Abre o noticiário com a douta análise de um senhor-professor-doutor-raioqueoparta-ca
“Há sempre um pouco de loucura em tudo o que se faz, porém há sempre um pouco de razão na loucura.” Parafraseando Friedrich Wilhelm Nietzsche
Tendo recebido a mensagem e o artigo de Vasco Graça Moura abaixo referidos de um amigo da net, passo a comentar, como segue:
Quanto ao tema da greve geral abordado por Vasco Graça Moura, confesso que no primeiro momento também cheguei à conclusão de que uma greve “num país falido” não serve para nada, senão para agravar ainda mais a situação.
Todavia: passando o primeiro momento, fiquei consciente de que os mecanismos de correcção cibernéticos no seu imponente ímpeto de nos obrigar à mundança, estão-se nas tintas para com considerações racionais, não querendo colaborar em reestabelecer a situação de antes. De facto, estando ultrapassado um determinado límite de sofrimento e quando o desespero e a absoluta falta de perspectivas – obrigado troika! – tomam conta da situação, as pessoas reagem com actos considerados irracionais por aqueles que ainda pensam ter uma perspectiva de futuro dentro do velho paradigma. E é assim, com esta “alavanca” de acção exponencial, que vamos chegando ao point of no return, isto é, ao ponto em que tudo “descarrila” e o caos e a insurreição rebentam.
Claro, eu pessoalmente postulo uma solução diversa de índole sistémica-holística que aproveitando e dando a volta por cima às actuais estruturas caducas, consegue uma mudança de paradigma pacífica, sem turbulências sociais destuidoras.
Concretamente: se eu fosse a troika, procederia no presente caso como um banco sério faz com uma empresa em grandes apuros que para não se afundar solicita um crédito. Além de verificar os valores materiais e imateriais ainda existentes, exigir-lhe-ia a apresentação de um plano de negócios que demonstrasse clara e credivelmente a mudança da antiga estratégia falhada para uma estratégia diversa e mais atractiva na óptica do grupo-alvo da empresa. O resto, isto é, a amortização da dívida seria tratado em termos relativamente suaves ainda que firmes, do modo que as condições não dessem cabo de vez à empresa e permitindo a esta que começasse a gerar benefícios lucrativos para os seus clientes, a sociedade em geral, o banco que lhe emprestou o dinheiro e para ela própria. Quanto às estruturas que sob a estratégia errada se tornaram obsoletas e ameaçavam asfixiar o país – p.ex. certos institutos e apaniguados do regime –, as mesmas sob a estratégia certa adaptar-se-ão rapidamente às novas exigências.
Esperemos que face aos acontecimentos vindouros, no meio dos elementos da troika e dos seus parceiros, quase todos eles com grande competência técnica mas em desquilibrio com a competência sócio-emocional, se imponham elementos – eles existem! – que não tenham interiorizado tanto os conteúdos de factor único, cientificados e mecanicistas que apreenderam nas faculdades de economia e gestão.
P.S. Ainda gostaria de expressar a minha convicção de que se um dia as pessoas passassem a referir-se aos “menos abastados” em vez de aos “mais carencidados”, esta forma diversa de pensar que também se reflecte no agir, será de grande vantagem para este país e não só.
Na minha opinião, este tipo, por vezes, diz coisas com pés e cabeça e sem facciosismo. Eu acrescentaria que, nesta altura, esta greve afectou, principalmente, os mais carenciados. Mas os que a organizaram e incentivaram talvez considerem isso um dano colateral e estão mais interessados em alimentar agitação por razões ideológicas e oportunismo partidário. Desculpem se me engano.
Greve geral, por VASCO GRAÇA MOURA
Talvez não, talvez menos porque a greve não é a 100% e, além disso, muitos dos trabalhadores que param obrigam outros trabalhadores a trabalharem mais. Vão às compras, andam de táxi, vão ao cinema...
Em algumas empresas o dia vai ser compensado trabalhando-se noutro dia(s) e quero acreditar que a maioria vai recuperar o que se atrasar. Isso, não acontece nos transportes aí, amanhã o cliente é o mesmo mas a viagem de hoje perdeu-se. Fui dar uma volta por Lisboa não me atrevendo a entrar no "espaço vital" lá para os lados do Marquês mas o dia é igual aos outros, há autocarros da Carris e o tráfego flui. Eu diria que em Lisboa parece um domingo.
