Terça-feira, 15.05.12

A saída da Grécia do Euro é um "bluff"

por Luis Moreira às 22:30

Nem a Grécia pode viver sem o euro nem a Europa pode estar unida sem a Grécia!

"Em primeiro lugar, a Grécia não está preparada para sobreviver por si mesma. Sem as ajudas da Europa e do Fundo Monetário Internacional (FMI), em breve o dinheiro faltará para pagar os salários dos funcionários públicos e para comprar ao estrangeiro aquilo de que necessita para sobreviver, a começar pelos produtos alimentares e pelo petróleo.

Em segundo lugar, após as reestruturações impostas aos credores privados, atualmente quase metade da dívida grega está nas mãos da Europa ou do Fundo Monetário Internacional. Portanto, se a Grécia não pagar, serão sobretudo os contribuintes da zona euro, ou seja, todos nós (mil euros por cabeça, numa estimativa sumária), quem irá desembolsar.

Em terceiro lugar, o regresso ao dracma só seria vantajoso na imaginação de economistas pouco informados, quase todos americanos. Soube-se recentemente que o governo de Georges Papandreou tinha encomendado um estudo que concluía que mesmo os dois setores que proporcionam à Grécia os seus rendimentos principais, o turismo e a marinha mercante, não beneficiariam com uma moeda desvalorizada.

Em quarto lugar, a verdade desconhecida é a dos prejuízos colaterais – para além do incumprimento da dívida – que uma eventual bancarrota da Grécia causaria aos outros países da zona euro. O diferencial em relação aos títulos do tesouro alemães [spread] não deixaria de crescer. Certamente, as consequências não teriam o mesmo peso para todos. Seriam mais pesadas para os países fracos, a começar por Portugal, em seguida a Espanha e a Itália, e mais leves para a Alemanha."

E se a Grécia sair do Euro?

por Luis Moreira às 11:00

Vamos ver a opinião mundial  virar-se para Portugal e para os outros países em dificuldades. Mas o mais estranho de tudo é que a Grécia sai do euro para pedir dinheiro, muito e depressa aos países europeus! Pode ser de outra maneira? Se não tem pede a quem? E, no curto prazo, paga como se não tem dinheiro?

Já para não dizer que a saída do euro não está prevista. Está prevista a saída da União Europeia que está longe de ser a mesma coisa.

Sem uma união monetária, económica e política a União Europeia não tem capacidade para se impor.

Mas a senhora Merkel não quer!

O futuro da moeda única joga-se no sector bancário

por Luis Moreira às 10:00

O euro:

Pavel Constantin

Esqueça o dilema de austeridade ou crescimento: o futuro da moeda única joga-se no setor bancário. Com a crise, os Estados e a banca tornaram-se tão interdependentes que acabam por se enfraquecer mutuamente.

Não é possível tirar o crescimento da produção de uma cartola, como por magia, e não há de facto dinheiro para investimentos. Por isso Daniel Gros ficou estupefacto com a forma como os políticos europeus, encabeçados pelo novo Presidente francês, martelam uma simples palavra: crescimento.

Para o economista alemão do grupo de reflexão de Bruxelas CEPS, a dicotomia "austeridade ou crescimento" é um "falso debate", que não faz avançar um passo na solução da crise do euro. O verdadeiro debate, segundo ele, deve centrar-se nos bancos, especialmente os do Sul da Europa, que estão muito pior do que se pensava.

"Os bancos gregos e espanhóis estão sentados numa pilha crescente de dívidas”, explica Gros. “Só a Europa os pode salvar, os Governos grego e espanhol são demasiado fracos. É um problema europeu da maior importância."

No ano passado, depois de forte pressão política, os bancos europeus aceitaram cortes no pagamento da dívida do Estado grego, através de um perdão parcial. Depois disso, os mesmos bancos retiraram-se do Sul da zona euro, antes de novos cortes. Espanha, Itália e Portugal foram massivamente abandonados pelos investidores estrangeiros. Na Grécia, a fase seguinte já começou: até os gregos colocam o seu dinheiro no exterior. De acordo com Gros, trata-se de uma imensa fuga de capitais. "Quatro, cinco, seis mil milhões de euros por mês. Ninguém os consegue travar."

