos para este mal em que todos os outros se condensam, a que todos se resumem.

A qualidade do assim-assim, do não-é-carne-nem-é-peixe, do cá-se-vai-andando.

Raios me partam se não!

Oportunidade perdida, reduzo-me a imaginar o mundo sem mediocridade.

Onde estaríamos, quem seríamos, onde teríamos chegado ou não.

Imagino isso tudo – vou ao dicionário e vejo: Medíocre: mediano; meão; que está entre o bom e o mau; ordinário; insignificante.

E penso em Adão e na maçã.

E sem concluir, antevejo: não podia ser de outra forma, tinha de ser assim.

Um mundo meão!


* Adaptação do meu primeiro texto na blogosfera (cortesia, na altura, do José Mário), publicado em 3 de Abril de 2004, no saudoso Blogue de Esquerda.

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Segunda-feira, 04.08.08

E dei eu o nome de Moutinho ao peluche favorito do meu filho...

por Rogério da Costa Pereira às 01:26

«Já disse que quero sair», João Moutinho, 26/07/2008


«Estou de corpo e alma no Sporting», João Moutinho, 02/08/2008

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Segunda-feira, 16.06.08

Prevenção do “hit and run” (algures no IC8, ontem)

por Rogério da Costa Pereira às 01:18

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Sábado, 07.06.08

A Sábado retracta-se

por Rogério da Costa Pereira às 01:17

“Por lapso, na revista especial sobre o Euro 2008, publicada na semana passada, é dito que Nuno Gomes usa uma bandolete durante os jogos. Na verdade, o avançado do Benfica usa uma fita para o cabelo. Ao visado, as nossas desculpas.”

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Sexta-feira, 06.06.08

Ganhei um almoço

por Rogério da Costa Pereira às 01:14

Garantiam-me há pedaço, em conversa, que o Acórdão da coutada do chamado «macho ibérico» não passava de um mito urbano-judicial.


Aposta feita, almoço ganho.


Trata-se de um acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, de 18 de Outubro de 1989, publicado no BMJ nº 390, de Novembro de 1989, página 160 e seguintes. Passou-se no Algarve, em 28 de Setembro de 1988, na E.N. 125, à saída de Almansil, entre duas jugoslavas e dois nativos.


Reza assim, na parte interessante:



“… se é certo que se trata de crimes repugnantes que não têm qualquer justificação, a verdade é que, no caso concreto, as duas ofendidas muito contribuíram para a sua realização. Na verdade, não podemos esquecer que as duas ofendidas, raparigas novas, mas mulheres feitas, não hesitaram em vir para a estrada pedir boleia a quem passava, em plena coutada do chamado «macho ibérico». É impossível que não tenham previsto o risco que corriam; pois aqui, tal como no seu país natal, a atracção pelo sexo oposto é um dado indesmentível e, por vezes, não é fácil dominá-la. Assim, ao meterem-se as duas num automóvel justamente com dois rapazes, fizeram-no, a nosso ver, conscientes do perigo que corriam, até mesmo por estarem numa zona de turismo de fama internacional, onde abundam as turistas estrangeiras habitualmente com comportamento sexual muito mais liberal e descontraído do que a maioria das nativas. De resto, as duas ofendidas deviam já ser raparigas de comportamento sexual experiente e desinibido, pois vem provado que a S., perante a perspectiva de ser violada, optou por escolher um dos arguidos para o fazer e logo lhe «passou o braço por cima dos ombros». Por sua vez, a U. rapidamente deixou de oferecer resistência à violação e, no fim, até elogiou a forma e o ardor viril com que o seu violador tinha com ela copulado.”


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Sábado, 17.05.08

Conforme original

por Rogério da Costa Pereira às 01:09


Recebeu-o das minhas mãos e acariciou-lhe, por duas vezes, o “Ne varietur” da capa, como que para o fazer seu (pois naquele nunca tinha tocado) e para se certificar do que tinha mudado desde que o havia passado para as folhas do Bombarda. Depois de, à segunda, ter percebido o nome de quem o interpelava, passou-o para o papel, precedendo-o de um “Para” e preenchendo os espaços vazios, e assinou. Sem acento no “o” de António. E, de novo, passou por duas vezes o polegar da mão esquerda no “Ne varietur” da capa. Descansado, entregou-mo - “o Barrigana continua lá”, disse-me (em azul e sem abrir a boca). Apontando com os olhos para o “Para” dela, Maria Eugénia, a senhora da caixa, ao reparar que também eu levava um “Para”, atirou-me: “É um malandreco, aquele! Não fazia ideia!”. Depois, sem mos pedir, disse-me que eram vinte e cinco euros. Aceitando o eufemismo (é uma Bertrand, caramba), entreguei-lhe as duas notas que tinha.