Mas quanto ao custo, até há dois feriados que calham a um domingo, mais que compensam a greve, por aí também não há que atacar quem quer que seja. Estes instrumentos da democracia são importantes, aliviam a pressão, o governo vai ter menos arrogância...
Encontra aqui várias explicações!Umas filosóficas ( o país está mal a greve só prejudica a economia) outras mais pragmáticas (faz-me falta o salário do dia)...
Mas a menos subtil e solidária é esta, mas também a que toca no ponto G ( de Greve):
"Não vou fazer greve porque graças a Deus não sou das pessoas que vai ser mais afectada com os cortes salariais. Trabalho numa empresa privada e sou das que sofro menos. A mim a greve geral não me vai afectar muito porque vou de carro para o trabalho; para as pessoas que vão de transportes públicos é muito pior".
É dura e fria como o aço ! Nesta sociedade tão imperfeita os mais pobres são os que sofrem mais. Até com as greves!
O Dr. Mário Soares já está aqui a tirar com uma e a dar com a outra. E, logo, também vai ser assim.
Nós aqui na PEGADA publicitamos várias vezes a Greve Geral e demos conta do apoio generalizado, por isso, estou à vontade para falar em números ainda antes do dia se iniciar.
Os sindicatos vão dizer que 95% dos transportes aderiram à greve. Este é o sector mais importante porque é o que mais dá nas vistas, por cada autocarro a andar nas ruas é uma tremenda dor de cabeça.É, por isso, que a esta hora que escrevo (1h45m) já há notícia de confrontos em Algés por o piquete não deixar sair um carro do lixo.
O governo vai dizer, logo à hora dos noticiários, que a adesão não andou longe dos 25% aqui e ali com uma ou outra excepção. O que vai ficar da greve é isso mesmo. O que passar nas televisões, o que ficar no ouvido.
Como ainda bem há pouco trouxemos aqui, uma sondagem, vimos que a maioria das pessoas não estando de acordo com as medidas tomadas também acham que "tem que ser" e não há alternativa. O resultado da greve é que os que têm convicções e são mais espessos ideologicamente vão ficar nas suas posições. E o mundo amanhã segue em frente (bem, não sei se é em frente).
O que vai ser é uma tremenda "cacetada" na economia, mais uma, mas também é verdade que os direitos são para serem exercidos.
Era só para dizer que cada um de nós vai ter que optar entre os 95% e os 25%. E, vamos escolher quer queiramos quer não!
"Em mês de discussão de orçamento, o barómetro da Marktest para a TSF e Diário Económico dá uma subida ao PSD e Pedro Passos Coelho continua à frente no índice de popularidade.O Barómetro Marktest para a TSF e Diário Económico foi realizado na passada semana, entre 15 e 19 de Novembro, com o debate orçamental a decorrer em pleno na Assembleia da República.Contudo, os sociais-democratas parecem imunes aos efeitos políticos da austeridade anunciada para o próximo ano.O PSD é o único partido em alta na comparação com Outubro, os sociais-democratas recuperam quase 4 pontos percentuais, convencem agora 45,4 por cento dos 804 inquiridos e deixam o PS a 26 pontos de distância.O Partido Socialista não mexeu e continua a receber o voto de 19,7 por cento dos inquiridos.O PCP é quem mais perde este mês, mas mantém-se como a terceira força deste estudo, com 7,9 por cento das intenções de voto.»
Ou está tudo louco (e o barómetro reflecte a realidade, que a alternativa ainda aparece aos olhos com capa de Seguro -- sim, eu avisei!) ou está tudo louco (e urge criar um barómetro para estes barómetros).
“Eu não posso fazer greve porque preciso do dinheiro para ir ao mercado comprar grão e feijão. Preciso mesmo, acredite.”
Eu acredito.
"(...) Ainda por oposição a filosofias de "TIA - there is no alternative" ou elaboradas teorias económicas baseadas em omeletes e ovos, pergunto, porque anda o nosso Primeiro a apregoar pelo mundo fora as teses destrutivas das Srª Merkel e não alinha com inúmeros economistas de largo espectro, a insuspeita "The Economist", outros chefes de Estado europeus e o Mr. Obama, entre outros, que pugnam para que o BCE use as armas que têm, apoiando ILIMITADAMENTE o euro e as dívidas soberanas contra os ataques actuais, ao mesmo tempo que se implementam as reformas necessárias? (...)"
Não será melhor assumir claramente que não há direito à greve naquelas empresas? Talvez qualquer coisa — direito não é! — a meia-greve? 50% em empresas de transportes? Mas que merda é esta?