Esta evolução acompanha a par e passo outra, igualmente prejudicial: devido à saída dos bancos do Norte da Europa, os do Sul vão-se afundando cada vez mais em dívidas. As obrigações de que os investidores estrangeiros se estão a livrar são compradas precisamente por bancos europeus do Sul. Fazem-no por pressão dos governos, mas também porque ganham dinheiro com isso. É que, em troca desse favor, os governos contratam novos empréstimos, a taxas de juros mais interessantes para os bancos.

Ato patriótico permite grandes lucros

Taxas de juro mesmo muito vantajosas. No inverno passado, o Banco Central Europeu concedeu créditos muito baratos para mil milhões de euros, a fim de manter as trocas de empréstimos europeus. Os bancos da Europa do Sul aproveitaram estes créditos de muito boa vontade, a uma taxa de juro de 1%, para depois emprestarem aos governos cobrando-lhes 6% ou mais. Um ato patriótico que lhes permite ir tendo grandes lucros. Parece ser uma solução, mas cria uma dinâmica perversa: os bancos e os governos tornam-se de tal modo interdependentes que se enfraquecem mutuamente.

Segundo Daniel Gros, "os bancos gregos estão absolutamente desgraçados". Parece ser um problema nacional. Mas isso é uma ilusão de ótica. O que vai acontecer se, de repente, os bancos do Sul não pagarem (não conseguirem pagar) os seus empréstimos ao BCE? "Por causa do euro, estamos todos no mesmo sistema", explica Thierry Philipponnat, do grupo de pressão Finance Watch.

Indiretamente, o BCE somos nós. Todos nós, de todos os países do euro. Se as coisas correrem mal no Sul da Europa, outros países da zona euro terão de ajudar, para salvar a união monetária europeia. O BCE está, pois, sob forte pressão da Alemanha e da Holanda, no sentido de impedir esses empréstimos especulativos. O mercado financeiro interno é a base do euro. A fuga de capitais do Sul para o Norte destrói esse tecido. "A integração financeira da Europa está a recuar, pela primeira vez desde o início dos anos 1980", explica Ignazio Angeloni, conselheiro do BCE em Frankfurt.

Os franceses têm uma palavra maravilhosa para isso: “détricotage” [desfazer o tricô]. Os bancos retiram-se para as suas fronteiras, como um tricô a ser desmanchado: para serem mais fortes num país, deixam de conceder empréstimos a outro.

Os bancos centrais são mais rigorosos no Norte do que no Sul. "Subitamente, a geografia ganha importância", salienta o lobista Philipponnat. Um banqueiro de Londres observou isso mesmo recentemente, durante a visita de uma delegação chinesa. A primeira questão dos chineses foi: "Como podemos distinguir uma nota grega em euros das alemãs?"

Europa não sabe como dar a volta à situação

Há muito quem diga que só uma união bancária europeia pode livrar a banca e os governos deste sufocante abraço. Uma união bancária com um fundo de salvação alimentado pelos próprios bancos, de modo a que os governos deixem de estar obrigados a compensar falências: isso permitiria resolver o dilema atual do "too big to fail" [demasiado grande para cair], que faz com que os grandes bancos façam o que lhes apetece, porque têm a certeza de serem salvos pelo governo quando a situação lhes correr mal. Se forem penalizados pelos seus atos, passam a avaliar os riscos de forma diferente.

A Comissão Europeia preparou uma proposta. Mas a sua publicação já foi adiada dois anos porque os Estados-membros não a querem. Porque implica uma vigilância europeia forte. Isso equivale a uma transferência de soberania nacional, o que é, para muitos países, difícil ou tema tabu.

A Europa não sabe como dar a volta à situação. Como os governos não querem um sistema europeu de forte regulação financeira, aumenta o risco de o contribuinte levar com uma série de faturas europeias, sob a forma de ações de recuperação financeira, no valor de muitos milhares de milhões de euros. E resta muito pouco dinheiro para estimular o tal crescimento económico de que François Hollande é atualmente o paladino.