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Sexta-feira, 16.05.08

Hoje o Vasco apareceu… e o umbigo da Manela quase que também

por Rogério da Costa Pereira às 01:06


O título e a imagem praticamente esgotam o assunto.


Pouco mais há a acrescentar - depois do estranho happening da semana passada, Vasco Correia Guedes apareceu.


Arejou meia-dúzia de vulgaridades ["O acordo ortográfico tem duas virtudes: primeiro é inútil e depois é estúpido"; "Nós não queremos aqui um homem destes (...) é bom que ele perceba que aqui em Portugal ele não conta" (em referência ao Alberto João); "Um catálogo de todos os erros políticos que se podem cometer" (em referência à cigarrada do Sócrates)] e, à hora à que escrevo, já deve estar de regresso ao Gambrinus.


De realçar o facto de não ter tecido qualquer comentário à inenarrável fatiota da apresentadora deste autêntico espectáculo de variedades a que se reduz o jornal das sextas da TVI.

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Quarta-feira, 14.05.08

Cigarrogate

por Rogério da Costa Pereira às 01:05

Sócrates e Pinho violaram proibição de fumar a bordo do voo de Lisboa para Caracas.


Constitucionalistas dizem que José Sócrates violou Lei do Tabaco.


PSD e BE querem que José Sócrates seja multado por fumar em avião.


O primeiro-ministro José Sócrates pediu hoje desculpa por ter fumado no voo que transportou a comitiva governamental para a Venezuela. Em declarações aos jornalistas, na venezuela, o primeiro-ministro diz que desconhecia que estava a violar a lei. José Sócrates adiantou ainda que decidiu deixar de fumar em definitivo, na sequência da polémica.


Teço meia dúzia de considerações - embora ache que esta ordenação de notícias constitui, por si só, um post, e bem esclarecedor, sobre o estado da nação. Após a manifestação dos constitucionalistas, fico agora a aguardar que o Público inquira os fiscalistas e os civilistas, assim como os sapateiros, as varinas e o senhor do Portugal Profundo (Filipe: repara em como não ponho o link do tipo, ó pra mim, vês?, não pus!). Tudo gente especializada na área em apreço. Quanto à multa: Não acho que o devam multar, penso que deviam obrigá-lo a ser raptado pelas FARC. Trocá-lo pela outra senhora, ou isso. Quanto às desculpas do ilustre fumador e à promessa de não voltar a fumar: para se redimir, das desculpas que apresentou e da promessa que fez, deviam obrigá-lo a correr a próxima meia-maratona de Lisboa de cigarro sempre aceso.


E é só!


Próximo assunto!

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Terça-feira, 13.05.08

O guarda costas, o homem da tábua no colchão, o adorador solícito, um caso de amizade muito especial

por Rogério da Costa Pereira às 01:02

«PSL - Trabalhei muito com o doutor Sá Carneiro. (…) O doutor Sá Carneiro, lembro-me, na altura dispensou a segurança e zangou-se com a polícia. E eu andei a fazer de guarda-costas dele; ele não aguentava, por causa da coluna, levar pancadas nas costas quando estava no meio das pessoas e eu, como era mais alto, lá andava sempre com os braços à volta, e adorava fazer o que ele me pedisse. Lembro-me que à noite - nunca escrevi isto; um dia hei-de escrever, tenho já muita história para contar, com quase 34 anos -, à noite ia ver o colchão dele, se ele tinha a tábua para as costas, e ia pôr-lhe um bocadinho de whisky que ele gostava e nunca me caíram os parentes na lama, pelo contrário.


(…) o Marcelo, como sabe, é um caso de amizade muito especial. Com toda a gente, não é só comigo. Eu acho que ele sabe ser amigo das pessoas, mas não é um amigo de todos os dias.


K - O que é que quer? Quer ser Primeiro Ministro? Acha que vai ser Primeiro Ministro?


PSL - Ah, não sei, não faço ideia.»


Pedro Santana Lopes, entrevista à K (n.º 1), Outubro de 1990


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Sexta-feira, 09.05.08

Manela declama Vasco

por Rogério da Costa Pereira às 01:00

Como sabem, a Manuela Moura Guedes voltou à apresentação de telejornais na TVI, ao que percebi, à sexta-feira, apenas. Não me contive e, já passava das 9, dei por lá um salto - cada vez mais bonita, a nossa Manela.


