Vítor,
Somos campeões, parabéns!
Vítor,
Somos campeões a jogar mal!
Vítor,
Somos campeões e nunca fomos convincentes ao longo do ano, talvez o único jogo com princípios FCP foi o que ocorreu no Mónaco contra o Barça para a Supertaça Europeia.
Vítor, agora mais a sério;
É certo, meu caro, que ficaste com o menino nos braços e, na verdade, tentaste dar o teu melhor, mas o teu melhor, pelo menos para mim, não é suficiente e não cumpre em nada os pergaminhos do que deve ser o futebol do FCP.
Espero por isso, e sem mais demoras, que te arranjem um outro cargo na estrutura, ou outro clube com as histórias do costume da imprensa da oferta irrecusável, etc, etc, e que o próximo ano veja de novo futebol à FCP.
No que diz respeito ao futebol apresentado sob o teu comando: fomos pobres, erráticos, e jogamos metade da época sem um ponta-de-lança digno desse nome. É certo que aqui a culpa não é tua! O fantástico Falcao foi à sua vida e ficaste com aquele cara de surfista de quem todos dizem maravilhas e a quem o treinador de bancada não vê qualidade. Foi preciso chegar o alto, algo tosco, e adepto das redes sociais para a coisa se compor. Porém o factor decisivo parece ter sido a chegada, na mesma altura, do Lucho.
Mas sejamos sinceros Vítor, não merecíamos ser campeões.
Um amargo de boca deve estar a percorrer agora os jogadores do Benfica e até mesmo do Braga, equipas que ao longo do ano mostraram futebol, qualidade, e, sobretudo, uma força que nós nunca tivemos. O sentimento de frustração deve ser enorme e a questão vai-lhes perdurar até ao final dos dias: “como foi possível perdermos este campeonato???”. No fundo é a questão que se faz quando se pensa no Benfica de Trapattoni “como foi possível aquela equipa ter vencido o campeonato??”.
E olhando de novo para o nosso umbigo podemos falar dos casos que foram surgindo ao longo do ano, todos baseados na tua alegada falta de pulso.
Podemos falar na insistência do Maicon a lateral, não obstante existirem alternativas. Ou o caso da braçadeira do Hélton, história mal contada e que não cola.
Na memória fica também a eliminação frente à Académica para a Taça e consequentemente o adeus à hipótese de fazer história.
Na memória fica a vergonhosa Liga dos Campeões e o cair da competição frente a um todo poderoso APOEL.
Na memória fica os jogos pobres frente ao Manchester City e como consequência o adeus a uma competição que vencemos das duas anteriores vezes em que a disputamos.
Mas na memória ficam também as vergonhosas declarações de Barcelos, depois de perdermos o estatuto de invencíveis no campeonato algo que tinha sido iniciado durante o consulado de Jesualdo Ferreira, a afirmar que as faixas podiam ser encomendadas em Lisboa. Ai, meu caro Vítor, mais uma vez assumiste que és o homem errado no local certo. Um treinador do FCP não pode ser fraco e não pode entregar os pontos com tanto campeonato para disputar.
Somos campeões? Somos!
Merecemos? Não!
P.S. Agradeço à minha Mãe a notícia e a questão que ela fez de, via telemóvel, me fazer ouvir um bocadinho da festa na Alameda do Dragão.