"A maior ameaça para a estabilidade financeira da Europa é o facto de os países da zona euro serem financiados por bancos que, se forem à falência, estarão dependentes dos governos aos quais emprestam dinheiro", defendeu recentemente Philipponnat, numa conferência organizada pelo BCE. "Todos sabemos que isso não tem futuro.

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Domingo, 15.04.12

O Euro foi um grande negócio para a Alemanha

por Luis Moreira às 12:00

A linha a azul representa o comportamento da balança de pagamentos (fluxos financeiros com o exterior) da Alemanha: a vermelha dos restantes países europeus.

Repare-se como a Alemanha seguiu uma política de preparação para o Euro, estando abaixo da linha vermelha até ao momento da entrada em vigor da moeda Euro. Os nossos professores de finanças públicas é que esqueceram de copiar. Bastava copiar!

Quarta-feira, 29.02.12

Sem Euro haveria menos carros mas mais emprego

por Luis Moreira às 11:00

A Grécia e também Portugal não estavam preparados para entrar no euro, diz Krugman. Foi um erro, haveria menos carros na rua mas menos pessoas desempregadas.

A impossibilidade de desvalorizar a moeda para ganhar produtividade é uma "prisão terrível" e Portugal não tem opção a não ser um passo ainda mais radical. Sair do Euro!

Se a economia não arrancar já em 2013, tudo irá por água abaixo e aí Portugal terá que dizer não a mais austeridade. A opção de sair do euro é, nesse caso, uma opção bem real, como já é para a Grécia.

Segunda-feira, 13.02.12

Fim do euro, recomendações práticas - pelo sim pelo não

por Luis Moreira às 14:00

Por Pedro Braz Teixeira, jornal i.

«A saída do euro pode ocorrer de forma muito caótica, podendo levar ao colapso temporário do sistema de pagamentos e de distribuição
O risco de saída de Portugal do euro tem associados múltiplos riscos, dos quais gostaria de salientar três: o risco do colapso temporário do sistema de pagamentos, o risco do colapso temporário do sistema de distribuição de produtos e o risco de perda – definitiva – de valor de inúmeros ativos (depósitos à ordem e a prazo, obrigações, ações e imobiliário, entre outros).
Considero que todos os portugueses devem “subscrever” seguros contra estes riscos, tal como fazem um seguro contra o incêndio da sua própria casa. Quando se compra este seguro, o que nos move não é a expectativa de que a nossa casa sofra um incêndio nos meses seguintes, um acontecimento com uma probabilidade muito baixa, mas sim a perda gigantesca que sofreríamos se a nossa habitação ardesse.
Quais são as consequências imediatas de Portugal sair do euro? A nova moeda portuguesa (o luso?) sofreria uma desvalorização face ao euro de, pelo menos, 20%. Todos os depósitos bancários seriam imediatamente transformados em lusos, perdendo, pelo menos, 20% em valor. Todos os depósitos ficariam imediatamente indisponíveis durante algum tempo (dias? semanas?) e não haveria notas e moedas de lusos, porque o nosso governo e o Banco de Portugal não consideram necessário estarmos preparados para essa eventualidade.
O mais provável é que a saída do euro fosse anunciada numa sexta-feira à tarde, havendo apenas o fim de semana para tratar da mudança de moeda. Logo, na sexta-feira os bancos retirariam todas as notas de euros das máquinas de Multibanco e quem não tivesse euros em casa ou na carteira ficaria sem qualquer meio de pagamento.
Durante algumas semanas (ou mais tempo) teríamos um colapso do sistema de pagamentos e, provavelmente, também um corte nos fornecimentos. As mercearias e os supermercados ficariam incapazes de se reabastecer, devido às dificuldades associadas à troca de moeda.
Estes “seguros” de que falo, contra este cenário catastrófico, não podem ser comprados em nenhuma companhia de seguros, mas podem ser construídos por todos os portugueses, estando ao alcance de todos, adaptados à sua realidade pessoal.
O que recomendo é algo muito simples que – todos – podem fazer. Ter em casa dinheiro vivo num montante da ordem de um mês de rendimento e a despensa cheia para um mês. Esta ideia de um mês de prevenção é indicativa e pode ser adaptada à realidade de cada família.
Não recomendo que façam isso de forma abrupta, mas lentamente e também em função das notícias que forem saindo. De cada vez que levantarem dinheiro, levantem um pouco mais que de costume e guardem a diferença. De cada vez que fizerem compras tragam mais alguns produtos para a despensa de reserva. Aconselho que procurem produtos com fim de validade em 2013 ou posterior, mas, nos casos em que isso não seja possível, vão gastando os produtos de reserva e trocando-os por outros com validade mais tardia. Desta forma, sem qualquer rutura, vão construindo calmamente os vossos seguros contra o fim do euro.
Quanto custará este seguro? Pouquíssimo. Em relação ao dinheiro de reserva, o custo é deixarem de receber os juros de depósito à ordem, que ou são nulos ou são baixíssimos. Em relação aos produtos na despensa de reserva, é dinheiro empatado, que também deixa de render juros insignificantes.
Quais são os benefícios deste seguro? Se o euro acabar em 2012, como prevejo, o dinheiro em casa não se desvaloriza, mas o dinheiro no banco perderá, no mínimo, 20% do seu valor. Além disso terá o benefício de poder fazer pagamentos no período de transição, que se prevê extremamente caótico. A despensa também pode prevenir contra qualquer provável rutura de fornecimentos, garantindo a alimentação essencial no período terrível de transição entre moedas. Parece-me que o benefício de não passar fome é significativo.
E se, por um inverosímil acaso, a crise do euro se resolver em 2012 e chegarmos a 2013 com o euro mais seguro do que nunca? Nesse caso – altamente improvável – a resposta não podia ser mais simples: basta depositar no banco o dinheiro que tem em casa e ir gastando os produtos na despensa à medida das suas necessidades.»