Mas não é do óbvio que vos venho falar. E é que aqui que me começam a faltar as palavras e a sobejar as aflições.


A ver se me explico.


A páginas tantas, a Manela apresenta uma nova rubrica. Chamou-lhe Glórias da Semana. Após explicar que cuidava, a novidade, dos comentários de Vasco Pulido Valente aos acontecimentos marcantes da semana, sucedeu-se um pequeno excerto de imagens de um qualquer acontecimento da semana - até me esqueci qual foi, tal o choque que se seguiu.


Finda a passagem das imagens, com a caricatura não forçada de VPV sobre o ombro esquerdo, a Manela lia, lia de ler, os comentários do Vasco. E a coisa repetiu-se, uma e outra vez. Imagens de políticos, Manela lê Vasco, novas imagens, Manela lê Vasco outra vez. Não consegui ouvir uma palavra do que a mulher disse, tal a dificuldade em apreender o que raio se estava a passar.


Ou seja, o Vasco não aparece na rubrica do Vasco. Escreve os comentários e manda-os para a Manela. Antes de cada comentário passa o tal sketch alusivo, e eis-nos, então, perante a imagem da Manela a declamar Vasco. Coloca a voz, entoa a ironia, se calha, e eis-nos o Vasco lido pela Manela.


Nunca vi nada assim.

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Segunda-feira, 05.05.08

Os Contemporâneos: yá, eles podem

por Rogério da Costa Pereira às 00:58

A medo, abomino desilusões, lá mudei para a RTP1, por volta da hora a que o Professor Marcelo costuma acabar de ditar aquilo que será a semana do país (adoro o Professor, mas dá-me muito mais gozo ouvi-lo, no dia seguinte, na abertura de todos os espaços informativos da Antena 1 - hoje era que o Pedro Passos Coelho e o Pedro Lopes andam entretidos com o jogo da cadeira. Parece que só há espaço para um - sentença ditada. Conformem-se, pois).

Mudei para a RTP1, dizia, e voltei ao meu filme - Bee Movie. O Professor ainda ditava Bóhs!

Dei mais 5 minutos e eis-me, finalmente, frente a frente com o Bruno Nogueira a explicar as regras da casa. Animado com o “interrail da Maddie” e com a “Simone vs gajo de 26 anos em horário nobre”, fui ficando, ficando e acabei por ficar até ao fim.

E gostei.

Não é fácil, nos dias que correm tentar romper o exclusivo dos Gato Fedorento. Até o Herman tentou e veja-se o que lhe aconteceu: acabou na Antena 1 a fazer uma croniqueta diária chamada “O tal país”, a qual, ó sina, a do homem, mais uma vez, não tem piadinha nenhuma.

Os contemporâneos arriscaram, cientes onde se estavam a meter, e, até ver, parece que ganharam a aposta.

Está lá, com as excepções abaixo enunciadas, um bocadinho de tudo o que é bom, em fresquinho e desanuviado - este final é o mais perto do The Office que até agora vi feito na TV à portuguesa, e, salvo erro, há-de ter saído das unhas deste senhor. E tudo num belo formato.

Achei o sketch da avaliação dos professores demasiado longo e pobre para ser o través de todo o programa, mas percebi a ideia e concordo. Há a necessidade de um sketch ao melhor estilo “continua-daqui-a-uns-minutos”. Porém, tem, s.m.o., que ser uma coisa mais ligeira, menos maçadora, que não dê motivo, e tempo, ao espectador para mudar de canal. De resto, basta um desses sketches, e o do elevador, brilhante, tem todos os ingredientes. A onda será mais essa, menos avaliação de professores, mais elevadores a apitar.



O sketch do Papa foi, também ele, muito pobrezinho. Ousou demasiado e, ao invés de roçar o costas largas do nonsense, andou ali de mãos dadas com os malucos do riso.

Em suma, assim eles consigam limar algumas arestas, temos homens. Temo, porém, que não mantenham os fantásticos resultados de ontem (quase um milhão de espectadores). Falta-lhe ali qualquer coisa que segure o espectador que se ri com os malucos do riso, o lorpa português, tão bem ilustrado na Liga dos Últimos (fantástico programa), sem afugentar os adeptos do, alguém assim o chamou, humor inteligente.

Um exemplo, melhor, “o” exemplo: Ministry of Silly Walks.

Esta porra faz rir qualquer um, sejam lá quais forem os motivos que despertem a vontade. Saibam inventar algo parecido, como o RAP não se cansa de fazer, programa sim, programa não, e manterão o milhão. Caso contrário, continuarei a vê-los na RTP2.