Pedro Braz TeixeiraInvestigador do NECEP da Universidade Católica

Sendo patente a sua inexequibilidade, a quem serve o novo plano de austeridade grego?

por Rogério da Costa Pereira às 09:04

Gr%3Fcia confron.jpg

E quando Papademos diz que “a violência e as destruições não têm lugar em democracia” está a referir-se à democracia de que país? À grega, que também já não existe, não é com certeza. Imagino que a frase vinha no memorando que a Goldman Sachs lhe enviou logo pela fresquinha e um homem tem de fazer pela vida, sendo certo que isso passa por não aborrecer o (ex-)patrão.

A profunda estupidez destes pequenos seres não cessa de me surpreender. Será que eles acreditam mesmo que podem continuar a pisar o povo e impedir o curso natural da história? Vamos ver quanto mais dura esta palhaçada, embora eu ache que podíamos passar já adiante. Para a inevitável parte do inevitável golpe de Estado (na Grécia já cheira a overcooked).

De resto, e a este propósito, os "líderes" europeus têm-me feito lembrar aquele saudoso ministro iraquiano. Claro que não, meus caros, no pasa nada, continuem assim, que o povo é sereno. Até na hora de vos ir ao focinho. Toodles.

[citação de Papademos e imagem via Público]

Quinta-feira, 12.01.12

Uma visão sobre a crise do euro

por Luis Moreira às 14:00

 

 

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Quinta-feira, 29.12.11

Portugal e a Grécia podem ou querem sair do euro?

por Luis Moreira às 23:18

O Prémio Nobel diz que Portugal e a Grécia podem querer sair do euro, mas o jornalista diz que podem, o que quer dizer que saiem mesmo que não queiram.

Poder sair pode-se sempre desde que a decisão seja de outros, mas querer no caso não vejo como, pese embora  a consistência e coerência do Dr. Ferreira do Amaral.

""A União Europeia tem de estar preparada para a eventualidade de a Grécia ou Portugal poderem decidir que é do seu interesse sair em algum ponto", disse o professor de economia na Universidade de Nova Iorque em entrevista à Bloomberg TV.
O prémio Nobel da Economia de 2001 pôs uma parte importante da resolução da crise europeia do lado do Banco Central Europeu (BCE), considerando que este tem de "fazer o seu trabalho" assim como certificar-se de que o "sistema financeiro continua a funcionar".

Sábado, 10.12.11

Alemanha (take three): 1951 - Angela Merkel (Angela Merkel)

por Rogério da Costa Pereira às 19:51

Ich bin ein Berliner

Sexta-feira, 09.12.11

Tudo na mesma, como a lesma

por Francisco Clamote às 19:43
A cimeira da União Europeia, qualificada à partida como a cimeira do tudo ou nada, terminou, mas, ao que tudo indica, em relação à crise do euro e das dívidas soberanas, a actual situação vai continuar mais ou menos na mesma. 
A UE continua dividida, não apenas devido à intransigência do Reino Unido que pretendia obter"algumas derrogações às regras europeias de regulação dos serviços financeiros", mas sobretudo devido ao facto de o coro continuar desafinado, pois são quase tantas as vozes e os tons quantos os países representados. É verdade que há excepções como é o caso de Passos Coelho cuja voz se rege pelo diapasão da senhora Merkel, mas o número dos afinados não dá para formar um coro que se faça ouvir aos "mercados".
Com a Europa a duas velocidades, sem que se tenham afastado todas as dúvidas sobre a aprovação do acordo intergovernamental a consagrar um novo pacto orçamental entre os 17 países do euro e continuando o BCE a não assumir o papel de financiador de último recurso dos Estados membros, é muito provável que a instabilidade da zona euro se mantenha tal como como as ameaças das agências de rating que, ao que parece, já nem elas acreditam na receita da senhora Merkel/Passos Coelho: “Estratégias de ajustamento que se baseiem apenas num pilar, a austeridade, correm o risco de o remédio tornar a doença pior”.

Quinta-feira, 01.12.11

Alemanha propõe "união de estabilidade"

por Luis Moreira às 12:00

Uma Convenção dos 27 membros da UE vai avançar com as mudanças necessárias para que a estabilidade da Zona Euro fique consagrada para sempre a coberto de crises como a que vivemos. A Convenção será em Março e as negociações estarão firmadas no fim de 2012.

Segundo o ministro dos negócios estrangeiros Alemão, as alterações serão as estritamente necessárias para que a disciplina orçamental seja assegurada e que as sanções aos países incumpridores sejam automáticas. "Precisamos de uma resolução muito rápida das lacunas do tratado"

Mas o Reino Unido parece que não estará pelos ajustes e quer recuperar competências comunitárias. Se os ingleses colocarem obstáculos é muito possível que as alterações sejam só aplicáveis  aos 17 países do euro.

A ideia é integrar o Fundo Monetário Europeu (FME) no tratado de adesão e dar-lhe competências para interferir na gestão Orçamental dos países que lhe peçam ajuda financeira.

As verdadeiras medidas com força para enfrentar os mercados só começam a aparecer quando os grandes países verificaram que não estavam a coberto dos ataques. Antes tarde que nunca!

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Quarta-feira, 30.11.11

Berlim só salva o euro depois de mandar nas contas dos Estados

por Luis Moreira às 12:00
Eu, no lugar da senhora Merkel andaria mais depressa mas fazia a mesma coisa. Só "me atravesso" (como se diz na gíria) depois de ter a certeza que posso fazer alguma coisa para controlar os mesmos de sempre.
O que é necessário fazer para salvar o euro exige, que os países rigorosos se deixem amarrar aos que gastam alegremente. Com os eurobondes ganham os que pagam uma taxa superior à que passariam a pagar e, os que pagam uma taxa mais baixa passariam a pagar uma taxa mais alta. E, pior, sempre que os mercados apanhassem alguém em contra-pé pagavam todos.
Quem é que aceita isto sem, primeiro, ter acesso às contas dos Estados e dessa forma se antecipar e tomar as medidas correctivas necessárias?
Para isso é preciso introduzir alterações nos contratos e estatutos que servem de base à União Europeia e, isso, leva tempo. Demasiado tempo!
Mas neste momento, com os efeitos colaterais à porta, a França já está por tudo e a Alemanha já não tem com quem repartir o sucesso.
Salva o euro, leva a taça, passa a mandar na UE e fica tudo explicado aos seus conterrâneos que não a querem reeleger! De mestre!