Uma última palavra para os actores: o Bruno Nogueira não tem que sair do registo dele, é certo, mas não encaixa em todos os papéis. O Nuno Lopes esteve absolutamente soberbo. E a Maria? Tão desaproveitadinha.

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Sexta-feira, 02.05.08

Fado

por Rogério da Costa Pereira às 00:52


Este relata de como passei, e passo, parte da vida agarrado a um passado que vivi e a um futuro que sonho ter, apercebendo-me, apenas quando racionalizo, que o meu presente foi o tal futuro idealizado aqui há atrasado. Felizmente, e embora ande constantemente, não à beira de um ataque de nervos, mas em pleno ataque de nervos, posso considerar-me um homem, não de projectos realizados, mas de presentes feitos de futuros sonhados. Este futuro há já uns anos que está comigo, a meu lado, todos os dias. Digamos que o meu presente e o meu futuro vivem numa perfeita e razoável harmonia - apenas razoável porque ainda não consegui realizar o projecto de viver seis meses em Porto de Galinhas e o resto do tempo aqui pelas berças.


O busílis é mesmo o passado com o qual eu não me consigo conciliar. Não consigo conformar-me com a travessia do tempo, com aquilo que ele vai apagando para nunca mais deixar voltar.


O problema, significava, o verdadeiro problema, tem a ver com os “sentires”, com o imenso espaço aberto que era a vida, espaço que, quer se queira quer não, e por mais que se reme contra essa maré, se vai estreitando, afunilando. Tudo de acordo com as nossas próprias escolhas, os caminhos que esse nosso ser passado decidiu trilhar e nos levou, e condicionou, a ser aquilo que somos hoje.


Uma das grandes diferenças é essa, como um caminho que se vai trilhando, em que as estradas se vão fechando à medida que as vamos caminhando. “No hay camino, el camino se hace al andar”, sem dúvida, mas esqueceu-se António Machado, melhor, nem vinha a propósito, de dizer que o caminho andado se vai fechando. A diferença, dizia, reside precisamente no número de estradas que já trilhámos e que se fecharam a futuros alternativos. E isso condiciona, por certo, a forma de sentir o tal passado.


 


Quando entramos na idade adulta, já aprendemos, de uma forma ou de outra, com maiores ou menores penas, a lidar com a morte. Ainda há tempos olhava os meus avôs maternos e avó paterna, ainda vivos, e dava graças por os ter comigo. Porém, a verdade é muito mais dura que isso, as pessoas que eles foram, que ajudaram, para o bem e para o mal, a construir aquele que sou hoje, já não estão comigo. Nem eu estou com eles. Ambos envelhecemos. Essa é a realidade. O que eu dava, o que eu pagava, para voltar a passar uma tarde de férias grandes, do verão de 74 ou 75, com a minha avó materna.


Para isso teríamos de entrar naqueles caminhos que já se fecharam, a minha avó e eu, ambos tínhamos de recuar, pelo menos, 30 anos. Hoje, quando olho para eles, para ela, muito particularmente para ela, a minha avó, para além do olhar, do sorriso, que continua a ser o mais bonito que eu alguma vez vi, sem contar com o do meu filhote, vejo uma memória dolorosa de tempos passados. Dolorosa porque, e era aqui que eu queria chegar, por causa dos tais caminhos que se fecham, das pessoas que se renovam em si mesmo, morrendo continuamente, saudade é dor. Fado. Uma dor não lancinante, uma dor demarcada do seu próprio conceito, mas sempre uma dor.


Gostava de conseguir viver em paz com o meu passado. Infelizmente, e sem que isso seja agrura tremenda e insuportável, parece-me demanda impossível.

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O 13º trabalho de Hércules

por Rogério da Costa Pereira às 00:49

Contar o número de citações que Carlos Magno faz em cada edição do “Contraditório”, na Antena 1.

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Quarta-feira, 30.04.08

Lapsus linguae ou nem por isso?

por Rogério da Costa Pereira às 00:45

“A polícia afegã levou hoje a cabo um atentado na capital no país, Cabul, no qual morreram sete pessoas, duas das quais taliban que tentaram matar no domingo o presidente Hamid Karzai, quando este inspeccionava as tropas durante um desfile militar contra a ocupação soviética.


Além destes dois islamitas, uma mulher, uma criança e três membros dos serviços de segurança não resistiram ao atentado, informou o porta-voz dos serviços de informação, Amrullah Saleh, em conferência de imprensa depois do raide, que durou quase dez horas.”


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