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Terça-feira, 22.11.11

O BCE tem que imprimir dinheiro como se não houvesse amanhã....

por Luis Moreira às 11:00

Que medidas são necessárias para segurar o Euro?

A escalada dos juros da dívida pública de Itália e Espanha, revelou ao mundo aquilo que há muito tempo se antevira: A União Europeia está entre a espada e a parede. O dinheiro necessário para um eventual auxílio à Itália e à Espanha é demasiado elevado para que isso possa acontecer. Podemos falar em austeridade, em cooperação europeia e numa série de outros aspectos essenciais para a resolução desta crise mas é agora claro que ou o BCE imprime dinheiro como se não houvesse amanhã ou o Euro acaba.

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Quarta-feira, 16.11.11

Euro 2012

por Luis Moreira às 00:15

 

 

 

 

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Segunda-feira, 10.10.11

E fora do euro quem é que nos emprestava dinheiro?

por Luis Moreira às 10:00

Esta ideia de estarmos  fora do euro é que era bom não tem pés para andar.

Economicamente, produzimos metade da cidade de Paris, pelo que não contamos no contexto da globalização. Sair do euro só tinha uma vantagem - desvalorizar a moeda em 30% para nos tornarmos competitivos - mas isso é como termos na mão 100 e ao fim da tarde termos só 70. Desvalorizar é uma forma de empobrecer.

E, fora do euro, alguém nos emprestava o dinheiro que nos negam agora?

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Terça-feira, 04.10.11

E, no entanto, o Euro resiste face ao Dólar

por Luis Moreira às 16:00

É enigmática a resiliência da moeda Euro face às principais moedas. Deve-se a quê?

"Mas a persistência destas dificuldades levanta, logo à partida, uma questão: por que é que a Zona Euro foi criada? A turbulência dos mercados demonstra a necessidade de algum mecanismo institucional que possa assegurar uma maior estabilidade monetária. Uma moeda internacional é a solução mais óbvia.

O euro surgiu em resposta aos efeitos nefastos da instabilidade monetária internacional decorrente do colapso dos regimes de taxas de câmbio fixas, no início da década de 1970. Quando o dólar estava fraco, o capital fluiu para moedas alternativas, sobretudo para o iene japonês e para o marco alemão. Mas a apreciação das taxas de câmbio colocou grandes problemas nas indústrias exportadoras que eram centrais para o desempenho desses países; e ambos tentaram desesperadamente evitar tornarem-se moedas de reserva. "

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Domingo, 25.09.11

O que se podia fazer com 50 cêntimos...

por Luis Moreira às 14:00

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Quinta-feira, 08.09.11

Guerras civis e ditaduras se o euro se desintegrar

por Luis Moreira às 19:56

Isto é sério ( grave!)! Oxalá todos tenham aprendido a lição a tempo.

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Quarta-feira, 07.09.11

R2-D2

por Rogério da Costa Pereira às 10:40

Se fizer parte do Grande Plano da Troika e da...que...le...se...nhor...que...fa...la...ti...po...xa...nax... mudar-nos os nomes para algo mais perto do imenso e eterno e mui racional e sempre igual branco, se isso for bom para o negócio do défice ou para a depressão que vem ou não se vem ou para o superavit da ansiedade que esta imensa ficção exige ou para os mercados poderem voltar a nós ou nós a eles, se for mesmo importante para reduzir o que tem de ser aumentado e aumentar o que tem de ser reduzido, se algo como o Imposto Sobre o Apelido e o Nome Próprio estiver a ser cogitado pelas grandes mentes da pulp-fiction dos anos 50, eu candidato-me já à graça em título -- pagando a taxa devida, pois claro. Às escondidas, vou pedir aos meus amigos escondidos que, às escondidas, me tratem por Artoo-Detoo, com maiúsculas e tudo. Sempre é melhor que nada. Isto até que um deles me denuncie, pois está claro, que a vida não está fácil e os fatos-de-treino brancos andam pela hora da morte. 
Não, não brinco com coisas sérias. Não gosto é de ver a minha inteligência e o meu trabalho e os meus destinos insultados a cada dia, a cada hora. A cada respirar do senhor que prefere dar aulas de pé, como que para melhor nos hipnotizar. Dum lado para o outro, poing-ping, como num jogo de ténis falado em slow-motion. Não me convencem que isto é que é, que assim é que tem de ser. Porque, assim como as há jurídicas, esta é uma imensa ficção. Ainda não tive foi paciência para a (des)qualificar, mas nada disto existe, nada disto é fado, tudo isto não passa duma teia cuja aranha se esqueceu que fios não pode pisar. Estamos enrolados numa imensa e perigosa e insinuante canção de embalar, convencidos (persuadidos) que o monstro está debaixo da cama. Se calhar, acabo de publicar isto e entram-me aqui um senhores de metralhadora, por este tribunal onde perco mais uns passos. E levam-me. E apagam-me das fotos. E enchem-me a família de comprimidos que a fará acreditar que aquele outro sou eu. De que mais querem convencer-me? Sou todo vosso! É fartar, vilanagem!
Bem, agora tenho quase de ir. Estão ali a chamar-me. E ainda pelo meu nome antigo, há que aproveitar. Não vou poder rever isto. Ora aí vai... Se eu não escrever mais nada até ao fim-de-semana, não chamem a polícia. Continuemos a fazer de mortos. É capaz de ser mais saudável. E estas camisas que nos puseram, com estas mangas esquisitas e assim compridas, como se fosse só uma, são bem giras. Fazem lembrar os tempos do bibe infantil.

Quarta-feira, 10.08.11

Vídeo - o ataque ao Euro para proteger o dólar

por Luis Moreira às 22:49
Os Americanos andam sempre em conspirações, fazem da vida belos filmes de espionagem, nunca ninguém sabe quando estão a falar verdade. Quem estaria como peixe na água seriam as nossas secretas que de secreto não têm nada, deixam PEGADA do tamanho do pé de um boi (com vossa licença) mas , entrariam nestes filmes como donzelas no seu primeiro filme. Quero dizer, dispostas a tudo.
Aqui, o que é secreto aparece nas grandes cadeias de televisão, e funciona assim. Fazemos uma reunião secreta e o Tony vai a correr à CNN dizer que fizemos esta reunião secreta e que o que aprovamos foi o seguinte. Fuzilar o euro!
Enquanto isso, criamos o Tea Party e atacamos o dólar não deixando o presidente que não nasceu na América, aumentar o tecto da dívida soberana. Assim, atacamos também o dólar. É a chamada táctica da tenaz, usada pelo Hitler para dominar a França...
Isto anda tudo ligado. Vejam lá o vídeo!

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Sexta-feira, 22.07.11

Economia alemã: governo espera fim da recuperação económica “turbo”

por Rolf Dahmer às 17:37

SPIEGEL ONLINE de 22.07.2011 reza:

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A crise do euro e menos encomendas do estrangeiro travam o boom alemão. O governo e os peritos revêem em baixa os seus prognósticos de crescimento. Também nas próprias empresas a tendência arrefece.

Especialmente a indústria outrora tão forte, causa preocupação.

Artigo completo em alemão:

http://www.spiegel.de/wirtschaft/soziales/0,1518,775874,00.html

 

Afinal sempre era isso: "flor de pânico"! - de novo, tal como em 2007

"Feliz aquele que cedo se apercebe do falso raciocínio existente entre os seus desejos e as suas forças!”

Johann Wolfgang von Goethe

(Obra: Os Anos de Aprendizagem de Wilhelm Meister IV, 2)

 

É este o próximo passo a caminho da inevitável mudança de paradigma à qual os mecanismos cibernéticos de correcção nos obrigam – e que não podem ser iludidos. Portanto, sempre não era nenhuma crise totalmente vencida pela Alemanha nem uma mudança de paradigma consumada como tantos afirmaram,mas sim mais uma “flor de pânico” – de novo e tal como em 2007. Teremos que passar por isso, quer queiramos ou não. Não podemos continuar a enganar-nos,isto não ajuda.

E ainda leio em relação à cimeira que acaba de ter lugar em Bruxelas e onde alegadamente foi conseguida uma solução sustentável: “Parece que desta vez o golpe de libertação foi conseguido e que depois da deliberação em favor de novas ajudas para a Grécia, os mercados se acalmam. Todavia, as decisões da cimeira deverão mudar profundamente a Europa. Sobretudo países ricos como a Alemanha futuramente podem ser chamados com regularidade a fazerem de caixeiros”.

Isto significa quase uma União de Transferências factual realizada sem a respectiva alteração do tratado da UE. No entanto, a mesma só levaria à solução dos problemas europeus, se já existisse uma União Política

Infelizmente esta última a curto e médio prazo não é exequível com os nossos actuais políticos de peso leve e medíocres. Por isso, um passo intermédio prometedor neste caminho de uma União Política poderia constituir a minha proposta estratégicaNEW DEAL. Com efeito, a mesma quando levada a cabo, une os povos e trava o actual processo  de desintegração e de perda de coesão social. Quem pensa que deverá ser a Alemanha a garantir essa última,

entrando com dinheiro, está muito enganado, pois assim acabariamos numa união de miséria.

Talvez a política ainda descubra a „verdade“, quando as “decisões da cimeira que mudarão a Europa profundamente”começarem a fazer-se sentir dolorosamente também junto dos causadores da espiral negativa, isto é, a Alemanha e a restante entourage de liderança. Precisamente os fazedores medíocres terão então chegado ao fim da linha e com uma nova geração de líderes de pensar e agir holístico que então surgirá, finalmente poderia ter lugar um novo crescimento orgânico que permite que todos ganhem e ninguém mais fica para trás onde é “mordido pelos cães”.

Coisas utópicas? Nada disso, pois é assim que o universo regula normalmente quando as forças se encontram em equilibrio. Claro, a maioria das pessoas só está consciente da situação de crescente desequilibrio que vem tendo lugar nas últimas quatro décadas – é o paradigma deles e sistemas harmónicos para eles são uma anedota.

Contudo, tenho a certeza que voltaremos a equilibrar o nosso mundo. Basta ter fé por um lado e agir em conformidade com as leis da natureza – Deus, porque não? – por outro.

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Segunda-feira, 04.07.11

Já não é a economia, estúpido...

por Rogério da Costa Pereira às 18:12

"O economista Nouriel Roubini disse hoje, em entrevista ao Euro am Sonntag, que a situação de Portugal é "quase pior" que a da Grécia, referindo a falta de competitividade crónica como motivo.".

"Quase pior"é uma expressão que vale por si (não tenho a certeza, aliás, que a tradução seja fidedigna), mas a verdade é, mais do que qualquer esforço que Portugal faça, é deste tipo de declarações que os mercados se alimentam. É nisto que os ditos chafurdam. O que me faz escrever sobre um tema que não domino é simples. Isto já há muito deixou de ser Economia. Trata-se de estratégia pura, e disso ainda vou entendendo um bocadinho. No afã de não deixar Portugal sair do lodaçal, não por causa de Portugal, está visto, mas por causa do ataque concertado ao Euro, haverá sempre um senhor roubini a condicionar os mercados. E o "quase pior" desta questão é que o dito ataque tem aliados dentro e fora. Já há muito alguém decidiu acabar com o euro, parece não haver dúvidas sobre isso, o resto são meros ajustes pontuais do argumento.

A propósito de ajustes, também não deixa de ser irónica esta, para mim, nova (mas óbvia) questão: "O professor de economia berlinense Markus Kerber exigiu a saída da Alemanha do euro, face à crise das dívidas soberanas na Europa e à ameaça de bancarrota na Grécia, em artigo publicado hoje no jornal Handelsblatt."

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